Notas iniciais
Reta final

William aguardou Will perto da Reitoria. Ele via desolado ela ser levada na ambulância.

WD: O que ocorreu com a Sra. Grissom?

William: Ela de repente perdeu os sentidos, deve ter sido queda de pressão. Sabe Will ela me é muito familiar, sua voz me acalma e fico hipnotizado a olhando...

WD: Ihh gente vejo que tem alguém se apaixonando aí. Eu conversei com o Reitor e vou poder retomar meu trabalho aqui, então assim que tiver noticias dela lhe falo, claro que vou tentar saber mais dela e do marido, se está tudo bem...entendeu?

William: Sim, sim... de momento só quero saber se ela está bem.

Já no hospital e após umas meia hora, ela começa a recobrar a consciência. Sara abriu os olhos devagar, piscando repetidamente até conseguir focar no ambiente.

— Grissom? — murmurou, com a voz embargada.

Beth percebe que Sara está acordando: Sara?

Sara sentou-se, ainda atordoada. As lágrimas escorriam lentamente.

— Ele... ele está vivo... — sussurrou, quase sem ar. — Ele voltou pra mim... ele voltou.

BG: Sara fique calma, esta tudo bem agora!! Do que você está falando?

SS: Beth eu vi o Grissom!!! Ele estava na minha palestra, mas parecia que não lembrava de mim...

BG: Que história é essa Sara?? Você não viu alguém parecido?

SS: Não Beth, era ele, eu olhei bem dentro dos olhos dele e aí apaguei. Está mais magro, sem barba, cabelo baixinho. Era ele. Vou pedir para Cristhofer procurar pela UCLA alguma imagem, algo que nos ajude, vou falar com o Reitor...

BG: Sara fica calma!! Primeiro vamos sair do hospital e depois calmamente vemos o que faremos, certo?

SS: Tudo bem!! Vamos pra casa!!

Chegando em casa a morena percebeu a movimentação na até então casa fechada e a sogra a informou da chegada de seus moradores e da presença de uma terceira pessoa que ela ainda não sabe quem é.

Já na residência dos Dickson o assunto do jantar girava entorno do encantamento de William por Sara.

Enquanto os pratos eram servidos e o vinho circulava, a conversa continuava animada, mas sempre voltava para o mesmo ponto: Sara.

HD (Harold Dickson): — E ela é bonita mesmo ou é só a amnésia te pregando peça, rapaz?

William (sorrindo tímido): — Ela é linda. Mas não é só isso... é algo nela. A forma como fala, como se move... me causa um arrepio estranho, como se eu já a conhecesse há anos.

Will: — Isso aí é amor à primeira vista... ou seria à segunda vista? Vai saber, né? Kkk. Mas relaxa, amanhã eu dou um jeito de puxar uma ficha leve dela.

HD (levantando a sobrancelha): — Cuidado, Will. A moça pode ser casada.

Will: — Por isso mesmo que eu vou investigar, ué! Vai que nosso William aqui vai roubar o coração de uma mulher comprometida e nem sabe...

William: — Mesmo que ela tenha alguém... eu só quero entender. Me sinto incompleto desde que acordei sem memória. Mas quando a vi hoje, senti como se tivesse encontrado a peça que faltava.

HD: — Isso pode ser um sinal, filho. Ou... pode ser sua mente tentando buscar respostas em sentimentos fortes. De qualquer forma, acho bom irmos devagar.

William: — Eu não vou forçar nada. Mas... eu preciso falar com ela de novo. Preciso entender por que ela chorou ao me ver. E por que, quando ela me tocou... parecia que o mundo parou por um segundo.

Will (já levantando os pratos da mesa): — Isso está ficando sério. Ok, Sherlock, amanhã cedo a gente começa nossa investigação. Mas aviso logo que se ela for casada, ou pior, policial, eu tô fora dessa roubada.

William (com um sorriso melancólico): — E se eu for o marido dela?

O silêncio caiu por um segundo na mesa. Harold parou com o talher na metade do caminho. Will olhou fixamente para William.

