Roleta Russa

9 Love on the Brain


Notas iniciais
Um agradecimento especial a Carol! Que betou esse capítulo e o deixou melhor do que já estava! Boa leitura a todos! ❤ ❤ ❤

T'Challa
Embora tudo que visse fosse Mimi no trono, imitou o gesto de sua irmãzinha e curvou-se para Bast com muito respeito.
— O rei de Wakanda está aqui, minha senhora. — Shuri em tom formal se colocou de pés, séria.
— O que está rolando aqui? — pergunta curioso a sua irmã que olha irritada para ele.
Por que Mimi agia como outra pessoa? E qual o motivo de todo o medo de Shuri?
— Aproxime-se. — fazendo um gesto com a mão, a voz feminina de tom muito grave acabou com as dúvidas que ele ainda possuía.
Claro, como não havia pensado naquilo antes? Com toda certeza quando diziam que a deusa caminhava em carne e osso em meio ao povo, era do povo de Yawá que estavam falando. Eles provavelmente eram os mensageiros da deusa, e invocá-la em alguém como a doutora no mesmo lugar era como fazer uma ligação direta para ela.
— Deusa Bast? — chamou baixo recebendo um olhar furioso da mulher.
— Você tem ideia do que seus antecessores fizeram ás minhas crianças? — a deusa replica séria, indo direto ao assunto.
— Não muito, mas pretendo descobrir tudo e fazer o que for necessário para... — tenta em vão argumentar com a divindade.
— Eu ouvi sem poder fazer nada o sofrimento de meus filhos por anos a fio e acha que tenho todo o tempo do mundo para esperá-lo descobrir o que houve naquela noite? — supôs Bast sem terminar de ouvi-lo.
— Não, mas... — T'Challa responde ansioso, mas é mais uma vez cortado.
— Já não basta para vocês toda a dor, sofrimento e rompimentos dolorosos que a ação de T'Chaka causou á toda África? Acham mesmo que eu permitirei que continuem a prosperar? — com a voz assustadoramente grave, a deusa se levantou do trono apontando para uma parede.
Como que por mágica, a parede virou uma grande porta que mostrava um campo de Erva Coração, o céu em tons roxos; exatamente como Mimi descreveu ao explicar como achou uma Erva Coração alguns meses atrás.
— Aquela é a Mimi? — Shuri sussurrando atraí a atenção dele, que vê a mulher caminhando na direção deles.
— Ela está morta? — T'Challa chama a atenção da deusa que começou a cantar e gesticular para as portas que se abriam.
Em choque, os irmãos viram muitas pessoas entrarem no cômodo e caminharem, parando apenas para saudar Yawá, e ela os abraçava e beija logo que atravessaram a porta, antes saudando de maneira devota a deusa Bast, e continuando por fim a caminhar no campo.
— Ela está se despedindo dos seus.
Aquela frase o deixou surpreso de uma maneira que, sem acreditar, acabou olhando para Bast que, a essa hora já chorava em silêncio, se curvando para abraçar o espírito de algumas crianças que eram trazidas por adultos. O que seu avô parecia ter esquecido era que, antes de deusa, Bast era mãe dos que antecederam todo o povo que ele fez questão de se livrar por mero capricho. E como qualquer mãe, uma vez que seus filhos foram massacrados com tanta violência pela Família Real, ela não pode sequer os encontrar no plano espiritual, pois nenhum deles havia recebido um enterro decente, continuando a sofrer, mesmo após anos de sua morte. E aquilo havia a deixado tão furiosa que se não fosse uma deusa tão pacífica, já teria acabado com Wakanda há muito tempo.
Mimi foi cercadas pelas crianças fantasmas, que agora pareceram sem os adultos, sozinhas e infelizes; mas por fim sorrindo ao vê-la á espera deles.
— Você quer vingança? — conseguiu falar o rei enquanto assistia uma cena muito bonita se desenrolar á sua frente.
Deixando uma das crianças subir em suas costas, Yawá segurou as outras nas pequenas mãos e as guiou campo adentro sem parecer ligar para as roupas manchadas de sangue que os pequenos usavam, demonstrando que o que para ela nunca havia acontecido até pouco tempo atrás, ainda era muito real para todos eles.
