Notas iniciais
Muito obrigada a linda da Carol pelas dicas, recomendação maravilhosa e os comentários que alegram meu dia! ❤ ❤

Sonya Yawá

Mesmo sonolenta conseguia ouvir com clareza risadas baixas ao seu redor, a fazendo levantar apressada.

Seus cachos estavam uma bagunça tão grande que não conseguia de jeito algum tirar as mechas que cobriam o rosto, permitindo-a observar seu redor. Algo estava muito diferente em seu quarto. Só não tinha conseguido ver ainda o que era.

— Que horas são? — chamando Shuri para perto recebe um olhar assustado de Peter.

O que aqueles dois estavam fazendo antes?

Irritada conseguiu jogar o cabelo para trás com as duas mãos, bufou impaciente e se olhou para ver melhor, fitando séria seu reflexo no vidro, o que a levou à conclusão que sim, estava tão ruim quanto recordava.

Usando o reflexo na parede de vidro a sua frente, Yawá viu que não estava tão ruim, na verdade estava muito pior. Aquilo nos seus pés era sangue seco?

Por Bast. O que tinha dado na cabeça dela ao deitar numa cama tão limpa naquele estado?

Se não tivesse tido um sono tão bom se sentiria uma vergonha.

— Passa das nove... — a adolescente contou em tom divertido. — Há algo que queira me contar? — pergunta curiosa tentando ficar séria.

Ao contrário de Yawá, Shuri tinha suas tranças bem arrumadas e até mesmo suas vestes eram em cores claras, que indicava que a adolescente estava provavelmente em seu laboratório trabalhando no seu novo brinquedo, o teletransporte criado pela doutora.

— Não? Há algo que eu deveria contar? — Yawá retornando séria fecha a cara para Parker que parecia envergonhado.

O que aquele garoto bobo contou sobre ela?

— Que você é uma ótima dançarina! A vi no vídeo você ensinando tia May a dançar twerk, foi incrível!

Bem, num dia entediado de Natal, foi na casa de Parker e após algumas horas de conversa, convenceu a tia May aprender com ela a dançar.

O que acabou sendo muito divertido, mas tinha quase certeza que havia convencido o sobrinho da mulher a excluir o vídeo feito por ele, em troca dando a ele seu traje melhorado. Ao menos até saber que ele mostrou a Shuri o bendito vídeo.

— Porra, Peter! — ralha a doutora com o menino, se colocando de pé, indo pra cima do ajudante, se escondendo rápido atrás da princesa que abriu os braços para protegê-lo.

— Ela me mostrou um programa pra recuperar arquivos apagados. Foi sem querer! — se defendendo Parker grita por detrás da moça.

— Sabe que vai ter que me ensinar a dançar assim, né? — Shuri sorriu para a amiga que se sentou na cama.

O quarto onde estava hospedada era infinitamente menor, mais aconchegante e muito mais simples que aquele que havia acordado.

Enquanto o seu era incrivelmente claro e mais simples, com tons de branco e cinza, possuindo uma estante, que trazia nela um blindex de vidro, televisão em frente à cama, luzes embutidas, alguns itens de decoração e uma cortina blackout, o local onde pernoitou era absurdamente grande.

Possuía uma incrível e confortável mini sala de espera, com quatro espécies de poltronas na cor marrom, assim como todo o resto do chão, além de uma lareira abaixo da elevação do piso, coberto por um carpete que, dando acesso à cama e o closet através de uma escada de quatro degraus, onde ficava uma cama enorme, com a parede onde ficava a cabeceira coberta por pedras marrons, uma cortina blackout para impedir das luzes da outra parede, a contrária a onde ficava o closet, que basicamente consistia em uma enorme vidraça que dava para ver quase toda Wakanda a se perder de vista.

— Que quarto é esse? — pergunta curiosa a princesa que riu.

— Do meu irmão.

Ah, claro. Do irmão lindo, simpático e muito gostoso que era Rei de Wakanda. Ainda sim, porque estava no quarto dele? E onde ele estaria?

Se sentindo culpada pelo que pensou, agora com suas bochechas quentes, meneou a cabeça negativamente, tentando apagar o seu pensamento estúpido.

— Acham que conseguem seguir a ordem de montagem dos aros? — Mimi muda de assunto ao se recordar que precisava ler todos os relatórios dos pais dela.

