Rock Bottom
13 Início de uma volta
Notas iniciais
13
Alicia
— Hey, o que foi? — olhei para trás e vi Giu — Ali?
— Aquele ser vai pra Yale.
— Está se referindo ao John? Porque se for aí eu entendo. — assenti — Oh (lê-se ou), Ali...
— Por que coisas ruins têm que acontecer com pessoas boas?
— Não fale como se fosse a pior coisa do mundo! O tempo e o futuro são imprevisíveis, sabe-se lá o que vai acontecer ainda!
— Eu não quero passar mais tempo com ele. Não quero!
— Você disse que iriam conversar!
— E conversamos! Mas não significa que possamos ser amigos ou algo do tipo. Não dá.
— Tá falando isso porque tem muita coisa acontecendo. Logo vai acabar e você vai ver que dá sim. É uma questão de tempo.
— Tem razão. Passaram-se três anos e olha onde estamos, tendo uma conversa num banheiro.
— Não é hora para ironias! Eu não entendo vocês! Uma hora estão de bem conversando, na outra não estão nem se olhando, aí na outra ainda, estão se olhando e se ignorando. Não dá pra entender! Sinceramente...
— Eu contei o que aconteceu pra ele. — disse e ela ficou quieta por um instante
— E o que o que aconteceu??
— Você apareceu.
— Maldição!
— Giu o que eu faço? — perguntei choramingando enquanto encostava minha cabeça em seu ombro
— Primeiro vai voltar pra aquele salão e terminar aquela conversa que eu interrompi.
— Mas --
— Sem mas. Vamos. — ela me puxou para fora e apoiou uma mão em meu ombro esquerdo — Preparada?
— Nem um pouco.
— Vai ter que estar. JOHN! — gritou pelo nome do menino que conversava com Cody, o mesmo deu tapinhas nas costas do amigo após nos ver e veio andando em nossa direção, o John e não o Cody — Vocês precisam conversar. Vou estar por ali assim. — ela apontou pro salão todo, ou seja, não queria que eu a achasse em hipótese alguma, revirei os olhos
— Conversar sobre o que exatamente? Você tá bem?
— Sim. E bom, ela só cismou de que temos que esclarecer todas as coisas antes de qualquer decisão ou reação.
— Temos mesmo!
— Você concorda?
— Por que não concordaria? — pensei e pensei, mas não achei uma resposta decente para essa pergunta
— É... Então... Cara, isso é difícil. — disse frustada balançando as mãos — Pode facilitar as coisas fazendo perguntas? Me saio melhor assim.
— Você tá muito estranha. Tem certeza de que está bem?
— Estou. Não estou estranha. — respondi e fiquei pensativa por causa dessa fala, parece ter soado meio estranha, ou não...sei lá, enfim fiz um gesto com as mãos para que ele prosseguisse
— Tuuudo bem. Am... Eu não sei que tipo de coisas são certas de perguntar. Não quero falar nada de errado.
— Não se preocupe. E pergunte logo antes que eu desista!
— NÃO! Por favor! Okay. Deixa eu ver... Sobre aquele beijo. — me incomodei na hora e acho que ele percebeu, porque parou por alguns instantes — O que significou pra você? — pergunta complexa essa, SOCORRO!
— Eu -- — estava um pouco, digo muito, travada agora
Me senti a garota mais frágil e fraca do mundo todo, eu não sou assim, ele me faz assim, odeio esse menino! Não, não odeio...por que eu não consigo o odiar? Fiz cara de choro e só aí percebi que fiz mesmo, de verdade, até ele fez uma cara esquisita que se fosse em outra situação, riria.
Tudo bem. "Seja confiante. Cadê a confiança?"
— Ele foi bom... Isso foi um problema. Não era pra ter sido bom e podemos dizer que significou alguma coisa pra mim, sim. Só que eu não queria isso. Mesmo depois de tudo não consigo...não consigo odiar você. — soltei e ele deu um sorriso de canto assentindo
— Se não é ódio é o quê?
— Não sei.
— Poderia ser mais específica?
— Poderia ir pra outra pergunta? — perguntei na mesma intonação e o cantor riu sem graça
— Beleza, então o que sentiu naquele momento?
— Não é legal debater sobre isso com a pessoa.
— Você que pediu.
— Eu sei. Mas, tem alguma outra em mente?
— Me dá outra chance?
— O quê...? — perguntei calma tentando ver se entendi certo
— Vamos para a faculdade e não quero que ficamos na mesmice dos dias de hoje. Mas se não quiser aceitar, pelo menos seja minha amiga.
