Notas iniciais
Muito obrigada a todos que comentaram, em especial Carol que deixou um comentário enorme com críticas maravilhosas! Espero que gostem! Boa leitura!

Sonya Yawá

Confusa sobre como foi parar ali, a doutora caminhou pelo grande jardim com flores lilás brilhantes até um idoso de costas para ela.

Usando vestes brancas, descalço e com uma expressão calma, ao vê-la ele acenou a chamando até si.

— Onde estou? — pergunta curiosa ao senhor que riu antes de lhe responder.

— Esse é o Djalia, menina Yawá. — com calma o senhor se segurou no ombro dela e recomeçou a andar. — Nesse lugar toda a memória coletiva de nosso povo se perpétua e aqui você encontra a Deusa Bast. — explica a Komissarova que assentiu rápido.

— O que estou fazendo aqui?

Não se lembrava de que maneira chegou lá. Tampouco de quando mudou suas vestes. Estaria algo errado acontecendo?

— Conversando comigo. — respondendo rápido o senhor a fez sorrir.

Embora não se recordasse daquele rosto, tinha algo nela que simplesmente não conseguia deixar de gostar dele. Sentia quase como se o conhecesse.

— E porque estamos conversando? — Sonya

reformulou sua pergunta ansiosa.

— Por anos você falou e eu apenas escutei, agora chegou minha vez de lhe falar algumas coisas, menina Yawá. — ele afirma sério.

— Quem é você? — teimando como uma criança a doutora insiste em questionar o desconhecido.

— Alguém que se não fosse você teria vindo para cá sem nem mesmo ter uma lembrança feliz. — parou um pouco mais próximo de uma árvore enorme no final do campo de flores. — Imagino que não goste muito de seu nome dado por sua mãe, mas desde que me disse ele, não pude pensar que era um grande desperdício não o usar. — acrescentando calmo senta-se no chão.

Pensativa pela resposta enigmática, Sonya pegou uma das flores e respirou fundo. A única pessoa que havia salvado da morte havia sido seu animal de estimação. Não havia como ser ele? Havia?

— Oxossi? — chama o homem que faz um sinal positivo.

Imitando-o sentou no chão e esperou mais uma vez para que o homem voltasse a falar.

— Infelizmente não temos muito tempo, Yawá...

— Como assim? Você era um animal! Não era? — assustada o interrompe recebendo um sinal positivo.

— Vim como um animal naquele plano apenas para ter uma chance de conhecê-la, Yawá. — com carinho ele passou a mão pelo rosto de Sonya que fechou os olhos, sentindo a paz que aquele senhor a transmitia. — E agora que já a conheço e a trouxe para casa, minha missão acabou. — acrescentou com tristeza a encarando.

— como assim, Oxossi? Do que você está falando? Que missão? — segurando as mãos enrugadas do seu velho amigo tentou o impedir de se levantar do campo de flores lilás brilhantes.

— Muito obrigado por fazer desses anos uma coleção de momentos felizes. — Oxossi agradeceu com sinceridade.

Ciente do que aquilo significava, se colocou de pé, o abraçou deixando que as lágrimas caíssem e sentindo o afago dele em sua cabeça tentou diminuir seu choro, reunindo toda a sua força para se despedir.

— Vá e seja mais feliz ainda, velho amigo...

Limpando as lágrimas desviou sua atenção dele até que sentiu mãos pequenas puxarem seu vestido.

Agora em sua frente havia um menino, que aparentava no máximo nove anos, sorrindo docemente.

— Acredite quando lhe digo que isso não é um adeus, Yawá. — a voz infantil afirma a deixando mais tranquila.

Enquanto se mantinha parada, vendo o garotinho correr em direção a árvore que parecia tocar no céu Boreal com tons de roxo, sentiu alguém parar ao seu lado pelo perfume diferente que possuía.

— Sonya Komissarova nunca existiu, Yawá. Você não pode continuar a permitir que a chamem por um nome que não é seu. — a mulher também observando Oxossi fala séria.

Ela era exatamente como imaginou que fosse uma Deusa Africana. Ainda que fosse bonita, vestia roupas de batalha semelhantes às das guerreiras de T'Challa com muitas cores e trazia em sua mão direita uma lança, que fincou no chão.

— Nos conhecemos? — perguntando curiosa recebe um olhar minucioso em resposta.

— Você ainda não me conhece, mas a conheço tão bem quanto conheço a mim. — sorriu calorosa a estranha que lhe parecia também ser familiar.

Seria ela sua mãe? Por que sua mãe estava conversando com ela? E se essa mulher fosse um tipo de guia espiritual?

