Rochas Negras
20 Invasão ao Castelo
Notas iniciais
Um dia depois de Dira solucionar os desaparecimentos, pela noite, Eugene estava em seu quarto vestindo uma roupa semelhante aquela em que estava usando no dia que conheceu Rapunzel. Porém, desta vez, a roupa era mais escura. Eugene vestiu sua armadura, incluindo seu elmo, pegou a espada, que encomendou a senhora Magenta, e saiu de seu quarto.
No topo de uma cachoeira, era possível ver Eugene. Ele estava observando uma torre muito distante.
— Pelo que o Lance disse, eles vieram até aqui… Aquela torre não me é estranha… – pensou Eugene enquanto encarava a torre tentando reconhecê-la.
Era possível perceber que Eugene estava segurando dois braceletes dourados.
Alguns dias antes, em algum lugar da ilha, no depósito do Barão:
— Katalina, Kiera. Hoje, eu as reuni para explicar nosso plano para tomarmos aquela coroa. – disse Stalyan em tom sério.
— Basta entrarmos lá e batermos em todo mundo, não é? – disse Kiera, a adolescente morena, olhando para Stalyan.
— Não é tão simples assim. Não temos garantias de que a coroa estará no castelo. – disse Stalyan olhando para Kiera.
— Eu segui o Rider para saber se ele tentaria esconder a coroa fora do castelo ou fazer uma réplica, mas ele não o fez. – disse um homem com um corvo no ombro esquerdo. Este era o mesmo homem que seguiu Eugene na área comercial.
— O motivo para ele agir assim é o fato de que ele quer nos prender. Para isso, ele precisa que a coroa de verdade esteja lá para irmos buscá-la. Então, ele decidiu não arriscar replicar ou tirar a coroa do castelo. – disse Stalyan em tom sério.
— Mas, ele pode ter escondido a coroa em algum lugar no castelo. – disse Katalina, a adolescente ruiva, olhando para Stalyan.
— Como eu disse antes, ele quer nos prender. Ele não vai esconder a coroa, pois, neste cenário, nós não apareceríamos no castelo nem tão cedo. – disse Stalyan enquanto sorria.
— O que você quer dizer? – perguntou Kiera um pouco confusa.
— Nosso espião me disse que os reis estão atendendo muitos súditos depois do ataque que aconteceu na Velha Corona. A princesa atende os súditos junto com os pais e, assim como eles, ela sempre aparece de coroa. – disse Stalyan em tom sério.
— Uma isca. – pensou Kiera olhando para Stalyan.
— Além disso, eu soube que a rainha e a vice capitã da guarda real costumam brilhar durante as reuniões. – disse Stalyan sorrindo.
— Ele quer que ataquemos. – disse Katalina muito surpresa.
— Já aconteceram algumas reuniões com súditos, mas o motivo de não termos invadido ainda é que não gosto de fazer as coisas sem ter certeza absoluta. Por isso, no dia que nosso espião estiver como guarda na sala do trono, numa dessas reuniões com súditos, ele nos enviará um sinal com um sinalizador que o entreguei. – disse Stalyan com uma pequena esfera vermelha entre os dedos indicador e médio da mão direita.
— Sinalizador? – perguntou Kiera olhando para a esfera vermelha.
— Elas são produzidas em pares. Quando uma esfera é pressionada, a outra, brilha. – disse Stalyan antes de guardar a esfera vermelha.
— Entendi. Mas, haverá confronto. Isso não fere nosso objetivo de não chamar atenção? – perguntou Kiera olhando para uma shuriken em sua mão direita.
— Não temos escolha. Não tem como pegar a coroa sem chamar o mínimo de atenção. O único jeito de pegarmos essa coroa é mordendo a isca do Flynn Rider. – disse Stalyan com um sorriso malicioso.
— Você parece confiante para quem terá que lutar contra três monstros. – disse o homem, com o corvo no ombro, olhando para Stalyan.
