Roleta Russa

6 To Good At Goodbyes


Notas iniciais
Um super obrigada a Carol Costa que deixou comentários em todos os capítulos da fanfic! Te dedico, linda! ❤ ❤ Beijos

Sonya / Yawá

Foi tudo muito rápido.

Num segundo reconheceu o filho da mãe que acabou com a carreira dela só voltou a enxergar novamente quando sentiu alguém a empurrar contra a parede.

Outro Pantera Negra, que usava as mesmas roupas que Erik, a sufocava com ambas as mãos enquanto que Okoye e suas guerreiras mantinham suas lanças apontadas na direção deles.

— O que você fez a ela? — Shuri grita para Erik que estava com marcas de arranhão em seu rosto, além da varanda completamente destruída.

Suas roupas ainda estavam nela, mas parecia ter feito um grande estrago no lugar, o que era no mínimo bizarro.

— Eu sei lá, talvez eu tenha usado as credenciais dela pra roubar a SHIELD, mas... — Killmonger comenta como se não fosse nada demais.

— Eu fui pra cadeia por sua culpa! E vou matá-lo com minhas próprias mãos seu monte de merda! — rosnando furiosa Yawá tentou se desvencilhar-se do herói a sua frente.

— Chega! — a pressionando pelo pescoço o Pantera Negra a paralisou por completo.

Como que por mágica, a doutora ficou imóvel o fitando surpresa. Não tinha ideia do que tinha acontecido, mas a julgar pela irmã do Rei que pediu que ninguém comentasse aquilo com ninguém, imaginou que talvez ao avançar em Erik, T'Challa tivesse saído para buscar ajuda e não visto nada.

Embora não tivesse se transformado por completo, conseguia ver com precisão e até mesmo rosnava agora baixo como um felino acuado por um predador.

O que era algo novo, pois nunca havia sido dominada pelo seu lado animal em forma humana. Tampouco teve seu lado animal dominado por um homem comum.

— Vá para seu quarto, doutora. — o herói sussurrou no ouvido sério, mas logo que a libertou foi prontamente atendido.

Sem conseguir pensar no que teria a feito ceder tão facilmente à ordem do Pantera Negra, Yawá caminhou em silêncio para fora do lugar sendo seguida por Peter e escoltada pelas guerreiras do Rei.

— Acho que a senhora precisa sair de Wakanda o mais rápido possível. — Parker comentou antes de ser silenciado por Okoye.

A general disse que o levaria até seu quarto e que as suas guerreiras fariam o mesmo com a doutora.

Ciente que estavam tentando esconder alguma coisa, Yawá decidiu esperar chegar a seu quarto para entrar em contato com seu ajudante e descobrir o que houve.

T'Challa

Ainda sem entender o que aconteceu um pouco antes, ficou em silêncio absoluto até que viu Mimi passar pelas portas sem olhar nenhuma vez para trás.

— Como você sabia que ela obedeceria a Shuri? — o Rei exige saber indo até o seu primo.

— Os arquivos da SHIELD possuíam muita coisa a respeito de Wakanda e suas histórias. — Erik começa a falar se se encostando à mesa.

Se não tivesse sido rápido e pedido que Shuri sua irmã mais nova, mandasse Yawá parar, certamente a doutora teria feito bem mais que deixar as marcas de sua unha na cara daquele homem.

— O que você sabe sobre a doutora e sua ligação com Wakanda? — T'Challa perguntou sério.

— Só o básico. Alguém como ela só obedece aos comandos dos descendentes do primeiro Pantera Negra. — explica Killmonger se afastando.

— O que ela é? — Shuri interveio rapidamente.

— Espólio de guerra. — Erik limitando a responder sai apressado da sala.

— "Espólio"? — ambos os irmãos repetiram em tom descrente.

— Vai me dizer que acharam que a erva coração fosse a única coisa que receberam de Bast? — gritando da saída o homem sumiu de vista.

— Mamãe disse que ela era um presente de Bast para fortalecer a linhagem da Pantera Negra...

Bem, aquilo realmente condizia com o que sua mãe havia dito, mas porque Erik disse de maneira tão estranha aquela informação? E por que ele sabia que a doutora somente obedecia aos comandos dele e de sua irmãzinha?

Inconformado pelas poucas explicações T'Challa saiu atrás do seu primo, mas não o encontrou em lugar algum.