HD: — Agora você me pegou.

Will: — Ok. Aí a coisa muda completamente de figura...

William (em voz baixa): — E se eu for o cara que ela perdeu... e eu só não me lembro?

A noite terminou com menos risadas e mais reflexões. A possibilidade de que aquele estranho sem memória tivesse um passado tão profundo e intenso com a mulher que conheceu naquele dia rondava os pensamentos de todos. Especialmente o dele — que, mesmo sem lembrar do nome Grissom, sentia que Sara era tudo o que ele mais queria lembrar.

No dia seguinte Sara e Beth conversavam ainda sobre o tal homem misterioso e trabalhavam na hipótese de que ele estivesse sem memoria, então sim, era Grissom o tal homem na palestra. A dúvida era saber onde ele esta. Com o dia lindo as duas resolveram dar uma volta com Arthur e Hank e no momento em que passavam encontraram Henry e Will saindo.

Will: Beth Grissom que prazer te rever!!

BG: Will meu filho que alegria poder te rever, creio que você seja o Henry estou certa??

HG: Sim Beth, sou eu!! Viu, estou entendo um pouco mais de ASL.

BG: Eu vi!! Bom deixa eu apresentar para vocês minha nora Sara e meu neto Arthur.

Will: Prazer em conhece-la Sara, seremos colegas na UCLA já que estou retomando meu cargo de professor.

SS: Quem bom Will, fico feliz por você ter conseguido estar de novo junto a sua família depois de sua provação. Será um prazer estar trabalhando com você.

HD: Você não imagina como estou feliz por estar de volta!! Temos um amigo morando conosco, mas ele resolveu dar uma volta na praia. É o William e creio que teremos logo, logo haverá uma oportunidade para apresenta-lo.

BG: Bom no fim de semana faremos a festinha de 01 ano de Arthur lá na Galeria. Ficarei feliz de ter vocês conosco incluindo o amigo de vocês.

Will: Pode ter certeza que vamos sim! Temos que ir, foi uma prazer vê-las meninas e garotão!!

Enquanto Will e Henry se afastavam sorrindo, Beth não conseguia tirar os olhos deles, especialmente de Will, emocionada pela transformação que via ali.

BG: — Eu ainda lembro daquele menino inquieto, rebelde, mas de coração enorme... olha ele agora, Sara! Tão maduro, tão sereno. O retorno dele foi um milagre pra Harold. E esse tal de William... será?

SS (com Arthur no colo): — Eu não sei, Beth. Mas confesso que tem algo na forma como ele falou do tal amigo... ele hesitou, percebeu? Como se guardasse um segredo.

BG: — Eu percebi sim. E o jeito como ele me olhou quando disse “William”. Achei estranho, mas vai ver é só impressão.

SS (suspirando): — Eu desmaiei ontem quando ele falou comigo. A voz... o olhar... só que havia algo vazio, como se ele não me visse de verdade. Ele disse "Sra. Grissom", mas parecia não entender o peso disso.

BG: — Então talvez ele tenha fragmentos. Uma parte do cérebro lembrando nomes, mas não contextos. Isso explicaria o arrepio que você sentiu na palestra.

SS: — Exatamente. Não sei se consigo passar por tudo isso de novo, Beth. Mas se for ele... eu preciso saber.

BG (tocando a mão da nora): — E vai saber, minha filha. Às vezes a vida dá um nó, mas também entrega a ponta. Talvez a festinha do Arthur seja o lugar onde tudo vai se encaixar.

SS (sorrindo com ternura para o filho): — Tomara. Ele merece crescer sabendo quem é o pai. Mesmo que ele não se lembre... ainda.

BG (com os olhos brilhando): — E quem sabe... esse “William” ao ver o Arthur... não sinta aquele laço inexplicável que só um pai sente?

As duas continuaram o passeio pela orla, os cabelos ao vento e a esperança batendo forte no peito. O destino já estava traçando os fios. Restava agora saber se o reencontro traria cura ou mais dor.