— E-eu não sei... — desviei meu olhar do seu, ele segurou meu queixo me forçando a olhá-lo
— Machucar você foi a pior burrice que já fiz na minha vida inteira. Alicia, eu sinto muito. De novo. Me dê uma segunda chance. — me segurei pra não chorar alí mesmo, demonstrar minhas emoções e também borrar toda a maquiagem, eu não merecia aquilo, nenhuma das coisas, mas por fim decidi beijá-lo de uma vez, um selinho demorado e romântico, ao fim do fôlego nos separamos devagar e ainda de olhos fechados, colamos nossas testas e depois de um tempo eu disse num sussurro:
— Vamos com calma, tá legal? — restaram essas palavras para ele dar um beijo estalado em minha testa e depois apoiar minha cabeça em seu ombro formando um abraço desajeitado mas acolhedor, eu sou tão pequena e ele é tão grande
— O que você quiser. — disse e eu entrelacei nossos dedos, agora sim eu estava mais relaxada e segura
Me soltei do abraço, ele beijou uma de minhas mãos que estava junta à dele, eu as soltei logo em seguida sussurrando um "Obrigada" enquanto me distanciava. Por hoje, chega de John.
Giulia
Deixei Alicia conversando com John e fui até meu par.
— O que aconteceu agora? — perguntou
— Começaram uma conversa séria e por minha culpa pararam na metade. Têm que conversar e esclarecer tudo antes de nada.
— Tá certo... Hm, Jenny estava te procurando.
— Tá, depois eu vejo o que ela quer.
— Não vai mesmo falar com ela? — perguntou com dúvida
— Nãao... — respondi sorrindo e ele retribuiu
— Então a senhorita gostaria de dançar? — parei para prestar atenção na música e percebi que tocava Summer do Calvin Harris, uma de minhas preferidas
— Adoraria.
Depois de algumas músicas, avisaram que estava chegando o fim do baile e já não tinha mais a mesma quantidade de pessoas quanto antes. Agora nos restava somente meia hora e cada um de nós (meus amigos) estão em um canto diferente. Olhei para o lado e vi Ali vindo em nossa direção, mas pela falta de iluminação, não deu para observar seu rosto e suas expressões faciais.
— Posso roubá-la por alguns minutos? — ela perguntou à Cody que deu um passo pra trás concordando
— Como foi? — perguntei nos encaminhando para o lado de fora
— Eu beijei ele. — disse sem rodeios
— Como é que é?! — perguntei sem acreditar
— Pediu mais uma chance, disse umas coisas fofas e eu beijei ele.
— Oh... Oooh!! (Agora o som é "ou... Ooou!") Então isso foi praticamente um sim, você voltou com ele?
— Tecnicamente...sim... Eu fiz certo? — sorri para ela
— Você se sente bem? — assentiu sorrindo — Então fez.
— E se não der certo? — receou
— Não tem como saber. Mas parece que vai ser difícil não dar certo, me parecem mesmo gostarem um do outro.
— Acho que sim.
— Fico feliz.
— Mas e você e o Cody? Não acha que está na hora de rolar alguma coisa? Tipo um encontro, umas conversas mais íntimas, ou até mesmo um beijo?
— Nossa, isso sai tão natural da sua boca! ... Eu não sei. Faz 13 meses que somos amigos, e antes que pergunte, sim eu contei, e... — parei e rimos — e...já tivemos boas conversas sim. Mas sei lá, tenho certo medo de me envolver, o que é meio bobo já que gosto muito dele.
— Aah para de ser boba e aceita!
— Aceitar o quê?
— Que está na hora! É óbvio que vocês se gostam bastante! Isso é visível nos olhos de qualquer um!!
— Igual você e John.
— EI! Não nos junte nisso! — ela brigou, mas observei um pouco de vermelhidão em suas bochechas, mesmo com tanta maquiagem
— AAAH!!! Tá vermelha! Tá vermelha! Você tá vermelha! — cantei como uma criança de 8 anos enquanto pulava e a cutucava, observação: ela me batia em troca disso, mas ria
— Agora chega, né?
— Você corar é uma raridade!! É impossível não se empolgar! — falei e ela me estrangulou com as mãos, eu gargalhei — Tudo bem.
— Obrigada. Mas e então, menina...? O que vai fazer?
— Não sei. Mas não seria ele dar os primeiros passos primeiro?
— Criatura! Em que século você vive?? Não se rebaixe! Tenha atitude! As mulheres têm tanto direito quanto os homens!
— Acho que você está misturando algumas coisas, mas me fez enxergar uma coisa. Huh...
— Não, sei exatamente o que e do que estou falando. Isso se chama "realidade" ou então "presente". — falou fazendo uns gestos com a mão
— Desculpa, Sabe Tudo se eu ainda curto romance onde o cara começa tudo e assim caminham juntos pelo romantismo.
— Bleh! Isso me faz querer vomitar. — fingiu vômito e eu gargalhei de novo
— Você é realmente muito estranha. A cada dia que passa se torna cada vez mais difícil te entender.
