Rochas Negras

21 Monstro do Espelho


Notas iniciais
A arte usada no livro não é de minha autoria.

Um clima de confusão tomou conta da sala do trono após a saída do traidor Stan.

A mulher que entrou na sala com Eugene estava em silêncio.

— Eugene, do que está falando? – perguntou Rapunzel um pouco confusa.

No dia anterior, pela noite, Eugene, vestindo sua armadura e portando sua nova espada saiu da área externa do castelo. Estava nevando, por isso era possível ver uma quantidade razoável de neve pelo reino.

— Vai ficar pela ilha hoje? – perguntou um dos guardas na entrada.

— Velha Corona. Mudaram um pouco minha rotina porque, embora a maior parte dos guardas tenha voltado, eles ainda não estão completamente recuperados. – disse Eugene antes de continuar seu caminho.

Eugene foi à casa onde Lance estava escondido e conversou um pouco com ele. Antes de sair, Lance entregou os braceletes a Eugene.

Depois de sair da casa, Eugene foi até a Velha Corona. Ele foi até a rua de Varian e entrou na floresta por lá. Eugene seguiu até chegar a um rio. Então, ele seguiu a correnteza e parou numa cachoeira.

Depois, Eugene voltou para a Velha Corona e pegou a estrada principal no sentido ilha. Antes da ponte, ele entrou na estrada que levava à taverna.

— Esse lugar me traz lembranças. – pensou Eugene enquanto olhava para a taverna.

Depois, Eugene foi até a torre de Gothel.

— Esse lugar de novo. – pensou Eugene olhando para a janela do antigo quarto de Rapunzel.

Eugene retirou sua armadura, exceto as caneleiras, e a escondeu nuns arbustos. Agora, ele estava com a roupa escura, os braceletes e sua espada. Eugene foi até a porta da torre e encostou o ouvido direito nela.

— Nenhum barulho. Estão dormindo? – pensou Eugene antes de perceber uma luz pela brecha inferior da porta.

— Talvez eles estejam por aqui. É melhor eu ir por cima. – pensou Eugene após se afastar da porta.

Eugene ergueu suas mãos e duas adagas ligadas aos braceletes por correntes surgiram e esticaram até chegarem na altura da janela.

— Consegui. – pensou Eugene com um sorriso.

As adagas se fincaram na janela e Eugene subiu contraindo as correntes lentamente. Ele subiu na janela e entrou no antigo quarto de Rapunzel. A cama ainda estava lá e o cabelo cortado. Naquele momento, Eugene viu Varian em pé no meio do cômodo. Ele estava de costas para Eugene.

— Droga. – pensou Eugene enquanto as correntes esticavam devagar.

Eugene notou Sugarby deitada na cama.

— Ela também? Pensei que estariam procurando o lugar com a bússola. Na verdade, vim aqui na torcida de que eles tivessem saído sem ela. – pensou Eugene olhando para Sugarby.

Eugene contraiu as correntes lentamente.

— De certa forma, isso é bom. Se eles estão aqui, é certeza de que ela também está. – pensou Eugene ainda olhando para Sugarby.

Eugene olhou para Varian.

— Ele é um escravo dela, então suas mentes devem estar ligadas de alguma forma. É provável que o Varian também esteja dormindo, mesmo que em pé. – pensou Eugene indo até a frente de Varian.

O alquimista estava dormindo em pé. Eugene moveu as mãos na frente dos olhos de Varian e nada aconteceu. Então, Eugene fez as adagas sumirem.

— Se eu amarrá-la, Varian acorda e, de acordo com Dira, ele está muito forte, como a Arianna. Eu não trouxe esses braceletes para lutar. Não acho que me ajudariam numa luta contra algum desses dois. Dira falou que a mulher usou uma armadura contra Quirin, mas ela não fez isso com o Lance. Acredito que ele deu sorte por ela tê-lo subestimado. Não acho que ela faria isso de novo. – pensou Eugene enquanto olhava para Sugarby na cama. Era possível perceber o ódio de Eugene só pelo olhar dele.

Na sala, Eugene se deparou com alguma coisa que emitia uma forte luz amarela.

— Como eu pensava… Ela estava aqui. – pensou Eugene olhando para a luz.

Agora, no palácio, Eugene estava encarando a princesa.