Já " William" estava na praia tendo mais um momento de flashes e eles vinham todos envoltos da tal morena.

William: Essa mulher não saí da minha cabeça e pelo jeito que reagiu ao me ver ela pode ter alguma participação na minha vida.

Dois dias passaram desde o ocorrido e Sara estava compenetrada entre o trabalho e a organização da festa de Arthur. Claro que as meninas estavam ajudando, mas mãe é mãe, porém em determinado momento Fabiana, Day e Beth expulsaram ela e disseram que ela fosse dar uma volta na praia já que Arthur estava com Lily e Lindsey que já haviam chegado a cidade para a festa.

Já que foi convidada a sair um pouco da casa, a morena resolveu dar uma volta. Estava imersa em pensamentos quando sentiu alguém se aproximando.

— Posso me juntar a você??

Sara travou, abriu a boca em surpresa ao ver na sua frente novamente o homem que a fez desmaiar na faculdade e agora olhando mais perto viu sem sobra de dúvidas ser seu marido. Já William se retraiu ao se deparar com a reação de espanto da morena e resolveu recuar. Sara ao perceber isso resolveu se acalmar para poder não perde-lo de vista desta vez.

SS: Desculpe meu jeito... sente aqui... olha você me lembra alguém muito querido e por isso meu susto. Tudo bem com você?

William: Ahhh, claro... está tudo bem sim!! Fiquei preocupado outro dia na UCLA quando você desmaiou. Você está bem senhora Grissom?

SS: Estou bem sim e você pode me chamar de Sara!!

William deu um sorrisinho tímido ala Grissom e Sara se arrepiou toda.

SS: Olha estou em desvantagem aqui!! Você sabe meu nome e eu não sei o seu!

William: Bom meu nome realmente eu não sei, mas o Henry me batizou de William e desde então é o nome que venho usando.

SS: Como assim você não sabe seu nome?

William então explicou para Sara sua história e a morena estava se segurando para não agarra-lo ali, pois viu que realmente era seu marido. Resolveu fazer amizade com ele para descobrir onde ele esta e assim falar com as pessoas que estão o ajudando. Assim os dois ficaram em altos papos e a morena descobriu que ele é o tal amigo da família Dickson. Sara contou um pouco sobre sua vida para poder já ir ativando a memoria do entomologista. Como estava tarde, "William" fez questão de acompanha-la em casa.

William: Eu gostei muito de conversar com você. Nem vi as horas passarem!! Espero que seu marido não fique chateado!!

SS: Também gostei de conversar com você e infelizmente meu marido não está conosco...

William: Sinto muito Sara, eu...

SS: Sem problemas!! Amanhã farei uma palestra cedo, por que você não vem assistir?

William hesitou por um instante, como se ponderasse internamente. Seus olhos azuis fitaram os de Sara com uma intensidade que a fez prender a respiração.

William: — Se for pra te ver de novo... é claro que vou.

SS (tentando conter o sorriso e o coração disparado): — Ótimo, estarei esperando.

Eles pararam diante da casa da família Grissom. O silêncio que se formou era carregado de emoção não dita, como se cada um tivesse algo importante a dizer, mas sem coragem de romper o encanto daquele momento.

William: — Você tem um jeito... familiar. Eu... eu sinto paz quando estou com você, e não sei explicar isso.

SS (com a voz embargada): — Talvez a gente só precise de mais tempo, William. Boa noite.

William: — Boa noite, Sara.

A morena se aproximou e beijou seu rosto lestamente o que fez o homem ruborizar imediatamente e a morena teve que se segurar para não agarra-lo ali mesmo. Ele tocou levemente a mão dela antes de se afastar.

Entrou em casa imediatamente pois as lágrimas ardiam para sair e deixou na calçada um homem encantado pelos momentos passados juntos.

Assim que entrou em casa, Beth, que estava com Arthur no colo, notou seu estado e se aproximou:

BG: — Sara... o que foi?

SS (ainda em transe): — Beth... é ele. É o Grissom. É o meu Grissom. Ele não lembra de nada, mas... ele me viu. Me olhou nos olhos e por um segundo... era ele de novo.

