Notas iniciais
Então, a música é da banda Imagine Dragons, sugiro que deem uma olhada na letra, pois ela é muito bonita! ❤

Terceira Pessoa

Furioso, Erik caminhou de volta ao minúsculo quarto que foi largado pela família real de Wakanda.

Desde que a mulher fantasma falou com ele enquanto esteve no plano espiritual era certo que, a menos que impedisse a convidada da irmã pirralha do Rei de continuar por aí, Killmonger iria ter problemas. E precisava ser o Rei de Wakanda, para que pudesse finalmente concluir seu objetivo de vida.

Lembrava que no final do combate, acontecido no meio da grande guerra civil de Wakanda, sentir seu corpo, antes dolorido pela luta e o ferimento final feito por T'Challa, ficar mais leve e, quando o barulho ao seu redor cessou, se viu deitado num campo. Trajando roupas claras e simples, não o traje do Pantera Negra.

O céu possuía a aurora em tons de roxos mais belos que já tinha visto e próximo à árvore, já no final do campo de onde se viam a perder de vista várias erva coração, próximo a árvore, seu pai o aguardava com um semblante sério.

Quando se alegrou por finalmente juntar-se aos seus antepassados no plano espiritual, sentiu alguém segurar seu braço o que fez Killmonger parar no meio do caminho.

— Ainda não é hora, criança. — a mulher com voz firme olhava o homem como se visse até mesmo o mais fundo de sua alma.

— Quem é você pra me impedir de ir a qualquer lugar? — ralhou inconformado pela negativa que recebeu.

— A menos que você conclua seu objetivo, daqui não passará. — com um rápido gesto a desconhecida o derrubou no chão. — Volte e faça aquilo que está encarregado de fazer. — escutou a mulher avisar antes de sua visão escurecer e serem ouvidos sons ao seu redor.

Um bipe eletrônico por vez, retomou sua consciência e se descobriu escravo da família real pelos crimes que cometeu enquanto esteve no trono. Desde então concluiu que sua missão era retomar o trono e se vingar de todos os que estavam em seu caminho.

Isso até ler o relatório dos pais de Mimi e descobrir sobre ela e a implicação que a filha de Bast era ao seu objetivo.

Ao contrário de T'Challa, que podia ser deposto por uma cerimônia de combate entre tribos, a doutora possuía por questões de herança sanguíneas o trono de Wakanda para governar juntamente com o Rei. E de bônus o trono de ossos cujo objetivo era manter os portões do plano espiritual sempre alinhados com os planos do mundo dos vivos, mais precisamente o de Wakanda e suas cinco grandes tribos.

E a menos que ela não soubesse, ou que Erik pudesse controlá-la, coisa que jamais aconteceria, Yawá poderia reclamar o trono a qualquer momento e tê-lo sem precisar de lutas, sendo assim, o primeiro passo para reconquistar o que era seu por direito, poderia ser matar aquela mulher que com uma informação poderia destruir todos os planos que vinha arquitetando ou se livrar da verdade sobre o passado dela.

Pensando no seu próximo passo, logo que fechou a porta, deu de cara com ninguém menos que a mãe de Shuri, madrasta do rei de Wakanda, sentada numa cadeira com cara de poucos amigos. Trazendo-o para o presente. (*¹)

— Eu lhe disse para pegar e não ser visto. — a rainha rosna furiosa.

Não era bom em receber ordens, então...

— Ops? — sorrindo debochado deu de ombros indo até o aparelho que roubou mais cedo.

— Essas informações não podem chegar aos ouvidos de ninguém. Destrua-o. — ordenou a velha rainha em vão.

Para o bem dele jamais poderiam ser descobertas, a sorte é que T'Challa era burro o suficiente pra confiar em Killmonger e não contestaria a informação cortada que ele deu, caso contrário, ambos teriam problemas.

Erik muito mais que a velha rainha, mas tudo era uma grande questão de ponto de vista, não era mesmo?

Uma vez que ele queria o trono e a mulher que a morte da segunda rainha não voltasse ao foco ali.

— Ele precisa voltar para as mãos da dona. Ordens do rei. — ignorando a mãe de Shuri tenta passar por ela que derruba o aparelho no chão.