Ao seu lado, Shuri chorava segurando na mão dele, provavelmente se sentindo terrível por ter ligação com o que aconteceu a aquelas pessoas.
— Não. Quero justiça.
Bem, ele também queria, então poderiam facilmente chegar a um consenso. Ao menos aquele era um bom sinal.
— O que precisa que seja feito, minha senhora? — Shuri conseguiu dizer antes de Mimi sumir de vista.
A porta desapareceu e no lugar dela voltou a mesma parede de antes.
— Honrem o trato. — enquanto enxugava as lágrimas, que escaparam involuntariamente, virou de costas para os irmãos. — E ponham a menina Yawá para ser uma das Dora Milaje. — acrescentou por fim.
— Se sua filha estiver de acordo, considere feito. — T'Challa tratou de logo deixar claro ao concordar com Bast.
— Sabendo o que falar, menina Yawá logo vai concordar. — retruca a divindade em tom sério.
Embora não tivesse entendido o que Bast quis dizer, o rei apenas concordou em silêncio e sorriu ao ver a Deusa parecendo aliviada. Era um tanto cedo para confiar em homens, mas ele sabia como a convencer. Graças a sua incrível habilidade de se desculpar que desenvolveu graças a seu primo desequilibrado.
— Posso não ser uma pessoa confiável a seus olhos, mas peço um pequeno crédito, pois tenho tentado de maneira árdua ajudar Yawá...
— Ajude-a dando o trono que ela tem direito. É tudo que quero. — elucidou os fatos sem muitos floreios.
— Sim, senhora.
— Antes que me esqueça, deem á ela carne. Ou liberem-na para caçar. Seu animal interior está fraco. — mostrando que no fundo é uma mãe como qualquer outra, Bast ordenou com notável preocupação.
— Acha que ela terá motivos para ter que ficar mais forte? — T'Challa questiona a divindade, que logo assente.
— Não posso ir contra os meus, mas minha menina pode. Tratem-na bem. — a deusa afirma em tom sério, olhando-os de soslaio.
— A senhora acha que vai demorar pra ser avó? — Shuri o deixa constrangido pela pergunta imprópria e aleatória.
Rindo, Bast para na porta de saída da sala, levantando uma mão, e disse "cinco", antes de sair pela porta ainda rindo.
Esse cinco era referente á dias, meses, anos ou a quantos netos ela teria?
Embora um tanto confusos, e acreditando que á essa altura Yawá deveria estar de novo consiciente, os dois se separaram e decidiram procurar pela mulher que deveria estar sem entender nada do que aconteceu. Lembrando-se da localização da doutora na última vez que sumiu, o rei saiu atrás do único lugar que sabia que poderia ser o ponto de reflexão que Mimi escolheu para ser dela em Wakanda.
Orando á deusa Bast para que a encontrasse na cachoeira, onde também realizavam os duelos no Dia do Pantera, encontrou a cachoeira vazia.
— Onde ela teria ido? — pergunta retórico desistindo de caminhar, sentando-se próximo a margem da água.
Pensando consigo, T'Challa quase morre do coração ao vê-la emergir assuatada da água.
— Oxigênio. Graças a Deus. — a doutora ralha baixo, e nada mais uma vez, emergindo nas águas iluminadas pela luz da lua.
Incapaz de atrapalhar, aguardou com paciência até que Yawá retornasse a superfície, trazendo numa mão o que parecia ser uma mini boneca russa num chaveiro.
— Desculpa, Nick. — Mimi falou baixo para a boneca e se virou para T'Challa.
Aquele era o mesmo chaveiro que a mulher carregava para cima e para baixo. Logo concluiu que deveria ser uma relíquia de família e que provavelmente deveria tê-la perdido durante o primeiro mergulho que Yawá deu na cachoeira.
Ciente que se esconder seria uma ideia imbecil, T'Challa limitou-se a descruzar os braços e estender a mão para que ela subisse com o auxílio dele.
— Alteza. — Supresa, Yawá entrega a boneca ao homem que a depositou num canto qualquer, estendendo-lhe novamente a mão.