— Assim que você voltar, quero que leve essa flor que traz consigo até o Rei, pois ele saberá o que fazer e peça a Okoye que lhe ajude a ser uma Dora Milaje. — explica a moça que logo assentiu.

Não era todo dia que conhecia alguém tão certa do que lhe dizia. Se estava ali, o mais certo era ouvir o que aquela mulher tinha a dizer. O que parecia meio surreal, mas pra quem já havia visto um Deus Nórdico e lutado contra alienígenas era bem leve pra assimilar.

— E se ele perguntar quem me deu essas ordens? — desconfiada se voltou para direção da desconhecida que riu.

— Diga que Bast foi quem lhe deu as ordens. E seja rápida, a flor não viverá muito se não for plantada novamente.

Achando aquilo muito real, ouviu alguém a chamar, o que fez tudo ficar escuro, antes de se vê acordando em seu quarto apressada.

Dando um salto da cama, assustou Shuri que a fitava assustada antes de ver a flor, brilhante como no seu sonho, em suas mãos.

— Mimi, onde você achou isso? — escuta a adolescente perguntar surpresa.

— Eu recebi para entregar ao seu irmão. E preciso falar com Okoye. — lembrando das palavras em seu sonho respirou fundo. — Com extrema urgência. — acrescenta antes de correr até um copo onde colocou um pouco de água e deixou a flor dentro.

Aquilo deveria servir. Tinha que servir.

— Viu Oxossi em algum lugar? — Sonya perguntou a amiga que negou com a cabeça.

Ainda um pouco perdida, a princesa pegou a doutora pela mão e a arrastou para fora do quarto, atravessando o corredor onde quase derrubou a porta com suas batidas fortes.

— Quem morreu? — ouve o Rei resmungar sonolento antes da sua irmã empurrar a porta e entrar com ela no cômodo apressada.

— Eu preferia esperar que ela viesse aqui, antes... — a doutora constrangida pelo fato do homem estar seminu na sua frente pediu desculpas sem jeito.

Um homem bonito como aquele, só de cueca era muito mais do que seu cérebro aguentava processar sonolento. Não dava pra não encarar um porte daqueles e ficar com cara de paisagem. Tomara Deus que ele não tivesse uma namorada guerreira, pra defendê-lo por ter sido visto daquele jeito por uma estrangeira.

— Custava me deixar colocar alguma coisa? — T`Challa reclamando com a irmã recebe uma risada da moça.

— Olha a mão dela, maninho. — rebateu de pronto gesticulando para a flor no copo.

O que tinha ido fazer lá mesmo? Ah, isso. A flor brilhante. O que era a flor comparado a um homem tão bonito quanto aquele?

Vestida de uma camiseta larga de sentia uma anta por não ter trago nada bonito pra dormir por lá, mas sabia que o Rei de Wakanda não estava nem aí pra ela, logo se sentiu um pouco mais calma.

— Isso é seu. — entrega o item se afastando depressa do rei de Wakanda. — Vou pra meu quarto, assim que puder peça a Okoye para ir me ver... — tentando se afastar dele, o sente segurar seu pulso sem muita força.

— Onde achou essa flor?

Mentir não era uma opção, logo seria mais fácil contar a verdade de uma vez. Isso se, somente se, ele acreditasse, o que não parecia algo viável.

— Uma mulher apareceu em meu sonho e pediu que o entregasse isso. Disse que se chamava Bast e que precisava a levar até você o mais rápido possível. — despejou tudo que lembrava recebendo olhares surpresos.

— Isso é real, não é um sonho. — ele retruca a fazendo rolar os olhos.

— É eu sei. Florzinha brilhante entregue, aviso dado, estou indo. — se sentindo idiota pelos olhares dos irmãos se afastou depressa até a porta. — Altezas. — se despede saindo sem olhar para nenhum dos dois.

— Sonya não... — T'Challa começou a falar baixo.

— Me chame de Yawá daqui por diante. — pedindo sem olhar pra trás saiu do quarto indo para o seu.

Lá sentou, desenhou o rosto da mulher diversas vezes e quando sua cabeça estava em ponto de colapso, tomou um banho, vestiu uma camiseta, um short qualquer e saiu para o laboratório onde voltou a trabalhar em seu projeto, ciente que mesmo que tentasse ficar lá o esperando, era óbvio que Oxossi não voltaria mais.

T'Challa

Tinha acabado de colocar uma roupa quando Zuri bateu na porta atraindo a atenção do Rei.

— Você também tem algo a me dizer? — pergunta em tom sério ciente que provavelmente havia algum motivo naquela visita tão cedo.

Em resposta o homem riu, fez um sinal positivo e o saudou, esperando que T'Challa se aproximasse.