Logo as mulheres se juntaram a ela que aos prantos contou para elas que havia encontrado Grissom e ele é o tal amigo da família Dickson.

Beth ficou boquiaberta, mas logo a envolveu num abraço apertado.

BG: — Então o destino já fez o encontro... agora é com você, minha filha. Traga ele de volta. Aos poucos. Com amor. Como sempre foi entre vocês.

Sara segurou forte a mão da sogra, emocionada.

SS: Amanhã quando tiver oportunidade vou conversar com o Will. Preciso saber como eles encontraram Griss.

BG: Nem acredito que encontramos meu filho e que ele está vivo.

As mulheres se abraçaram felizes da vida por terem encontrado o entomologista, porém Fabiana faz um alerta de que Sara agiu corretamente ao não revelar de cara a verdade para Grissom até porque ela não tem noção da gravidade do acidente e o que causou essa amnesia no entomologista.

Fabiana: Converse amanhã com a família que o acolheu e veja em que pé está a história.

No dia seguinte, ela estaria pronta — não só para mais uma palestra, mas para tentar acender novamente a chama da memória no coração de Grissom.

Já na casa dos Dickson, a porta se abriu com um leve rangido, e logo William entrou com um sorriso que não conseguia — e nem fazia questão de — esconder.

William: — Boa noite!

Will, que estava na cozinha preparando algo para o jantar, olhou na direção da entrada e riu ao ver o estado do amigo.

Will: — Alguém teve um bom passeio, pelo visto...

William (rindo com um brilho nos olhos): — Você não imagina como foi bom, Will. Eu conversei com ela. A Sara. E cara... é estranho, mas ao mesmo tempo... certo. É como se eu a conhecesse há muito tempo.

HD (entrando na sala e cruzando os braços com um sorriso maroto): — Então ela é tudo isso mesmo?

William: — Ela é incrível. Inteligente, doce, forte. E... eu me senti diferente perto dela. Não como um desconhecido. Mas como alguém voltando pra casa.

Will (se aproximando): — Isso é ótimo. Mas você lembra de alguma coisa?

William: — Não. Mas quando estou com ela, minha cabeça... fica mais leve. Sinto flashes, como sensações. Como se estivesse na beira de alguma lembrança muito importante, mas ela ainda não quer se mostrar. Mas eu sei que ela tem a chave.

HD: — Acho que está claro que ela tem a chave mesmo... a do seu coração! (os três riram)

Will (batendo de leve no ombro dele): — Amanhã vai vê-la de novo, certo?

William: — Sim. Ela me convidou para outra palestra. Mal posso esperar. Só espero não fazer papel de bobo dessa vez.

HD: — Se ela te convidou, é porque já gostou da companhia. Relaxa.

William: Sim, sim... boa noite Henry! Vou descansar porque amanhã cedo tenho um compromisso.

A manhã mal havia começado, mas o coração de William já parecia correr numa maratona. Ansioso como um adolescente antes de um encontro, ele bateu na porta de Sara com um sorriso aberto. A morena, que já esperava por ele, o recebeu com simpatia, mas com o coração apertado por conter a emoção.

SS: — Bom dia! Que pontualidade, hein?

William (um pouco tímido): — Não consegui dormir direito... estava ansioso por te ver.

Sara sorriu, tentando se controlar, e respondeu com naturalidade.

SS: — Que bom, porque eu queria te convidar pra tomar café conosco. Assim minha sogra também pode te conhecer.

William: — Vai ser um prazer!

Assim que entraram, Beth, veio até a sala e congelou por um instante. Os olhos marejaram. Era ele. O filho. Mesmo que não se lembrasse, ali estava seu menino, de pé, sorrindo diante dela. Ela se conteve com um aperto no peito, sabendo que aquele momento delicado exigia calma.

BG: — Bom dia, querido... seja bem-vindo.

William (gentil): — Muito obrigado, dona Beth. É um prazer conhecê-la.