— Bem tranquilo aqui, não acha? — puxando assunto sorri para a doutora que segura sua mão.
— Gosta daqui?
— Da água em particular tenho saudades, adorava nadar aqui quando era mais novo. — conta o rei de Wakanda, fazendo menção de puxá-la.
Fazendo força contrária, Komirassova o puxa para a água, que apesar da noite, era uma das mais quentes e estava agradável e refrescante. Assim como a companhia que parecia ótima pra ele.
— Doutora! Era para você sair da água! — em tom acusatório, T'Challa emergiu das águas lutando contra a sua vontade de olhar o corpo da mulher a sua frente.
— Perdão! Eu não consegui me conter! — levantando as duas mãos, Yawá sorri travessa. — Não me mande pra cadeia! — pediu por fim fazendo um bico que o desarmou por completo.
Como ficar furioso com uma coisa daquelas? Mesmo sendo travessa, Mimi era adorável e tudo que o rei queria era beijá-la e fazê-la dele. Por ele poderiam se unir em matrimônio naquele momento que estaria muito bem com aquilo.
— Eu exijo uma compensação! — T'Challa grita antes de jogar água nela que, apesar do espanto, logo entra na brincadeira revidando.
Vendo que ela conseguia o acertar muito mais vezes, aproveitou a meia luz que dificultava a visão por parte da mulher para submergiu e pôr fim á distância entre eles, subindo a superfície na frente de Mimi que tentou fugir, mas foi abraçada por ele.
— Você tem ideia do susto que eu levei? Seu idiota! Você é um grande idiota, sabia? — rindo alto, ela ainda deu alguns tapas nas costas do rei.
— Você é a mulher mais linda que eu já vi em toda minha vida. — deixa espacar, surpreendendo-a.
— Você acha? — agora com um enorme sorriso no rosto, Yawá, que ele acabou liberando de seu abraço, colocou os braços sobre os ombros do homem.
— Eu acho que algo vai acabar dando errado se continuarmos assim...
Rindo como se T'Challa tivesse contado uma piada, Yawá aproximou seu rosto do dele, dando-lhe um selinho que durou alguns segundos antes dela se afastar, sorrir e olhá-lo nos olhos antes de dizer:
— Errado como, meu rei?
Tentando explicar, ele tentou abrir a boca, mas Mimi pôs seus lábios nos dele mais uma vez, agora dando início a um beijo bem devagar. Sem pensar muito, uma vez que a calma dela não condizia com o desespero que o homem sentia por pensar não conseguir a ter por tempo suficiente, T'Challa tornou o beijo mais rápido, lascivo e muito mais voraz. Suas mãos mantiveram-se na cintura de Yawá, a fim de mantê-la o mais próxima possível do corpo dele, enquanto que a mulher brincava com uma das mãos no cabelo dele e com a outra deslizava por debaixo da blusa de T'Challa.
Como se tivesse levado um choque, Mimi se afastou, encerrando o beijo, nadando para longe dele depressa.
— Fiz algo ruim? — o rei gritou para doutora que em resposta pede desculpas pelo que aconteceu.
— Só esqueça isso! Por favor! Eu realmente sinto muito!
Confuso, T'Challa apenas a observou se afastar, pensando no que poderia ter acontecido para que Yawá se afastasse tão assustada.
Mas estava decidido a fazê-la se aproximar mais uma vez, para que pudesse finalmente achar uma brecha na fortaleza que era aquela mulher que tanto queria ter.


>>>Manhã Seguinte

Terceira Pessoa

As duas responsáveis pela montagem da máquina, estavam na área de montagem do projeto, ocupadas, cada uma com sua função, cantando uma música qualquer juntas, quando o rei chegou sem camisa e com uma bermuda bem simples.
— Tá tudo bem? — pergunta curiosa a irmã do homem que sorri abertamente.
Após se tornar rei, T'Challa nunca mais se vestiu de maneira despojada, tampouco andou sem camisa por aí, temendo que os conselheiros o repreendessem por modos pouco convencionais. Logo para ele abrir mão de todos os protocolos, no mínimo havia um ótimo motivo, ou no caso, um muito bonito, e que sua irmãzinha já desconfiava qual fosse, ainda que precisasse de uma pequena confirmação.