Stalyan olhou para o homem e disse:
— Lutar? Não será uma luta… Será um roubo.
Dois dias depois de Dira solucionar o caso dos desaparecidos, pela manhã, os reis e a princesa receberam alguns súditos. Muitos perguntaram se estão seguros com toda essa crise envolvendo magia, mas os reis os tranquilizaram dizendo que a rainha, a princesa e a vice capitã eram muito fortes e protegeriam o reino.
Lucius, o capitão da guarda, foi até o quarto de Eugene e não o encontrou por lá.
— Ele não estava nos outros dias em que os reis e a princesa atenderam aos súditos. Por que ele está afastado desse caso? – pensou Lucius enquanto andava pelo corredor, após sair do quarto de Eugene.
Na sala do trono, uma família estava sendo atendida quando um dos guardas pressionou uma esfera vermelha em uma de suas mão.
No depósito do Barão, Stalyan percebeu o brilho em sua esfera sinalizadora e disse:
— A coroa está lá. Vamos pelos túneis.
— Sim. – disseram Katalina e Kiera ao mesmo tempo.
No porão do castelo, havia dois guardas vigiando a porta de acesso aos túneis quando a porta foi atravessada por uma pedra, de forma octaédrica, vermelha.
— O que é isso? – perguntou um dos guardas.
A pedra explodiu e os guardas foram jogados na parede com o impacto da explosão. Todos no castelo ouviram a explosão.
Na sala do trono, Arianna e Frederic levantaram de seus tronos e o rei disse:
— Chegaram.
Willow estava de pé ao lado do trono da irmã, com a vestimenta da guarda real. As duas estavam com uma boa quantidade de poder mágico acumulado ao redor de seus corpos. Rapunzel estava de pé ao lado do pai, com a coroa na cabeça.
— Frederic, vá com os guardas para fora do castelo. Eu, a Willow e a Rapunzel ficaremos aqui para prendermos os ladrões. – disse Arianna olhando para Frederic.
Frederic fez gesto afirmativo com a cabeça e saiu escoltado pela entrada lateral. Todos os guardas, que estavam na sala, saíram com o rei. Frederic levou a coroa da rainha consigo.
Lucius saiu do castelo com vários empregados e disse:
— Boa sorte, meninas.
Quando Stalyan subiu as escadas que davam acesso ao térreo, ela estranhou o silêncio. Stalyan estava acompanhada de Katalina, a ruiva, e Kiera, a morena. Ela estava com sua pedra, de forma octaédrica, azul ativada. Havia uma barreia azul ao redor da ladra.
— Bando de covardes. Devem ter esvaziado o andar. – disse Stalyan enquanto via, pelas janelas, pessoas e guardas correndo na área externa do castelo.
As três ladras entraram na sala do trono e ficaram de frente para Rapunzel, Arianna e Willow.
— Hoje, eu tomo essa coroa de você. – disse Stalyan enquanto apontava para Rapunzel.
Naquele momento, Kiera lançou duas shurikens contra a rainha. No meio do caminho, as shurikens cresceram até atingirem dois metros de diâmetro. Arianna, Rapunzel e Willow saltaram quando as shurikens estavam bem perto delas. As shurikens partiram os tronos ao meio e ficaram cravadas na parede.
— Lento. – disse Willow ainda no ar.
As gêmeas de Arendelle pegaram impulso no ar e foram até Stalyan. As duas socaram a barreira ao redor de Stalyan. Arianna com o punho direito e Willow com o punho esquerdo.
— Não adianta. Vocês não podem passar por essa barreira. – disse Stalyan em tom sério.
— Magia secreta: Elektrische Dämonen[1]. – disse Katalina antes de dois seres de eletricidade emergirem do chão.
— O que é aquilo? – pensou Rapunzel antes de voltar ao chão.