Onde teria ido aquele idiota?

Sonya /Yawá

Após tomar um banho, mudar de roupas, foi até seu computador e logo se animou com a única boa notícia desde o início do mês.

Uma vez ciente que não conseguiria voltar ao trabalho nem tão cedo, Yawá decidiu que já era hora de começar as buscas por sua mãe.

Ainda mais que agora tinha recebido o e-mail da embaixada Russa com todos os arquivos recuperados no notebook de seus pais adotivos.

Lá tinha todas as pesquisas deles, incluindo a da origem de sua filha. Arquivo que ela leu apenas o que na hora pareceu importante, o nome do lugar de onde veio.

“Não se preocupe comigo...

Fui dar uma volta e já, já, estarei de volta! Explico-te melhor depois!

P. S.: Peça ao Parker pra continuar por hoje com você.

Com amor, Yawá. “

Ciente que quem a procuraria seria Shuri deixou o bilhete para tranquilizá-la e não mandar mais guerreiras atrás dela.

Usando seus anos de Pakour, a mulher usou suas habilidades de escalada sem equipamentos para entrar no quarto de Parker, usando a varanda dele, que ficava uma boa distância de onde Yawá estava.

— Doutora? — Peter fala quase gritando ao a ver batendo na porta da varanda.

— Shiu! Diga-me o que aconteceu logo! Não temos muito tempo!

— Você olhou pra o Pantera Negra e, do nada, seus olhos pareceram mudar e ninguém conseguiu parar você! — comentando rápido ele gesticulava ansioso. — Depois de uma luta muito animal você arranhou o cara assim, — imitando-a fez a mulher sorrir. — ele gritou algo pra Shuri e ela gritou "Pare!" pra você... — enquanto contava Peter foi interrompido pelo som da maçaneta sendo movida por alguém.

Provavelmente seu foco foi para a princesa e aproveitando a brecha, o Pantera Negra a prendeu contra a parede usando a distração de Yawá contra ela mesma. Nada que fosse de fato interessante ou incomum.

O que havia de errado naquilo? Teria deixado algo passar?

— Trouxe o que eu pedi a Stark? — perguntou Yawá apressada.

Por e-mail, quando ficara doente dias atrás, a doutora pediu a Stark que a mandasse alguns itens através de Peter Parker, a fim de usá-los para casos de emergência.

Animado Peter correu até sua bolsa, tirou de lá duas armas e um par de luvas que tinham que servir para o que ela iria fazer.

— Bom garoto. Se perguntarem... — guardando os seus itens recebeu um olhar sério do rapaz.

— Nunca nem vi. — Parker dá de ombros indo até a porta.

Saindo pela varanda, entrou novamente em seu quarto, colocou suas luvas, tirou seus saltos, pegou algumas frutas, duas garrafas de água sobre a mesa em seu grande quarto, jogando numa bolsa que antes escondia seu caderno de desenho, agora repleto de imagens de pessoas em Wakanda, deixou suas armas num coldre que preferiu esconder atrás da mesa de cabeceira e caminha apressada em direção à sacada.

Ao escutar baterem a porta, fechou a porta da varanda, subiu na beirada e saltou de lá.

Usando as luvas, criou uma barreira tecnológica que a impediu de se ferir, se colocando logo de pé, saindo de vista.

Graças a sua luva tinha acesso ao GPS e logo conseguiria chegar à aldeia onde viveu até ser levada do país.

A cidade de Azania era apenas uma hora de caminhada de Wakanda e no pequeno vilarejo Baako, onde nasceu e sua mãe ficou, poderia começar as buscas por sua família.

Após uma longa caminhada encontrou a vila que não parecia ter mudado nada desde que saiu.

Crianças e adultos em estado deplorável, a olhavam curiosos seguindo até o único comércio do lugar, onde Mimi reconheceu o senhor cansado, que já tinha cabelos grisalhos, marcas do tempo em seu rosto, usando roupas simples.

— Senhor Kagiso Diya? — chama o senhor que estreitou os olhos.

Olhando-o agora não o via como um homem alto de sorriso gentil, sim como um idoso que tinha seu rosto marcado e expressão cansada.

— Shukura Okeke? — assustado o senhor a confundiu com sua mãe.

— Sou eu, Yawá...! — começando a falar e logo silenciada pelo mesmo.