Havia tudo que eles descobriram sobre sua origem lá. Precisava ler e descobrir o que pudesse. Algo a dizia que seu tempo de ignorância com relação a suas origens tinha acabado e já era hora de aprender o que pudesse sobre seu passado.

— Claro que sim. Somos nerds, doutora. Podemos nos virar. — Peter retrucou arrastando Shuri para fora do quarto a deixando surpresa.

Quanto perdeu enquanto dormia? Parker guiando a princesa e ela obedecendo? O que estava acontecendo ali? Teria batido com a cabeça em algum momento? Ou estaria num sonho lúcido?

Desconfiada, saiu do cômodo e procurou seu quarto onde ao chegar viu alguém dormindo na cama.

— E aqui está ele. — reconhecendo o Rei de Wakanda vai até onde estavam suas roupas e buscou algo que fosse diferente dos muitos vestidos que estava usando atualmente.

Com um short cinza de flanela, camisa branca e saltos, um vício de usar que tinha graças a sua mãe adotiva, em mãos rumou para o banheiro onde se despiu e entrou debaixo da água o mais rápido que podia.

Distraída, não viu quando o homem sonolento entrando no banheiro para lavar o rosto, deu de cara com Komissarova de costas para ele, cantando uma música aleatória, enquanto lavava seu cabelo e uma vez ou outra falava palavrões em russo por seu pé estar queimando em contato com a espuma, devido aos ferimentos de sua caminhada.

Pensativa, Yawá ponderou quanto à necessidade de ler todos os arquivos de sua origem, uma vez que sua família estava morta e não serviria de muito saber mais sobre eles, mas por fim acabou decidindo que o melhor era ler os arquivos para desencargo de consciência.

— Vamos lá, você consegue ler os arquivos. — a doutora se motiva virando para saída do box, onde deu de cara com o irmão constrangido de Shuri.

Há quanto tempo ele estaria lá?

— Eu... — começando a falar se vira de lado rápido. — A porta estava aberta e eu... Droga. Desculpa. — T'Challa consegue falar saindo apressado do lugar.

Ela se esqueceu de fechar a porta. Tinha como ser mais burra que isso?

Com pena pelo homem, coloca sua toalha para se cobrir e sai atrás dele que tinha saído do quarto.

— Você não tem que se desculpar! — Mimi o puxa pelo braço para dentro do quarto, fechando a porta. — Eu que agi errado. Sinto muito. — sem se dar conta, acariciou o rosto do Rei que fechou os olhos.

Se aproximando, estava prestes a beijá-lo quando a porta o acertou nas costas, fazendo Yawá se afastar.

— Estou atrapalhando? — Okoye perguntou divertida assim que entrou no cômodo.

Com suas roupas em tons laranja e vermelhos, acessórios bonitos, a guerreira parou em frente aos dois com uma expressão que mostrava ser algo urgente o que tinha a dizer.

— Não. — a doutora se apressa em responder sentindo-se uma idiota.

O que deu em sua cabeça para tentar beijar o irmão de sua amiga?

— Si. Não! — T'Challa tão confuso quanto a sua guarda responde em tom agitado.

— Os exames já tem um resultado, meu rei. — a mulher que os olhou por alguns segundos anunciou por fim e recebe um aceno.

— Ótimo! Vamos, logo. — a expulsando, o homem sai logo em seguida.

Ainda não recuperada do seu surto, Yawá trancou a porta do quarto, correndo para o banheiro que também se certificou de trancar.

Era melhor mudar a água para o mais fria possível, caso contrário acabaria entrando em combustão.

Quem dera todo o tempo desde que acordou fosse um sonho, pensando consigo Mimi saiu novamente do banheiro, dessa vez muito bem vestida, já procurando seu notebook.

Na estante, onde se lembrava de ter o deixado, não o encontrou de forma que revirou todo o quarto atrás do objeto que simplesmente desapareceu.

Nervosa, ligou para Shuri que atendeu logo no primeiro toque.

— Mimi...?

— Você viu meu notebook? — pergunta sem rodeios a princesa, que pareceu mexer em algumas coisas antes de responder.

— Não.

— Vou pra o laboratório ver se eu o encontro, ok? — avisou a moça que suspirou e concordou por fim.

