Rivals
5 A melhor "chef"
Na Elite Konoha, as manhãs de segunda-feira começavam com o desfile silencioso dos carros importados estacionando na entrada, o som abafado dos saltos caros no mármore e os olhos atentos dos alunos menos populares observando seus ídolos entrarem na escola como se estivessem desfilando na Paris Fashion Week.
E naquele dia, o caos começou na hora do almoço.
A escola dispunha de duas lanchonetes principais: uma com alimentos orgânicos importados, e outra com doces franceses feitos por um chef que trabalhava meio período na nova e inédita confeitaria da Chanel. Ambas igualmente caras, absurdamente desnecessárias e, claro, frequentadas por grupos muito específicos.
Hinata Hyuuga, com sua aura angelical e perfume de peônia, caminhava com delicadeza até a lanchonete dos doces franceses. Seu cabelo perfeitamente arrumado e seu vestido Dior de babados leves balançavam como em um comercial de perfume — uma alteração que ela fez no próprio uniforme “seguindo” as normas do colégio. Ao seu lado, suas seguidoras murmuravam elogios exagerados.
— Hinata-sama, sua aura combina perfeitamente com macarons de pistache e tristeza burguesa! — disse uma delas, segurando um leque.
Hinata sorriu com doçura.
— Ah, você é tão gentil, Yumiko-chan... Embora eu tenha considerado comer algo mais... comum hoje. Como um éclair simples. Não quero ofuscar ninguém com minha escolha.
Tradução: “Vou escolher o doce mais raro do cardápio só pra esfregar na cara da Sakura.”
Do outro lado do campus, Sakura Haruno, vestida com um blazer Gucci rosa bebê, caminhava até a lanchonete orgânica com passos firmes, como se estivesse pronta para dar uma palestra em Harvard. Ao redor dela, um grupo de fãs tão disciplinado quanto um time de cheerleaders profissionais a seguia em silêncio reverente.
— Sakura-senpai, sua disciplina alimentar é uma inspiração. Você é o equilíbrio entre beleza e proteína magra! — comentou uma garota carregando uma caixinha de whey.
Sakura sorriu, cheia de falsa modéstia.
— Ah, não é nada… só estou tentando cuidar do meu corpo de maneira equilibrada. Ainda mais com os treinos do clube de vôlei. Hoje vou pedir um smoothie de abacate com colágeno suíço e açaí colhido sob meditação.
Tradução: “Vou engolir uma gororoba fitness só pra mostrar que sou superior moralmente à Hinata e seu açúcar inútil.”
E então… aconteceu.
Ambas saíram de suas respectivas lanchonetes no mesmo instante.
Hinata segurava uma mini torta de frutas vermelhas em formato de flor de lótus, com detalhes em ouro comestível.
Sakura segurava um smoothie roxo-neon com gelo de água alcalina, decorado com pétalas cristalizadas e um canudo biodegradável em forma de espiral.
Seus olhos se cruzaram. Era como se aquele dia no parque nem tivesse existido, algo que é comum entre elas. Se estapeiam, se ajudam e depois se jogam cocô de cachorro.
— Oh! Sakura-chan... Que cor linda. Parece... uma poção. — disse Hinata, sorrindo como se estivesse diante de uma criança de 3 anos.
— Hinata-chan! Que sobremesa… artística. Deve ter custado menos que o meu canudo, né? — disse Sakura, em tom doce o suficiente pra dar cárie.
Ambas riram.
Ambas queriam se esbofetear com porcelanas da Versace.
Foi então que uma das fãs de Hinata, empolgada em puxar assunto, comentou alto demais:
— A nova torta da Hinata-sama esgotou em segundos. Disseram que o chef nem cogitou oferecer para os alunos comuns. Só para ela.
Sakura arqueou uma sobrancelha.
— Oh… Então vocês estão… reservando doces exclusivos agora?
Ela sorriu. Falso. Gélido. Pronto para matar.