— Não tem nada aqui! Acha mesmo que eu devolveria essa porra se ainda tivesse algum arquivo? — Killmonger pergunta já sem paciência. — Tá achando que eu sou vilão de desenho infantil? — dizendo retórico pega o aparelho do chão.

— E como você vai devolver? — a rainha exigiu saber.

— Não se preocupe com isso, sua majestade...

Com tranquilidade, o homem caminhou pelos corredores usando um ponto cego para chegar até o quarto da doutora, que estava no laboratório com os pirralhos de estimação dela.

— Seria tão melhor se não tivesse que te matar no final disso tudo. — pensando alto Erik sorriu ao ver a cama bagunçada da mulher.

Era realmente uma pena que aquela noite nunca mais voltasse a se repetir.

Usá-la para roubar informações e chegar até a Wakanda foi bom, entretanto ter na sua cama uma mulher tão fantástica era um bônus e tanto.

Se soubesse teria aguardado outro agente para culpabilizar. Ainda sim, caso se tornasse rei e ela continuasse sem saber de sua condição, se certificaria de torná-la sua escrava pessoal. Pois alguém como Yawá poderia vir a ser muito útil, não apenas para diversão como para gerar herdeiros. Isso se, somente se, ela não se mostrasse um problema.

Com esse pensamento, Erik saiu do quarto e ao virar no primeiro corredor que apareceu em sua frente esbarrou em ninguém menos que a princesa, com a doutora sorrindo ao seu lado.

Com um sorriso doce sumindo, os olhos dela mudaram do castanho para algo negro, de forma que quando Yawá voltou a sorrir parecia algo muito diferente do seu normal.

Um animal selvagem prestes a atacar sua presa.

Precavido desde que foi ferido na primeira vez, mostrou seu punhal e sorriu com o máximo de sarcasmo possível antes de olhá-la e dizer.

— Prefiro que seja selvagem no quarto, mas se quiser começar nossa festa por aqui mesmo, não vou reclamar. — Erik a provoca recebendo um rosnado da ex-agente.

Antes que pudesse o atacar, Shuri entrou no meio deles e sussurrou algo no ouvido da convidada que pareceu constrangida com o que ouviu.

— É isso mesmo? Você dormiu com ele? — pergunta a princesa, um pouco mais alto.

— Algo que eu prefiro não falar a respeito. Não foi nada demais. — Yawá rebatendo rápido evita olhar nos olhos da amiga.

— Não foi isso que você me falou naquela noite, amor. — alfinetou sórdido Killmonger.

— É sério mesmo, Mimi? — Shuri inconformada balbucia.

— Falha minha. Deveria ter sido sincera e dito que você fode muito, mal. — sorriu com falsa animação segurando a mão da princesa. — Sugiro que tome algumas aulas com seu primo... — Yawá continua a tagarelar saindo de perto dele. — Poderia aprender muitas coisas, seu merda! — gritando por estar longe mostra o dedo médio antes de sumir por completo.

Desde quando ela e T'Challa estavam transando?

Shuri

Confusa sobre o que tinha acabado de acontecer, a princesa esperou sua amiga fechar a porta para cruzar os braços, respirar bem fundo e dizer:

— Você e meu irmão estão juntos desde quando?

— Só falei aquilo pra deixar seu primo puto da vida. — gargalhando a doutora responde tirando seus saltos.

Embora tivesse achado que fosse algo de uma só via, reparou que mesmo quando tentava prestar a atenção nela, Yawá não conseguia parar de olhar para T'Challa, meio irmão de Shuri. Eles se gostavam, mas eram burros demais pra tentarem se aproximar, sendo assim, como fazer aqueles dois se aproximarem?

Mesmo provocar seu irmãozinho para forçá-lo a tomar uma atitude não estava surtindo efeito, sendo assim, o que Shuri poderia fazer para unir aqueles dois?

Bem, até aquela manhã não tinha nada em mente. Isso até Okoye a lembrar de que para o início do período de preparação para o dia do Pantera Negra ela e a equipe de novas tecnologias não haviam preparado nada.

Decidida a não mostrar nada novo de tecnologia, uma vez que faziam todo ano aquilo, decidiu misturar numa apresentação de dança e canto coisas que ligassem Wakanda antiga ao "mundo moderno" pelo qual a princesa ansiava tanto.

