Romance em Nova York

2 Um Restaurante Rústico


Notas iniciais
Olá para você que está aqui novamente para ler mais um capítulo dessa fic. Fiquei muito feliz por ter impressionado você Hazel. Espero que esteja aí... Obrigada a Nina Black por ser essa amiga tão especial que sempre me acompanha. Espero que esteja fazendo a coisa certa em deixar vocês na curiosidade.

Não conseguia acreditar que aquele dia estava passando mais rápido do que o normal. Benjamim havia dito que ainda faltava conversar com Amélia, então isso significava que poderia acontecer alguma coisa nesse processo, e por um momento passou pela minha cabeça em desistir.

– Não, você não pode desistir. Ele vai te ajudar então não se sinta culpada. Amélia não tem o direito de achar ruim, afinal ela acha que vocês são amigos. – Lexi deu um conselho.

– Mas nós somos amigos. – Devolvi já meio cansada de dizer isso.

– Não é isso que quase todos dizem pelos corredores. – Aurora entrou na sala dizendo.

– Como assim não é o que eles dizem? – Perguntei começando a ficar preocupada.

Ela se sentou em uma cadeira na minha frente, fez uma breve pausa e finalmente formulou a frase que queria ouvir:

– Ouvi Oliver conversando com a Carol do terceiro andar, eles falavam que tinham visto vocês dois juntos, e pior disse ainda que ouviu sair da sua boca que gosta de Bem.

Ótimo. Aquela séria uma boa noticia se caísse nos ouvidos de Amélia, isso se ela estivesse procurando alguma prova boa suficiente que mostrasse os meus sentimentos pelo Bem. Aí ela poderia fazer o que quisesse comigo, afinal ela estava no seu direito. Mas eu não concordava muito bem com isso.

Elas viram que eu não disse nada, que fiquei apenas parada encarando qualquer vazio, então Aurora quebrou o silêncio que me comia por dentro:

– Sei o que deve estar passando na sua cabeça, e por favor, tire essas ideias daí. Amélia não é assim tão esperta, e outra coisa ela é nossa amiga, não acho que poderia querer colocar qualquer peso nas suas costas em relação a Bem.

– Isso porque não a viu aqui na sala hoje mais cedo. Parecia que ia voar em cima de mim qualquer hora. – Disse revirando os olhos.

– Pode ser, mas ela não tem direito de afastar vocês dois, afinal como você mesma diz: Benjamim e Ema são amigos. – Lexi falou se rendendo como se aquilo fosse muito complicado de dizer.

– Obrigada. – Disse por ouvir a palavra amizade. Elas enfim tinham entendido.

O dia seguiu como todos os outros, com muito trabalho e cobrança. Rogers não apareceu no resto do dia. Devia ser por causa do cara importante. Terminei vários relatórios, comecei mais relatórios. Enfim, o dia estava cheio, mas tinham duas coisas que não saiam da minha cabeça, a capa e Benjamim. Ele estava colocando seu nome naquilo, se não ficasse boa nós dois agüentaríamos a responsabilidade.

– Ema não se esqueça de descer lá no primeiro andar e procurar saber sobre a manchete da capa. – Lexi passou em frente a minha sala e resolveu me lembrar do meu compromisso já esquecido.

Olhei no relógio. Era 17hs23min. Precisava fazer isso agora.

Deixei os relatórios prontos na mesa de Lexi e peguei o primeiro elevador que estava parado no andar. Estava sozinha, bem estranho numa empresa de mil funcionários. Desci muito bem, mas no terceiro andar ele parou. Era Benjamim.

– Oi. – Ele disse sorrindo quando me viu.

– Bem. – Respondi como se estivesse soltando um suspiro.

Ele entrou, a porta se fechou e quando ficamos em silêncio percebi que ele abria a boca como se quisesse falar alguma coisa, mas logo a fechava como se não estivesse pronto.

– Eu tentei falar com Amélia. Na verdade a única coisa que saiu da nossa “conversa” foram gritos dela. – Benjamim finalmente conseguiu falar alguma coisa, mas pude perceber que não era bem isso que ele queria dizer.

– Então você não conseguiu explicar? – Perguntei encarando o vazio na minha frente.

– Só consegui dizer que vou te ajudar com a capa, mas quando cheguei na parte de você ir lá em casa ela pirou. Amélia não esperou eu terminar de dizer, então tive que prometer que esqueceria essa ideia de te receber lá. – Ele respondeu com um certo lamento na voz.

– Então podemos fazer isso aqui mesmo, na empresa. – Tentei achar uma solução.

– Aqui não, até porque ela fecha depois da nossa saída. Tenho um jeito, mas teremos que quebrar regras. – Bem falou me olhando.

– Regras? Que tipo de regras?

– Regras da Amélia. Te encontro na minha casa hoje, mas eu te ligo antes de ir. – Ele respondeu sorrindo, mas não qualquer sorriso, aquele que crianças dão quando estão prestes a fazer arte.