— Essa noite tive um sonho... — Zuri começando a falar pensa a respeito. — Com a sua convidada e uma criança. — explica o deixando confuso.

Sonya? E uma criança? Seria essa a aparência da Deusa Bast?

— Pode me dizer mais a respeito desse sonho? — o Rei pediu com educação.

— Vi a criança correr para longe dela, brincando nos campos de Djalia e em seguida a observei de longe conversar com Bast, antes de desaparecer por completo.

— Ela disse algo a você? — questiona T'Challa seu velho amigo.

— A convidada não me viu. A deusa Bast sim. E ela deu exatos sessenta dias para cumprir o que ainda a afasta de seu objetivo. — respondendo de pronto, o ancião parece pensar antes de o encarar.

— A máquina de teletransporte. — concluiu ele o guiando para saída do cômodo.

— Ela vai precisar de muita ajuda. — caminha ao lado de seu velho amigo que logo assentiu.

Precisaria conversar com a doutora a respeito daquilo.

O quanto antes melhor, decide antes de encontrar seu primo que vinha o informar que Oxossi, a pantera de estimação de sua convidada havia sido encontrada morta na beira da cachoeira onde ele e sua dona nadaram antes.

Bem, agora com a planta que originava os poderes dos novos panteras negras, poderia ser realizado o "Dia do Pantera" sem maiores problemas, uma vez que poderia remover seus poderes e os receber novamente ao final da comemoração. Agora só o restava saber o que provocou a morte de Oxossi e qual a razão para tamanha crueldade, isso se, somente se tivesse sido uma morte proposital.

Sonya

Ainda que tivesse caído no sono, foi acordada pelo som de algo sendo derrubado o que a deixou logo desperta.

— Hoje é o dia que a gente pode ficar a vontade, doutora Mimi? — Peter questionando animado recebe um bocejo em resposta.

Um fato engraçado sobre ela é que ao chegar nos EUA descobriu que americanos não possuíam facilidade para falar seu nome. Logo acabou adotando a única coisa que eles tinham como pronunciar como seu apelido e desde então "Mimi" se tornou um dos nomes pelo qual era chamada.

— Sim, mas não relaxe muito, pois não quero ter que montar tudo isso de novo. — rebate em tom de repreensão para o rapaz que se encolhe.

— Sinto muito? — falou sem muita certeza ao pegar os itens que derrubou.

— O que acha de mudar o design dela? — a doutora pensa alto encerrando o constrangimento do rapaz.

— Mais detalhes? — com um muxouxo o Parker recebe um olhar feio da superior.

Precisava encerrar aquilo logo caso contrário não começaria seu treinamento pra guerreira nem tão cedo.

— Menos detalhes, mais rapidez no trabalho.

— Graças a Deus. — suspirando aliviado levou um tapa no pescoço.

Focando no seu trabalho, não viu Shuri entrando a tempo de impedir Parker de jogar um pano nela, afim de acertar a lixeira próxima a porta o que assustou a moça, mas para sorte dele que, de última hora teve o seu pano pego pelo próprio Parker usando sua teia.

— Perdão pelo vacilo, princesa. — se desculpou desconcertado pelo que fez.

— Como você fez isso, colonizador!? — parecendo uma criança que acabara de ver um truque de mágica, Shuri foi até ele que pensou por alguns segundos antes de a responder.

— Ele é o homem aranha, bebê. — Sonya, que lutava pra se acostumar com seu nome novo, Yawá explicou em tom de puro tédio.

— Mentira! — gritando animada o puxa pelo braço de onde saiu a teia. — Como funciona isso? — questionou o rapaz que logo desandou falar.

Entediada com os dois conversando, volta a mexer nos seus equipamentos até que alguém a ajuda segurando alguns fios que teimavam em cair sobre a mão dela.

— Obrigada? — pergunta se voltando para a pessoa que mostrou ser o Rei.

Infelizmente usando suas roupas normais, ele parecia bem sério. É, algo no minimo deu muito errado pra ela.

— Precisamos conversar.

Aquelas duas palavras a deixaram tensa de uma forma que até mesmo o fôlego ela segurou antes de concordar num aceno e se afastar do que fazia.

— Tem de ser agora? — tentando o persuadir a mudar de ideia sorri simpática.

— Sim. Me acompanhe.

Apesar de encarar a irmã do Rei e receber um sinal de quem não sabe o que está acontecendo, bufou contrariada e o seguiu em silêncio até a área aberta do laboratório, onde se via os dois conversando descontraídos do lado de dentro.

— Se é pelo jantar... — começa na defensiva.

— Zuri, um ancião disse que nessa noite ele recebeu o aviso que você tem sessenta dias para concluir o seu projeto...