— Tudo bem. Acho que vou explicar as coisas, já que você não quer. – disse Eugene enquanto se afastava da princesa. Ele foi para o lado da mulher desconhecida que entrou no castelo com ele.

— Eugene o que está acontecendo? – perguntou Lucius enquanto fulminava Eugene com os olhos.

— E quem é essa? – perguntou Cassandra enquanto apontava para a mulher desconhecida.

— Vamos começar pela Sugarby. Ela, claramente veio ao reino para conseguir sequestrar a Rapunzel. – disse Eugene olhando para Rapunzel.

— E o que tem isso? – perguntou Dira encarando Eugene.

— A Sugarby interceptou a Cassandra e a Rapunzel na floresta, mas, ao invés dela sequestrar a Rapunzel ali mesmo, ela preferiu fugir e mandar um monstro do espelho para fazer o serviço. – disse Eugene olhando para Cassandra.

— Nós já pensamos sobre isso. Ela é uma covarde. – disse Cassandra enquanto cerrava as mãos.

Naquele momento, Dira percebeu algo.

— Não. Não faz sentido. Ela atacou a Velha Corona para pegar os braceletes do Lance, mas, ao invés dela simplesmente mandar alguém, ela foi até lá e derrubou vários guardas, além do cavaleiro negro. Alguém assim não é covarde. – disse Dira olhando para Cassandra.

— Exatamente. Ela não é uma covarde. – disse Eugene com um sorriso.

— O que quer dizer? – perguntou Frederic olhando para Eugene.

— Alguns dias após o ataque à Velha Corona, conversei com alguns guardas hospitalizados e eles me disseram que os ataques começaram na saída da Velha Corona no sentido à ilha. O que reforçou uma suspeita minha. – disse Eugene em tom sério.

— Isso quer dizer que ela estava dentro do reino. Isso é óbvio, já que ela estava disfarçada como uma artista por aqui. – disse Cassandra olhando para Eugene.

— E o motivo do disfarce era aquela bússola. Ela precisava atrair pessoas sem chamar muita atenção. – disse Dira um pouco pensativa.

— Errado. Por que ela não sumiu com as pessoas e energizou aquela bússola em outro lugar? Por alguma razão, ela só podia fazer isso em Corona. Por isso, ela ficou escondida no reino. – disse Eugene olhando para Dira.

— Faz sentido. – pensou Dira olhando para Eugene.

— Bússolas servem para orientação, então a Sugarby precisava da bússola para levar essa mulher do meu lado a algum lugar. – disse Eugene olhando para Dira.

— E o que tudo isso tem a ver com o que você disse sobre minha filha? – perguntou Frederic em tom sério.

— Visto que a Sugarby não é uma covarde, não faz sentido ela mandar um capanga para buscar a Rapunzel. A lógica era ela mesma ter tentado sequestrar ou ter sequestrado a princesa na floresta. – disse Eugene em tom sério.

— Onde quer chegar? – perguntou William olhando para Eugene.

— A Sugarby consegue controlar o corpo das pessoas. Seria muito fácil, para ela, levar a Rapunzel para onde quer que seja. – disse Eugene olhando para Rapunzel.

Rapunzel estava olhando para Eugene como se quisesse matá-lo.

— Dito isso, a Sugarby não enviou só um monstro do espelho, ela enviou dois. – disse Eugene em tom sério.

Arianna e Frederic ficaram muito surpresos, assim como Lucius e Willow.

— Dois? – pensou Lucius muito surpreso.

— Ela enviou aquele que lutou com a rainha para nos levar a pensar que só havia um monstro do espelho, mas acontece que haviam dois. Um atacou o outro para ratificar a história. – disse Eugene olhando para Frederic.

— Espera um pouco. Está dizendo que a Rapunzel é um monstro do espelho? – perguntou Cassandra encarando Eugene.

— Sim. – respondeu Eugene em tom sério.

— Não. Só pode ser brincadeira. Isso significaria que minha filha foi sequestrada de novo e eu não pude fazer nada… De novo. – disse Frederic cerrando as mãos.

— Sinto muito, majestade, mas os fatos não ligam para os nossos sentimentos. – disse Eugene em tom sério.

Arianna e Willow estavam muito chocadas. William, Lucius, Cassandra e Dira também estavam em choque.