— Aproveitei que encerrei o treinamento mais cedo e vim olhar o projeto de vocês. — T'Challa explica calmo, observando a convidada que parecia estática em seu lugar.— Estou devendo uma, não é?
Não foi muito sutil, mas ao menos seu irmão havia tomado coragem de se aproximar de Mimi. Já não era sem tempo.
Com um enorme sorriso no rosto, agora que já tinha entendido a razão dele, Shuri o abraçou e virou de frente para Yawá, animada.
— Lindo, não? — provocou a amiga que engoliu a seco antes de assentir e pegar alguns papéis.
— Vou ali puxar a orelha do Parker, com licença. — desconversando depressa, a doutora fugiu mais rápido que um animal cercado por predadores.
Se contendo o máximo possível, Shuri esperou o som da porta se fechando para começar a rir junto com seu irmão, achando aquele momento válido pelo resto do dia tedioso que seria.
— Por que você simplesmente não a chama pra sair? — questionando-o mais séria, a adolescente estreita seus olhos para encarar o homem ao seu lado. Seria muito mais fácil se ambos fossem menos cautelosos. Para quê tantos rodeios se o desejo era mútuo? Adultos e suas complicações desnecessárias...
— Certo. — coçando a nuca, o rei saiu do lugar esbarrando em Parker, que pareceu ficar em choque com a presença dele.
— S-Senhor. — com cautela, o ajudante Peter Parker sauda o irmão mais velho de Shuri, a fazendo sorrir.
Ele era tão assustado que até mesmo a presença do adulto o deixava desconfortável. E olha que o irmão da princesa era um dos homens mais doces e gentis que ela conhecia.
— A doutora estava procurando você. — T'Challa, usando seu tom de voz mais assustador avisa ao rapaz que gagueja coisas inteligíveis.
— Pare com isso, seu idiota. — Shuri repreende seu irmão, jogando um caderno sobre o mesmo que após desviar, a encara sério.
— Você é muito chata. — reclama, esbarrando de maneira proposital em Peter ao sair. — Como eu posso treinar para assustar seus pretendentes? — grita já da saída do laboratório, deixando o rapaz vermelho como um tomate.
Ela não estava acreditando que T'Challa se referia a Peter como o futuro pretendente dela. Que colonizador iludido!
— Onde esteve, Peter? — perguntando séria, a moça volta a mexer em seu tablet como se não visse o escarlate no rosto do branquelo á sua frente.
— Ah, bem, ajudando Mimi. — contou o garoto em tom calmo.
Sem entender o significado daquela frase, a princesa parou por alguns segundos, refletiu o que havia escutado, estreitou os olhos, e olhou na direção do auxiliar, tratando de exigir:
— Explique-se.
Ainda que tivesse pigarreado algumas vezes, mexido no seu jaleco como se estivesse o incomodando, coçado a nuca, a cabeça, os olhos e atrás da orelha, Parker cruzou os braços, descruzou e por fim acabou explicando:
— Mimi pediu a chave do quarto dela...
A questão do roubo havia sido esclarecida, mas por que a sua amiga queria a chave? Seu irmão colocaria guerreiras na entrada do quarto se assim ela quisesse.
— Aconteceu alguma coisa? — Shuri, com notável preocupação, questiona ao adolescente que nega rapidamente.
— Não! É que Sonya está num período meio complicado... — tenta explicar o rapaz se, acabando por se enrolar mais ainda.
— Como assim, Parker? Ela está doente? — Shuri grita, já sem paciência, mas logo é respondida.
— É que alguns dias no mês, Mimi fica com os hormônios muito alterados e as transformações dela ocorrem enquanto ela dorme. — conta a verdade por fim.
— Ela está de TPM? — a princesa questiona em tom divertido.
Nunca viu um ser humano do sexo oposto suar tanto, dando voltas e voltas no assunto para não chegar ao ponto. Além de claro e óbvio, virar um tomate de tão nervoso com sua falta de jeito para falar e explicar as coisas.
