Rolling Girl

14 Capítulo XIV - Egoísmo


Notas iniciais
YEEEY. E aí pessoal, estou aqui, PRIMEIRAMENTE, quero agradecer e dedicar esse capítulo ao iMidnight pela sua linda recomendação. Sério, DUAS RECOMENDAÇÕES??? Eu juro que nem eu meus sonhos mais viajados eu iria imaginar que minha fic LenKu teria toda essa repercussão. Também agradeço a todos os leitores que me apoiam com seus comentários motivadores que me ajudam a continuar essa fic, mesmo tendo alguns shipps mais peculiares (nem tanto) que o universo Vocaloid. Obrigada seus divos e divas do kokoro PS: Importante aviso nas notas finais, okay?

Se a situação entre Len e Miku estava complicada antes, agora podia ser comparada ao caos. O loiro já estava extremamente irritado com a garota, que continuava o tratando feito uma assombração assim que seus olhares se cruzavam e o ignorando completamente sempre que podia.

Constantemente ele a via andando pelos corredores com os dois amigos. A garota de longos cabelos róseos e o rapaz calado que, para Len, parecia uma sombra de tanto seguir as duas meninas para todos os lados. Desde o dia que o moreno de olhos peculiares o provocou na aula de educação física, Len havia criado certa inimizade com o estrangeiro, porém nada que viesse a dar muitos problemas. Nunca chegara a trocar reais palavras com Rei, pois sabia que talvez só viesse a dar mais confusões, o que era uma coisa que ele estava tentando evitar.

Porém não podia negar que, ao ver Miku estando tão próxima dele, em quanto a mesma evitava o loiro com todas as forças, fazia-o sentir algo estranho, não sabia se chegava a ser ciúme ou inveja, mas uma inquietude e sentimento de rivalidade com o moreno.

E, para ele, já estava mais do que na hora de dar um basta naquela história. Sabia que estava sendo extremamente egoísta ao querer que Miku voltasse a conversar com ele como antes, sabe-se lá porque o desejo tão repentino, porém não podia mais negar que queria a garota normal novamente. Voltar a poder conversar com ela no chat, impedir de que ela falte a mais aulas e, em um desejo mais egoísta, torna-la mais amigável, seja com ele ou com os outros.

Um flash de lembrança de uns dias anteriores passou pela sua mente, o dia que a sua curiosidade e desconfiança foram mais visíveis que nunca.

[ FlashBack ON ]

Era começo da semana, numa segunda-feira húmida de primavera que Len andava para fora do prédio da escola de tarde, já que as aulas haviam finalmente acabado. Iria esperar sua irmã nos portões da escola para que pudessem ir juntos para casa.

Na semana passada, Miku havia mais uma vez faltado suas aulas, pois ela disse que teria que ajudar IA com algumas tarefas de casa que a rosada não poderia cumprir sem sua ajuda. Ele dissera que tudo bem e optou por remarcar a aula, mas foi negado pela garota que logo dera as costas sem dar-lhe a chance de resposta.

Len soltou um suspiro.

— Aquela irresponsável... — murmurou para si, com as mãos dentro dos bolsos.

Foi quando, na luz que o sol proporcionava, uma garota de longos cabelos rosados quase esbarrou nele, mas ambos foram rápidos o suficiente para pararem a tempo. Então Len notou os olhos cristalinos de IA que o fitavam assustado.

— Ãhn... E-eu... Sinto muito! — disse se curvando em um pedido formal de desculpas. O loiro olhou para ela, mudo, até que decidiu se pronunciar.

— Está tudo bem. Então, você e Miku conseguiram arrumar tudo naquele dia? — ele perguntou um pouco curioso.

IA levantou o olhar e Len pode ver confusão pintada neles. O deixando-o igualmente confuso.

— Do que você está falando, Len-san? — a rosada perguntou, ainda um pouco temerosa.

— Bom... A Miku disse que ela foi na sua casa quinta-feira passada porque você precisava de ajuda com algumas tarefas. — Len coçou sua nuca e arqueou uma sobrancelha.

A garota a sua frente parecia mais confusa que antes, tentando ver pelos olhos de Len se ele estava mentindo ou não.