— Eugene! Que brincadeira é essa?! – disse Rapunzel muito enfurecida.

— Eu não estou brincando. – disse Eugene enquanto olhava para Rapunzel com desprezo.

Rapunzel se acalmou e disse:

— Eugene, sou eu… Sua Loirinha, sua Sunshine, seu novo sonho.

— A Sugarby usou esse monstro do espelho como espião, mas esse não era o objetivo principal. Ela queria uma falsa Rapunzel aqui porque precisava que nós não soubéssemos do sequestro, pois ela está aqui no reino. Seria difícil fazer qualquer coisa com os guardas vasculhando tudo atrás da princesa, até porque ela se escondeu no primeiro lugar que nós procuraríamos, na torre onde Rapunzel cresceu. – disse Eugene em tom sério.

— Você ainda está falando, seu maluco? – perguntou Cassandra muito irritada.

— Na noite em que a Velha Corona foi atacada, eu contei a Rapunzel sobre o Lance. Ela foi a única que recebeu a informação da localização do Lance na mesma noite do ataque. – disse Eugene olhando para Rapunzel.

— Do que está falando? Você me contou no mesmo dia em que decidiu esconder o Lance na casa da Dira. – disse Rapunzel um pouco confusa.

— Eugene, seu mentiroso. Quem garante que você não é um monstro do espelho trabalhando para Sugarby? – disse Cassandra olhando para Eugene.

— Isso não faria sentido. Ele traria a tona um assunto que só o prejudicaria. – disse Dira olhando para Cassandra.

— Pensem bem… Faz muito sentido o que estou dizendo. Ela até aceitou ficar presa em seu quarto facilmente. – disse Eugene em tom sério.

— Não. Não faz. Aquela mulher é muito perigosa, por isso decidi não sair mais do castelo. – disse Rapunzel olhando para Eugene.

— Essa é a grande falha no plano da Sugarby. Por que a Rapunzel teria medo de uma covarde? Por que a Rapunzel teria medo de alguém mesmo tendo esse super cabelo? Por causa dessas perguntas, a Sugarby decidiu atacar os guardas reais antes de ir à casa do Quirin, visando ratificar essa imagem de mulher muito perigosa. Porém, quando fez isso, ela mostrou que não é covarde e, portanto, uma dúvida surgiu: Por que ela não sequestrou a Rapunzel quando teve a chance? Foi aí que pensei em todos os eventos que já expliquei e, por fim, cheguei a conclusão de que a Sugarby sequestrou a Rapunzel naquele dia e manteve uma falsa princesa aqui porque estava mantendo a verdadeira em algum lugar do reino. – explicou Eugene.

— Desculpe, Eugene. Eu não posso acreditar no que está falando. – disse Lucius em tom de decepção.

Naquele momento, Eugene pegou um fragmento de Rocha Negra e jogou para Rapunzel agarrar. Logo em seguida, a princesa segurou o fragmento e nada ocorreu.

— Eugene, já chega… – disse Lucius antes de ser interrompido.

— Cassandra, você sabe o que acontece quando um fragmento de Rocha Negra se aproxima da Rapunzel, não é? – perguntou Eugene em tom de ironia.

— Raps, por que seu cabelo não está brilhando? – perguntou Cassandra muito aflita.

— Droga. – pensou Rapunzel olhando para Cassandra.

— Rapunzel, pode, por favor, crescer os seus cabelos? Faz muito tempo que não o vejo grande, então estou com saudades. – disse Eugene em tom de deboche.

— Eugene, é melhor você pa… – disse Lucius antes de ser interrompido novamente.

— Não. Ela vai crescer os cabelos e mostrar para nós que o Eugene está maluco. – disse Arianna olhando para a filha com muito ódio.

— Mãe. A senhora vai acreditar nele? – perguntou Rapunzel muito surpresa.

— Eu odeio admitir, mas o que o Eugene disse faz muito sentido. – disse Frederic chorando.

— Pai… – disse Rapunzel antes de ser interrompida.

— Faz logo esse cabelo crescer! – gritou Frederic muito irritado.

De repente, a princesa largou o fragmento de Rocha Negra e garras de vidro nasceram nas mãos dela, seus olhos ficaram totalmente vermelhos e ela foi para cima do pai, mas uma grande quantidade de cabelos loiros brilhantes ficaram entre o rei e a princesa, o que a fez acertar o cabelo. As garras quebraram.

