Rolling Girl

16 Capítulo XVI - Carmesim


Notas iniciais
Yoooo minna-san o/ Assuntos importantíssimos nas notas finais, não esqueçam de conferir após a leitura.

— Não Miku, você está fazendo errado... De novo. — o loiro ao seu lado disse pela milésima vez naquela tarde ensolarada de uma quinta-feira qualquer. Talvez nem tão qualquer assim.

A garota com longas caudas gêmeas da cor peculiar turquesa estava horrivelmente entediada. Passara-se três semanas desde aquele episódio estranho na sala de músicas e, desde então, começou a frequentar novamente as aulas particulares de Len, já que o mesmo insistira tanto. Não podia negar que seu estômago se revirava só de lembrar-se daquela tarde. Ou de como seu coração parecia explodir quando a voz do rapaz invadia seus ouvidos ao mesmo tempo em que seu olfato capitava sua loção com cheiro que lembrava vagamente a canela.

Não só ela estava estranha, como sua amiga, IA, também estava curiosamente anormal. Ela ficava ainda mais esquisita quando Rei aparecia. Bastava o moreno dar as caras que a rosada se calava e direcionava seu olhar para algum ponto aleatório da paisagem.

— Miku? Você está me ouvindo? — a voz de Len a arrancou de seus pensamentos. A garota teal virou-se e fitou o loiro, formando um biquinho com seus lábios.

— Estou entediada e ficando com fome. — ela resmungou antes de cair sobre a bancada do quarto do rapaz.

Eles ficaram uns segundos em silêncio para ver quem iria desistir primeiro. Vendo que a garota não iria voltar para seus estudos tão cedo, o Kagamine decidiu se levantar e soltou um suspiro de leve antes de deslizar seu olhar safira para Miku, que continuava debruçada sobre os cadernos e livros.

— Muito bem, vamos dar uma volta, aqui em casa não tem nada muito relevante para comer, porém aqui perto tem o parque e tem uma sorveteria por lá. — quando ele terminou, em um piscar de olhos Miku já estava a postos com um enorme sorriso vencedor estampado em seu rosto.

Sem perceber o loiro também sorriu.

=/=

Os dois andavam lado a lado em direção ao parque central, em um silêncio calmo. Miku hora ou outra desviava sua atenção para Len, que parecia não reparar. Ela notou como seu cabelo parecia brilhar em um dourado cativante quando banhado com a luz solar, tal cor era diferente de, por exemplo, o olhar de Rei, enigmático e distante. Não, a luz dourada que emanava do garoto ao seu lado era como o próprio sol, quente reconfortante.

Em mais uma das rápidas olhadas, Miku deparou-se com os habituais fones de ouvido que Len sempre trazia consigo. Não conseguia imaginar como alguém não se cansava de carregar aquilo toda hora. Era raro quando o via ouvindo música com eles porque, na maioria das vezes, o eletrônico servia apenas de acessório.

Um vento fraco varreu a rua um tanto movimentada, causando o costumeiro farfalhar das árvores e fazendo as mechas de Miku balançarem com o vento. A menina, por sua vez, levou as mãos para tentar arrumar o cabelo, em vão. Ela ouviu um riso rouco ao seu lado e virou-se para o loiro.

— O que foi? — perguntou com uma pequena carranca se formando em sua testa.

— Nada, nada. — ele disse, balançando de leve sua mão, como se tentasse afastar o assunto. — Enfim, chegamos.

Miku olhou para o outro lado da faixa de pedestres para dar de cara com o extenso parque decorado de puro verde e rosa. Era primavera afinal. Não havia época melhor para se encantar com as maravilhosas cerejeiras. Mas mesmo assim o verão viria daqui a alguns poucos meses e, enfim, teria as tão amadas férias de verão, ao mesmo tempo em que veria Haku voar para longe.

Balançou a cabeça de leve, tentando afastar o pensamento. Len observou a inquietude da garota, mas decidiu não tocar no assunto, pois, com a mesma rapidez que veio, ela já se fora.

Ao adentrarem no parque, Miku atirou sua cabeça para trás, se deparando com o teto de pétalas cor de rosa a cima de sua cabeça, não deixou de sorrir. Não havia só cerejeiras por lá, de quebra podia-se ver alguns outros tipos de árvores, mas, no entanto, aquelas próximas aos caminhos do parque eram, em sua maioria, sakuras. Então, quando se olhava para cima, poderia se contemplar as belas flores símbolo da estação.

Len observou o olhar de Miku tomando um brilho diferente em quanto a mesma contemplava a beleza natural do parque e ele mesmo não deixou de sorrir por causa daqueles olhos infantis.

O rapaz parou em frente algumas árvores aleatórias.