— Então. Você poderia me ajudar com o dia do Pantera Negra, não? — fingindo estar pensativa a princesa a olhou de soslaio mexer na sua mala de viagens.

De lá tirou um short muito curto vermelho, outro verde e uma camiseta que possuía seus lados bem ventilados com aberturas no lugar do braço que iam até a cintura.

— Com o quê? Ah! Sou ótima em escrever discursos! — Yawá se anima virando para direção da moça que a olhou de cima a baixo.

— Pensei em fazer uma apresentação de dança. Com canto também. — falou por alto estudando a reação da amiga.

Parecendo pensar a respeito, a doutora por fim sorri e a joga as roupas com um olhar tão brilhante que poderia iluminar todo o cômodo sem auxílio da luz do dia.

— Poderíamos juntar algo atual com a cultura africana em si! O culto de Deuses e o estilo de luta que se originou disso! O que acha? — pergunta a mulher correndo até o que parecia um caderno escondido atrás de seu travesseiro.

— Aham. É. Isso aí... — Shuri tentando observar o caderno concorda rápido.

Tinha pensado neles dançando hip-hop com roupas tradicionais, mas pelo que dava pra ver a sua amiga tinha tido uma ideia melhorada da sua inicial e algo a dizia que seria ótimo.

— Sabe o que estou pensando...? — Yawá, que parou, fechando seu caderno a encara se sentando sobre a cama.

— Que você é a melhor? — sorrindo divertida sugere a adolescente.

— Minha mãe nunca me deixou participar de nada. — falou baixo a doutora parece avaliar o que ia dizer a seguir.

— Como assim?

— Desde pequena, antes mesmo de ir pra Rússia, nunca me deixaram participar de nada. — conta Yawá pensativa.

Sem a droga do livro, não dava pra saber se isso era algo que o povo de origem da sua convidada não podia fazer, ou se era uma opção, logo precisaria deixar T'Challa avisado para que tomasse uma atenção maior sobre a doutora. Embora soubesse que ele o faria mesmo que não fosse algo que a irmã pedisse.

Por alguns segundos sentiu que a mulher tentava se lembrar de algo, mas vendo que não daria resultados, Yawá deu de ombros, se levantou e a guiou até o banheiro.

— Vai se trocar, Shuri. Vou te ensinar o básico hoje. — instruiu Mimi com um semblante mais sério.

— Se quiser conversar sobre a perda da sua mãe... T'Challa pode ser bom pra te ajudar a superar isso. — observando com segundas intenções, a princesa fala com a sua amiga.

— Olha, nem tudo um Rei pode saber. — Yawá tenta em vão contestar a sugestão.

— Como um Rei que perdeu a mãe, acredito que ele discordaria de você. — Shuri insistiu em tom sério.

A mãe de seu irmão mais velho, T'Challa foi à primeira esposa de T'Chaka, N’Yami uma mulher que não tinha sangue real, mas sim uma mulher comum de Wakanda. (*¹)

Ela foi uma ótima rainha, esposa e só não foi uma boa mãe, pois faleceu logo após o parto de T'Challa, por complicações decorrentes do parto de seu primeiro e único filho.

T'Challa mais do que ninguém sabia como era perder alguém, pois havia perdido seu pai e aprendido durante toda sua vida a conviver com o fato de que foi o motivo de sua mãe não ter tido uma vida longa, com isso a princesa, meia irmã do atual Rei de Wakanda, sabia que ele mais do que ninguém poderia ajudar a Mimi a passar por aquelas coisas.

— Vocês são meio irmãos? — Yawá questiona confusa a moça que suspirou.

— Sim.

— Ramona é a madrasta dele...

Falando coisas aleatórias Yawá saiu depressa com seu caderno. Deixando Shuri confusa sentada sobre a cama bagunçada dela. Que curiosamente possuía o cheiro do perfume do Rei de Wakanda, seu irmão mais velho e agora um notebook que reconheceu como sendo de Mimi.

Como já vinha desconfiando, Killmonger com toda certeza deveria estar envolvido no sumiço daquele item da sua convidada. Especialmente quando encontrava o notebook logo após o flagrar circulando próximo ao quarto de Mimi.