— O quê? – disse Rapunzel, ou melhor, o monstro do espelho muito surpreso.

— Não pode ser. Você é… – disse Frederic olhando para a mulher desconhecida. Ele tinha lágrimas nos olhos.

Naquele momento, a mulher retirou o lençol de seu corpo, revelando sua identidade. A mulher desconhecida era a verdadeira Rapunzel.

— Você vive aqui fingindo ser eu e ainda quer matar meu pai? Quanta audácia. – disse Rapunzel olhando para o monstro do espelho.

— Eu fui até a torre da Gothel resgatar a minha namorada de novo. – disse olhando para o monstro do espelho.

— Desgraçado. O plano dela era ótimo e, mesmo assim, você viu através dele. Eu devia ter te matado na primeira oportunidade. – disse o monstro do espelho, olhando para Eugene, enquanto suas garras cresciam de novo.

Willow e Arianna lembraram dos olhos do rei “Runeard” quando ele tentou atacá-las.

— Não pode ser. Então, nosso pai era… – disse Willow olhando para Arianna.

— Fitzhebert, você será o primeiro a morrer! – disse o monstro do espelho antes de ir para cima de Eugene.

Rapunzel apareceu atrás do monstro e disse:

— Sua oponente aqui, sou eu.

A princesa acertou as costas do monstro com seu cabelo, jogando-o para o meio da sala. O monstro rolou no chão e, por fim, ficou de pé.

— Ora, ora. Então, a princesinha vai lutar? – perguntou o monstro em tom de deboche.

— Filha… – disse Frederic com lágrimas nos olhos.

— Depois nós conversamos. Saiam da sala. – disse Rapunzel olhando para o monstro do espelho.

— Vocês ouviram a Loirinha. – disse Eugene indicando a porta lateral.

Os reis e os outros foram até a porta lateral.

— Como se eu fosse deixar. Magia secreta: Tetanus[1]. – disse o monstro do espelho e, logo em seguida, o piso da sala do trono começou a brilhar.

— O que é isso? – pensou Willow enquanto corria.

Naquele momento, toras de vidro emergiram do chão, exceto na posição do monstro, e dominaram completamente o piso da sala.

— Estão mortos. – pensou o monstro enquanto sorria.

Rapunzel estava no ar, segurando todos com seu cabelo.

De repente, as toras de vidro se desfizeram.

— Aquela desgraçada. – disse o monstro do espelho um pouco irritado.

Rapuzel ainda estava no ar quando o monstro do espelho disparou grandes espinhos de vidro a partir de seus dedos.

— Ela não pode se esquivar no ar. – pensou o monstro do espelho com um leve sorriso.

Rapunzel colocou os outros no chão, rapidamente, e se protegeu com seus cabelos. Os espinhos acertaram o cabelo e quebraram.

— Ela é rápida. – pensou o monstro do espelho.

Os outros fugiram pela porta lateral enquanto Rapunzel se defendia.

Antes de cair no chão, Rapunzel desapareceu.

— Droga. – pensou o monstro do espelho antes de arranhar o vento atrás de si mesma.

— Está olhando para onde? – perguntou Rapunzel.

— Ela veio pela frente?! – pensou o monstro do espelho muito surpreso.

Rapunzel acertou o monstro do espelho com seu cabelo e o pressionou contra a parede, deixando o formato do monstro na parede. Logo em seguida, a princesa moveu seu cabelo e o monstro caiu de bruços.

— Você está trabalhando para a Sugarby e não tem como te mantermos presa nas celas daqui. – disse Rapunzel olhando para o monstro do espelho.

— Hahahahahaha. Você é idiota? É óbvio que você tem que me matar. – disse o monstro do espelho enquanto levantava.

— É. Tem razão. – disse Rapunzel com um olhar de desprezo.

1 – Do alemão, “tétano”.

Naquele momento, os cabelos de Rapunzel acertaram somente a cabeça do monstro, esmagando-a na parede. O resto do corpo caiu e começou a desaparecer de forma semelhante à foma como o primeiro monstro do espelho desapareceu.

Na torre de Gothel, Sugarby sentiu uma “pontada” na cabeça e acordou. Varian acordou logo em seguida.