— Espere por aqui, eu vou comprar o sorvete. Prefere de que?

Miku apoiou o queixo entre o dedão e o indicador, parecendo pensar no assunto com certa cautela.

— Caramelo!

Len se despediu com um aceno e a deixou lá.

Sem nada em mente para se fazer, decidiu apenas se sentar em baixo de um tronco próximo, abraçando seus joelhos com o ato.

Ouviu o doce canto dos pássaros a cima de si e tombou sua cabeça para trás novamente, desta vez para observar os pequenos animais. Alguma coisa irrompeu a cantiga das aves, fazendo Miku se levantar por instinto.

— Len? — chamou antes de se virar.

Para sua surpresa, não, não era Len e, para seu desgosto, as novas presenças se mostraram ser três pessoas. Uma garota seguida de dois rapazes.

O primeiro era o mais baixo dentre todos ali presentes. Seu nome era Oliver, estudava na mesma escola que a garota, ele era um garoto de feição adorável, exceto pelo seu olhar. Ele lembrava vagamente a sua irmã, Mayu.

O outro rapaz era o mais alto, tinha cabelos acinzentados e olhos avermelhados, parecia ser o mais velho também. Talvez quase com a mesma idade que o irmão de Miku, Hatsune Mikuo.

A terceira e única garota do trio, foi a que mais deixara as articulações de Miku tensas. Aqueles olhos vermelhos e longos cabelos da cor de cinzas. Sukone Tei.

— Miku-chan, então você está tendo uma tarde agradável com o Len, não é mesmo? — perguntou com falsa simpatia.

A garota teal estava pronta para responder quando Tei fizera um gesto rápido com a cabeça e, em um piscar de olhos, as duas figuras masculinas avançaram contra Miku, que estava pronta para recuar se não fosse o tronco atrás de si. Fechou os olhos, preparando-se para o impacto quando sentiu ambos os pulsos sendo agarrados bruscamente e presos contra a madeira. Quando os olhos turquesa enfim foram abertos, Miku descobrira que cada um dos rapazes estava segurando firmemente cada um dos pulsos e prendendo-os à árvore, deixando as costas de Miku sentirem o casco arranhando de forma dolorosa e os braços começarem a doer com a posição.

Ela olhou para frente, vendo Tei aproximar-se em passos lentos. Pensou em gritar alto para que alguém a ouvisse, porém, quando ambas já estavam de frente uma para a outra, a mais alta tapou sua boca com a mão esquerda e levantou a outra ameaçadoramente. Miku fechou os olhos, esperando o tapa que se seguiria, porém sentiu a mão tocar levemente sua bochecha.

Abrira os olhos para ver Tei a analisando, deslizando suas mãos pelo seu rosto e estudando sua feição.

— O que o Len viu em você? — deixara escapar, endurecendo seus dedos e fazendo com que suas unhas cravassem na bochecha esquerda de Miku dolorosamente. — Eu não entendo nem mesmo o que você está fazendo. — Tei desceu suas unhas lentamente, deixando um rastro de um líquido, tão vermelho quanto seus olhos, pela pele antes branca e perfeita de Miku.

Por sua vez, Miku tentava se soltar, porém não esperava que os garotos a deixassem sair tão cedo. Parecia que quanto mais ela lutava mais profundo Tei afundava suas unhas em sua carne. Soltou um grunhido de dor quando a outra afundou-se mais ainda em sua bochecha.

Seus olhos arderam quando sentiu os outros dois seres atrás de si puxando dolorosamente seus braços para trás da árvore. Ouviu Sukone falando mais algumas palavras, porém sua atenção estava em como impedir que demonstrasse o quão doloroso aquilo era.

No fundo dos olhos da cor de sangue, Miku conseguiu ver uma fagulha perigosa e no momento soube que, por qualquer movimento em falso, essa fagulha se tornaria uma piromania de Sukone Tei.

Seu rosto estava ardendo e agora estava quase impossível de prender as lágrimas. Sentiu a mão de Tei apertar ainda mais sua boca, tentando impedir qualquer soluço ou grunhido.

— Hey! Vocês aí! — uma voz furiosa estourou nos ouvidos dos quatro. Fazendo com que os rapazes soltasse Miku e Tei recuasse dois passos da garota, que caíra ajoelhada no chão, liberando algumas lágrimas em quanto levava suas mãos até a ferida recém-aberta em sua bochecha. — Saiam, agora! — Len gritou com a voz tremendo em uma ira crescente.

Tei parecia que ia desabar chorando, mas apenas saiu correndo, sendo seguida pelos seus dois acompanhantes.