Sayuri, a fiel escudeira de Sakura, respondeu sem pensar:
— Pelo menos o smoothie da Sakura-senpai foi incluído no Cardápio Inteligente de Alta Performance, só os top 5 do ranking podem comprar. Política da escola.
As garotas congelaram.
O ar ficou denso.
As legiões de fãs prenderam a respiração.
Foi o suficiente.
— Yumiko-chan. — disse Hinata, com a voz mais doce do que mel trufado. — Ligue para o chef da Chanel. Quero uma nova receita criada exclusivamente para mim. Com flores colhidas à mão no Monte Fuji. Em dia de névoa.
— Sayuri. — disse Sakura, sem desviar os olhos. — Prepare uma petição para transformar o smoothie da semana que vem em pré-requisito nutricional para o clube de honra. Quem não tomar, não entra.
Naruto e Sasuke chegaram naquele exato momento, prontos para almoçar.
Naruto olhou para a cena e sussurrou:
— Ahn… será que ainda dá tempo de pedir pizza?
Sasuke respondeu sem emoção:
— A gente devia ter trazido marmita.
No dia seguinte, a Elite Konoha acordou com um clima mais tenso do que o normal. O céu estava absurdamente azul, o sol brilhava com a audácia de quem sabia que algo estava prestes a explodir, e os alunos chegavam mais cedo apenas para garantir um bom lugar no pátio principal. Não era um dia comum — era o dia seguinte à disputa silenciosa entre Hinata Hyuuga e Sakura Haruno. E todos sabiam que, quando essas duas se enfrentavam, o colégio inteiro tremia. Literalmente. Da última vez, uma guerra de presentes entre elas acabou travando o sistema da secretaria com tantas encomendas de flores e cartas perfumadas que vinham de “admiradores secretos” (também conhecidos como elas mesmas).
Hinata chegou primeiro, como uma brisa de primavera em forma humana. Vestia um uniforme impecavelmente modificado, agora com detalhes em renda importada e um cardigã rosa-claro assinado por um estilista japonês que só costurava para princesas e atrizes de novela coreana. Nos braços, carregava uma caixa de vidro contendo uma nova sobremesa: uma torre de macarons personalizados com as iniciais “HH”, todos em tons pastéis, decorados com pequenas pérolas comestíveis e fitas de cetim. Era uma visão tão delicada que parecia ter saído de um editorial da Vogue Japão.
— Yumiko-chan — disse Hinata suavemente, com o sorriso de quem já venceu. — Certifique-se de que a caixa fique visível no centro da mesa. Tire algumas fotos com filtro de luz natural. Vamos postar às 10h em ponto com a legenda: ‘Para que a doçura sempre vença a amargura.’
Yumiko assentiu, já com o celular em mãos. Ao redor, os alunos se aproximavam, hipnotizados.
Exatamente às 10h02, Sakura entrou no pátio.
Seu look era milimetricamente calculado para parecer casualmente perfeito: moletom cropped Balenciaga, calça esportiva branca e uma faixa de cabelo rosa acetinada com cristais Swarovski. Nos braços, ela trazia um carrinho prateado, do tipo que só chefes de cozinha de reality show usam para revelar pratos absurdamente complexos. Ao abri-lo, revelou um arranjo de smoothies em camadas, cada um com uma tonalidade diferente, organizados por chakras e aromatizados com essências de flor de lótus, lavanda e poder pessoal.
— Sayuri — disse ela, pousando os óculos escuros na testa. — Posicione os smoothies em formato de mandala. O chakra da garganta precisa ficar voltado para a ala de artes cênicas.
Sayuri obedeceu sem hesitar. A movimentação chamava atenção até da diretora, que observava a cena de seu escritório no terceiro andar com um binóculo.
E então veio o golpe final. Um dos membros do grêmio estudantil, que também era editor do jornal da escola, anunciou em voz alta:
— Comunicado oficial: Hinata Hyuuga e Sakura Haruno foram selecionadas para o programa de intercâmbio com a Academia de Excelência da Suíça Oriental. Apenas uma aluna será enviada. A decisão será tomada com base em mérito, meias que combinam, seleção de cardápio, reputação e... bom gosto.