— O que foi isso? – pensou Sugarby enquanto sentava na cama.

Ela olhou para Varian, levantou e desceu. Nas escadas, ela percebeu que a sala estava escura.

— Está escuro por a… – pensou Sugarby antes de perceber algo.

— A pontada… Meu monstro do espelho foi destruído. Quem? Quem veio aqui e pegou a princesa? – pensou Sugarby desesperada.

Sugarby correu para o antigo quarto de Rapunzel.

— Droga. Tenho que sair daqui. Provavelmente, não usaram a princesa para me deter aqui, pois ela devia estar muito fraca para conseguir usar os poderes da gota de sol. Devem ter priorizado matar o monstro do espelho antes. Ótimo. Vai dar para fugir. – pensou Sugarby enquanto colocava sua capa com capuz.

— Senhora? – perguntou Varian em tom sereno.

— Não devem ter mexido no garoto com medo de me acordar ou do próprio garoto. Aliás, por quanto tempo eu dormi? Usar aquela armadura tem uns efeitos colaterais muito irritantes. – pensou Sugarby olhando para Varian.

— Quais são as ordens? – perguntou Varian mantendo o tom sereno.

— Eu só poderei usar magia daqui uns dias e você é uma criatura mágica enquanto for meu escravo, então não podemos usar a bússola agora. Quero que você me leve para fora do reino. Devemos encontrar alguma vila entre Corona e Brémen. – disse Sugarby antes de subir nas costas de Varian.

Varian saiu correndo da torre com Sugarby em suas costas.

Na cozinha, onde todos estavam, inclusive alguns cozinheiros confusos com a situação, Rapunzel apareceu e disse:

— Vou na torre capturar a Sugarby, eu já volto. Não se preocupem, trarei o Varian. – disse Rapunzel com um sorriso gentil.

— Fil… – disse Frederic antes de Rapunzel sumir.

Rapunzel correu até a torre onde morou por dezoito anos. Alguns guardas notaram neve levantando, além de um vulto.

Na torre, poucos momentos depois de Varian sair de lá, Rapunzel apareceu em frente a ela. Era uma noite nevosa.

— Não importa quantas vezes eu olhe para esse lugar, eu sempre vou odiá-lo. – pensou Rapunzel muito irritada.

A princesa entrou, rapidamente, pela porta, mas não havia ninguém na sala. A pedra que estava sugando seu poder mágico também sumiu.

— Eugene falou que aquela pedra estava por aqui. – pensou Rapunzel revirando a sala com os olhos.

Rapunzel subiu até seu antigo quarto, mas não encontrou nada relevante por lá.

— Ela fugiu e levou o Varian. – pensou Rapunzel enquanto cerrava as mãos.

Depois, no quarto de Rapunzel, Cassandra, Frederic, Arianna e Willow estavam conversando com a princesa. Ela estava sentada em sua cama com Pascal em cima de sua cabeça. Eugene ficou na entrada do quarto, conversando com Lucius e Dira.

— Eugene, e agora? O Varian vai ser morto. – disse Dira muito preocupada.

— Não. Pelo que você mesma disse, ela gosta de ver pessoas sofrerem. Provavelmente, ela tentará usar o Varian contra nós. – disse Eugene em tom sério.

— Por que você não o trouxe de volta? – perguntou Lucius olhando para Cassandra, que estava conversando com Rapunzel.

— Quando eu fui até lá, ontem a noite, Sugarby estava dormindo e o Varian parecia dormir também. Como ele é escravo dela, pensei que ela acordaria se eu o acordasse, fazendo ele me atacar. Além disso, se eu a matasse, não sei o que aconteceria com o Varian, então preferi só pegar a Rapunzel e ir embora. – disse Eugene em tom sério.

— Entendo. – disse Lucius olhando para Eugene.

— Por que você demorou um dia inteiro para voltar? – perguntou Dira em tom sério.

— Eu encontrei a Rapunzel flutuando acima de uma pedra amarela. Quando eu a toquei, ela parou de flutuar e não acordava embora estivesse respirando. Então, não pensei duas vezes e a levei para a taverna onde o Mão de Gancho trabalha. Ela estava fechada, por isso a arrombei e fiquei lá até a Rapunzel melhorar. Quando ela acordou, nesta noite, preferiu matar logo o monstro do espelho e depois ir atrás da Sugarby. – disse Eugene em tom sério.