Agitada, lembrou que a última pessoa a entrar no quarto foi o Rei de Wakanda e com isso decidiu que iria perguntar a ele se lembrava de algum lugar onde poderia estar o notebook perdido.

Com o máximo de tranquilidade possível, pediu informações à mãe do rei, que afirmou não ter visto seu filho, mas que acreditava que ele estivesse na sala de reuniões se preparando para conversar com os anciãos.

T`Challa

Ainda sem entender o porquê da aproximação repentina da doutora, aproveitou sua mente longe para fingir prestar a atenção em M’baku que reclamava de alguma coisa que não o interessava nem um pouco.

Torcendo para que o líder se cansasse e voltasse para sua área, onde ele poderia tomar conta de mais perto das tentativas de invasão a fronteira de sua terra, que provavelmente deveriam ser animais selvagens, mas para M’baku havia toda uma conspiração envolvida. O Rei aguardou paciente pela brecha que permitiria encerrar o maldito assunto de uma vez por todas.

O que estava prestes a acontecer naquele momento, uma vez que o homem finalmente fechou a boca.

— Instale câmeras de vigilância para monitorar a área, pois como você mesmo disse, há pegadas de animais selvagens por todo local. — sugerindo calmo T'Challa recebe um olhar irritado do líder. — E animais selvagens podem ser perigosos para as crianças que treinam por lá. — acrescentou antes de a porta ser aberta com rispidez assustando a todos os presentes.

M´baku, seus dois homens e Okoye, que a essa altura já ria pela presença que vinha em direção a eles com uma expressão perturbada e duas Dora's Milaje em seu encalço.

— Senhorita! Não tem permissão para entrar nessa sala! — uma delas tenta se comunicar sem sucesso.

— Ela não fala nosso idioma. — Okoye avisando as irmãs recebe um olhar perdido das moças.

— Essa é sua convidada? — M'Baku sorriu olhando a doutora de cima a baixo.

Ciente que não suportaria ouvir nada sujo sobre a mulher, T'Challa logo tratou de silenciar o líder problemático.

— Nem pense.

Por fim os sons dos saltos pretos com a sola vermelha eram a única coisa que ainda se podia ouvir na sala.

Diferente dos demais dias, a doutora parecia usar roupas mais leves, um short, que ia até a certa altura acima do joelho, camiseta branca, que por ela não estar seca marcava o sutiã cinza por debaixo da blusa e até mesmo maquiagem bem mais leve, se comparada aos demais dias que esteve na presença dele, que se restringia a um batom claro.

— Perdão pela falta de decoro, meu Rei. — Yawá parando de maneira abrupta o saúda com respeito.

— M'Baku? — usando os neurônios que ainda funcionava, T'Challa chamou o líder, que assim como os seus dois guardas olhavam sem nenhuma vergonha a mulher.

Eles deveriam se envergonhar por a olharem de maneira tão lasciva. Onde estavam os bons modos daqueles homens?

— Meu notebook. Não o acho. Sabe se alguém pode ter o visto? — pergunta direta ao Pantera Negra que a olha de cima a baixo pensativo.

Sempre achou que ela tivesse um corpo menos curvilíneo, mas com roupas que o exibiam melhor era bem óbvio que Yawá era o tipo de mulher que estava em dia com seus exercícios. Onde achava tempo para criar coisas incríveis, se manter tão bonita e em forma?

Além de claro, enfeitiçar o Rei de Wakanda com aqueles olhos castanhos brilhantes que não conseguia encarar por muito tempo sem se perder.

O que lembrava a T'Challa que ela tinha o feito uma pergunta importante. E que deveria respondê-la se quisesse não ser tão estúpido quanto M'Baku e seus homens.

— Alteza? — pigarreando alto ela o faz voltar sua atenção ao rosto distorcido por uma preocupação grande com seu aparelho.

— Não me recordo de ver algum notebook ontem. — respondeu ele com sinceridade.

Com uma careta, Yawá levou às mãos a cabeça e começou a falar consigo mesma esquecendo-se dos outros.

— Puta que pariu. Puta que pariu. Puta que pariu. Fudeu. Fudeu. Fudeu. — xinga o surpreendendo, assim como M`Baku.