— Venha, menina Yawá! — Kagiso levanta com agilidade e a arrasta para sua venda, fechando a porta em seguida

Por que raios ele estava tão assustado?

— Você precisa ir embora, menina.

— Embora? Como assim? — Yawá segura à mão do homem que fala algo baixo a levando para saída dos fundos da loja.

— Tem gasolina pra chegar a capital e de lá você pode ir pra longe. — explicando ansioso o senhor a entregou as chaves.

— Kagiso! Preciso ver minha mãe

— Shukura se foi! A muito tempo... Sua casa é apenas cinzas, menina Yawá. Vai pra longe e não volta! Por favor. — o senhor Diya quase a empurra para dentro do veículo nervoso.

— Cinzas? Houve um incêndio lá? — perguntando curiosa recebe um olhar irritado.

— Vá embora! — ele repetiu impaciente.

— Me leve até em casa primeiro! — a doutora rebate igualmente sem paciência.

Furioso, o senhor entrou no carro e ela o imitou, sentando no banco do passageiro em silêncio.

— De lá você vai partir para o mais longe que puder. — Kagiso exigindo sério é ignorado pela mulher.

Resmungou um falso "Que seja" apenas para que ele a levasse de uma vez até sua casa que, segundo Kagiso, eram apenas cinzas e destroços atualmente.

Para seu espanto o local não possuía nada além de destroços, tampouco algum sinal de vida da sua mãe e os dois irmãos mais velhos da doutora.

— Paki e Kalu? O que houve a eles? — perguntou ao senhor que negou com a cabeça.

— Se foi há muito tempo, menina. — Diya conta triste à mulher que se ajoelhou e ficou parada no meio do nada observando o que deveria ser sua casa.

— O incêndio. Quando foi? — questionando ao mais velho, Yawá recebe um olhar de pena.

— Logo depois que você sumiu Yawá.

Anos fantasiando, imaginando e sonhando com o dia que finalmente reencontraria sua família adotiva pra chegar a sua casa e descobrir que tudo se tornou cinzas. Doía tanto que não conseguia sequer pensar em mais nada.

— Estou sozinha. Não tenho mais ninguém. — conclui baixo antes de um movimento nos destroços chamar sua atenção.

Ao contrário do que o senhor Diya fez, correu na direção do barulho e encontrou lá um gatinho faminto agonizando.

Usando a tampa de sua garrafa, deixou água para que ele bebesse e enchendo pela terceira vez a tampa deu a água ao senhor ao seu lado, que notou interessado na água que possuía.

— Aqui, — Yawá entrega também as duas maçãs e a outra garrafa de água. — pode ficar com tudo isso...

— Eu não posso. — Kagiso tentou negar envergonhado.

— Não se preocupe. — insistindo a mulher convenceu o senhor que leva tudo para o seu carro.

Colocando o filhote em sua pequena bolsa, o carregando consigo até a metade do caminho em seu colo, pediu para que o senhor Diya parasse para que ela deixasse o filhote de gato na floresta, entretanto acabou de lá voltando para Wakanda, sem sequer se despedir do homem que vivia a dando comida na infância.

Ainda que o sol não tivesse sido tão ruim, seus pés devido à caminhada sangravam muito e mesmo assim não conseguia sentir nada.

Saber que não possuía família alguma a deixou tão infeliz que nada a faria reagir nem tão cedo.

Ignorando a movimentação da bolsa, o filhote descansava nela, enquanto Yawá se aproximava da fronteira de Wakanda.

Logo que chegou a fronteira foi reconhecida por uma guerreira que vendo seu estado deplorável a levou até um carro para voltar à casa do Rei.

Sem pensar muito, Yawá se olhou no reflexo do carro e avaliou por alguns instantes antes de concluir que estava uma verdadeira merda naquele dia.

Seus cabelos cacheados que sempre estavam volumosos e muito brilhantes estavam sujos, desengrenhados e cobertos por finas camadas de areia, assim como seu rosto e todo resto do corpo. Seu vestido cinza se encontrava em pedaços, com a barra da saia rasgados, devido a ter passado na mata antes de chegar lá, além de um rasgo enorme que resultou numa fenda estranha no tecido.

Embora seus olhos inchados bastassem, sua maquiagem borrada era mais um forte indício que havia chorado recentemente e devido a isso preferiu desistir de fingir que nada aconteceu, segurando a sua bolsa onde seu novo bichinho de estimação dormia e por fim pegando no sono.