— E, agora, ela fugiu. – disse Lucius em tom sério.

— Eu já esperava por isso. Ela colocou uma falsa princesa aqui porque precisava permanecer no reino para energizar aquela bússola mágica. Bússolas nos orientam, é provável que ela precise daquela bússola para levar a Rapunzel para um local específico. A torre era só um esconderijo temporário. Quando Dira me contou, há dois dias, que a Sugarby pegou a bússola e fugiu, deduzi que ela tinha a gota de sol e o objeto que a indicaria o local para onde levar a Sunshine. Por isso, investiguei e determinei ontem mesmo onde a Rapunzel provavelmente estava. Imaginei que a Sugarby estaria procurando o tal local e, então, seria possível resgatar a Rapunzel. Havia a chance de ela já ter encontrado e levado a Loirinha, mas preferi contar com a sorte. Mas, para minha surpresa, ela estava na torre, dormindo tranquilamente. – disse Eugene olhando para a sua namorada.

— Eugene. Desculpe-me por não ter acreditado naquela hora. Se não fosse você, estaríamos com um monstro no castelo até agora. – disse Lucius em tom sério.

— Você já sabe disso tudo há quanto tempo? – perguntou Dira em tom sério.

— Há mais de um mês, mas não podia falar nada porque era um assunto muito delicado e eu não queria arriscar alarmar a Sugarby e ela fugir de vez com a Rapunzel. – disse Eugene em tom sério.

Após um momento, Dira disse:

— A princesa é muito poderosa, então, quando a Sugarby voltar, será uma luta intensa.

— E temos a Arianna e a Willow conosco. – disse Lucius um pouco confiante.

Enquanto isso, Frederic, Arianna e as outras estavam conversando com a princesa.

— Minha filha foi sequestrada de novo e eu nem percebi. Desculpe-me. – disse Frederic chorando muito.

Arianna também estava chorando.

— Está tudo bem, pai. Aquela mulher enganou todo mundo. Nem sei como o Eugene conseguiu perceber tudo. – disse Rapunzel também chorando.

— O que importa agora é que vocês estão juntos. – disse Willow com lágrimas nos olhos.

Rapunzel começou a olhar para Willow, depois passou a encará-la e disse:

— Quem é você? E por que você é extremamente parecida com a minha mãe?

Naquele momento, todos começaram a rir.

— Esquecemos que a Raps verdadeira não estava por aqui quando você retornou, mãe. – disse Cassandra olhando para Willow.

— Mãe? Então, você é… Minha tia, Willow. – disse Rapunzel um pouco surpresa.

— Isso mesmo, filha. Ela é a sua tia. – disse Arianna enquanto sorria.

— Espera um pouco. Você foi cremada, não foi? – perguntou Rapunzel um pouco pensativa.

— Depois te explicamos tudo direitinho. – disse Arianna olhando para Rapunzel.

— Tudo bem. – disse Rapunzel olhando para Eugene. Ela estava corada.

— Filha, você está vermelha. Está tudo bem? – perguntou Frederic um pouco preocupado.

O rei ainda estava com lágrimas nos olhos.

— Pai, eu gostaria de pedir uma coisa. – disse Rapunzel um pouco receosa.

— Claro, filha. Pode pedir qualquer coisa. – disse Frederic com um sorriso gentil.

Na entrada do quarto, Frederic, muito irritado, se aproximou de Eugene e disse:

— Sem gracinhas, Fitzhebert.

— O quê? – perguntou Eugene um pouco confuso.

— A Raps pediu para você dormir com ela hoje e o rei deixou. – disse Cassandra olhando para Eugene.

Willow e Arianna riram e saíram da sala. Lucius, Cassandra, Dira e Frederic saíram logo em seguida. Quando a porta fechou, Eugene ficou muito vermelho e perguntou:

— Loirinha, é sério o que a Cassandra disse?

— Sim. Vem para cá. – disse Rapunzel sorrindo para Eugene.

Eugene tirou suas botas e sentou na cama. Rapunzel deitou botando sua cabeça no colo do namorado. Pascal foi para cima de um travesseiro.