— Desculpa Len-san, mas a Miku nunca chegou a ir à minha casa.

[ FlashBack Off ]

De seu assento na sala de aula, Len olhou na diagonal, fitando a garota de cabelos turquesa e, para evitar boatos, deslizou seu olhar para fora da janela, ainda com a garota em sua mente.

Estava decido, ainda naquele dia iria falar com ela. Queira Miku ou não.

=/=

O abençoado intervalo do almoço chegou para fazer os estudantes saírem animados a fim de almoçar tranquilamente mais um dia. Len, porém, mandou seus amigos irem na frente e ficara para trás, petiscando algumas coisas de seu bentō até que as pessoas do corredor pareceram diminuir consideravelmente. Tivera que pedir licença para uma garota aleatória assim que viu Miku sair da sala com Rei e IA.

Seu olhar azul cerúleo encontrou o azul petróleo dos de Miku que, assim como todas as vezes anteriores, virou-se para frente e ignorou-o por completo. Ah! As vezes achava que ela fazia isso com o propósito de fazê-lo experimentar o que ela sofreu durante muito tempo graças a, principalmente, ele.

Deixara-os tomarem distância antes de finalmente sair do lugar e acha-los no ponto de costume. Em baixo da árvore. Ficara um bom tempo observando o nada até que Miku finalmente se levantara. O loiro pode a ver gesticulando com os lábios, falando alguma coisa e logo depois se afastar dos dois. Len a seguiu novamente, agora ela o levou até um banheiro feminino, onde o mesmo esperou pacientemente.

O corredor estava estranhamente vazio, devia ser porque a garota escolhera o menos usado pelas estudantes femininas da escola. Depois de alguns curtos minutos, Miku saiu e deu de cara com o loiro, que estava recostado na parede de frente para a porta, com os braços cruzados e com o olhar parecendo procurar uma resposta.

A garota tomou um desespero que não pudera descrever. Olhou para os lados, percebendo estarem a sós e, nessa hora, se amaldiçoou por ter o costume de usar o banheiro mais distinto do colégio.

— Não tem ninguém por perto, Miku. — a voz de Len soou pelos ouvidos de Miku de tal forma que lançou um arrepiou pela sua espinha, fazendo-a engolir em seco. — Acho que já está na hora de nós conversarmos não é?

— Eu não sei do que você está falando, Len. — disse, ponderando suas palavras. — É melhor eu ir, IA e Rei estão me esperando.

Miku virou-se para tomar seu caminho, porém sentiu um forte puxão em seu pulso que a fez recuar os passos que havia dado.

No segundo seguinte sentiu a parede gélida em suas costas e ambos seus pulsos fortemente presos pelas mãos do loiro que estava a sua frente agora. Oh, como aquela situação se tornara constrangedora. Tanto para Miku quanto para Len. Nenhum dos dois estava muito confortável, mas não era agora que ele iria desistir, muito menos por um motivo tão fútil.

— É melhor você não tentar fugir agora e não me venha com mais uma desculpa. — o loiro disse sem pestanejar.

— Do que você está falando? — ela perguntou na defensiva, ainda com os pulsos sendo segurados firmemente, mas não o suficiente para que sentisse dor. Nesse instante, as íris de Len tremeram com um sentimento perigoso ao mesmo tempo em que ele trincava os dentes, fazendo com que seus olhos parecessem cintilar ameaçadoramente.

— Não me venha com essa, não agora. — cuspiu. — Eu tive uma conversa com sua amiga, e achei engraçado de ela nem ao menos saber que você foi na casa dela para ajudar com as tarefas.

Xeque mate.

Miku sentiu as pernas tremerem de leve e um arrepio por todo o seu corpo e tudo se intensificou com o olhar, tão afiado feito lâmina, do loiro a sua frente. O que diria agora? Daria mais alguma desculpa? Sentiu seus pulsos amolecerem, mas como ainda estavam sendo segurados, não chegaram a desabar ao lado de seu corpo.

— E-eu...

