Rolling Girl

15 Capítulo XV - Mudar de ideia


Notas iniciais
Yeeey, olha eu aqui no meio da semana novamente. Finalmente terminei o cap 16 e posso postar o 15. Uffa... Ta bom, agora o sério, gente, vocês me matam do coração de tanta felicidade. Poxa, quero dedicar esse capítulo as leitoras: Kagamine Miku (essa é shipper sauhasuhuas) e a Ganbi (que pelo visto parece leitora nova, então seja bem-vinda caso seja mesmo >w

IA andava pelos corredores vazios da escola novamente. Miku a muito já havia ido para a sala de música a fim de tentar compensar o tempo que não pudera usar no clube de música ao qual fora proibida de participar.

A garota de olhos azuis cristalinos estava inquieta, pois vira que Len havia dado uma “escapada” e seguira sua amiga pela escola. Agora Lya só podia rezar para que tudo desse certo. Ainda não perdoara completamente o loiro por tudo o que fizera, entretanto, não podia negar que ele havia se tornado mais gentil, tanto com ela mesma quanto Miku. Aqueles dois haviam se aproximado muito após toda aquela confusão de sites, perfis anônimos... E química.

Porém tudo havia um lado negativo e toda essa confusão reavivou antigos sentimentos que Miku queria mais era enterrar a sete palmos do chão e nunca mais voltar a prova-los novamente.

IA ficara tão dispersa em pensamentos que nem notara o semáforo indicando a luz verde até que sentira um puxão brusco em seu antebraço e, logo em seguida, reparou os carros que passavam acelerados no lugar onde ela, supostamente, estaria caso não tivesse sido abordada.

Ela redirecionou-se a ponto de dar de frente com uma imensidão de dourado.

— Rei? — murmurou ao fitar o semblante indiferente do moreno.

— Você devia tomar mais cuidado quando vai passar por uma avenida. —disse, tão simplório como costumava agir.

IA soltou um riso abafado.

— Eu sinto muito, estava meio pensativa. — seu olhar se dirigiu para a faixa de pedestres.

O sinal se tornou para o amarelo antes de retornar para o vermelho. Ambos, IA e Rei, agora andavam lado a lado silenciosamente em quanto passavam pela faixa.

— Bom... O que você veio fazer aqui no centro? — ela perguntou, tentando dar início a uma conversa. Rei indicou um café de aparência rústica logo à frente. — Balsam Flavor? — repetira o nome no letreiro. — Um café? — perguntou ao moreno que emitira um sorriso modesto.

— Gosto de lugares como esse. — respondeu. — Quer vir comigo?

— Eu? Com você? — perguntou quando ambos pararam a frente das portas do local. — Eu não tenho nenhum dinheiro aqui comigo.

— Tudo bem, eu pago dessa vez.

Ela não pode negar, pois ele já havia tomado sua frente e entrado pelas portas de madeira feitas a mão. O lugar se mostrava assim como imaginara, porém a decoração indicava que os preços poderiam variar um pouco mais do que seu bolço estava acostumado. Logo uma garçonete viera os atender e os levou para uma mesa. IA não pode deixar de notar os olhares que seu acompanhante recebia do público feminino, mas não as culpava, a aparência do estrangeiro era muito atraente. Sem notar ela corou com os próprios pensamentos.

— O que vão querer? — a mesma garçonete de antes viera os perguntar.

— Eu vou querer um creppe de morangos com chocolate e um frappé de baunilha, por favor. — os olhos de Rei movimentaram-se em quanto lia os trechos do menu.

— E para a senhorita?

— Ahn... Eu? — IA varreu o menu com o olhar, mas as coisas que a chamavam a atenção pareciam terrivelmente caras.

— Ela vai querer o mesmo. — ouviu a voz do moreno se manifestar. Antes de poder dizer alguma coisa contra, a garçonete se fora.

— Rei... Creppes são caros. — ela o viu sorrir pela segunda vez em menos de vinte minutos... okay, aquilo era estranho.