O silêncio foi absoluto. O ar ficou tão tenso que um drone de entrega caiu no chão de nervoso. Até o momento a disputa era sobre a melhor comida na cantina, agora seria a melhor comida para ganhar o intercâmbio.
Hinata e Sakura se entreolharam.
— Intercâmbio? — perguntou Hinata com doçura forçada. — Que interessante. Sempre quis estudar em um lugar onde o queijo custa mais que um carro.
— Ah, sim — respondeu Sakura, com o mesmo tom de gentileza homicida. — Acredito que uma oportunidade assim exige alguém... sofisticado, com uma dieta que vá além de açúcar e vaidade.
O sorriso de Hinata congelou por meio segundo.
— Naturalmente — retrucou. — Também exige alguém com reputação impecável. E não uma ficha disciplinar cheia de “acidentes” em treinamentos de vôlei.
Sakura riu baixinho, mas seus olhos diziam "tente de novo".
— Talvez devêssemos deixar o comitê decidir. Tenho certeza de que saberão reconhecer o que é verdadeiro mérito... e o que é só boa iluminação.
As duas se viraram ao mesmo tempo, elegantes e mortais.
Em meio ao pátio, Naruto mastigava um pão de queijo comprado na cantina dos funcionários.
— A gente vai ter que lidar com isso por quanto tempo, mesmo? — perguntou, encarando Sasuke.
Sasuke deu um gole em seu chá gelado, o mais longe possível das duas.
— Até uma delas ser enviada para a Suíça. Ou as duas explodirem.
Naruto suspirou, olhando para os céus.
— Que os deuses da lactose suíça tenham piedade de nós.
Na manhã seguinte, a sala 3-B foi transformada numa versão escolar de MasterChef. O cheiro no ar oscilava entre creme de pistache francês e um yakisoba que parecia ter sido preparado no Monte Myōboku. Havia cartazes espalhados com frases motivacionais (todas claramente passivo-agressivas) como “Vote com o paladar, não com a amizade” e “Bons sabores falam por si — os ruins precisam de gritaria”.
Sakura chegou com sua equipe impecavelmente coordenada. Tenten, encarregada da logística, usava um headset de verdade. Ino era a RP oficial, abordando todos com uma prancheta rosa e um lápis combinando.
— Boa tarde, meninos e meninas — dizia Ino com um sorriso profissional. — Estou aqui para anotar sua nota de degustação e garantir que vocês estejam no lado certo da história.
O cardápio de Sakura era uma ode ao luxo contemporâneo: croissants de salmão defumado com dill e creme de wasabi, mini panquecas com caviar vegano, e uma mousse de chá matcha com lascas de ouro comestível. Tudo servido em pratinhos transparentes que pareciam ter sido roubados de uma galeria de arte em Omotesando.
Hinata, por outro lado, veio com uma estética mais "café de Kyoto encontra o Pinterest". Ela e sua equipe — formada por Hanabi, Hinabi (outra prima que ninguém sabe de onde veio) e Sumire — prepararam uma mesa digna de uma foto viral: onigiris artesanais com recheios inusitados, bolinhos de arroz cobertos com pétalas de flores cristalizadas, mochi de lavanda, e chás importados de regiões que só podiam ser acessadas de barco e oração.
A tensão entre as duas era palpável. O centro da sala foi transformado em um corredor de votação, e cada colega recebeu uma fichinha rosa e outra lilás — sem saber qual cor representava quem.
— Então... é só comer e votar? — perguntou Choji, já com a boca cheia de onigiri.
— Mas mastiga antes de votar, né — respondeu Shikamaru, já cansado sem nem ter participado.
Sai, neutro como sempre, analisava cada item como se fosse uma obra de arte em preto e branco.
— Interessante. A textura desse mochi me lembra silêncio.
— O quê? — perguntou Naruto.
— Silêncio. Em forma de sobremesa.