— Se eu for falar com essa tal de Haku será que ela irá confirmar que você teve que ajuda-la com a casa e depois ir a um aniversário da amiga dela? — ele perguntou, calando de vez a garota que só faltava tremer. Fez questão de suavizar seu olhar, o que, pelo visto, a fez relaxar um pouco mais. — Olha Miku, eu não sei o que eu fiz, mas eu gostaria de deixarmos tudo claro.

— Você não entende... — ela murmurou, tão baixo quanto um suspiro.

— Já disse, me faça entender. — ele pediu.

— Pare de tentar! — ela aumentara o tom de voz, irritada, levantando seu olhar para o loiro e avançando contra o mesmo. Tal surpresa o fez se afastar um pouco e livrar seus pulsos da parede. — Por que você continua com isso? Pare de fingir que se importa e volta a ser a pessoa que eu sei que você é! Você é o cara que ficou me assombrando e me odiando por mais de um ano, então por que essa “importância” toda justo agora?

Foi com espanto no olhar que Len notara os olhos turqueses da garota tomarem uma tonalidade avermelhada e, logo depois, um brilho doloroso que descobrira ser as lágrimas se formando.

— Miku, eu...

— Não! Você nada! Você me odeia, e é isso. Nada a mais. — ela disse antes de dar-lhe as costas e sair pelo corredor com o sinal, indicando o final do intervalo, soando pela escola. Mesmo de costas, Len podia ver que a garota tentara secar os olhos e conter a expressão de tristeza mista com raiva.

Agora sim ele estava mais curioso. Se havia um defeito nele que o mesmo odiava era sua imensa curiosidade. Ver Miku enlouquecer daquele jeito o deixara assustado, porém com ainda mais vontade de saber o que estava por trás daquelas palavras. Era estranho, nas primeiras semanas, tudo estava bem. Eles conversavam normalmente, parecidos até com amigos e, agora, aquilo.

Ainda não era hora de desistir.

=/=

Era sexta-feira agora. Miku havia faltado a aula de Len novamente, dessa vez sem dar desculpas, muito menos um aviso, o deixando irritado novamente e ainda mais convicto a descobrir o que se passava com ela.

Foi então que, no final da aula daquele mesmo dia, ele decidiu tentar falar com a garota novamente. Seguiu-a assim que a viu tomar um caminho diferente do usual. Ela parecia andar rápido de mais e com pressa demasiada, o que o deixou confuso, e ainda mais por ver que ela não estava indo para fora do prédio e sim para uma sala aleatória.

Ao chegar em um novo corredor ele se viu meio perdido, pois não conseguia encontrar Miku em lugar algum.

— Que maravilha... — bufou ao notar que não havia nenhum rastro de turquesa em lugar algum.

Foi aí que ele ouviu.

Kanashimi no umi ni shizunda watashi /Para mim, que afundei no mar de tristeza

Me o akeru no mo okkuu/Até abrir os olhos é um aborrecimento.

Kono mama doko made mo ochite yuki/ Se eu continuar caindo assim, sem rumo

Dare ni mo mitsukerarenai no ka na/Será que ninguém conseguirá me encontrar?

Aquela voz, ele a conhecia. Só ainda não conseguia assimilar direito. Os pés de Len foram o levando até o lugar de onde essa tão suave melodia vinha.

Doko e mukai nani o sureba/Para onde eu irei, o que devo fazer?

Futo sashikomu hitosuji no hikari/De repente, um feixe de luz brilhou lá do alto.

Te o nobaseba todokisou da kedo/Se esticasse minhas mãos, sinto que alcançaria

Nami ni sarawarete miushinatta/Mas fui levada pelas ondas e o perdi de vista

Len se vira parado a frente de uma sala com a placa “Sala de Música” e, por uma fresta na porta pode ver, muito nitidamente, Miku de frente para um aparelho de som que emitia a música, porém a voz estava ali, ao vivo, saindo de sua boca.

Are wa ittai nan datta no ka na/Pergunto-me, o que foi aquilo,

Atatakakute mabushikatta no/Tão cálido e deslumbrante?

Muishiki no kauntaa-irumineeshon/Uma inconsciente contra-iluminação. . .

Usotsuki wa dare/Quem é a mentirosa?