Os dois seres invocados por Katalina foram até o seu corpo e a revestiram. Agora, era como se ela fosse uma criatura elétrica. Seus olhos estavam vermelhos.
— Alterar modo: Schild[2]. – disse Kiera antes das suas shurikens brilharem e irem até seu corpo.
Willow e Arianna se afastaram da barreira.
Kiera estava, agora, trajando, uma armadura cinza, que cobria todo o seu corpo. A única parte visível dela era os olhos.
1 – Do alemão, “demônios elétricos”.
2 – Do alemão, “blindagem”.
Katalina criou um chicote elétrico e atingiu o rosto de Willow, que ficou de joelhos.
— Que corrente intensa. – pensou Willow enquanto tomava um choque.
Kiera foi, rapidamente, para trás de Rapunzel e tentou pegar a coroa, mas a princesa foi mais rápida. Rapunzel abaixou e chutou a armadura de Kiera na região do abdômen. Kiera atingiu a parede, mas logo se recompôs.
— Ela é rápida. – pensou Kiera enquanto encarava Rapunzel.
Arianna tentou um chute de ar em Katalina, mas ela esquivou e, rapidamente, apareceu atrás da rainha e disse:
— Lenta.
Arianna sumiu e reapareceu atrás da ladra.
— O quê?! – pensou Katalina antes de tomar um soco nas “costas”.
Willow se recompôs e chutou o “abdômen” de Katalina logo após ela ser atingida por Arianna. A rainha saiu do caminho e Katalina atingiu o grande candelabro.
A camada de luz em cada uma engrossou.
— Ai. – pensaram Arianna e Willow enquanto olhavam, respectivamente, para sua mão e pé.
Kiera surgiu na frente de Rapunzel e acertou um soco no rosto da princesa. A coroa caiu rolando. Rapunzel foi lançada até encostar na barreira ao redor de Stalyan.
— Filha! – disse Arianna muito preocupada.
A pedra, de forma octaédrica, vermelha de Stalyan se aproximou de Rapunzel, antes dela cair, e explodiu. Uma fumaça cinza tomou conta da área ao redor de Stalyan.
— Será que eu matei sua namoradinha, Rider? – pensou Stalyan com um sorriso cruel.
Arianna tentou ir até a fumaça, mas foi atingida por algumas bolas de fogo, de vinte centímetros de diâmetro, vindas do teto.
— O quê?! – pensou Arianna antes de olhar para cima.
Katalina estava disparando bolas de fogo com a mão esquerda enquanto caía. As bolas não afetaram Arianna.
Na fumaça, por um momento, Stalyan pôde ver os olhos de Rapunzel totalmente vermelhos.
— Você… Não, não é possível… – disse Stalyan um pouco surpresa.
Após a fumaça ficar menos densa, era possível que os olhos de Rapunzel estavam normais.
— Será que foi impressão? – pensou Stalyan olhando para Rapunzel.
Kiera foi pegar a coroa no chão, mas tomou um chute, no “rosto”, de Willow. Antes de Kiera acertar a parede atrás dos tronos partidos ao meio, Willow apareceu entre a garota e a parede. A vice capitã acertou um soco de direita na “nuca” de Kiera.
Enquanto isso, Arianna apareceu atrás de Katalina, entre a garota e o teto, e chutou as “costas” da ladra com seu calcanhar direito. Antes de Katalina atingir o chão, Arianna apareceu e chutou a “cintura” da garota. Fazendo ela ir de encontro a Kiera, que acabara de levar um soco de Willow.
Katalina e Kiera se chocaram, mas Kiera sofreu mais. Como sua armadura tinha muito metal em sua composição, a ladra morena sofreu com uma eletricidade de alta intensidade.
— Ah! – gritou Kiera antes de cair inconsciente. Sua armadura saiu de seu corpo e se tornou duas pequenas shurikens.
Katalina caiu também, mas não desmaiou.
Willow pegou a coroa e a colocou dentro da roupa.