— Agora podemos conversar mais. – disse Rapunzel enquanto sorria.

— Nós conversamos um pouco na taverna. – disse Eugene enquanto alisava os cabelos da namorada.

— Não foi o bastante. Não deu para eu te contar sobre como foi ficar presa naquela torre de novo. – disse Rapunzel um pouco triste.

— Entendi. – disse Eugene ainda alisando o cabelo de Rapunzel.

— Eu estava consciente, mas não conseguia me mover, abrir os olhos ou falar. Mas eu lembro de ouvir algumas coisas. Aquela mulher conversando com algum homem… Ela falando sobre a Gothel. – disse Rapunzel tentando se lembrar de algo mais.

— Não era a voz do Varian? – disse Eugene em tom sério.

— Não. Era outro homem. – disse Rapunzel um pouco pensativa.

— Então, ela está trabalhando com alguém mais. Será que ela tem alguém infiltrado como o Barão tinha e os saporianos têm? – pensou Eugene com uma mão no queixo.

Após um momento, Eugene disse:

— É isso. Ela não tinha o monstro do espelho, nem o Varian na época. Mesmo assim, alguém teria que ter falado sobre o que você e a Cassandra fariam naquele dia.

— Sim. Ela tinha que saber o que eu faria naquele dia para poder me interceptar. Aliás, o momento foi muito oportuno. Com certeza, ela foi avisada. – disse Rapunzel olhando para Eugene.

— Outra coisa me incomodando é a Gothel. Ou melhor, a ligação dela com a Gothel. Será que existe um clube secreto de sequestradoras? – perguntou Eugene olhando para Rapunzel.

Rapunzel começou a rir e disse:

— Clube secreto de sequestradoras?

— Essa parte foi piada, mas estou realmente preocupado sobre a relação dela com a Gothel. – disse Eugene pensativo.

— Parece que… A Gothel… Prendeu alguém chamada de Zhan Tiri no reino… Como era mesmo o nome? – perguntou-se Rapunzel enquanto tentava lembrar do nome do reino.

— Zhan Tiri? Acho que já ouvi esse nome antes. Onde foi?… Espera. Eu nunca a vi, mas a Stalyan me disse que sua mãe se chamava Vhan Tiri. Por isso, seu nome era Stalyan Tiri. – disse Eugene pensativo.

— Essa é a filha do Barão, não é? – perguntou Rapunzel fitando Eugene com os olhos.

— Sim… Talvez os nomes parecidos seja só coincidência. Stalyan nunca mencionou algo sobre sua mãe estar presa. – disse Eugene pensativo.

— A Gothel nunca usou magia exceto a do meu cabelo. Será que ela prendeu essa tal Zhan Tiri para ficar com a gota de sol só para ela? – perguntou Rapunzel pensativa.

— É bem provável. Além disso, pela forma como a Sugarby age, essa amiga dela, a Zhan Tiri, não deve ser uma boa pessoa. – disse Eugene olhando para Rapunzel.

Naquele momento, Rapunzel sentou e ficou muito próxima de Eugene.

— Loirinha, o que foi? – perguntou Eugene um pouco corado.

Rapunzel colocou sua mão direita no rosto de Eugene e disse:

— Obrigada por me salvar de novo.

— Sunshine, eu farei isso quantas vezes forem necessárias. – disse Eugene em tom sério.

— Eu sei. – disse Rapunzel antes de beijar o namorado.

— Loirinha, eu te amo. – disse Eugene após o beijo.

— Você está sempre do meu lado e sempre me apoiando. Eu não vejo minha vida sem você por perto. Eu te amo. – disse Rapunzel antes de beijar Eugene novamente.

Depois, Rapunzel dormiu no colo de Eugene. Ele ficou acordado a noite inteira, alisando os cabelos dela.

No outro dia, pela manhã, ainda estava nevando. Rapunzel e Eugene botaram roupas de frio e foram para a cozinha. Pascal estava com eles. Rapunzel fez uma torta e os três comeram no café da manhã. Alguns cozinheiros também comeram a torta.

— Você cozinha muito bem, princesa. – disse uma cozinheira.

— Eu tinha que fazer alguma coisa para passar o tempo naquela torre. – disse Rapunzel bastante alegre.