Não sabia que ele conhecia o inglês, mas aquele era algo bom de saber para evitar possíveis discussões com o líder revoltado das nações fundadoras de Wakanda. Uma vez que ele e sua irmã costumavam a se comunicar entre eles em inglês para caçoar dos outros.

— Você não tem backup dos arquivos? — tentando a fazer parar de repetir palavrões como uma espécie de oração recebe um olhar irritado.

— Meu notebook é o único lugar onde tenho tudo, acesso ao e-mail, meus arquivos e todo resto. Stark vai me matar se souber disso! Puta merda! — indo em direção a saída, é segurada por T'Challa.

Ela parecia a ponto de agredir alguém. A deixar sair naquele estado não parecia ser bom.

— Vou pedir as gravações do corredor do seu quarto. Senta e tenta se acalmar, ok? — sugeriu sendo repelido pela mulher.

— Você não entende! Toda a minha vida tá lá! Se alguém colocar as mãos naquilo eu tô fudida! — apressada, Yawá o deixa para trás saindo correndo da sala com o telefone em mãos.

— Sabe de uma coisa, melhor você ir atrás dela. — voltando a se sentar em seu lugar, M'Baku é imitado por seus homens. — Senão eu vou acabar indo. E não vai ser para procurar um notebook. — acrescentou em tom baixo sorrindo malicioso.

Preocupado, caminhou por alguns minutos até que esbarrou no assistente da doutora, que parecia desconfiado.

— Está ocupado? — Peter, mexendo no seu jaleco branco, questiona ao homem que o analisou.

Não custava nada ouvir o que ele tinha a dizer. O menino parecia a ponto de morrer de mal súbito ainda que em silêncio.

— Procurando a sua chefa, mas podemos fazer juntos, eu acho. — retruca T'Challa retomando sua caminhada.

— Na verdade, você poderia fazer melhor que isso. — Parker misterioso o faz parar no corredor.

— Como assim?

— Poderia pedir ao Pantera Negra pra devolver o notebook, talvez...? — o adolescente contando receoso, o olha de soslaio e deixa o Rei chocado.

Ele não tinha pegado nada além de uma folha de caderno. O notebook da doutora era algo muito importante para ficar mexendo e bisbilhotando. Tampouco havia entrado no quarto dela vestindo seu traje.

— Você tem certeza do que está a dizer, garoto? — perguntou ao rapaz que assentiu rápido.

Ainda que envergonhado, o pequeno gênio contou com detalhes o que viu.

Ouvindo a movimentação no corredor, uma vez que o sumiço de Mimi havia sido notado por todos o garoto, que acordou com sede, abriu a porta do quarto, que ficava de frente ao de Mimi e viu o Pantera Negra entrar nele.

Curioso a cerca do que teria o trago até o quarto de Yawá uma hora daquelas, Peter deixou a porta encostada e pela câmera de seu celular gravou através da fresta da porta entreaberta, o homem sair com algo, que não dava pra ver devido à escuridão do corredor, em suas mãos.

— Ele é preto e dourado, mas ainda é o Pantera Negra. É difícil confundir um felino gigante, sua alteza. — acrescenta Peter com pouca sutileza.

O que diabos seu primo teria achado ser tão importante no notebook da doutora a ponto de roubá-lo?

Acreditando que talvez aquele fosse algo que sua mãe pediu que ele fizesse, o Rei solicitou a Parker que fosse atrás de sua chefa, a pedindo para que aguardasse em seu quarto, enquanto T'Challa ia resolver a questão do sumiço do notebook da mulher. Colocando Erik contra a parede.

Indo até a área onde uma hora daquelas, seu primo treinava, T'Challa caminhou até ele em silêncio, pedindo licença as Dora Milaje que treinavam com o idiota, antes de parar na frente de Killmonger, dando um soco em cheio no rosto dele.

— Onde está o notebook, Erik? — o Rei perguntando sério o puxa pela gola da camiseta.

— Notebook? Do que você está falando, sua alteza? Não tenho acesso a nada desse tipo, lembra-se? — o mentiroso se fez de desentendido sorrindo divertido.

Desde que a pedido do Xamã recebeu uma segunda chance, Erik tentava de todas as formas possíveis fazer da vida de T'Challa e sua irmãzinha Shuri um inferno apenas para descontar sua frustração em não ser o Rei.