Arianna foi até a fumaça cinza, que estava quase dissipada, e disse:
— Filha.
Rapunzel socou a barreira, mas não adiantou. Depois, ela chutou a barreira, o que também não adiantou.
— Você é imbecil? Essa barreira é impenetrável. – disse Stalyan em tom sério.
— É o que veremos. – disse Rapunzel enquanto desferia golpes em alta velocidade contra a barreira.
— Some daqui. – disse Stalyan antes da pedra vermelha explodir de novo. Desta vez, a explosão não pegou Rapunzel em cheio.
Arianna pegou a filha e a levou para perto de Willow.
A camada de luz em cada gêmea de Arendelle estava mais grossa.
Katalina estava de pé, encarando Willow.
— O que foi? Por que não ataca? – perguntou Willow em tom de deboche.
— Elas são muito fortes. Minha única saída seria usar a magia suprema da minha luva de fogo, mas temos que evitar sermos muito chamativas. – pensou Katalina enquanto encarava Willow.
Willow apareceu na frente de Katalina e socou o “rosto” da adolescente. Katalina acertou a parede, bem ao lado da porta lateral, e caiu no chão inconsciente. A armadura elétrica saiu de seu corpo e voltou a forma de duas criaturas elétricas.
— Vou ter que acabar com essas coisas também? – pensou Willow olhando para as criaturas elétricas.
Rapunzel levantou.
— Você cuida disso. Eu e minha filha cuidamos da ladra na barreira. – disse Arianna olhando para Stalyan.
— Entendi. – disse Willow antes de ir para cima das criaturas.
Arianna tentou muitos golpes em alta velocidade na barreira, mas não adiantaram de nada. Rapunzel fez o mesmo.
— Já chega de brincar. – disse Stalyan antes de sua pedra amarela brilhar intensamente.
Arianna e Rapunzel se afastaram da barreira imediatamente.
Na área externa do castelo as armas, que os guardas reais estavam usando, começaram a se agitar.
— O que está acontecendo? – pensou Lucius olhando para sua espada.
De repente, várias armas, como espadas, lanças e até flechas, entraram no térreo do castelo, destruindo janelas. Estas armas foram até a sala do trono e ficaram arrodeando Stalyan.
— Eu posso controlar essas armas como eu bem quiser. – disse Stalyan antes de gargalhar.
Willow estava olhando para o tornado de armas enquanto estrangulava as criaturas elétricas, cada uma com uma das mãos. A coroa, que estava na parte de dentro da roupa de Willow, estava tremendo.
— O que é isso? – pensou Willow olhando para seu abdômen.
— Eu fiquei receosa pelo fato de vocês usarem magia sem nenhum objeto, mas acho que superestimei vocês. – disse Stalyan com um sorriso cruel.
A camada de luz de cada irmã estava mais grossa.
— Convencida. – pensou Willow antes das criaturas desaparecerem de suas mãos.
— Eu vou matá-las aqui e pegarei a coroa. Morram! – disse Stalyan antes uma saraivada de armas irem de encontro à Willow, Arianna e Rapunzel.
As armas ficaram fincadas em todo canto da sala do trono.
Contudo, Willow estava carregando Katalina e estava na frente de Kiera. Na região onde Kiera estava, não havia armas fincadas. Porém, ao redor, havia muitas armas cravadas no chão. Havia, também algumas armas quebradas perto de Willow. Ela jogou Katalina em cima de Kiera.
A camada de luz de Willow estava mais grossa.
— Ela não liga para essas garotas. – pensou Willow enquanto encarava Stalyan.
Rapunzel estava de pé no cabo de uma espada que estava cravada no chão.
— O quê? – disse Stalyan muito surpresa.
— Você é muito lenta. – disse Arianna em algum lugar da sala.
— Onde ela está? – pensou Stalyan olhando ao redor.
Arianna estava se movimentando em alta velocidade.