– Como? – Perguntei preocupada, procurando consolo e solução em seus olhos.

– Confia em mim.

Quando ele disse isso a porta do elevador abriu. Estávamos no primeiro andar. Olhei para trás, ele me deu uma piscadela. Sorri em resposta e desci do elevador.

O andar era enorme, cheio de mesas e pessoas trabalhando em suas reportagens, algumas fazendo edição, outras fazendo entregas de recados ou documentos, e tinha as que estavam de passagem assim como eu. Precisava entrar mais fundo, andar por todas aquelas mesas, quando chegasse em dois corredores escolheria o da esquerda, e depois apenas andar reto.

Quando estava no corredor da esquerda, onde continha várias portas, eu ouvi um barulho estranho, era mesmo um barulho bem estranho de duas pessoas se beijando, respiração afobada, e um certo pingo de gemido na voz. Esse barulho vinha de uma porta a minha direita. Não pensei duas vezes e a abri, mas antes não tivesse feito isso.

Era a sala dos serventes. Tinham duas prateleiras, uma de cada lado, com produtos de limpeza, vassouras, baldes e muitas outras coisas, mas tinham duas pessoas que não pertenciam ao lugar.

– Oliver?! – Perguntei e ele me encarou.

Ele estava agarrado com uma garota ruiva de altura mediana. Ela quando me viu, ficou toda vermelha e não demorou muito para que saísse correndo e nos deixasse a sós.

– Eu sei quem ela é. A sobrinha de Rogers. – Fui a primeira a dizer alguma coisa dentro dos vários segundos de silêncio.

– É claro que você sabe. – Ele devolveu num tom arrogante.

– Por que anda espalhando boatos falsos entre Benjamim e eu? – Perguntei irritada. Aquela seria uma boa hora para conversar sobre isso.

Ele sorriu friamente e depois me puxou para dentro do pequeno quartinho. Antes que pudesse impedir e ficar sozinha com ele, Oliver fechou a porta e lá estávamos nós dois em poucos centímetros de distância.

– Porque eu sei que é verdade. – Ele respondeu olhando bem no fundo dos meus olhos, ainda com o sorriso no rosto.

– Não, não é verdade. Quantas vezes eu terei que repetir isso... – Ia dizendo, mas ele me interrompeu.

– Que vocês são amigos? Acho que não muito mais.

– O que quer dizer com isso? – Perguntei começando a ficar preocupada com essas palavras.

– Não vou parar de espalhar isso, pelo menos não até todo mundo se convencer disso... Até vocês mesmos. – Oliver disso num tom ameaçador.

– Não, você não vai... Ou terei que contar a Rogers sobre a linda cena que assisti hoje. – Devolvi desafiadoramente.

Ele congelou na hora. Sabia que quem mexia com ela não era tratado muito bem por Rogers.

– Não se atreva!

– Então pare com tudo isso, aí posso pensar em não dizer nada.

Oliver não falou nada, ficou ali apenas me olhando friamente. Depois de alguns segundos, ele assentiu rapidamente e saiu correndo daquele cômodo me deixando apenas com o meu orgulho, que nesse momento devia ter preenchido o quartinho inteiro.

(...)

Mais tarde acabei por descobrir que não teria manchete nenhuma, e até mesmo nenhuma noticia na capa. Eu pirei é claro, mas não podia discutir com o chefe de reportagens. Voltei para a minha sala na hora de ir embora.

– Você tem certeza que esse plano vai dar certo? – Aurora perguntou. Eu já tinha contado tudo da minha conversa com Bem.

– Eu não sei, mas é melhor tentar e não dar certo, do que não tentar.

– Espero que saiba o que está fazendo. – Ela alertou enquanto dirigia.

– Vai dá tudo certo, só preciso que me deixe naquele barzinho de esquina que fica perto do prédio dele, aí depois poderei seguir a pé. – Contei a ela meu plano.

Aurora me olhou de canto de olho pensando se deveria mesmo fazer isso. Sabia o que passava na cabeça dela. Mas precisava fazer, meu emprego estava em jogo.

– Só se prometer que vai me ligar assim que chegar a casa dele. – Ela disse me chantageando.

– Pode deixar, eu ligo. Vou ficar bem. – Respondi enquanto ela parava no semáforo.

Ela sorriu aliviada.

Alguns minutos depois eu estava sentada numa mesa de um bar lanchonete. O lugar era de mobília rústica, com bancadas, cadeiras coloridas, lustres com luzes de variadas cores, e uma banda que tocava logo na entrada do estabelecimento.

– Um suco de morango, por favor. – Disse assim que a garçonete parou na minha mesa.

Ela anotou num caderninho, assentiu e saiu.

Eu olhava a rua a procura de alguma coisa que pudesse prender minha atenção, quando duas mãos chegaram por trás e taparam meus olhos.

– Adivinha quem? – Uma voz masculina perguntou.

Não tinha como não saber.

– Isaac! – Exclamei.