Mas quem não se conteve mesmo foi Arthur, que ao ver William, abriu um sorriso largo e esticou os bracinhos.

Arthur: — Papa!

Todos congelaram. William arregalou os olhos surpreso. Sara tentou disfarçar a emoção, mas já estava com as mãos trêmulas. William, num impulso quase instintivo, pegou a criança no colo.

William (encantado): — Ele... ele gostou de mim!!

Arthur gargalhou no colo do homem, bateu as mãozinhas e, em seguida, deitou a cabecinha no ombro de William, como se estivesse onde sempre pertenceu.

Lily Willows, que havia sido chamada por Beth para o café e acabava de entrar, observou a cena com um sorriso no rosto.

Lily: Sim, pelo jeito gostou mesmo! Prazer, me chamo Lily.

William (com Arthur no colo): — Muito prazer, Lily! Eu me chamo William.

Lily (olhando discretamente para Sara e depois para Beth): — Hmmm... William, certo. Muito prazer, querido.

A conversa seguiu fluida. William era educado, curioso, e falava com doçura. Arthur se recusava a sair do colo dele, até que, entre um gole de suco e outro, acabou dormindo, completamente aninhado contra o peito de William. Sara observava tudo com o coração acelerado — era como se o destino estivesse costurando tudo de novo, ponto por ponto.

Beth, de sua parte, mantinha-se firme, mas seus olhos não negavam a emoção. Ela tocou levemente a mão de Sara sob a mesa, e a morena entendeu: estavam vivendo um milagre. E aquele era só o começo.

Sara e William deixaram a casa em clima leve, mas com o coração da morena apertado de emoções contidas. Já no carro, os dois conversavam sobre banalidades — trânsito, clima, e a agenda da manhã — mas em cada pausa, havia um silêncio cheio de significados que nenhum dos dois conseguia traduzir. William olhava para ela com um brilho novo no olhar, e Sara tentava se manter focada, lutando para não deixar a emoção tomar conta.

Ao chegarem à UCLA, o entusiasmo de William era visível. Ele parecia uma criança num parque de diversões. Seus olhos percorriam o campus com curiosidade e fascínio, mas nunca deixavam Sara por muito tempo. Já a morena, ao avistar Will Dickson, soube que era a oportunidade perfeita.

SS (com um sorriso firme): — Bom dia, Will!! Será que podemos falar rapidamente?

Will (surpreso, mas simpático): — Bom dia, Sara! Claro que podemos. Vamos até a sala dos professores.

William: — Vou dar uma volta então. Boa palestra, Sara!

SS (sorrindo para ele): — Obrigada... nos vemos depois.

William se afastou, e logo sumiu pelos corredores da universidade. Sara então acompanhou Will até uma sala reservada, onde poderia falar com mais tranquilidade.

Assim que a porta se fechou, o sorriso da morena desapareceu, dando lugar a uma expressão séria, mas serena.

SS (direta): — Will, eu preciso te falar algo muito importante... E quero que você me escute até o fim.

Ele assentiu, curioso.

SS: — O "William" que está morando com vocês... Ele não é qualquer um. Ele é meu marido. O nome dele é Gil Grissom. Ele desapareceu meses atrás durante uma investigação e... e tudo indica que perdeu a memória.

Will (pasmo): — Meu Deus... isso explica tanta coisa. A forma como ele olha pra você, o jeito dele... E aquele menino, o Arthur, ele—

SS (engolindo em seco): — É nosso filho. Ele o reconheceu hoje. Chamou de "papa". E o mais estranho... foi como ele soube segurá-lo, acalmá-lo... Como se algo dentro dele ainda soubesse quem ele é.

Will: — Eu sabia que ele tinha uma história complicada... mas nunca imaginei algo assim.

SS: — Eu não quero pressionar nada, Will. Mas preciso da sua ajuda. Preciso entender o que aconteceu com ele nesse tempo. Como vocês o encontraram, o que ele lembra... e principalmente, como ajudá-lo a se lembrar de quem é.