— Isso no chão é sangue? — ouviu Shuri perguntar a alguém que respondeu rápido.

Incapaz de entender o que acontecia, Yawá preferiu continuar com os olhos fechados e retomar seu sono, pois não tinha vontade alguma de responder perguntas.

— T'Challa? Pode me ajudar a carregar ela? — chamando seu irmão é logo respondida.

Não conseguia entender o que diziam, mas logo sentiu alguém a suspender e aquilo a deixou mais desperta.

— Pode me deixar no chão. Eu tô bem. — sussurra no ouvido de quem a carregava sem abrir os olhos.

— Você está péssima. — o homem, que agora reconheceu como o irmão de Shuri, afirmou em resposta.

— E sabe de quem é a culpa? — Yawá abrindo um olho o observa curioso, antes de encostar sua cabeça próxima à nuca dele.

Deveria se esforçar mais pra se afastar, mas aquele cuidado de Rei, mesmo que fosse parte da educação de alguém nascido em Wakanda, era tão bom que acabava não conseguindo se afastar. Estaria mais carente que o normal ou apenas enlouquecendo?

— Não tenho a menor ideia de quem é a culpa. — o Rei de Wakanda responde sincero.

— É minha. — Yawá limita a contar em tom baixo.

T'Challa usava suas roupas tradicionais e mesmo com a pouca luz conseguiu ver seu sorriso divertido antes de voltar a se encostar nele, que não lembrava de ter reparado antes, mas que diga-se de passagem, achava muito bonito naquele momento.

— Sinto que terei que hospedá-la num quarto sem janelas nem portas caso continue a fugir daqui.

— Olha, se o quarto for seu, acredite em mim quando digo que jamais iria querer fugir novamente, sua alteza. — rebateu a doutora sem pensar muito no que dizia.

— Ah é? Por quê? — com inocência o homem retruca interessado.

— A luz pra desenhar é ótima. — consertando a merda que havia dito a doutora se ajeita nos braços dele que começou a rir.

— A luz. Ela gostou da luz.

— E o que você achou que fosse, seu iludido? — Shuri quase grita para quem quiser ouvir.

Com sono, preferiu continuar com os olhos fechados até que sentiu alguém a deitar em uma superfície macia e não ouviu mais nada.

T'Challa

Sorrindo consigo mesmo, o Rei observou a mulher que descansava na cama dele. Vendo-a descansando parecia muito cruel acordar Yawá para que fizesse qualquer coisa, logo preferiu continuar a deixá-la dormir.

Os cabelos cacheados faziam uma confusão adorável no entorno do rosto oval, sempre fechado, mas agora tranquilo da convidada.

Ainda que sempre focados em outras áreas, gostava de ver o brilho nos olhos castanhos de Yawá. Eles, juntamente com o sorriso doce, que atualmente tiravam-lhe o sossego graças aos lábios muito marcantes da doutora, que mesmo quando T'Challa tentava a todo custo não passavam despercebidos por ele em momento algum, formavam o rosto que mais via quando fechava seus olhos.

E mesmo que nunca tivesse tido chance, não conseguia se impedir de fazer aquilo que seu corpo insistia em ordenar que a mente o dissesse, continuar desejando tê-la. Mesmo que em sonhos.

— Você podia ter a levado para o quarto dela, maninho. — Shuri também analisando a moça que dormia alfineta o irmão mais velho.

— Ela gosta da luz daqui. — usando uma desculpa esfarrapada foi até sua mesa com alguns relatórios.

Lá deixou o caderno com vários desenhos, dele, de sua irmã, todas as pessoas com quem Yawá havia falado e até mesmo de pessoas que não fazia ideia de quem fosse. Sim, ele o pegou enquanto eles procuravam pistas do por que a convidada sumir mais uma vez sem motivos algum.

Embora tivesse no início acreditado que talvez seu sumiço tivesse a ver com a morte de Oxossi, a pantera de estimação da doutora, logo se preocupou ao ver os resultados da autópsia do animal que indicava que o animal foi envenenado com uma toxina desconhecida.

— Não acho certo você invadir a privacidade dela.