Shukura Okeke

Assustada, ela levantou da sua cama com seu corpo pingando suor.

Embora parecesse que estava correndo uma maratona, a julgar pela respiração descompassada e suor escorrendo, a mulher, com suas feições já marcadas pelo tempo, se senta sobre a cama e tentando alcançar seu medicamento, derruba-o da mesinha de centro.

Com as dores, suas já velhas companheiras desde que sobreviveu ao incêndio criminoso, Shukura tentou de abaixar, mas não alcançou o frasco que caiu para debaixo da cama.

— Kalu! Paki! — chamando seus filhos, a mãe foi logo atendida.

Os dois homens entraram apressados no quarto e cada um tomou sua posição.

Paki logo abraçando sua mãe de maneira protetora e Kalu procurando pelo remédio.

— Embaixo da cama, querido. — Shukura responde a pergunta implícita nos olhos do seu menino.

— Aqui está, mama. — se colocando de pé novamente o homem entrega o frasco nas mãos já trêmulas de sua progenitora.

Suas dores a cada dia que se passava só ficavam maiores e mesmo suas cicatrizes ajudavam a minar o que ainda restava da vaidade da mulher.

Quem diria que a adorável filha da família Okeke, invejada por todas as jovens de Wakanda, alvo da cobiça de muitos homens também, se tornaria aquele monstro que Shukura via em seu reflexo todos os dias?

Treinada desde o dia em que nasceu pra ser a rainha do reino dos mortos, além de futura esposa do Rei de Wakanda, Shukura Okeke, a penúltima descendente com sangue puro de Bast correndo em suas veias, havia se tornado uma imagem feia e decrépita da mulher que um dia foi.

No dia que T'Chaka a deixou na cerimônia de casamento deles, uma vez que se apaixonou por N’Yami uma serviçal que até então Shukura nunca havia antes visto, sua vida só desceu ladeira a baixo.

Só que bem, qual o problema do "Conto de Fadas" que a empregada vivia?

Bem, o problema é que pra viver o seu sonho, a serviçal treinada para tecelagem e vigiar ovelhas, era necessário que uma ela, a jovem e sonhadora filha do clã Okeke, perdesse o direito a realizar o seu único objetivo de vida e motivo de satisfação.

Se antes Shukura possuía o status de futura rainha de Wakanda e do portão dos mortos, agora ela era vista por todas como uma pobre coitada que foi abandonada por não ser boa o suficiente.

E ainda que tendo tentado seguir em frente, fingindo não ligar para o fato de que se casaria com um qualquer em compensação pelo casamento desfeito com o futuro Rei, foi forçada a se sujeitar toda violência que sofria de seu marido, um primo distante de T'Chaka, que pelo maldito laço de sangue atrelou ela como um mera lacaia de toda família real, incluindo um homem já com o dobro da idade dela chamado N'Thande, seu falecido marido.

Por amor a Wakanda, aguentou em silêncio todas as vezes que ele tomou o corpo dela a força e mesmo quando teve oportunidades deixou tudo escondido de toda sua família.

Tudo acreditando que T'Chaka desistiria de viver com uma qualquer e seguiria a tradição, casando-se com Shukura e dando continuidade ao acordo feito com a Deusa Bast, pois foi sob essa condição que a divindade deu ao Xamã os poderes de Pantera Negra, simplesmente não aconteceu.

Ao vê-los durante a cerimônia de casamento, apaixonados, felizes e dando a todos a notícia que esperavam uma criança, Shukura decidiu que já era hora de pôr fim ao que ainda a prendia à tradição que a muito já fora quebrada e jogada no esquecimento.

Com a ajuda de seu primo, Kojo Bankole, que também fazia parte das famílias chamadas de "Lince Negra", seu amante que a essa altura dava a ela todo amor e carinho que seu marido, um monstro que a negligenciava pensando apenas nele mesmo, pelo bem da criança em seu ventre, o único filho que ela possuía de sangue puro, sem nenhuma gota do sangue da família real, Shukura Okeke decidiu fazer sua própria justiça e acabar com o maldito que tinha sido obrigada a chamar de marido. Pois uma vez que T'Chaka não se prendia aos valores de seus antepassados, ela decidiu fazer o mesmo.