— Fazer um trabalho de anos em dias!? — Yawá interrompe o homem em certo desespero.

— Shuri pode com toda certeza pensar em algo, doutora. — T'Challa sugeriu com um sorriso rápido.

Poderia simplesmente dizer que não, ela não poderia pensar em algo, pois ninguém conhecia o projeto melhor que quem teve a ideia e desenvolveu, mas preferia não se indispor com o irmão da moça fingindo não ter escutado nada.

— Você sabe se alguém viu Oxossi?

Mudando de assunto na esperança de deixar o Rei sem ter que falar mais nada a respeito de seu trabalho, pergunta da única coisa que sem se dar conta repetia em sua cabeça.

Simplesmente não conseguia parar de sentir falta daquela pantera preguiçosa.

Será que ele já havia se alimentado?

— Ele provavelmente deve estar por aí se divertindo ao ar livre. — dá de ombros fingindo pouco interesse.

Algum animal no tamanho dele não passaria despercebido na savana, certo?

Se seu sonho estivesse certo, ele estava bem longe dela. E aquilo doía tanto...

Sem se dar conta, começou a chorar, se surpreendendo ao ser consolada por T'Challa, que levou uma mão ao ombro de Yawá, que num gesto impensado, o abraçou, só se dando conta da loucura feita após já ter a executado.

— Eu juro que não sou tão fraca. — se defendeu rápido fazendo menção de se afastar.

Parecendo entender o que estava acontecendo, o Rei a abraçou de volta rindo, de forma que Yawá sentiu pelo movimento do peito dele.

O que era tão engraçado?

— Não se preocupe com isso. — ouve T'Challa falar calmo. — Até mesmo eu tenho meus momentos onde chego ao limite. — acrescenta discreto.

Só não o dava um beijo pelo seu apoio por medo de quebrar alguma regra e ser morta, mas ainda sim, ele merecia muito um beijo.

— Você? Sempre me pareceu bem confortável em seu cargo. — retrucou tentando limpar as lágrimas que ainda caíam.

Embora o sentiu um tanto sem jeito, se afastou do abraço e continuou a limpar seu rosto.

Seu emprego, animal de estimação, carreira e tudo mais estava uma grande bagunça. Era tanta coisa para chorar que temia não conseguir parar até o final do dia.

— Ser um Rei é complexo. Ainda que possua pessoas para me auxiliarem, no final das contas, sou eu quem tomo as decisões. — tentou explicar fitando seus pés.

Aquilo era uma verdade. E se sentia mais idiota por estar choramingando com o irmão de Shuri por causa daquilo. Muito mal era responsável por sua vida, já T'Challa, era responsável por toda Wakanda. O que não era nada comparado às decisões ruins dela que a levaram a aquela situação péssima que se encontrava atualmente.

Mais um passo errado acarretaria em consequências só para a doutora, já no caso do que Rei de Wakanda, uma má escolha seria refletida em milhares de outras vidas. A diferença era grande, mas para ele tinha o mesmo peso. O que não entrava na cabeça da doutora. Ou o Rei de Wakanda era muito tolo, ou então estava a todo custo tentando a fazer de sentir melhor.

— Precisando de alguém pra conversar... Posso ser útil. Uma boa ouvinte e só. Não que eu vá dar bons conselhos, mas... — acrescenta por final divertida.

Só sabia dar bons conselhos com questões amorosas, pois de resto seu repertório se resumia a "Nossa, que droga.", "Não sei nem o que dizer" e o mais repetido de todos "Vishe".

— Obrigado pela gentileza, Yawá.

— Disponha, amor...! Digo, alteza. — consertou a moça sorrindo constrangida. — Eu, hãn... Bem. — coçando a nuca olhou para os lados. — Melhor voltar ao trabalho, certo? Obrigada por toda sua gentileza! — se despede nervosa pelo fato de seu coração ter batido forte ao vê-lo sorrir descontraído.

— Pode me chamar do que preferir. Sendo você não tenho preferência por nomes. — T'Challa rebate a pegando desprevinida.

Aquilo foi um flerte? Ou estava imaginando coisas?

Melhor voltar ao seu trabalho que ganharia mais.

Logo que se virou para sair, viu um Pantera Negra com detalhes em dourado entrar no seu campo de visão tirando a sua máscara na frente dela, o que a deixou chocada.

— Como você...!? — começa a dizer surpresa ao ver o responsável pelo fim precoce de sua carreira brilhante.

Erik Killmonger estava bem a sua frente, usando o uniforme de Pantera Negra sorrindo como se nada estivesse errado.

Iria matar ele e ninguém a impediria. Já havia se decidido.

Notas finais
Quem acha que no dia do Pantera vai dar ruim?