— Incrível. Não estou conseguindo acompanhar. – pensou Rapunzel impressionada.
— Você vai nos matar? Quem decidiu isso? – perguntou Arianna.
— Ela está muito rápida. – pensou Stalyan muito aflita.
— Você vai tomar a coroa da minha filha? Quem decidiu isso? – perguntou Arianna.
— Aparece! – gritou Stalyan muito irritada.
Arianna apareceu em cima da barreira e disse:
— Foi mal, mas…
A rainha destruiu a barreira com um soco.
— Não pode ser. – pensou Stalyan muito surpresa.
— A rainha aqui sou eu. – disse Arianna ainda no ar.
— Mas quem são essas duas? Eu nunca ouvi falar de humanos usando magia. – pensou Stalyan antes de sua pedra vermelha explodir no seu rosto.
— O quê?! – pensou Rapunzel muito surpresa.
Naquele momento, a pedra preta brilhou e:
— Eu posso controlar essas armas como eu bem quiser. – disse Stalyan antes de gargalhar.
Willow estava olhando para o tornado de armas enquanto estrangulava as criaturas elétricas, cada uma com uma das mãos. A coroa, que estava na parte de dentro da roupa de Willow, estava tremendo.
— O quê?! – pensou Willow muito surpresa.
— Isso aqui já aconteceu, não é? – pensou Rapunzel olhando para o tornado de armas.
— O que está acontecendo aqui? – pensou Arianna olhando para Stalyan.
Naquele momento, a coroa saiu, sutilmente, da roupa de Willow e foi até Katalina, que estava desacordada. A coroa ficou em contato com a ladra. Willow estava distraída com a situação.
— Será possível? Voltamos no tempo? – pensou Willow enquanto ainda estrangulava as criaturas elétricas.
— Foi divertido brincar com vocês. – disse Stalyan segurando uma pequena esfera verde.
Arianna tentou acertar a barreira de novo, mas, um brilho verde tomou conta de Stalyan e a ladra sumiu.
As criaturas elétricas morreram estranguladas por Willow e as armas no tornado de armas caíram de uma vez.
Rapunzel notou que as outras duas ladras também desapareceram.
— As outras duas também sumiram. – disse Rapunzel olhando para Willow.
— Droga. Pelo menos, a coroa… – disse Willow antes de perceber que não estava com a coroa.
Arianna apareceu perto da irmã e perguntou:
— Willow, o que foi?
— A coroa… Estava comigo, mas… – disse Willow antes de cerrar as mãos.
— Está tudo bem, tia. Pelo menos, ninguém se feriu. – disse Rapunzel com um sorriso gentil.
Willow se acalmou e fez gesto afirmativo com a cabeça.
No depósito do Barão, as três ladras apareceram. Stalyan estava de pé enquanto Kiera e Katalina estavam desacordadas. A coroa da princesa estava em cima de Katalina. Stalyan guardou a esfera verde no bolso.
O homem, com o corvo no ombro, estava dormindo quando Stalyan disse:
— A missão foi um sucesso.
Ele acordou e disse:
— Já voltaram? Pensei que seriam presas.
Katalina e Kiera acordaram. A coroa caiu enquanto Katalina levantava.
— O quê? Como ela veio parar aqui? Estamos no depósito? – perguntou Katalina um pouco desnorteada.
— O que aconteceu depois que eu apaguei? – perguntou Kiera com uma mão na cabeça.
Stalyan pegou a coroa no chão e pensou:
— Quando fiz aquele tornado de armas, notei que a coroa se mexeu na roupa da vice capitã. Minha pedra me dá total controle de tudo que contém uma boa quantidade de metal em sua composição. Esta coroa deve ter um pouco de metal, já que obtive um certo controle sobre ela. Naquele momento, percebi que o caminho para pegar a coroa era com a pedra amarela. Porém, aquela mulher perceberia facilmente quando eu mexesse na coroa, visto que ela notou a coroa se mexendo na primeira linha do tempo. Dito isso, esperei o momento certo para voltar no tempo com a pedra preta. Com a vice capitã distraída, imaginei que seria possível colocar a coroa em contato com a Katalina para trazê-la junto no teletransporte.