Ele soltou suas mãos, me deu um beijo no rosto, e se sentou numa cadeira ao meu lado.

– O que faz aqui? – Perguntei sorrindo.

– Ah eu estava aqui perto então resolvi parar para tomar alguma coisa. – Ele respondeu enquanto mostrava um copo de cerveja na mão.

Sorri já meio acostumada com isso.

– E você, eu achei que estava em casa. – Ele meio que fez uma pergunta sem um ponto de interrogação.

– Eu tenho um compromisso aqui perto, mas estou esperando ele me ligar.

Ele? Quem é ele? – Isaac perguntou dando ênfase na palavra.

– Benjamim, do trabalho. – Respondi sem encará-lo.

Isaac balançou a cabeça concordando, mas não parecia nada feliz.

– Então... Como vai a busca ao emprego? Conseguiu? – Perguntei tentando mudar de assunto.

– Eu deixei um currículo em um escritório de advocacia hoje mais cedo, eles disseram que vão analisar e depois podem me ligar. – Ele respondeu entre um gole de cerveja.

– Isso é ótimo Isaac! – Exclamei feliz por ele.

Isaac sorriu e colocou uma de suas mãos em cima da minha, que estava sobre a mesa.

Ele me encarava enquanto sorria. Aquilo durou alguns segundos, até meu celular tocar. Apareceu Benjamim escrito na tela.

Não pensei duas vezes antes de pegar o celular. Percebi que Isaac logo tirou sua mão de cima da minha.

– Alô!

– Ema... Bom, Amélia acabou de sair, se ainda estiver a fim de uma ajuda... – Benjamim disse fazendo gracinha.

– Claro que sim... Vou assim que puder. – Respondi sorrindo.

– Estarei te esperando lá embaixo...

– Tudo bem, obrigado.

– Eu quem agradeço. – Bem disse, e eu pude ouvir um sorrindo brotando em seu rosto.

Assim que desliguei o telefone, a garçonete apareceu com o meu suco.

– Aqui está senhorita. – Ela disse colocando o copo na mesa.

Assenti com um sorriso e ela foi embora.

– Era ele não era? – Isaac perguntou enquanto procurava alguma expressão no meu rosto. Talvez de algum sentimento por Benjamim.

Balancei a cabeça concordando.

– Afinal, que trabalho é esse que você vai fazer na casa dele? – Ele perguntou se curvando para mais perto da mesa.

– É uma longa história. – Respondi. Ele me olhou como se ainda estivesse esperando uma resposta melhor, não uma simples frase com quatro palavras. – É a capa, meu trabalho que não é meu. Era da Mia, mas ela conseguiu, de um jeito que não sei como, passar essa tarefa para mim.

– Mas por que precisa da ajuda dele?

– Como eu disse, é uma longa história. – Devolvi dando um sorriso amarelo.

Ele sorriu não muito contente, e se recompôs na cadeira novamente, como um ato de desistência.

– Tenho que ir... Benjamim está me esperando. – Depois de segundos eu disse enquanto deixava o dinheiro do suco na mesa, e me levantava.

– Você não está de carro... – Isaac falou me seguindo.

– Não, mas é aqui perto, vou andando mesmo.

– Claro que não... Não vou deixar. – Ele devolveu entrando na minha frente.

Sorri como se não tivesse acreditando naquilo, mordi o lábio pensando naquela proposta tentadora. Seus olhos azuis procuravam os meus, seus músculos estavam todos rígidos, como se alguma coisa errada e perigosa estivesse à ponta de acontecer.

– Tudo bem... Aceito que me leve. – Disse me rendendo. Pude perceber seu corpo se relaxando.

– Quem disse que estava te oferecendo uma carona?! – Ele perguntou dando risadas da sua própria piada.

– Ah é assim... Irei andando mesmo! – Devolvi virando as costas querendo ir embora.

Antes que pudesse fazer qualquer coisa, ele colocou o copo numa mesa ao lado, veio correndo até mim e me abraçou por trás. Senti seus braços fortes envoltos da minha cintura, sua respiração acelerada estava no rumo da minha nuca.

– Onde pensa que vai mocinha? – Ele sussurrou na minha orelha.

Aquilo fez meu corpo inteiro arrepiar. Desde quando ele tinha esse poder sobre mim? Quando me dei por conta, estava sorrindo, sorrindo de alegria.

Ele se soltou de mim, e eu virei para encará-lo. Podia ver uma felicidade tão enorme que saia pelos olhos, pelo seu sorriso de dentes retos e brancos. Era bom vê-lo assim.

Isaac estendeu o braço para mim, aceitei e fomos para o carro de braços entrelaçados.

Notas finais
Gostaria de duas coisas... Primeira: sugestões. Podem dizer o que querem que aconteça. Segunda: opiniões. A fic está ficando boa, legal, algum erro... Então pois bem, gostaria de comentários. Beijos e até mais. Personagem: Oliver Gared: Lucas Till