Romance no Texas
2 Lindo
Notas iniciais
Povs Bella...
Baytown, Texas.
Assim que entrei na pequena casa e olhei ao redor dei um suspiro de satisfação. Era perfeita pra mim, aconchegante, simples, vai precisar apenas de uma leve pintura. Vir morar numa cidade no interior do Texas pode ter parecido meio radical, afinal fiquei viúva a pouco tempo, me afastei dos familiares que permaneciam na minha antiga cidade que era Nova Iorque, mas foi o melhor, eu sei. Não aguentava ver a preocupação nos olhos deles, e a pena por perder meu marido tão cedo.
Precisava sair dali, pois tudo e todos me lembravam Mike e aquilo me doía muito. Nunca fui apaixonada pelo meu marido, todavia vivíamos bem. Nada me dava mais prazer do que cozinhar pra ele, cuidar de suas roupas. Fui discriminada até na minha família por não ter uma carreira e ficar só em casa, porém era muito feliz assim. E agora que fiquei viúva e herdei uma enorme fortuna, pois meu marido era um corretor da bolsa de valores, entretanto, a vida pareceu perder o sentido.
Cuidar dele preenchia meu tempo, Mike passou a ser minha razão de viver. E depois que ele morreu, fiquei perdida, quem sabe não era melhor mesmo ter tido uma carreira, pelo menos teria com o que me ocupar, e não sofreria tanto. E se não fosse aquele maldito acidente de carro, tudo continuaria perfeito como antes. Mas, ele adorava correr, e numa determinada tarde no trânsito não viu o caminhão que vinha no sentido contrário... E foi assim que tudo ocorreu. Enxuguei algumas lágrimas que teimavam em cair. A decisão de vir pra um lugar desconhecido foi porque queria me encontrar e dar um sentido a minha vida. Mike me deixou infelizmente, todavia tenho que continuar.
Foi um pena que não tivemos filhos, agora teria companhia e uma lembrança sua. Não devia ter esperado, mas como adivinharia que ele ia me deixar? Assim que terminei de olhar as outras partes da casa, como cozinha, quintal, e sala resolvi subir e desfazer as malas. A viagem até aqui foi longa e cansativa. Precisava de um banho, e precisava pensar também no que faria daqui pra frente. Mike me deixou tanto dinheiro que poderia ficar sem trabalhar pelo resto da vida, entretanto queria fazer algo útil, e ocupar a mente pra não pensar na dor da perda.
Eu sempre cozinhei muito bem... Quem sabe não poderia vender bolos ou compotas? Sempre ouvi dizer que pessoas do interior adoram doces. Ainda não sei de fato o que me levou a vir pra Baytown, acho que foi o verde, o ar puro, a tranquilidade, o modo hospitaleiro das pessoas. Pois, Nova Iorque era o oposto. Gostei da paz do lugar. Precisava afogar a dor que me consumia e colocar a cabeça em ordem e tenho certeza que aqui farei isso. Assim que saí do banho, meu celular tocou, era Ângela minha cunhada e uma grande amiga.
– Alô, Bella! Como está? Já estamos sentindo sua falta.
Ângela assim como o resto de minha família não se conformavam que fosse viver tão longe e sozinha depois que enviuvei, achou que meu lugar nessa hora tão difícil era perto deles.
– Estou ótima, e vocês?
Ouvi o choro de seu pequeno filho, e a voz de seu marido Erick ao fundo. E sorri. Sim... Eu sentia falta deles, mas sei que fiz o melhor em ter vindo pra cá.
– Acho que sabe. Erick está tentando trocar a fralda de Seth, porém, nosso pequeno de apenas três meses não colabora.
Ela sorriu e a acompanhei.
– Eu imagino.
Eu tom ficou sério de repente.
– Tem certeza que vai ficar bem aí sozinha... Longe da gente nesse momento?
Engoli em seco, não deve ser fácil pra Ângela também perder o único irmão. De fato foi muito difícil me afastar, mas tudo que precisava nesse momento era ficar sozinha.
– Vou sim. O lugar é tranquilo, a casa que aluguei é uma beleza. Preciso desse tempo. Acho que entende, não é?
Ela deu um suspiro triste.
– Claro, entendo, sim. É que todos aqui sentem sua falta, inclusive seus pais.
Com certeza eles eram os mais inconformados com a minha partida.
– Eu não sei quanto tempo vou ficar, pode ser que volte antes do que imagina.
– Tomara. Agora preciso ir. Erick já estragou cinco fraldas. Te ligo mais tarde.
– Ok! Dá um beijo em todos, diga que os amo.
– Eu digo sim. Se cuida.
– Vocês também.
– E Bella... Eu sei que agora tudo parece muito difícil pra nós... Mas, sei que vai passar, você vai ver.
Minha voz embargou, e falei de maneira trêmula.
– Eu... espero, thau!
– Até.
Na manhã seguinte resolvi espantar a tristeza me concentrando na reforma da casa. Fiz uma lista das tintas que ia precisar e entrei na minha camionete. O tempo parecia bom, aliás, no Texas não deve chover, e eram só alguns quilômetros até o pequeno mercado da cidade. Mas, pelo visto me enganei e começou a chover sim e muito. O tempo fechou de tal maneira que por um momento pensei que era noite e não dia. Trovões riscaram o céu e estremeci de medo. A estrada começou a ficar escorregadia, e num pequeno descuido perdi a direção do carro e ele bateu fortemente contra uma árvore.
Minha cabeça doeu, assim como o corpo todo e por mais que tentasse não conseguia me mexer. Eu fiz força pra gritar, porém minha voz não saia. Deus... Então era isso? Saí de Nova Iorque não pra começar uma nova vida e sim pra perdê — la? e comecei a pensar na dor da minha família se eu realmente morresse, eles não aguentariam mais esse golpe, não mesmo. Consegui levantar um pouco os olhos, ainda chovia muito, e agradeci por estar de cinto, ou poderia ter sido jogada pra fora. E notei que um pequeno filete de sangue escorria da minha testa.
O resgate ainda pode me encontrar, mas essa é uma cidade muito pequena, o resgate pode demorar horas, e não sei a gravidade dos meus ferimentos ou se quebrei algum osso. Eu preciso me acalmar, por mais que fosse difícil não adiantaria nada ficar desesperada. Minha cabeça começou a girar e tinha certeza que ia desmaiar, e foi o que acontececeu em seguida quando a escuridão me invadiu. Acordei algum tempo depois, e percebi que agora uma chuva fraca batia em meu rosto, estava sendo carregada por um homem muito alto e forte.
Seus cabelos em tom de bronze estavam encharcados assim como suas roupas, mas foi seu rosto que me tirou o fôlego. Era um rosto anguloso, másculo, sua boca era cheia, e os olhos verdes e brilhantes. Seu cheiro era delicioso, almiscarado. Céus... Vai ver morri mesmo e estou nos braços de um anjo e falei a primeira coisa que veio a mente.
– Deus... Você é lindo.
Ele enrugou os cantos dos lábios como se segurasse um sorriso.
Continua...
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