— Stalyan? – perguntou Kiera olhando para Stalyan.
— A rainha destruiu minha barreira. Se ela tivesse feito isso mais cedo, eu teria que ativar a pedra preta mais cedo e, consequentemente, voltaria para um momento anterior, onde a vice capitã provavelmente não estaria tão distraída a ponto de ser furtada daquele jeito. – pensou Stalyan, distraída, olhando para a coroa da princesa em sua mão esquerda.
— Morreu? – perguntou o homem antes de tocar no ombro de Stalyan.
— Eu usei minha pedra amarela e peguei a coroa. Depois, teletransportei-nos para cá. – disse Stalyan ainda olhando para a coroa.
— Então… Missão cumprida? – perguntou Katalina olhando para Kiera.
Kiera começou a sorrir.
— É o que parece. – disse o homem com o corvo no ombro.
— Envie o corvo para o meu pai. – disse Stalyan olhando para o homem.
— Sim. – disse o homem enquanto fazia gesto afirmativo com a cabeça.
Mais tarde, pela noite, na sala do trono, era possível ver “sequelas” da batalha. As armas não estavam mais por lá. Arianna, Willow, ambas sem a Retention[1] ativada, Frederic, William, Lucius, Dira, Cassandra, Stan, Peter, Xawana e outros dois guardas estavam na sala. Cassandra e Dira estavam com bestas, ao lado do capitão da guarda real de Corona.
— Estamos aqui porque fomos atacados hoje. O objetivo era a coroa. As invasoras vieram justamente num dia de atendimento aos súditos. Temos certeza de que algum guarda vazou a informação de que a princesa estava usando a coroa durante o atendimento. – disse Lucius em tom sério.
— Um guarda? – pensou Peter muito aflito.
— Essa foi a sexta sessão de atendimentos se não me engano. Essas ladras esperaram até agora para invadir… – disse Xawana em tom sério.
— O traidor estava aqui hoje, não é? – perguntou Stan olhando para Lucius.
— Exatamente. – disse Lucius em tom sério.
— O motivo de vocês cinco estarem aqui é que todos são suspeitos de serem o traidor. – disse Dira em tom sério.
— Mas… Nem eu, nem minha esposa estávamos no castelo hoje, muito menos aqui na sala do trono. – disse Peter um pouco confuso.
— Sim. Eu fiquei de guarda na segunda sessão de atendimentos e meu marido na quarta. Lembro-me que até estava brava por ter que ficar aqui, em vez de investigar os desaparecimentos – disse Xawana olhando para Lucius.
1 – Do alemão, “retenção”.
— Eu também não estava aqui hoje. Na verdade, nem fiquei de guarda em nenhuma sessão. – disse um dos outros dois guardas.
— O mesmo para mim. – disse o outro dos dois guardas.
Naquele momento, Dira, Cassandra e Lucius fulminaram Stan com os olhos.
— A resposta já está óbvia. O traidor é você, Stan. – disse Lucius apontando para Stan.
Naquele momento, Stan correu desesperadamente para a saída principal, mas Dira acertou uma flecha no ombro esquerdo dele. Ele caiu rolando.
— É um engano. Vocês estão loucos. Eu estava aqui hoje, mas eu não sou o traidor. – disse Stan chorando como bebê.
— Que ridículo. – disse Dira enquanto andava até Stan.
Dira colocou Stan de joelho diante dos reis.
— É bom vocês terem uma boa desculpa. Eu sou inocente. – disse Stan lacrimejando.
— Há mais de quatro meses, Lady Caine invadiu o castelo e tentou matar o rei. Ela fracassou, pois se deparou com a princesa. Além disso, acredito que a rainha poderia ter lidado com ela também. – disse Lucius olhando para Stan.