— Na verdade, é algo que a Mimi escolhe tipo, pra não fazer mais nada e tal...
Mais perdida do que já estava, Shuri respirou fundo, olhou o rapaz de cima a baixo e colocou o tablet em cima da mesa de projetos.
— Não estou entendendo nada, Parker. — ralha ela, massageando as têmporas.
— A doutora nunca me deu muitas informações, logo, nem eu sei o que estou dizendo, Shuri. — Peter explica por fim, em tom sério.
Perguntaria á sua amiga depois. Tinha achado aquele fato um tanto preocupante e interessante ao mesmo tempo. Precisava saber mais sobre.
— Você conseguiu descobrir o que eu te pedi? — mudando de assunto rápido, a princesa questiona baixo.
Mais a vontade, Parker assentiu rápido, abriu um sorriso resplandecente, que iluminou todo seu rosto antes obscuro pelas olheiras e pela confusão evidente estampada neles, indo até onde a moça estava. Não podiam falar muito alto sobre o assunto, pois os adultos não tinham ideia do que os dois adolescentes brilhantes faziam em seus tempos livres juntos, e o quão próximos eles ficavam a cada dia que passava.
— Sua mãe mantém a chave que você quer num cordão com ela.
Sorrindo satisfeita, uma vez que já até sabia como conseguiria o colar, Shuri assentiu e logo o segurou pela mão, guiando até longe da mesa de trabalho.
— Você tem ideia de como juntar duas pessoas? — sussurrando, ela pergunta a Peter que parece ficar pensativo por uns segundos.
— Amarrando elas? Ou então... — sugere sem pensar direito.
— Como casal, Peter. Eu quis dizer "como casal". — ela se explicou com irritação. — Você deveria agir como um cara inteligente, sabe? — pergunta incomodada ao colonizador que logo sorri.
O que o rapaz tinha de agradável, ainda que fosse um colonizador, era mais do que suficiente para manter a princesa conformada com a ideia de tê-lo por ali.
— Já sei! "Sete Minutos No Paraíso"! — como tivesse dito algo muito inteligente, Parker a faz encará-lo como se fosse um tipo de animal exótico.
As diferenças entre Wakanda e o Queens eram muito maiores do que a princesa pensava, pelo visto.
— O quê?
— Deixa que eu te mostro! — animado, ele a puxa pela mão na direção do armário de ferramentas.
— O que você quer lá? — Shuri questiona receosa, seguindo-o.
Aquele cômodo só se abria por fora, por medidas de segurança do laboratório. Era trabalhoso e perigoso fazer qualquer coisa que os deixassem por lá durante muito tempo.
— Nós podemos trazer as duas pessoas para um lugar como esse. — entrando, Peter a arrasta junto para o cômodo bem menos espaçoso que o laboratório confortável que a princesa possuía.
— Certo, agora vamos embora daqui. — ela tenta sair mas é impedida por seu colega.
— Daí, nós fechamos a porta! — disse, puxando a porta antes que Shuri pudesse segurá-la.
— Mas que inferno, Parker! — furiosa, ela começa a xingar o rapaz em sua língua nativa.
— E então é só abrir a... — despreocupado, o rapaz puxa a porta sem sucesso.
— Você nos trancou! Parabéns, seu colonizador imbecil! — gritando com Parker o deixa chateado.
Sem dizer mais nada, Peter se afastou o máximo que pôde, correu em direção à porta e tentou derrubá-la com um chute que só lhe causou dor. Com pena da situação dele, Shuri usando sua pulseira, que também servia como um comunicador, pediu a um dos auxiliares do laboratório que fosse abrir a porta para os dois saírem.
— E onde, ou melhor, qual a lógica de trancar duas pessoas juntas? — pergunta curiosa para o rapaz que a olha surpreso.
— É que, tipo assim, geralmente essas coisas terminam... bem... você sabe. — falando baixo, Parker se aproxima da princesa que sorri.
Sim, ela sabia, mas deixá-lo sem jeito era seu passatempo favorito atualmente e o achava adorável tentando explicar qualquer coisa que fosse. O que era meramente científico. Não sentimental, ou qualquer outra coisa do gênero.