Sim, concordava veemente com sua irmã, ao menos sua parte mais sensata, que o alertava não ser aconselhável agir daquela maneira com a sua convidada, mas havia tanto que queria saber sobre Yawá! Precisava descobrir algo que o indicasse como se aproximar daquela mulher. E que o permitisse descobrir mais sobre a mesma e seu passado em Wakanda.

— OK. Leve isso daqui. — começou a falar antes de tentar entregar o caderno e algo cair.

Ao pegar a folha, se deparou com um desenho muito bem detalhado dele, sentado numa cadeira, folheando um livro em meio a vários outros sobre uma mesa que o Rei de Wakanda bem conhecia.

Ainda sim, como ela o desenhou na biblioteca se nunca a viu, lá?

Ainda que tivesse apertado Erik o máximo possível, uma vez que a sua mãe apareceu por mágica solicitando uma escolta do segundo Pantera Negra, só conseguiu descobrir que Yawá não era uma ameaça a ninguém em Wakanda, pois no solo africano sua mudança pra pantera da doutora Komissarova só ocorria com as ordens do Rei. Assim como ataques e surtos de raiva podiam ser impedidos com uma única palavra dele e de sua irmã.

— Maninho... — sua irmãzinha tentou em vão pegar o papel.

Sorrindo por estar satisfeito com a ideia de alguma forma atrair a atenção da doutora, levantou o papel acima da cabeça e se colocou na ponta dos pés para que a adolescente não pegasse a folha.

— Shuri. Por favor! — o homem pede sussurrando.

— Que seja. Amanhã nos vemos! Vou ficar por aqui. — ela expulsando o próprio dono do quarto o da uns empurrões até a saída.

— Essa cama dá pra mais um! — em tom acusatório T'Challa teimou fingindo relutar.

—Não! Não, dá! Sai daqui, iludido! — ouve Shuri dizer antes de bater a porta na cara dele.

Sem ter muito que fazer, foi pra o quarto da convidada e dormiu muito confortável sentindo o cheiro amadeirado dela em todo lugar.

Por Bast, como aquela sensação era boa.

Terceira Pessoa

Havia acabado de sair do carro quando se deu conta que seu fim estava próximo.

Logo após o ancião, um carro todo preto estacionou logo a frente do veículo do senhor Diya.

Rezando para que seus deuses não o abandonassem naquela hora, aquele que era conhecido pelos monstros que saíam do carro luxuoso, por "Preto Velho", que quando ambos eram mais novos lhes deu esconderijo e contou sobre toda a história que os ligava a Wakanda, se manteve parado ao lado de seu carro tentando parecer tranquilo.

Em algum lugar dentro daqueles homens havia as crianças adoráveis que seriam capazes de fazer qualquer coisa por sua pequenina irmã.

Mesmo que as vestes deles fossem finas e elegantes, aqueles ternos engomados e feitos sob medida não eram nada. Por dentro daqueles dois ainda havia seus meninos: Paki e Kalu. Que criou como netos antes de se voltarem contra a tudo que o senhor Diya os ensinou. Sabia que havia sim.

O lançando um olhar frio, ambos se moveram até a porta do passageiro de onde saiu à única mulher que em toda sua vida amou como uma filha, Shukura Okeke.

Uma versão mais velha e marcada pelo incêndio criminoso na noite que sua filha foi embora, a mulher usava uma saia que ia até seu joelho, camisa branca e blazer preto, assim como a saia e seus saltos altos.

Que elas eram parentes era bem fácil de ver, pois as feições eram muito parecidas e tão singulares como qualquer outra pessoa naquela família. Que não se casava com outros senão aqueles que tivessem o mesmo sangue antigo. Ainda sim, o que mais o chamava a atenção era a diferença entre o brilho nos olhos, que da menina Yawá de antes pareciam esperançosos ao chegar naquele fim de mundo, bem diferentes dos de sua mãe que pareciam furiosos com o senhor.

— Kagiso... — Shukura em tom de falsa cortesia caminha sendo acompanhada pelos seus dois filhos mais velhos até o homem que segura sua chave nas mãos com força.

Não os deixaria a corromper também. Yawá ia muito bem sem eles e no que dependesse de Diya permaneceria assim para o resto da vida.

— A menina já foi embora, filha. — mentindo para a mulher recebe um sorriso divertido.

Como qualquer outro descendente de Bast a intuição da dela era afiada e não conseguiria passar com uma mentira tão boba. Ainda sim, não custava tentar.