— Ele está certo. Eu deveria ter agido quando ela atirou no meu marido, mas hesitei em usar meus poderes até a imagem do Frederic morrendo passar pela minha cabeça. Ainda bem que o Eugene agiu rápido. – pensou Arianna olhando para Frederic.
— Sim. A Lady Caine… Ela conseguiu invadir aquela casa com a ajuda do traidor. Esse cara tem que ser algum guarda que estava na ilha. Eu sou um guarda do grupo C.T./ilha, mas eu estava no C.T. no dia que a Lady Caine invadiu aquela casa. – disse Stan chorando.
— De fato. Um guarda pode ser da Velha Corona, ilha/Velha Corona, ilha/C.T., ilha/castelo ou somente castelo. – disse William com uma mão no queixo.
— E o Stan não está mentindo quando diz que pertence ao grupo ilha/C.T. e que não estava pela ilha na noite anterior ao atentado. – disse Lucius olhando para Stan.
— Ainda bem que percebeu o erro. – disse Stan aliviado.
— Porém, se a Lady Caine estava com o traidor, por que ela não usou os túneis? Ela preferiu invadir pelos fundos e entrar em confronto com dois guardas. – disse Lucius com um sorriso malicioso.
Stan ficou em choque.
— O quê? A Lady Caine não estava trabalhando com o Barão? – perguntou Peter muito surpreso.
— Não. – disse Lucius em tom sério.
— Fico até triste por ter demorado para perceber. – pensou Lucius.
— Agora que sabemos que a Lady Caine não tem relação nenhuma com o traidor, podemos ir para o próximo passo. – disse Dira olhando para Stan.
— Analisando os papéis, foi possível perceber que cinco guardas fizeram faxina na sala do capitão e estavam de folga no dia do ataque ao C.T. da guarda real. – disse Willow em tom sério.
— O que vocês estão dizendo? É uma papelada enorme. – disse Stan muito surpreso. Era possível ver lágrimas em seus olhos.
— Esqueceu que a vice capitã da guarda usa magia, traidor? – perguntou Cassandra em tom de deboche.
— A lógica da faxina eu até entendo, mas esse negócio de guarda de folga… – disse Stan olhando para Lucius.
— Se o traidor atacasse num dia em que estivesse trabalhando, ele teria que abandonar seu posto e os guardas costumam relatar quando alguém abandona seu posto. Seria muito arriscado o traidor atacar sem ter uma boa desculpa para não estar em seu posto. Aliás, coincidiu que o traidor estava de folga na noite em que o baú foi colocado na sala de armas. – disse Lucius olhando para Stan.
— Decidimos chamar a atenção das ladras para prendê-las e, de acordo com o Eugene, Stalyan só atacaria quando tivesse certeza absoluta sobre onde a coroa estava. Então, colocamos, alternadamente, um dia, de atendimento aos súditos, com nenhum dos suspeitos e o outro dia com um dos suspeitos. – disse Cassandra em tom sério.
Stan estava muito assustado.
— Com o Peter e a Xawana, não houve invasão. Porém, com você, Stan… – disse Dira encarando Stan.
— Sabíamos que o traidor indicaria, de alguma forma, para Stalyan que a coroa estava realmente na sala do trono quando ele ficasse de guarda por aqui. – disse Lucius encarando Stan.
Naquele momento, um silêncio tomou conta da sala.
Peter, Xawana e os outros guardas estavam muito surpresos.
— Stan, seu desgraçado. – disse Peter muito irritado.
— Agora entendo por que o capitão não me deu logo o caso. Eu era suspeita de ter cometido traição contra o reino. – pensou Xawana enquanto encarava Stan.
De repente, Stan começou a rir.
— Enlouqueceu? – pensou Cassandra olhando para Stan.
De repente, Stan parou de rir e ficou sério.