— Tem motivos para terem o preço que possuem. Os creppes daqui são deliciosos, melhores que os que eu comi em Oslo.

IA teria de anotar o interesse em doces do rapaz.

=/=

— O que você está fazendo aqui? — Miku vacilou quando disparou seus olhos para o garoto a sua frente. Quando ela encontrou seu olhar, foi como ligar seu coração a uma tomada e ele disparasse com tudo.

Eram os olhos de Len tão intenso antes? Agora a simples palavra “cerúleo” não poderia descrevê-los. Sentia como se tivessem substituído seus orbes por duas joias perigosamente volúpias, criando uma forte vontade de mergulhar naquele azul vibrante.

O loiro ficara quieto por alguns segundos, não sabia como diria do porque que estava ali. Por algum motivo ele a havia magoado e encontrava-se lá para descobrir o que estava de errado, principalmente depois daquela conversa em que Miku se tornara alterada.

— Eu vim te procurar para terminar a conversa desses dias. — disse sem hesitar, recebendo uma expressão de leve pânico da garota. — Eu vim te seguindo até ouvir a canção, que foi linda por sinal, mas... Parece que não foi terminada.

Ele percebeu Miku alternando seu peso de uma perna para a outra, com as mãos unidas atrás das costas e fitando um ponto aleatório no vazio. Ele reconhecia aquele seu semblante, provavelmente procurando uma desculpa, mas, pelo visto, não conseguia achar nenhum a tempo.

— Falar a verdade não dói sabia? — Len sentou-se em um banco que estava disposto na sala, ainda com seu olhar fitando intensamente a garota, como se fosse um gatilho impedindo-a de fazer qualquer movimento em falso.

— Eu... Queria dar um final feliz para a música, mas... — sua voz morreu, atraindo mais ainda a atenção do rapaz.

Miku queria que aquilo acabasse. Sentia como se estivesse sendo torturada por aquele olhar que não a deixava sequer pensar direito. Sua boca se tornara seca e mais que nunca queria poder beber alguma coisa, principalmente porque acabara de cantar uma música deveras longa. Agora ainda tinha de arranjar um modo de sair daquela situação sem precisar revelar mais coisas do que gostaria. Não sabia o quanto poderia contar a Len, assim como não sabia até aonde poderia conter suas próprias palavras para o mesmo.

— Mas...? — ele solicitou com afinco em sua voz.

— Eu não... — ela estava uma confusão. Sua mente gritava-lhe para calar a boca, todavia, seu corpo reagia de forma divergente, desobedecendo todas as ordens que lhe davam.

Len observava a hesitação evidente de Miku com uma sobrancelha arqueada e um semblante preocupado. Aquela canção... Ele nunca a havia ouvido, então julgara ter sido feita pela garota de turquesa. Porém, sua letra,... Parecia tão triste. Julgava que esta descrevia um romance que era, obviamente, falho.

— Você ainda não conseguiu encontrar o final feliz, não é? — arriscou, recebendo um afirmativo silencioso de Miku, que ainda não tivera coragem de dirigir-lhe um olhar novamente. — Você canta maravilhosamente bem, Miku. — suspirou, em uma pausa rápida. — Eu não sei o que eu fiz para te deixar tão aborrecida, então eu acho que seria melhor se eu souber o que está acontecendo, assim posso me desculpar de uma maneira apropriada.

— Obrigada pelo elogio, Len, mas... esse problema, eu gostaria de não compartilhar com ninguém. — não conseguira acrescentar outras palavras, não saberia o que mais precisava dizer para poder ficar sozinha.

Contudo, Len decidiu não seguir o seu plano e permanecera onde estava sentado, não desviando seu olhar nem por um segundo do rosto da garota inquieta. Ela parecia tão frágil e desanimada em quanto era iluminada pela luz que vinha das janelas naquela tarde.

O loiro limpou a garganta.

