Rockstory - O Cabeludo
4 Capítulo IV
Após chegar no pátio da nova escola, ela ficou por alguns poucos segundos procurando um lugar legal pra sentar e tentar se adaptar aos olhares dos novos colegas de jornada. Ao ver um banco vazio, um pouco distante do refeitório, prontamente decide ir sentar se nele.
Ao longe, percebe que um grupo de roqueiros está olhando-a fixamente e comentando entre si, talvez, sobre sua roupa e seu jeito de andar. Entretanto, ela continua a caminhar praquele lugar reservado, esperando o chegar pra espantar os maus olhados e comentários.
Não faz muito tempo que ela e a família se mudaram praquele lugar no meio do nada, mesmo não gostando de muitas companhias e dias muito agitados, não tinha se acostumado muito na ideia de morar no meio do mato, conforme dizia pras amigas pelo chat.
— Cala, amiga. — dizía uma delas, tentando editar a imagem borrada daquele lugar calmo e relaxante no interior da metrópole.
Assim que ela se sentou no banco vazio do pátio, em meio as lembranças das amigas distantes, as melhores companheiras pra goticar pelo mundo afora, sentiu a visão escurecer. Pensou em gritar, mas conteve-se pra não chamar a atenção dos demais alunos.
A alguns metros do banco, onde ela está sentada, do outro lado do novo pátio, reformado pelo governo, os três amigos acompanharam cada passo dela. Os comentários mudaram da edição da revista de metal extremo da galera da igreja pro estilo da nova roqueirinha da escola.
— Ah — enfim, depois de muito falar sobre as roupas e acessórios, um deles se declara: — Até que ela é bonitinha.
Quando ela retirou do bolso do casaco os fones de ouvido, os três tentavam, olhando o visual dela, decifrar a playlist que estava tocando. 'Não é muito difícil de ter uma ou duas bandas de gothic metal com vocal feminino naquele smarth phone', disse um deles.
Os três, agora, vivendo nos extremos do convívio escolar, ficam atônitos pela cena trágica representada diante deles. Naquele banco distante, a alguns metros de onde eles estão sentados, algo de inusitado acontece que trouxe um misto de sentimentos e sensações.
— Cara, — disse o amigo, rindo daquela cena inesperada, sentado entre os dois. — Quem é aquele cabeludo?
Sem saber responder, ficaram observando a cena se desenrolando naquele banco distante, onde ela, a gótica de botas, está sentada e ele, o cabeludo, parado de pé atrás do banco, tapando os olhos dela. Essa entrada discreta certamente pegou todos de surpresa.
Assim que teve os olhos desvendados, quando ele retirou as duas mãos, ela, ainda sentada no banco, meio assustada, olha pra cima. Ao reconhecer o namorado, bem mais calma naquele lugar novo, recebe um beijo — spider pra aniquilar os ataques dos vilões.
O sinal toca anunciando o término do intervalo, também conhecido como recreio. Os alunos preparam pra voltar pra sala de aula, onde ficarão mais um ou dois tempos de estudo. Enquanto os namorados passam pela vista deles, o cabeludo acena de longe.
— Olha só ... — depois dos três cumprimentarem, seguindo o caminho pra sala, comentam entre si — Agora, também quer ser nosso amigo.
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