E para variar, deu tudo mais uma vez errado. Durante uma luta com o primo do Rei, seu amado se feriu e ela precisou terminar o serviço com suas próprias mãos, o que a fez perder o seu dom de se tornar pantera, a coisa que mais amava fazer.

— Por que não invadir aquele lugar de uma só vez? — Paki pergunta a sua mãe, que agora se ajeitava mais uma vez na cama. — Quero dizer, você precisa muito dos recursos médicos que eles têm. — olhando-a preocupado ajuda a mulher a se deitar por completo.

Seus dias se resumiam a sentir as dores das queimaduras e tentar o máximo amenizar com as drogas receitadas pela medicina comum, mas ainda sim, precisava se cercar de todos os cuidados, inclusive os de Wakanda de forma que Shukura precisava por uma questão de vida ou morte tomar o trono do filho de T'Chaka, caso contrário não seria ajudada por eles.

— Yawá é a única que pode abrir os portões dos mortos. — a senhora afirmou em tom sério.

Sua filha, fruto do relacionamento com seu primo Kojo era a última descendente de sangue puro, apta para se sentar no trono ao lado do portão dos mortos, trazendo de volta todos os filhos de Bast dos mortos, para juntamente com os seus filhos, irmãos ainda vivos e ela tirarem o trono do descendente do Pantera Negra.

— Podemos fazer uma invasiva rápida, discreta e fulminante... — Kalu retrucando baixo recebe um olhar irritado do irmão.

— E agir como aqueles malditos que esperaram que todos nós dormíssemos para nos matar covardemente? — Paki brada irritado.

Foi então que mais uma vez a senhora sentiu seu coração apertar.

Lembrava-se claramente de tudo que havia acontecido naquela época. Uma semana após a sua absolvição da morte de seu marido, guerreiros entraram na calada da noite nas casas e um a um matou todos os amigos e familiares que formavam o seleto grupo das Lince Negra.

Felizmente, ou não seu primo, pai de sua menina que ainda não havia nascido, conseguiu alertar a Shukura a tempo de ela, com seus dois filhos mais velhos fugir de Wakanda, antes um lugar que a amava muito assim como o resto de sua família, fugida como uma criminosa qualquer.

E naquele mesmo momento, enquanto corria para longe de seu lar, jurou a si mesma que quando voltasse tiraria daqueles que a prejudicaram tudo, nem que para isso precisasse morrer no processo.

T'Challa

Usando o traje de Pantera Negra, uma vez que foi fazer uma visita a alguns traficantes que precisavam aprender uma boa lição, assim que entrou no laboratório, o rei de Wakanda flagrou sua irmãzinha e a doutora dançando lado a lado.

Alheias a presença dele e de Okoye, as duas brincavam entre si, dançando bem devagar enquanto um pequeno animal, o gato trago por Mimi observava a tudo em silêncio.

— Se divertindo bastante, moças? — T'Challa questiona as duas que logo se viraram assustadas.

— Ninguém te ensinou a bater? — Shuri ralhando constrangida, cruza seus braços sobre o peito.

Ainda que a dança fosse incomum, por mover apenas a cintura, ao contrário de Yawá não havia nada demais na princesa. Ao contrário da amiga, que sabia mover muito bem sua cintura, sua irmãzinha parecia muito sem graça fazendo os mesmos movimentos. O que pra afirmar ele era um tanto suspeito, pois tinha simplesmente achado muito divertido ver a doutora furiosa terminar de quebrar seu notebook ao ver que ele não possuía nenhuma das informações que foram dadas à ela.

— Não seja malvada. — Mimi retrucou repreendendo a adolescente, tirando a camisa que usava.

Exibindo seu top, a doutora usou a camiseta para secar o suor de seu rosto e em seguida sorriu para ele.

Precisava lembrar-se de agradecer sua irmã por informar a Yawá da existência de dois "Pantera Negra", não apenas o imbecil do seu primo.

— A que devo a honra de sua presença, gatinho? — usando seu tom mais sincero, a doutora pergunta aos dois que logo se aproximaram.

Era tão bom ver sua irmã fazendo algo além de invenções loucas em seu laboratório.