— Da última vez, você disse que era para eu voltar a te odiar. Eu não entendo, Miku, porque você insiste em renegar as outras pessoas? Foi a mesma coisa na minha casa, você não queria conversar com ninguém. Porque você faz isso? — ele tinha mais perguntas formuladas, mas parou quando notou os punhos da garota cerrados e tremendo de leve. Ela parecia estar apertando tão forte que ele, por um momento, temera que ela se machucasse sem querer com as próprias unhas. Seus olhos estavam sendo cobertos pela sombra de sua franja, mas ainda eram visíveis, com o mesmo fosco de quando ela chorava. — Miku? — a chamou pelo nome, levantando-se inconscientemente da banqueta e dando um passo em sua direção.

— Eu já disse pra todo o clube de teatro o por que de tudo isso. — ela desabafou, recebendo incentivo do loiro que se aproximava lentamente. — Eu tenho medo de me machucar de novo. Nunca tive muitos amigos, mas, comparada aos que tenho agora, a Miku de dois anos atrás tinha um número muito maior. Quando eu vi todos eles rindo de mim e logo depois me ignorando, porque tinham medo de virar parte da piada que eu passei a ser, doeu... Muito. Não quero ter de passar por tudo isso de novo.

A garota sentia as tão costumeiras lágrimas desfocando sua visão, impedindo-a de ver nitidamente um palmo a sua frente. Sentiu-se tão exausta de repente, assim como a súbita vontade de se deitar em sua cama, se tapar dos pés a cabeça e não sair do seu quarto pelo resto do dia.

Foi quando ela sentiu um calor extra em volta de si, o que a fez arregalar os olhos, expandindo suas íris turquesa que tremiam de leve com o toque repentino. Tudo o que ela podia ver agora era o negro do uniforme do rapaz, que a abraçara sem mais nem menos. O loiro enlaçara a cintura de Miku com um braço e o outro traçava um caminho pelas costas da garota até onde sua mão repousava no topo de sua cabeleira azul-petróleo.

Pela primeira vez eles estavam tão pertos. Tão pertos que Miku podia sentir a colônia de Len, que lembrava vagamente à canela. Já ele, podia sentir o cheiro floral do shampoo de Miku. Tocar suas longas madeixas de cor exótica entre os dedos fizera-os parecer formigar. Imaginou o quanto de cuidado a dona das mechas deveria tomar para fazê-los tão sedosos e macios.

— Miku, eu não posso dizer que eu entendo, porque eu nunca cheguei a passar por algo do gênero, mas não acho certo o que você decide fazer. Não me importa se eu te odiava a um mês ou se quer a uma hora atrás, eu não me sinto mais assim em relação a você, se é isso que você quer saber. E, se mesmo assim você ainda quer que eu te odeie, então eu vou fazer você mudar de ideia. — cada palavra que ele proferia fazia o choque de Miku aumentar. Sem perceber, se via agarrada a jaqueta do uniforme masculino do rapaz.

Não foi dita mais nenhuma palavra nos minutos que se passaram, o silêncio só era quebrado uma vez ou outra quando Miku fungava baixinho, tentando conter o bolo que surgiu em sua garganta ao mesmo tempo em que secava seus olhos.

Passaram-se ao todo três minutos em que eles se encontravam na mesma posição. Não tivera mais nenhuma ação ou tentativa de maior aproximação durante esse tempo, até que Len decidiu que já era hora de tomar distância e foi quando notou o semblante de Miku, que parecia levemente mais suave. Ele sorriu.

— Só vê se não falta mais as aulas, okay? Se você ir mal em química, Lily-sensei vai me culpar. — disse ao dar ênfase nas últimas palavras em meio a risadas, sendo acompanhado pela garota, porém ela fora um pouco mais baixa. — Agora vamos sair da escola que nós devemos ser os únicos por aqui a essa hora.

Miku assentiu, ainda com um sorriso fraco estampado em seu rosto.

Notas finais
Nhaaaw, gostaram? Sim, eu SEI que não rolou kissus nem nada, mas... se serve de consolo, o próximo capítulo está com um recheio extra de tretas w