— Na verdade, não sei. — Shuri mentiu de maneira cínica, encarando o rapaz que, agora, não parava de pigarrear.
Vendo-o perto de morrer sem ar, a moça gargalhou como se não houvesse amanhã e recebeu um olhar furioso dele, que deve ter finalmente entendido sua falsa inocência.
— Isso não tem graça, princesa...
— Diga por você! — ela retruca antes da porta ser aberta. — Obrigada, querido, está dispensado. — agradecendo ao seu funcionário, saí do lugar com o adolescente logo atrás dela.
— E se eu fosse um pervertido e resolvesse te mostrar na prática, hein? — Peter sugere tagarela, fazendo-a rir mais ainda.
Aquele garotinho assustado? Fazer algo daquele tipo?
Peter Parker, o auxiliar mais brilhante de Mimi, era o típico nerd americano que nunca beijaria garota nenhuma se dependesse dele. Era simplesmente tímido demais pra isso. E Shuri sabia bem daquilo. O que só tornava a frase dele ainda mais engraçada.
— Você é engraçado. — conseguiu dizer, enxugando as lágrimas que já caíam devido a sua crise de risos.
— Eu sou um homem e você é mulher... — Parker tenta em vão se fazer de forte.
— Eu sei que você não tem a coragem necessária pra se aproximar de uma garota. Tampouco beijá-la! — teimando convicta, a princesa se põe na frente do rapaz que fica irritado.
— Eu tenho sim! — Peter bate o pé como uma criança birrenta.
— Não, você não tem!
— Sim, eu tenho! E eu posso provar! — Parker grita antes de descruzar seus braços.
— Então prove! — bradando ríspida, Shuri é pega de surpresa por ele que lhe dá um selinho.
— Ora, seu colonizador...! — tenta falar antes de Parker a beijar mais uma vez, dessa vez levando as mãos para a cintura dela, que sem se dar conta retribuí ao beijo, fazendo do selinho um beijo com língua, embora um tanto desajeitado.
Não que ela gostasse dele. Na verdade estava apenas aproveitando a ocasião para aprender uma ou outra coisa sobre beijos que apenas a prática poderia a deixar ciente. E bem, basicamente já sabia da parte teórica, mas com relação à parte prática...
Ser uma princesa e ter acesso a toda a tecnologia de Wakanda era bom, mas aquilo acabava afastando qualquer garoto da sua idade, além de seu irmão ser tão protetor que, para a princesa, namorar ou ficar com alguém se tornava uma missão impossível. Por isso, decidiu aproveitar sua oportunidade pra se divertir um pouco, além de aprender também.
Quando finalmente entendeu o ritmo e já conseguia se movimentar mais naturalmente, Shuri ouviu a voz que muito conhecia dizer bem alto e em tom muito irritado.
— O que é isso?!
Assustada, ela se afastou de Peter assim como ele o fez, e voltou seu olhar para a única pessoa que não deveria ter entrado naquela sala e presenciado a cena do primeiro beijo dela.
— Maninho? — incrédula pelo seu azar, Shuri entra na frente de Parker que os olha alternadamente.
Seu irmão parecia prestes a bater em alguém e a menos que o impedisse, Peter estaria com um olho e o resto do corpo roxo até o final do dia. Seria possível que não podia ao menos se divertir com o colonizador?
— T'Challa é o Pantera Negra? — o rapaz constatando tardio a faz respirar fundo.
Tinha esquecendo-se de deixar o Homem-Aranha a par daquela informação. Bem, agora só faltava Mimi descobrir aquilo. Já não era sem tempo dela saber e de seu irmão parar de tentar esconder da doutora isto.
— E você é um homem morto. — T'Challa bradou em resposta ao adolescente sem pensar duas vezes.
E Shuri que achava seu irmão um homem pacífico.
Foi só um beijo experimental. Nada mais que isso. Não era como se fosse fazer novamente, de jeito algum. Ao menos era o que pensava. Até que beijar Parker foi bom, e apesar de só um pouco estranho no princípio, bem agradável. Shuri sentiu algo, que não sabia ao certo, mas precisaria se certificar depois para que tivesse certeza do que era. Antes precisava tirar o adolescente do alcance de seu irmão mais velho e controlar o estrago que já havia sido feito.