Isso e ouvir Yawá flertando abertamente com ele.

— Faz três dias que minha técnica não me mostra algo higtec e útil, estou com saudades. — o Rei brincou com a sua irmã, antes de dar um abraço apertado nela.

Na realidade apenas havia ido com o único propósito de ver os que as duas apontavam trancadas no laboratório desde após o almoço, mas para sua irmã era óbvio que sua visita não era por aquele motivo, ainda que a deixasse sem jeito. Algo tão raro de acontecer quanto ele entender as conversas entre a sua irmãzinha e Mimi.

— Idiota! — a jovem rebate antes de corresponder ao gesto, com um sorriso enorme no rosto.

— Parecem até irmãos. — a doutora comentando despreocupada vira de costas para os dois que encararam Okoye para mantê-la em silêncio.

Yawá não sabia e por enquanto era bom manter assim. Ao menos para o Rei de Wakanda.

— Pois é. — a guerreira limita a responder tentando não rir.

— A cerimônia de limpeza do templo de Bast vai começar em breve...

Vendo o olhar preocupado de sua irmãzinha, T'Challa só se deu conta do que havia dito logo depois que Mimi se voltou para ele animada.

— Eu posso participar!? — disse com animação dando seu sorriso mais esperançoso para o herói.

— Claro que sim.

Incapaz de negar qualquer coisa que fosse assentiu sem se dar conta e recebeu tapa de sua irmã que revirou os olhos.

— Não há nada de bom lá. É um lugar velho, caindo aos pedaços com um trono feito de ossos. — tentando tirar a ideia da cabeça de sua amiga, a moça o deixa confuso.

Shuri havia descoberto algo mais sobre a convidada deles? Ou estaria apenas receosa de Mimi ver o templo onde ficava os restos dos que antecederam a ele no trono?

— Dizem que algum dia o templo voltará a ser de puro ouro mais uma vez. — Okoye comenta calma avaliando a moça que parecia mais interessada ainda.

— Nesse dia o ouro reluzirá mais que o próprio sol, as pedras cravejadas nas paredes brilharão como estrelas do céu e a Deusa em carne e osso se sentará no seu trono. — completou o discurso do ancião sorrindo divertido.

A história falava sobre a Deusa em carne e osso, mas aquilo era impossível, por questões de uma entidade como aquela não possuir um corpo físico, pois tudo naquela terra perecia e aquele não tinha como ser o caso de Bast. Não fazia muito sentido, pra falar a verdade. Quase como se algo estivesse faltando.

— Um templo tipo o de Salomão? — Mimi quase gritando é contida por Shuri.

— Isso não vai acontecer nunca, então... — a princesa insiste em afirmar.

Ainda sim, usando de suas habilidades da mulher adorável que era, Mimi conseguiu convencer a irmã de T'Challa a levá-la, arrastando-a consigo para que se arrumasse para o evento.

— Algum dia você vai ter que contar. — Okoye comentou enquanto as via se afastar do campo de visão.

— Eu sei...

Só precisava de algumas informações a respeito dela antes.

Nunca em toda sua vida se sentiu tão constrangido de contar sobre quem era a alguém e acreditava a que ao passar do tempo poderia reverter isso.

Shuri

Ainda que receosa, a princesa acabou ajudando sua amiga a usar algo bonito para a ocasião que iriam participar.

— Tem certeza que quer ir? — questionando com um aperto em seu peito, a adolescente disse enquanto terminava de ajeitar a maquiagem dela em frente ao espelho.

Um vestido vermelho, com decote no busto, costas nuas e da cintura para baixo solto, feito de um tipo de pano bem leve, era a única coisa que Mimi usaria naquela noite. Enquanto isso Shuri ficaria com roupas tribais e nem um pouco fashions que eram costume de seu povo desde o início dos tempos.

Até mesmo os saltos, que ela não trocava por nada, acabaram sendo deixados, uma vez que as regras do templo impediam que qualquer um entrasse com seus pés calçados e a convidada muito de boa fé concordou.

— Estou muito estrangeira? — Yawá questiona a moça pela outra parte de reflexo do espelho, terminando de passar o seu batom.

— Está linda, quase uma verdadeira Maria Mulambo! — brincando com a amiga recebe um sorriso dela que guardou o batom.