Will a olhou com respeito e empatia, percebendo que aquela mulher diante dele era muito mais do que uma colega de universidade — ela era uma mulher lutando para reconectar os laços da própria vida.

Will (com firmeza): — Pode contar comigo, Sara. Vou te contar tudo que sei. E se depender de mim, vamos trazer o Grissom de volta.

Sara sorriu, emocionada. Estava um passo mais próxima de ter seu mundo inteiro de volta.

Enquanto caminhava pelos corredores da UCLA, William sentia um turbilhão silencioso dentro de si. Cada parede, cada sala, cada corredor lhe despertava uma sensação estranha de familiaridade, como se tivesse pisado ali incontáveis vezes antes, como se aquele lugar tivesse sido parte importante de sua vida.

Parou em frente a um mural antigo com fotos de professores e eventos da universidade. Seus olhos correram pelas imagens, como se algo fosse saltar dali, mas... nada. A memória continuava opaca, sem forma, apenas a sensação latente de que aquilo já fora seu lar em algum momento.

Foi quando um senhor de aparência serena, vestindo um paletó claro e um chapéu bege, se aproximou e, com um sorriso discreto, perguntou:

— Está sentindo como se tivesse perdido algo?

William respirou fundo antes de responder:

— Na verdade, sim... perdi minha memória devido a um acidente. Às vezes chego a lugares e sinto que já estive lá. Que são parte de mim, mas não consigo lembrar o porquê.

O homem fez um leve aceno afirmativo com a cabeça e falou com uma voz calma, quase profética:

— E isso aconteceu. A mente pode esquecer, mas o coração... ele preserva. Confie no que sente, siga seu coração. Quando for a hora certa, tudo começará a clarear.

William ficou surpreso. Aquela frase parecia ter saído direto dos seus sonhos. Ele piscou os olhos por um instante, e quando olhou de novo... o homem já não estava mais lá.

Olhou para os lados, deu alguns passos tentando reencontrá-lo, mas era como se ele tivesse simplesmente evaporado.

Ainda impactado, e com a sensação estranha de que acabara de conversar com um mensageiro, William resolveu seguir seu plano original: ir ao auditório assistir à palestra de Sara. Quem sabe, mais uma peça do quebra-cabeça de sua vida poderia se encaixar ali.

Com passos decididos e um novo brilho nos olhos, ele entrou no auditório, sentando-se nas primeiras fileiras — ansioso, mas esperançoso.

E lá no fundo, uma chama quase esquecida começava a reacender.

Com o coração batendo forte, Sara caminhou até o centro do palco do auditório, onde já havia estado tantas vezes, mas naquele dia tudo parecia diferente. O ambiente estava cheio, como sempre, mas ela só conseguia focar em um par de olhos — os dele.

Ali, sentado na primeira fileira, com uma expressão de admiração e curiosidade, William — ou melhor, Grissom — a observava como se visse algo incrivelmente familiar, mesmo sem entender o porquê.

Minutos antes, ao sair da sala dos professores, Sara estava decidida. A conversa com Will Dickson havia dado a ela mais do que informações: deram-lhe esperança. Ele lhe passou o contato do neurologista que vinha acompanhando “William”, e ela já marcara uma conversa com ele para aquela mesma semana. O plano era claro: fazer o que estivesse ao seu alcance para ajudar o homem que ama a lembrar de quem é.

Respirou fundo e, com a voz firme mas doce, começou sua palestra. Falava sobre evidências forenses em investigações ambientais — um de seus temas preferidos — mas, no fundo, tudo o que dizia parecia ser endereçado a ele.

Enquanto explicava o impacto de microvestígios na solução de crimes, seus olhos se encontraram com os dele por um breve instante, e ambos sorriram — aquela conexão inexplicável pulsava ali, viva, mesmo diante do esquecimento.

E, pela primeira vez em muito tempo, Sara se sentiu completa.

Mesmo sem ele saber que era seu marido, ele estava ali. Prestando atenção, sorrindo, admirando... como sempre fez.