— Me surpreenderia se entendesse. Tem hora que nem eu me entendo. — rimos juntas — Mas tudo bem, você tem suas teorias e eu as minhas, mesmo sendo estranhas e às vezes bipolares.
— Sim. Sim. Então vamos achar o povo e nos juntar para curtir os últimos minutos desse maravilhoso baile primavera.
— Vamos.
Entramos e a primeira pessoa que vimos foi John, ele estava na bancada pegando um ponche, mas passou a encarar Alicia e ela o encarou de volta, paramos onde estávamos, isso já era rotineiro, mas a diferença é que dessa vez sorriram e eu sem querer deixar escapar um "aww", depois Alicia me olhou com um olhar bravo misturado com incredulidade e murmurei um "sorry". Depois voltamos a andar e olhar em volta. Encontramos os 3Ls sentados na mesa e os outros 2Js também. Todos conversavam. Camilla e Jackson também estavam lá e vez ou outra falavam alguma coisa. Não vimos Corey nem Vanessa, pelo visto já haviam ido embora. Nos aproximamos.
— Oolha! Todos juntos finalmente! — Alicia constatou animada
— Siim, e quanto animação. — Laura a respondeu na mesma entonação
— Pois é. — falei e pela terceira vez no dia, minha amiga me olhou com aquele olhar, ergui meus braços em rendição e novamente murmurei "sorry" para ela
— Eenfim. Temos mais alguns minutos. Vamos dançar como doidos. — Laura pulou da cadeira e fez umas dancinhas engraçadas enquanto falava, fomos todos atrás dela rindo
Conseguimos dançar somente 3 músicas, depois infelizmente o baile foi encerrado e todos fomos para casa. (C/A: não faço ideia de como são de verdade esses bailes americanos e suas locomotivas de volta para casa, maas...whatever) E ao contrário da entrada, John não foi embora com Camilla e Alicia não foi com Luke. Eles trocaram e nenhum pareceu se arrepender.
Autora (eeeu)
Passava-se um pouco mais de 1 hora da manhã e Alicia estava indo para casa exausta, havia sido uma longa noite, e realmente cheia de emoções. John estava logo ao seu lado em silêncio pensando em algo, mas logo pôs-se a falar lendo os pensamentos da loira ao seu lado.
— Foi uma longa noite.
— Foi. — disse somente, sem querer estender ou puxar assunto e assim foi feito o resto do trajeto
Ao se aproximar da calçada da casa da garota, o automóvel parou e os dois desceram. Enquanto o olhar dela era duvidoso, o dele era nervosismo. Não sabia ao certo o que falar e o que fazer, causa das palavras da loira "Vamos com calma". Afinal isso significa o quê? Ele deveria beijá-la na bochecha ou nos lábios? Ou então sem demonstrar algum tipo de afeto, falar "tchau", se virar e ir embora? Definitivamente estava confuso. Queria fazer tudo certo. Não queria perdê-la novamente, tinha medo disso. Por fim decidiu acompanhar a garota até a porta e dar tchau.
— Enfim entregue.
— Agora pode ir embora. — disse séria e ele ficou pior que antes, se estava confuso agora estava duplamente confuso — É mentira. Desculpa. — pôs as mãos na boca para abafar as curtas gargalhadas que dava ao ver a expressão do loiro a sua frente — Mas é sério. Está tarde e não quero que ninguém apareça repentinamente aqui. — o outro só assentiu — Você está muito quieto. Parece tenso. Precisa relaxar.
Por impulso colocou as mãos sobre os ombros do garoto e o balançou, porém segundos depois já as tirou de lá, foi como se tivesse levado um choque, isso a assustou, nunca havia sido tão forte a ponto de mexer tanto com seu emocional. Balançou a cabeça para esvaziar os pensamentos e foi aí então que ele percebeu ter sentido o mesmo. Finalmente "acordou" e segurou as mãos na loira no mesmo instante e em seguida entrelaçou nas suas, queria sentir aquilo de novo. Era bom e estranho ao mesmo tempo. Todas as emoções e sentimentos se misturavam.
Se entreolharam.
Foi neste momento que perderam a noção do tempo.
John soltou uma de suas mãos e passou na lateral de seu rosto delicadamente, Alicia nem se mexeu, continuou a encará-lo. Mas isso não durou muito tempo. Assim que ele tirou sua mão de lá, ela soltou a outra e desviou o olhar para baixo. Jeito que só ele conseguia a deixar assim.
— Ée... Você tem que ir. — afirmou e o loiro assentiu — Mas está tudo bem, tá? — disse sorrindo para despreocupá-lo e não fez ideia do quanto isso foi um alívio
Ela esperou por alguma reação por parte dele, mas nada, parecia estático. Riu fraco e deu um beijo em sua bochecha, abrindo a porta e entrando em seguida.
— Que noite.
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