Os votos foram depositados, e os números organizados por Konohamaru, que fingia não estar apavorado com o peso da responsabilidade. Ao fim da votação, os alunos se reuniram em volta do quadro de resultados. O colégio inteiro prendia a respiração.
— E... temos um empate — anunciou Konohamaru, com voz trêmula.
Hinata e Sakura olharam uma para a outra, depois para o quadro. A atmosfera congelou por um instante.
— Isso é uma piada, certo? — disse Sakura, dando um passo à frente. — Me diz que pelo menos foi um empate técnico, tipo, três décimos de diferença?
— Hã... não. Foi exato. Tipo... cinquenta a cinquenta. Literalmente.
Hinata cruzou os braços.
— É claro. Porque é impossível contar com o bom gosto de adolescentes hormonalmente instáveis.
— Concordo — disse Sakura. — E o pior é que colocam o Shino pra votar. Ele nem sente gosto.
— Eu uso meus conhecimentos científicos para compensar — respondeu Shino, ofendido.
No fim do dia, ambas estavam indignadas demais para encerrar o evento com dignidade. A guerra não podia terminar num empate. Elas se entreolharam uma última vez, e a mensagem foi clara. No dia seguinte, o jogo ia subir de nível.
E subiu.
Logo pela manhã, vans pretas com logotipos elegantes pararam em frente ao portão da escola. Sakura trouxe chef Arakawa, um homem magérrimo de terno cinza e luvas brancas, famoso por ter julgado pratos no reality “Corte Gourmet Japão”. Hinata contratou a renomada chef Morikawa, especialista em culinária afetiva ancestral e conhecida por ter feito um sushi tão emocional que um juiz chorou ao provar.
Os dois entraram pela escola como se estivessem entrando num templo. Atrás deles, suas assistentes carregavam instrumentos misteriosos, caixas térmicas e até um kit de análise de ingredientes com luz negra.
— Você está mesmo disposta a passar por isso só pra provar que sua sobremesa é superior? — perguntou Sakura, ajeitando os óculos de sol.
— Você contratou um homem que se recusa a comer comida com mais de 12 horas de vida útil — respondeu Hinata. — Não venha fingir moralidade agora.
— Ele tem o paladar de um deus.
— E eu tenho autocontrole suficiente pra não derramar chá na sua blusa. Por enquanto.
A sala dos professores foi convertida numa sala de julgamento. Cortinas fechadas. Silêncio total. Ninguém sabia o que estava sendo dito lá dentro, apenas que havia muito som de talheres sendo colocados com precisão sobre porcelana cara.
Enquanto isso, os alunos se amontoavam do lado de fora, apostando dinheiro, chiclete e favores escolares em quem sairia vitoriosa.
A porta se abriu.
Chef Arakawa saiu com a postura ereta. Chef Morikawa vinha atrás, mais serena.
— O veredito será entregue amanhã, por escrito — disse Arakawa. — E com justificativa técnica detalhada.
— Não aceitamos empates — completou Morikawa, firme. — E nem chantagem emocional disfarçada de decoração com flor.
Ambos os chefs se retiraram sem olhar para os alunos.
E mais uma vez, o colégio explodiu em teorias, apostas e ansiedade.
A carta chegou num envelope creme com selo dourado, perfumado com algo entre camomila cara e trauma emocional não tratado. Foi deixada sobre a mesa da diretora Tsunade e interceptada imediatamente por Ino, que a leu antes de qualquer autoridade escolar colocar as mãos.
O conteúdo era, no mínimo, teatral.
“Prezada direção e jovens participantes da competição gastronômica da classe 3-B,
É com profunda exaustão espiritual e desgaste das papilas gustativas que informamos nossa renúncia imediata à posição de jurados.
A intensidade emocional envolvida neste julgamento superou qualquer realidade previamente experienciada. A competição tornou-se um campo de batalha psicológico, onde o açúcar era doce demais, os olhares afiados demais e os gritos vindos de adolescentes com saldo bancário sem limites atingiram níveis tóxicos.