Nunca foi do tipo leal à família Real de Wakanda, porém sabia muito bem que o que quer que fosse fazer em favor de alguém, era dele em primeiro lugar.

Sendo assim, tinha certeza que acatar aquela ordem tinha sido um ataque direto a ele e sua irmã, que hospedavam Mimi.

— Onde está o notebook da doutora? — ralhou furioso o jogando no chão.

— Realmente não tenho ideia do que está dizendo, meu Rei...

— As câmeras de segurança te gravaram saindo do quarto com o notebook dela. — inventou uma isca que pareceu mexer com algo dentro do homem.

— Não é como se eu fosse burro a ponto de não apagá-las, meu Rei. — com deboche dá de ombros.

Agredir Erik não daria em nada, de forma que para não atrair a atenção do conselho e de sua mãe, seria mais fácil entrar no jogo que aquele homem estúpido jogava.

— O que você quer? — T'Challa perguntando irritado recebe um sinal rápido.

Agora de pé, o seu primo o avaliava em silêncio pensando no que poderia tirar dele. Embora já fizesse uma ideia do que seria.

— O trono, Alteza. Sua coroa me parece um tanto pesada, sabe? — sorriu como um animal feroz pronto para o bote o rondando. — Não me importaria de tê-la sobre a minha cabeça... — com diversão evidente gesticula para que T'Challa o acompanhasse.

Em silêncio o Pantera Negra segue seu primo até uma área onde somente havia os dois.

— Você quer que eu lhe dê poder mais uma vez? Por um notebook? Anda fumando algum tipo de erva? Ou talvez tenha enlouquecido ao voltar a viver? — pergunta sarcástico ao parente que respira fundo exasperado.

Foram cinco minutos sendo dado como morto até que o homem acordou falando coisas sem sentido algum. E desde que deu a sorte do xamã interceder em favor dele, se tornou insuportável, mais do que já era.

— Eu lhe direi tudo que você quer saber e até mesmo o que mais velhos tentaram jogar no esquecimento. — olhando-o de esguelha, o Killmonger pareceu pensar antes de dizer. — Não apenas um notebook, que agora não deve possuir mais nada.

— Aonde você quer chegar? — T'Challa o interrompeu rapidamente.

— Além do trono?— Erik falando como se fosse óbvio sorri pensativo. — Contarei também pelo prazer de jogar todo esse papo de confiança e verdade desses velhos no inferno. — confessou ao Rei que negou com a cabeça.

Claro, como um palhaço desgraçado que era Killmonger não conseguia esconder que na realidade tudo o que fazia era apenas para ver tudo pegar fogo, enquanto ele sentava e observava todo o pandemônio que estava a fazer, uma palavra por vez.

— Diga tudo que sabe de uma vez, Erik. — o Pantera Negra exige sem paciência.

— Me dê sua palavra de honra que me dará o trono em troca. — Killmonger retrucando o encara por alguns segundos.

— Que seja, estou cansado de todas aquelas reuniões de qualquer forma. — deu de ombros pra fingir desistência.

Precisava fazer aquele imbecil falar e por hora poderia o iludir que faria aquilo que era a vontade de Erik.

— Juntando o que meu pai me contou, o que li no diário dele e os arquivos que a própria doutora recebeu e não leu... Sei tudo e um pouco mais sobre o segredo sujo de Wakanda. — o rival do Pantera Negra afirma convicto.

— Vá em frente... — retrucou entediado com o discurso estúpido do primo.

— A história da sua convidada começa como a de qualquer outro povo que desaparece sem deixar vestígios. — dando início a história Killmonger se abaixa no chão de areia, procurando um graveto qualquer.

Com notável desinteresse, desenhou no chão o que parecia ser o rosto de um gato e em seguida fez vários bonecos de palitos.

— Expulsão? — sugeriu ao parente que riu.

— Genocídio. — Killmonger corrige o rei sem cerimônias.

Surpreso, T'Challa permaneceu em silêncio a espera de algo que pudesse rebater, mas em sua cabeça nada parecia ser tão plausível quanto aquela explicação.

Sim, era impossível que algum povo sumisse do dia para noite sem motivos. Com aquela informação era bem óbvio o porquê de todos tentarem a todo custo esconder a existência de pessoas como Yawá. E era bem mais triste para a moça. Que já tinha sofrido o bastante por toda sua vida.