— Peter, não pense em nada, só ative seu traje e... — a princesa começa a pedir antes de Yawá entrar completamente molhada no laboratório.
Alheia ao péssimo clima, Mimi grita sua amiga, não notando a presença do Pantera Negra, e diz algo no mínimo incomum para ela:
— Shuri do céu! Teu irmão sem camisa é um verdadeiro atentado contra a minha vida!
Sem saber se ria ou se chorava da verdadeira bagunça que estava aquele momento em si, a princesa aproveitou a distração para empurrar Parker em direção à varanda por onde ele poderia escapar do seu irmão furioso.
Entretanto, como se sem fazer alguma coisa estúpida não seria ele, Peter logo que já tinha uma boa distância, olhou para o Pantera Negra e logo tratou de falar, nervoso:
— Eu realmente sinto muito, senhor T'Challa! Eu iria dar só um selinho nela, mas ela que me beijou! — acusando a jovem recebe um olhar irritado dela.
Ele poderia apenas ter se afastado, oras. Parece até que Shuri o ameaçou para beijá-la.
— T'Challa? — Mimi repete confusa, olhando para o Pantera que ameaçou ir em direção do herói adolescente.
— Onde pensa que vai!? — furioso, é segurado pela doutora que mostrou ter ótimos reflexos.
— Vá embora de uma vez, Parker! — Mimi grita para o garoto embora não soubesse o que aconteceu ao certo.
Ciente de que daí pra frente ela e Yawá poderiam dar um jeito, Shuri, agora mais calma, ajeitou sua blusa tentando não parecer tão constrangida como se sentia por dentro.
— Esse projeto de herói enfiou a língua na garganta da minha irmã! Me solta! — o rei de Wakanda ralha, tentando se afastar da moça.
— E usar seu traje para cometer um homicídio é o que você acha certo, T'Challa? Ou deveria chamá-lo de Pantera Negra? — pergunta Komissarova, o empurrando para trás.
Como se tivesse despertado, seu irmão mais velho, agora se dando conta de que a doutora estava bem ali na sua frente, parou para encará-la um tanto constrangido.
— Mimi... — ele ensaiou uma fala antes de ser cortado pela mulher.
— Não. Não quero ouvir. — Yawá encerra o assunto voltando a caminhar na direção de Shuri.
Temendo uma repreensão que sabia que viria, a princesa deu alguns passos para trás recebendo um olhar sério de sua amiga que, ao ser segurada pelo rei pela mão, desvencilha-se dele.
— Mimi, ele não... — Shuri tentou em vão limpar a barra de seu irmão, não que fosse adiantar de algo uma vez que T'Challa pretendia contar tudo sobre a vida de Mimi e o por quê dela ter a vida que possuía. Ainda sim, esconder dela o fato de ser o Pantera Negra foi muita burrice e a princesa já havia o alertado sobre aquilo antes. Pena que não foi possível fazer nada a respeito da péssima decisão que o rei de Wakanda tomou em insistir em manter aquilo em segredo até aquele fatídico momento em que Peter Parker contou da pior forma possível, dando só a informação resumida sem uma explicação do por que da verdade ter sido omitida por eles.
— Ela primeiro, você depois. — Mimi limita-se a falar, sendo prontamente atendida pelo rei.
— Estarei esperando no meu quarto. — T'Challa informa sério a Yawá que apenas continuou a caminhar, sem nem ao menos acenar para ele.
Sentindo que o clima pareceu mudar para algo bem tenso entre eles, a irmã mais nova do protetor de Wakanda se xingou mentalmente pelo fato de algo tão simples ter se tornado uma grande confusão de que não tinha ideia por onde começar a arrumar. Como seus planos de juntá-los como casal se tornaram tão difíceis por conta de uma coisa tão idiota como o colonizador?
Sorte a de Parker que beijava bem, caso contrário, Shuri usaria as armas que pegou na guerra civil de Wakanda e atiraria naquela aranha estúpida.

Notas finais
Críticas? Elogios? Um "Oi, tudo bom" pelo menos?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.