E ela sabia:

A memória dele pode estar adormecida, mas o amor... o amor estava acordando.

Como tinha a tarde de folga, Sara buscou Arthur e juntamente com "William" foram passear retornando só a noite.

Dia seguinte ela foi com Will conversar com o Neurologista que então explicou o que poderiam fazer para ajuda-lo.

Planos definidos, a morena ligou para Catherine contando as novidades.

Catherine ficou em silêncio por alguns segundos, tentando processar a avalanche de informações que acabara de receber. Do outro lado da linha, Sara esperava ansiosamente pela resposta da amiga.

CW: (em tom emocionado) Meu Deus, Sara... isso é inacreditável. Você... você o achou. Depois de tudo, você encontrou o Grissom!

SS: (rindo) Sim, meio por acaso, meio destino. Ele não se lembra de mim, Cath, mas... ele sente algo. E isso já é um começo.

CW: E ele vai mesmo na festa do Arthur com você?

SS: Vai sim. Ele ficou empolgado. E, segundo o neurologista, essas interações com pessoas e histórias do passado podem ajudar no processo de recuperação. A recomendação é que a gente compartilhe lembranças com ele, sem pressioná-lo, sabe? Apenas deixando as histórias fluírem.

CW: Entendi... tipo colocar pecinhas de volta no lugar, sem mostrar o quebra-cabeça pronto.

SS: Exatamente. E se tem uma coisa que a equipe toda sabe fazer bem é contar história. Tenho certeza de que vocês vão ajudar ele a se encontrar de novo.

CW: Ah, você me conhece... já tô até vendo o Nick, Greg, Brass... todo mundo derramando memória em cima do coitado! Mas, sério, Sara, isso é incrível. Eu vou estar lá, claro. Essa festa vai ser muito mais do que o aniversário do Arthur.

SS: Vai ser o reencontro da família.

Com o coração mais leve, Sara desligou o telefone e ficou alguns minutos em silêncio, olhando para o céu pela janela. A festa se aproximava, e pela primeira vez em muito tempo ela sentia que havia uma real chance de ter seu Grissom de volta — não apenas fisicamente, mas por completo.

Arthur faria um ano, mas naquele dia especial, outra vida também começaria a se reconstruir.

Trajando um vestido azul foi que Sara foi ao encontro de seu charmoso acompanhante que estava hipnotizado pela beleza da morena.

SS: Precisa que eu leve um babador de Arthur para você?

William: Acho que vou precisar!!! Você está linda Sara!!

SS: Obrigada!! Vamos?? Arthur já esta lá com Beth e logo os convidados vão estar chegando.

Irradiando felicidade foi assim que Sara chegou ao local muito bem acompanhada. A equipe do noturno estava emocionada ao rever seu supervisor.

Sara segurou a mão de "William": Preparado para ser meu acompanhante nesta noite?

William: Extremamente preparado para lhe acompanhar não só essa noite, mas quantas você me deixar lhe acompanhar.

A cena parecia ter saído de um sonho cuidadosamente guardado no coração de Sara por muito tempo. Ela, deslumbrante em seu vestido azul, irradiava luz ao lado de "William", cujo olhar não conseguia se desviar dela nem por um segundo. Quando Arthur esticou os bracinhos pedindo colo, foi como se o universo sussurrasse para todos ali: eles pertencem um ao outro.

Com isso o fotografo tirou uma foto da família que logo foi avançando pelo local dando inicio a festa. O clique da câmera capturou mais do que uma imagem — congelou um momento de amor, esperança e reencontro. A imagem de Grissom, ainda como William, segurando o filho nos braços, ao lado de Sara, com sorrisos que só o coração reconhecia, comoveu até os mais reservados entre os convidados.

Nick, emocionado, murmurou ao lado de Catherine:

NS: Eu sei que ele não lembra... mas olha pra isso, Cath. O jeito como ele olha pra ela... isso é amor.

CW: É, Nick. Memória ou não, o amor tá ali. Sempre esteve.

Como será essa festa??

Notas finais
Vamos de festa no próximo!!