— Esse reino caiu em descrédito no momento em que deram anistia para o Flynn Rider. Aquele desgraçado roubou muitas pessoas em todos os sete reinos. Uma delas, foi meu pai. Ele tinha uma joalheiria e o desgraçado do Rider roubou um lote inteiro de joias na loja dele. O prejuízo foi tão grande que meu pai faliu e teve que ir morar comigo. Por isso, bandido bom é bandido preso. – disse Stan olhando para Frederic com ódio.
— Eugene não recebe salário, o dinheiro que ele ganharia é usado para compensar os roubos. O dinheiro é entregue para comerciantes que foram roubados por ele. – disse Frederic olhando para Stan.
— Você é retardado?! Eu estou pagando para ver se ele vai conseguir devolver o equivalente àquelas joias. Além disso, vocês são muito burros. Ao dar anistia para aquele lixo, vocês criaram uma tensão política com os outros seis reinos. – disse Stan muito irritado.
— Ele trouxe minha filha de volta. Só isso importa. – disse Arianna em tom sereno.
— Só isso importa? O rei eu já sabia, mas estou surpreso pela rainha ser tão retardada também. Eu investiguei algo que estranhei. Depois do atentado, sempre me perguntei como uma grande criminosa, que, coincidentemente, tem aversão ao rei de Corona, escapou de um presídio, em Vardaros, onde, na gestão do atual capitão da guarda de lá, ninguém escapou. Falei com alguns comerciantes vindos de lá e eles falaram que a Lady Caine ainda está presa. – disse Stan em tom sério.
— O quê?! – disseram todos ao mesmo tempo, exceto Stan.
— Eu estou esperando uma explicação da fuga da Lady Caine. Mandei uma carta para Vardaros logo depois do atentado. A resposta ainda não chegou. Acredito que só daqui uns dois meses. Mas, se a resposta não for boa… – pensou Frederic ainda surpreso com a declaração de Stan.
— Eles claramente estão abafando o caso. Provavelmente, a rainha mandou soltar a Lady Caine para ela te matar, rei lixo. – disse Stan olhando para Frederic com desprezo.
— Desgraçado. Ainda tem essa audácia toda. – disse Peter encarando Stan.
— Ouvi de alguns guardas que saporianos a tiraram da prisão daqui. Isso me levou a pensar. Se alguém invadisse Corona hoje, será que algum dos outros seis reinos se importaria? – perguntou Stan com tom de deboche.
Naquele momento, alguém entrou na sala e disse:
— Provavelmente não.
A voz era de Eugene Fitzhebert.
— Eugene? Onde você estava? – perguntou Lucius fitando Eugene com os olhos.
Eugene estava usando uma roupa muito parecida com sua vestimenta habitual, mas esta era escura. Eugene estava usando as caneleiras da sua armadura de guarda real e os braceletes dourados, além da sua espada, feita pela senhora Magenta, embainhada. Eugene estava acompanhado de uma mulher. Ela estava usando um lençol para cobrir o rosto e boa parte do corpo.
— Então era você, Stan? – perguntou Eugene enquanto andava.
— Quem é essa mulher que está com ele? – pensou Rapunzel olhando para a mulher que entrou com Eugene.
— Eu vou te matar. – disse Stan em tom sério.
— Levem ele daqui. – disse Lucius antes dos quatro guardas, que eram suspeitos, levaram Stan até a saída.
Quando passou por Eugene, Stan disse:
— Isso tudo é culpa sua, ladrão.
Eugene ignorou o que Stan disse.
— Eugene, onde você esteve? Perdeu toda a ação. – disse Cassandra olhando para a mulher ao lado de Eugene.
— Eu pretendo explicar tudo, mas antes… – disse Eugene em tom sério.
Eugene andou até Rapunzel e perguntou:
— Poderia nos explicar… Quem diabos é você?
Todos na sala ficaram confusos.
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