Len desatou a correr para a garota caída, ajoelhando-se a sua frente, tentando examinar o estrago em seu rosto. Seu rosto se contraiu de leve com a visão do sangue escorrendo pelas mãos de Miku.

— Vamos, em casa tem curativo.

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Len tentou voltar o mais rápido possível para sua casa. Quando finalmente pôs os pés para dentro, deixou Miku sentada em um dos sofás e foi correndo para a cozinha. Em um dos inúmeros armários, agarrou o kit. Ao abri-lo, pegou um remédio de feridas e material para um curativo.

Ao voltar para a sala, tratou de aplicar um pouco do remédio nos cortes, sentindo Miku se contrair de leve com a ardência e fechar os olhos. Ao terminar, começou a montar o curativo. Um pedaço de gaze e depois o prendeu na bochecha com dois pedaços de esparadrapos.

Ao terminar, pousou sua mão no curativo recém-feito. Instintivamente, Miku fechou os olhos e deixou a cabeça pender na palma da mão do loiro, que sorriu com o ato.

Ele se aproximou de leve do rosto da menor, que não vira tal ato devido aos olhos fechados. Miku estava tão dispersa em sentimentos que não percebera nada, só quando sentiu uma pressão em seus lábios foi que abriu os olhos para se deparar com o rosto do loiro tão próximo ao seu.

Um beijo.

Sim, era aquilo. Um beijo. Teria ela perdido tanto sangue que desmaiou e agora estava tendo sonhos bobos? Não. A ferida ainda doía. Seus pensamentos se dissiparam quando sentiu Len empurrando-a um pouco mais, fazendo-a se inclinar em direção a borda do sofá.

Len enlaçou a cintura da garota quando percebeu que ela estava devolvendo o beijo da melhor maneira que sua falta de experiência permitia.

Miku sentiu algo quente e húmido roçando seu lábio inferior e depois uma leve mordida no mesmo, quase a fazendo engasgar de surpresa. Tal movimento permitiu que o loiro adentrasse em sua boca e, por fim, encontrando a língua da garota, que estremeceu com o toque.

A garota tomou uma lufada de ar para seus pulmões, deixando um rastro de saliva que logo fora quebrado com a distância. Antes que pudesse perceber, Len se aproximou para outro beijo. Miku pulou de surpresa com a reconexão deles. Teve de admitir que não sabia bem o que fazer, nunca havia beijado ninguém, já Len havia experimentado 80% das garotas da escola e mais outras garotas aleatórias da cidade.

— Len! Cheguei! — a voz de Ann, mãe de Len, ressoou da porta de entrada.

Como na velocidade da luz, Len e Miku se separaram e se ajeitaram no sofá antes da figura adulta os encontrar.

— Ah, você está aí Miku-chan. — Ann disse dando um sorriso. — Espera, o que houve com seu rosto?

— Ahn... Eu... Ah é, eu... Eu acho que j-já vou indo... Hehe... Está ficando tarde... — Miku tentara falar.

— Oh, que pena. — o sorriso da mais velha sumiu. — Então eu vou indo trocar de roupa, até mais Miku-chan.

— Ahn... Eu vou abrir a porta pra você. — Len disse.

Os dois se levantaram do estofado e foram em direção a porta que a mãe do loiro acabara de chegar. Ao destrancá-la, Miku deu um rápido “tchau” e desviou sua atenção para o caminho a ser tomado.

Ao sair, porém, sentiu um puxão forte em seu pulso, pela segunda na mesma tarde, antes de sentir a mesma pressão quente, só que dessa vez, pentre o seu ferimento e o canto dos lábios. Naquele momento, parecia que metade de seu sangue foi parar em suas bochechas.

— Até amanhã então. — o loiro disse ao desviar seu olhar para um canto aleatório com uma quase imperceptível vermelhidão em seu rosto.

~Leiam as notas finais

Notas finais
HEEEEEY O/ Okay, okay. Aqui temos uns assuntos muito importantíssimos para nós falarmos. 1º - Dia 4 eu vou sair de viajem e eu acho que volto em menos de duas semanas (porque eu não tenho as datas certinhas), nesse pequeno período eu não irei postas, ooown :c Eu sei, mas vou apreciar esse momento e levarei um caderninho pra ver se consigo escrever alguma coisa na viagem. 2º - Eu estou notando que muitos de vocês parecem aprovar o casal IA x Rei, então eu estava discutindo com alguns leitores de, no futuro, poder fazer um capítulo centrado apenas neles, mas apenas um capítulo, no máximo um e meio, porque essa fic ainda é LenKu e esse meu OTP diwa u.u Digam o que vocês acham. Kissus e me desejem boa viagem (porque seria TRÁGICO se eu morresse e nunca mais postasse... )