O loiro pode ouvir Miku tomar fôlego antes da próxima estrofe e começou a notar a letra da música que ela cantava.

Shinkai shoujo madamada shizumu/A garota das profundezas do mar continua a afundar

Kurayami no kanata e tojikomoru/Trancando-se além da escuridão

Shinkai shoujo da kedo shiritai/ A garota das profundezas do mar deseja saber mais

Kokoro hikareru ano hito o mitsuketa kara/ Pois achou quem cativasse seu coração

O contraste entre letra e melodia tornava a música mais bela ainda aos ouvidos de Len, que nem percebera que havia trancado a própria respiração, com medo de intervir na canção.

Hiru mo yoru mo nakatta kono basho/Neste lugar não existia dia nem noite

Na no ni nemurenai yoru wa tsuzuku/mas minhas noites de insônia continuam

Jiyuu no hane ookiku horogete/ Abrindo suas asas da liberdade

Oyogu anata wa kirei deshita/ Você era lindo enquanto nadava

Soshite mata hikari wa furisosogu/Então a luz surgiu novamente

Mitorete itara me ga atta/Ao assistir fascinada, nossos olhares se encontram

Kizuite kocchi o furikaeru anata ni/ Você percebeu e virou para cá

Usotsuki na watashi/Mas uma mentirosa como eu...

Ah, mais uma corrente elétrica correu pelo corpo do rapaz que se encontrava estático, encostado na parede e bisbilhotando pelo vão da porta.

Shinkai shoujo wazawaza shizumu / A garota das profundezas do mar afunda intencionalmente

Kurayami no sanaka ni akai hoo/Bochechas vermelhas no meio da escuridão

Shinkai shoujo hadaka no kokoro o miseru yuuki/O mar negro ainda não permite que a garota das profundezas

Kuroi umi ga mada yurusanai/ do mar mostrasse seu coração nu

Konna ni fuku wa yogorete shimatta/Minhas roupas já se sujaram dessa maneira

Egao mo minikuku yugande itta/E meu sorriso se tornou retorcido e desagradável

Dare ni mo awaseru kao nante nai no/Não tenho condições de encontrar ninguém

Mou houtte oite yo/Me deixem em paz!

“Ela canta bem...Não, ela canta assustadoramente bem” Len pensou, mas ao mesmo tempo sentiu seu coração acelerando de um modo indescritível e uma queimação insuportável em seu rosto. Aquietou-se um pouco quando ouviu a garota retomar a letra.

Koe ni naranai kimochi ga afurete toketa/Os sentimentos que não demonstrei, transbordaram e derreteram

Tsugi no shunkan kimi ga totsuzen sugata o keshita/No instante seguinte você desapareceu repentinamente...

Curiosamente, a melodia continuou, mas Miku havia parado de cantar. Len franziu o cenho, como se quisesse ouvir a parte que faltava. Usufruir mais daquela voz que ainda não fora descoberta e, por um momento, ele gostou de ser, provavelmente, um dos únicos que tivera a honra de ouvi-la. Ah, como ele era egoísta.

Deixando seus pés o levarem mais uma vez, ele entrou na sala, ainda ouvindo a trilha sonora da música tocando e a garota parada, pensativa e olhando para o estéreo, como se esperasse uma resposta que não viria tão cedo.

— Linda voz. — Len manifestou-se, fazendo com que a garota a sua frente pulasse com um susto um tanto quanto cômico.

Notas finais
HEEEY BABYS, gostaram? Okay... LEIAM AQUI! Tenho uma pergunta really, really séria. Tipo, MUITO MESMO! E ela se baseia em: o que vocês achariam de Hentai. Eu, inicialmente, não pensava nisso para a história, mas vieram algumas pessoas aqui (uma, duas, três pessoas, enfim), daí eu fiquei imaginando o que geral acha. E quando eu digo "geral" não é só o Nyah, ou só o SocialSpirit, não, geral é geral e envolve todos os leitores, até mesmo você, o fantasminha. Eu tive várias ideias para decidir. Eu poderia fazer uma Oneshot separada, poderia incluir um capítulo extra no final da fanfic ou poderia simplesmente mudar a classificação. Entooon, o que vocês acham? Kissus