— Acha mesmo que tendo saído de mim Yawá ia simplesmente ir embora? — a mãe da visitante retrucou o fitando por cima dos óculos escuros que usava, os tirando de seu rosto.

Agora com ela mais perto conseguia ver a grande marca de queimadura que começava na bochecha direita e seguia por dentro da camisa, pegando até mesmo uma parte da cabeça de Shukura, que agora não tinha mais nenhum dos cachos que sua filha, que herdara dela, exibia a todos agora adulta e bem cuidada.

— Ela se foi! A levei até o aeroporto e... — Kagiso tenta falar sendo acertado por um soco no rosto.

— Chega de mentiras, preto velho! — o pegando pelos cabelos brancos de sua cabeça, Paki o forçou a olhá-lo nos olhos. — Onde está Yawá? — questionando pausadamente sustenta o olhar sério do senhor.

O que a mágoa faria mais com suas crianças?

Já havia os tomado dele, os moldado em monstros odiosos e até mesmo os levaram a tratá-lo como um inimigo quando só queria salvá-los do caminho de destruição que se puseram.

Onde o velho Diya teria errado na criação deles que os fizessem ficar daquela maneira?

— Você tem três segundos para contar. — Kalu tirando algo de sua cintura, causa arrepios em Kagiso.

Seria ele capaz de matar o único homem que o salvou de ser morto em Wakanda como o resto de sua família?

— Passamos por cima de muita coisa para trazer minha filha para casa. — Shukura intermediou em favor do idoso fazendo Paki o libertar. — Não nos force a passar por ti também, velho amigo. — o olha séria por fim.

— Ela está bem! Não precisa passar por toda a dor de novo! A deixem fora disso! — Diya implora aos três que se entreolharam sem esboçar nenhuma reação.

Ao ver seu irmão guardar a arma, o mais velho pegou a sua e mirou na direção do ancião sem nenhum medo.

— Última chance. — Paki destravando sua arma olha sério para seu conhecido.

— Onde está Yawá? — Kalu hesita por alguns segundos antes de falar.

— Não seja idiota. Diga-nos de uma vez. — bradou a mãe dos dois, antes de Diya sentir algo o acertar no peito.

Incrédulo, viu o sangue escorrer e ao abrir a boca para gritar levou mais dois tiros que o fizeram cair no chão.

Com tranquilidade, Paki guardou sua arma e se voltou para o carro, sendo acompanhado por sua mãe que não parecia abalada com a morte do seu velho amigo.

— Vocês vão deixá-lo aqui? — Kalu perguntando aos seus parentes recebe um olhar desinteressado.

— Entra no carro. A pirralha deve estar por aí. — o mais velho deu ordens ao irmão que negou rapidamente.

— Vou me livrar do corpo e procurar saber se alguém mais sabe algo. — o mais novo dos dois, mantém sua posição, com os braços cruzados olhando para os lados.

Graças a Bast ninguém viu aquilo. Daria um enterro digno ao preto velho e depois procuraria sua irmã por si só.

Odiava a Wakanda, seus reis ignorantes e povo estúpido que os chutou de lá por acharem toda sua família perigosa, ainda sim, tinha discernimento que pessoas que se colocavam contra a ideia deles de fazer todo aquele povo maldito pagar pelos anos de miséria que tiveram, era no mínimo errado. Ódio só geraria ódio, mas uma vez que sua única família havia decidido lutar pelo seu lugar de direito no trono de Wakanda, reestabelecendo a todos os outros que assim como eles haviam sido descartados como se fossem lixo, pretendia fazer de seu jeito e se possível contatar sua irmã e tentar amenizar os estragos que a verdade sobre sua origem traria a ela.

O dia da pantera se aproximava e sua mãe precisaria de todos marcados para não cederem aos comandos do Rei. Ainda sim, se sua irmãzinha não quisesse, faria questão de levá-la para longe da grande guerra que haveria entre as cinco tribos de Wakanda e aquelas famílias seletas que formavam a linha de desenvolvimento dos "Deuses Reis", os Linces Negros.

E mesmo que ela decidisse tomar uma posição, que sua mãe o desculpasse, mas sua irmãzinha era sua prioridade. Independentemente de que lado da luta estivesse.

Notas finais
Responderei aos comentários com calma. ❤️