Depois, Rapunzel, junto de Eugene, reuniu-se na sala do capitão da guarda real com seus pais, Willow, Lucius, Cassandra e Dira. Willow estava de pé ao lado de Lucius, que estava sentado.

— Enquanto a sala do trono estiver sendo reparada, as reuniões com os reis serão aqui. – disse Lucius antes de suspirar.

— O que foi, capitão? – perguntou Eugene um pouco confuso.

— Com toda a confusão envolvendo o monstro do espelho, esqueci de te falar uma coisa. – disse Lucius olhando para Eugene.

— Já até imagino o que seja. Notei que a falsa Rapunzel não estava usando sua coroa. – pensou Eugene olhando para Lucius.

— Embora a captura do traidor tenha sido um sucesso, não conseguimos prender as ladras e… – disse Lucius um pouco triste.

— Elas levaram a coroa da princesa. – disse Willow enquanto cerrava as mãos.

Rapunzel sorriu.

— Do que vocês estão falando? – perguntou Eugene um pouco confuso.

— Está caducando, Rider? Tão novo e… – disse Lucius também confuso.

— Um dia antes da primeira sessão de atendimento aos súditos, eu troquei a coroa por uma falsa sem que o monstro do espelho percebesse. Embora eu esperasse que fôssemos vencer, eu não confiava totalmente naquela Rapunzel. – disse Eugene em tom sereno.

Cassandra, Dira, Frederic e Arianna ficaram muito aliviados.

— Eu fiquei triste por nada? – pensou Lucius muito irritado.

— Eu não contei a vocês para a farsa ficar mais realista. – disse Eugene olhando para Lucius.

— Como você mandou fazerem uma coroa falsa sem que ela percebesse? De acordo com seu próprio plano, ela colocaria alguém na sua cola fora do castelo para ter certeza de que você não tentaria usar uma réplica. – disse Dira olhando para Eugene.

— Foi muito fácil. Pedi para a senhora Magenta fazer a coroa e entregá-la para o senhor Monty. Além disso, pedi para ela mandá-lo colocar a coroa dentro de um saco repleto de bolinhos que a Rapunzel adora. – disse Eugene em tom sério.

— Mas, ela desconfiaria se você fosse a uma loja de armas, ficasse um tempo e, depois, não voltasse mais lá. – disse Cassandra olhando para Eugene.

— Espera, filha. Isso já é forçar… – disse Willow antes de ser interrompida.

— Ela está certa, vice capitã. A Stalyan é um tanto desconfiada. Por isso, eu também pedi uma espada e fui buscar lá mesmo para não haver chance alguma dela desconfiar de alguma coisa. – disse Eugene olhando para Willow.

— Parabéns, Eugene. Agora, o mais importante, onde está a coroa da minha filha? – perguntou Frederic olhando para Eugene.

— Hoje, mais cedo, levei a Rapunzel no meu quarto para entregar a coroa. Atualmente, está no quarto dela. – disse Eugene olhando para Rapunzel.

— Estava no armário de roupas dele. – disse Rapunzel olhando para o seu pai.

— Recomendo inventarem uma história de que foram roubados e mandaram fazer uma nova coroa muito parecida com a antiga. – disse Eugene olhando para Lucius.

— Assim, o Barão nos deixa em paz. – disse Lucius com leve sorriso.

— Eugene é um cara assustador. Não só encontra os problemas, ele os resolve totalmente. Ainda bem que ele não é mais nosso inimigo. – pensou Dira olhando para Eugene.

— Sobre os saporianos, acredito que eles ficarão quietos por um tempo. Eles não têm como lidar com a rainha, a vice capitã ou a Rapunzel. – disse Eugene olhando para Lucius.

— Concordo. Eles devem ter ficado muito assustados depois do que aconteceu no atentado. Além disso, só sobrou um espião deles, que fugiu quando a Cassandra e o Varian encontraram o acampamento. – disse Lucius olhando para Rapunzel.

— Saporianos… Eugene comentou comigo que eles são quem estão por trás daquele atentado na minha coroação. – pensou Rapunzel olhando para Eugene.

— Agora, temos que focar na nossa inimiga iminente. Ela vai aparecer a qualquer momento para tentar pegar a Rapunzel de novo. Temos que deter a Sugarby. – disse Eugene com um olhar sério.

Notas finais
Por essa, eu não esperava.