Fomos contratados para julgar comida, não para participar de uma guerra fria envernizada com calda de framboesa.
Partimos esta manhã para a Austrália. Lá, entre coalas, areia quente e pão de fermentação natural sem julgamento, encontraremos a paz.
Adeus.
— Chef Arakawa & Chef Morikawa.”
A carta caiu no chão. Sakura e Hinata ficaram imóveis por alguns segundos. O silêncio na sala foi cortado apenas por Hanabi rindo nervosamente.
— Hahah... isso é... isso é uma piada, né? Eles foram pra onde?
— Austrália — repetiu Ino, segurando o riso. — Pra “encontrar paz”.
— Mas e o resultado?! — gritou Sakura, arrancando os óculos de sol como se estivesse num dorama de tribunal. — Eles não... eles não deram nota nenhuma?
— Só um parágrafo dizendo que o prato da Sakura era “intoleravelmente arrogante” e o da Hinata “emocionalmente manipulativo”.
Hinata apertou os punhos.
— Que tipo de crítica é essa? Manipulativo por quê? Por ter usado pétalas de verdade?
— Você fez mochi em forma de bebê chorando — murmurou Sumire. — Foi meio intenso, sim.
Sakura chutou uma cadeira.
— Eles não podem simplesmente ir embora! Isso era importante! Isso era pra decidir nossa vida! Era...
Foi então que a diretora entrou, carregando uma prancheta e uma expressão de puro desdém. Atrás dela, Shizune com uma cara de “avisei”.
— Vocês duas — disse Tsunade, apontando —, estão fora da seleção.
— O quê? — perguntaram ao mesmo tempo.
— Do intercâmbio — repetiu, revirando os olhos. — Sim, aquele.
Sakura piscou, confusa.
— Mas... como assim “fora”? Ninguém foi melhor que a gente. A gente fez um evento inteiro, teve jurado profissional, o Shino comeu.
— Shino não comeu. Ele cheirou.
— Ok, ele cheirou.
Hinata engoliu seco.
— Nós somos as favoritas. Os professores nos apoiam, o coordenador de idiomas me chamou de "delicada e expressiva".
— Sim — disse Tsunade —, mas vocês esqueceram de se inscrever.
A frase caiu como um meteoro silencioso.
— O quê?
— A inscrição era online. Simples. Nome completo, número de matrícula, uma carta de motivação. Não recebemos nada de nenhuma de vocês. Nem uma vírgula.
— Mas... mas a Ino... — disse Sakura, virando-se para a amiga.
— Eu tava ocupada com a logística! — respondeu Ino, se defendendo. — Você mandou a carta de motivação pra mim, não pro site!
— E você, Hinata? — perguntou Hanabi. — Você disse que ia escrever a sua ouvindo lo-fi com chuva em Kyoto.
Hinata estava pálida.
— Eu... eu passei três dias ensaiando como eu dobraria a carta de forma estética como se ela fosse física. Esqueci de... anexar.
Shikamaru, que observava tudo encostado na parede, deu de ombros.
— Que problemático. Vocês basicamente organizaram um reality show inteiro, contrataram dois chefs internacionais, transformaram o refeitório num campo de batalha gourmet... e esqueceram a parte de se inscrever?
— Eu sabia que tinha algo errado — comentou Naruto. — Tava tudo bonito demais pra ser funcional.
Sakura e Hinata ficaram paradas no meio da sala, enquanto a notícia ecoava em seus cérebros como o som de uma colher batendo no fundo de uma taça vazia. Nada. Ninguém ia para o intercâmbio. Nenhuma das duas. Tudo aquilo... por absolutamente nada.
— Isso é o pior dia da minha vida — murmurou Sakura, sentando no chão.
— Eu deveria estar lá, comendo macaron, discutindo existencialismo com garçons — sussurrou Hinata, encarando o nada.
— Vocês ainda têm aula de matemática agora, né? — disse Shizune. — Levantem. Tragédia ou não, o boletim chega.
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