Uma vez que Parker ficou com medo de ver ossos, deixaram-no em segurança trancado em seu quarto e foi rumo à limpeza do templo.

Apressadas, ambas saíram correndo pelas ruas, até que finalmente chegaram ao templo, que já havia passado pela faxina dos anciãos e agora receberia um banho de ervas para finalmente ter sua primeira e única do ano, cerimônia antes de ser fechado. Como sempre acontecia.

Entrando depois da convidada, apenas para se certificar que Yawá não desmaiaria ou virasse uma pantera na frente de todos, Shuri a ajudou a se enturmar com todos, apresentando oficialmente, pegando algumas ervas e por fim a ensinando a passar pelo chão.

— Tudo bem? — T'Challa, que finalmente se livrou dos outros líderes, pergunta a sua irmã, auxiliando-a a passar as folhas no chão.

— Mimi me contou algo sobre não participar de nenhum evento desde criança. — Shuri contando baixo sorri para a sua amiga que mais a frente auxiliava uma anciã.

— Será que isso tem algo a ver com aquela informação?

Antes que pudesse falar ouviu uma das anciãs começar um ponto de prece a Bast, ao mesmo tempo em que Mimi caiu de joelhos.

Incapaz de mover, uma vez que seu irmão fez menção de ir até a moça e Shuri precisou segurá-lo para não causar maiores alardes sem motivos, viu a doutora se colocar de pé, cantando junto com as senhoras a música.

— O que foi isso? — Okoye, que também viu o momento que a convidada caiu, vai até eles preocupada.

— Tem alguma coisa de muito errado com a Yawá. — com calma a adolescente se afastou dos dois e foi em direção à doutora.

Sua intuição dizia que aquele era um péssimo dia pra Mimi ir pra o templo, mas não deu ouvido o seu sexto sentido e agora estava com problemas.

— Tá tudo bem? — colocando a mão sobre o ombro da mulher a sentiu se desvencilhar furiosa.

— Não. — a voz que não era de Mimi responde em tom irritado se colocando de pé.

—Quem é você?

— Alguém que assistiu seu pai e avô matar os filhos dos meus filhos. — a voz tornou a falar em ríspida.

Incapaz de fazer algo mais inteligente, a princesa riu, falou que "só podia ser sacanagem" trêmula e logo recebeu a resposta.

— Chame seu Rei. Agora. — acrescentando por fim olhou ao redor e se voltou na direção do trono.

O corpo de Yawá caminhava com a mesma altivez, graça, poder e imponência de uma Deusa. Além da fúria, que tornava todo o ambiente mais próximo ao que era Yawá em algo denso e pesado demais.

Não, a doutora não havia se tornado qualquer entidade, sim uma deusa que fez um trato com um homem e há muitos anos atrás foi traída pelos descendentes dele, que não só deram as costas para o trato, como também mataram todos os descendentes vivos dela.

Foi então que como se tivesse levado um tapa, Shuri entendeu o porquê dos anciãos viverem dizendo que havia um tempo que a Deusa em carne e osso se sentava no trono e distribuía bênçãos para todas as cinco tribos.

Bast mantinha contato com o povo de Wakanda, não pelos seus altares e xamãs, sim usando o corpo de seus filhos para que pudesse falar diretamente com os homens e mulheres em Wakanda. Como ela ia fazer naquele momento.

— Tira todo mundo daqui. — ela limitou a falar com seu irmão que logo o fez, usando a desculpa que apenas ele, Shuri e o xamã ancião iriam finalizar a sala onde ficava o trono de ossos.

Logo que todos iam saindo, ouviu-se um barulho forte, seguido por um tremor que começou a derrubar tudo que estava no teto e paredes, mostrando que de fato, por debaixo daquela camada de pedra, agora reduzida a um pó, uma simples poeira, havia ouro e pedras encrustadas.

Da próxima vez, Shuri ouviria sua intuição. Quando algo a dissesse que ia dar merda, era certo que daria. E não discutiria isso, tampouco deixaria correr solto.

Pois na próxima vez poderia desencadear o Apocalipse se não ouvisse a seu sexto sentido.

Notas finais
Felizes com a atualização??? ❤