— Temendo que os Linces Negros decidissem tomar o trono de Wakanda, uma vez que Rei ficou doente e seu pai não era visto com bons olhos, pois anos atrás recusou a filha de um do líder Okeke para ficar com a sua mãe... — Erik desenhando tudo na areia como num gráfico mal feito de uma criança de primário, contara à versão que sabia.

— O que isso tem a ver com o trono? — confuso T'Challa se debruçou sobre os desenhos horríveis.

— Um descendente do primeiro pantera e um descendente de Bast. Era assim que se mantinha o poder da família real. O trato com a Deusa foi esse. E quebrar trouxe consequências. — circula dois bonecos desenhando uma coroa acima deles.

— Então escolher uma mulher que não fizesse parte da tradição começou todos os problemas? — tentou assimilar tudo que ouviu até aquele momento.

— Dizem que na verdade tudo foi pra o inferno quando a Shukura Okeke matou o marido. — explica o primo parecendo pensativo.

— O que isso tem a ver com o trono?

— Gerou instabilidade entre as três famílias que eram conhecidas por Linces Negras, daí alguns decidiriam que não iriam mais abaixar a cabeça pra ninguém e... — rabiscando mais e mais bonecos atrai finalmente a atenção do homem.

— Chegou aos ouvidos do Rei? — T'Challa encara o esquema que começou a fazer mais sentido.

— Digamos que um macaco muito língua solta achou que tirando os Linces do favoritismo seriam eles que iriam tomar o lugar dos semideuses...

O que fazia sentido uma vez que daquela confusão no mínimo como forma de punição aos envolvidos o clã de M'Baku deveria ter sido enviado ao lugar mais isolado de Wakanda para que nunca mais induzisse ninguém ao erro com suas palavras venenosas que possuíam até hoje.

— Como bom filho da puta, o antecessor do seu antecessor, já com o pé na cova deu ordens para que seu filho desse fim aos semideuses entre eles. E teu pai, agora no trono, para sua segurança, acatou e repassou. — explicou Erik fazendo vários "X" em bonecos.

— E como ela está viva? — o Rei pensa alto incrédulo.

— Eu sei lá, irmão. — se colocando de pé, Killmonger usa seus pés para apagar os desenhos. — Tenho cara de adivinha por um acaso? — reclamou por fim quebrando o graveto. — O negocio é que ela existe, está aqui e o que veio depois da chacina é só especulação. — retrucando mal humorado desenha uma caveira no chão.

Ao fazer silêncio, jogou os restos do graveto longe, se pondo de pé, limpando suas calças e mãos.

— Por que você não tem controle sobre a doutora?

— Vocês são filhos de Reis e mulheres de Wakanda. Eu sou mistura de Wakanda e Brooklyn. — Erik deu de ombros tentando parecer indiferente.

— Pelo que minha mãe me mostrou, ela é como... — T'Challa começa a falar sendo logo cortado.

— Sua "alma gêmea"? — ironizando o encara desgostoso.

— Era o que estava no livro. — tentou disfarçar seu constrangimento pelo quão bobo pareceu ser.

— Esse é um termo idiota uma vez que sangue é o que fala mais alto. Por uma questão simples de sobrevivência a união matrimonial, ocorre por dois motivos, negócios entre famílias ou para fortalecimento de herança sanguínea, coisa que você precisa escolher entre uma e outra, não necessariamente tendo a ver com a descendente de Bast. — fala Killmonger enigmático.

— Que seja. Você tem meia hora pra deixar o notebook na sala de pesquisas. — o Rei avisando ao parente é impedido de continuar por Killmonger que se coloca na frente dele.

— Você me deu sua palavra, T'Challa. — Erik bradou o fazendo revirar os olhos.

— Eu disse que lhe daria o trono e lhe darei, se você me derrotar no Dia do Pantera. — com calma o homem acrescenta sorrindo vitorioso.

Por essa aquele filho da mãe não esperava.

— Isso foi um movimento muito idiota. E eu o farei pagar por isso. — ameaçando ao Rei, Killmonger sai furioso de vista.

Notas finais
Podem comentar aqui que eu não mordo não, gente! Adoro conversar, inclusive! Kkkk