Rivach Academy - Interativa
5 três
Rivach não era uma escola exclusiva para os caçadores. Para conseguir manter seu programa... Oculto¸ atuava como uma escola preparatória de elite: Academia Rivach Para Jovens Excepcionais. O ‘excepcionais’ poderia ser facilmente entendido como ‘podres de ricos’. A escola ainda recebia um pequeno financiamento do governo para mantes os caçadores, já que eles geralmente são crianças sem teto e sem família, logo precisam de um lugar pra viver, água, comida e lógico, instrução.
O resto da organização é formada por alunos que se destacaram dentro da academia de alguma forma e são indicados para a inteligência, que também atua dentro da escola. A escola era realmente reconhecida, não apenas na cidade, como no país também, pelo seu alto índice de aprovações em universidades de prestígio pelo mundo e também pelas suas histórias de alunos que viraram grandes líderes.
— Você saiu agasalhada? — Indagou Pietro, pelo fone que mantinha no ouvido.
— Óbvio que sim. Tá fazendo frio.
— Não sei como aguenta andar por esse frio com essa saia minúscula. Eu to de calça e to sentindo frio.
— Então é porque não se agasalhou direito.
Uma das regras minuciosas que todos os alunos deveriam seguir a dedo era a utilização do uniforme sem faltar nenhuma peça; Jackie acreditava que isso se devia ao fato de que o uniforme completo era realmente caro. Ela, em sua condição normal, nunca conseguiria realmente comprar um uniforme tão caro; lembra até de uma vez que passou em frente a alfaiataria que costurava o uniforme – era o único lugar na cidade que vendia o uniforme -, e só o de inverno, completo, custava, aproximadamente, 380 libras. Fora sapato e acessórios, como sapatos e meias. Era realmente um investimento alto... Que muitas pessoas pagavam.
— Onde você está agora? Precisamos estar no bosque logo.
— Eu vim buscar meu casaco na lavanderia.
— Por que não lava na escola? Lá tem uma lavanderia ótima.
— Por que as idiotas do segundo ano tiraram a semana pra encher meu saco e segundo o Professor Judas, ‘eu não devo me exaltar na presença de mentes menores blá blá blá’ — Ela fez uma voz fina e debochada, que arrancou uma risadinha do Pietro, do outro lado da linha. — E que não devemos criar confusão com nossos colegas, porque frequentamos a mesma escola. Fora que se eu fizer alguma coisa dentro da escola contra elas, ele me suspende pela vida inteira. Mas eu juro, qualquer dia eu abro um buraco no chão e mando ela direto pro inferno.
— Vai mandar ela direto pro papai, é? — Zombou Pietro.
— É, quem sabe ele faça alguma coisa legal por mim dessa vez.
As pessoas passavam na rua e a olhavam, porque o equipamento ficava no ouvido e nada mais. Dava a impressão de que ela falava sozinha, mas por ela tudo bem, não era como se ela se importasse, desde que não a importunassem, como as idiotas do segundo ano, que implicavam com ela porque ela era baixinha demais e tinha dificuldades em entender matérias fáceis.
— Boa tarde, sra. Lin.
— Seu casaco estava rasgado, meu bem. Mas eu já dei um jeitinho nele, o outono este ano vai ficar mais frio ainda. Eu vi na televisão ontem.
— Obrigada, sra. Lin —Jackie forçou um sorriso, tentando parecer o mais simpática possível.
— Não precisa pagar a costura, querida.
— Não, sra. Lin, claro que precisa — Jackie nem precisava insistir duas vezes, ela logo aceitava.
Jackie pagou a senhora e deixou a lavanderia. O relógio no pulso mostrava 17:14, ela precisava voltar o mais rápido possível. A patrulha da noite anterior no bosque basicamente havia sido uma perca de tempo, porque não havia sinal nenhum dos garotos.
Andando pela avenida, Jackie acaba observando um grupo de seis garotos andando logo a frente.
— Os Denvers estão bem a minha frente.
— Os cretinos safados que gostam de encher o saco das gurias da Rivach?
— Não exatamente eles, mas alguns deles. O Dave também tá entre eles.
Cinco e vinte da tarde, mas se eles estavam juntos por ali, significavam que eles poderiam causar problema a qualquer momento. Os Denvers eram como os alunos da Denver Prep eram chamados; a escola preparatória Denver era um tipo de rival da Rivach, mas que oficialmente, da sua parte, nunca reconheceu tal rivalidade. A verdade era que os alunos da Denver eram geralmente valentões, alunos problemáticos expulsos de outras escolas – inclusive da Rivach – e outras barras pesadas. Nenhum dos caçadores se envolvia com eles porque era proibido pelo Mestre Professor, porque, caso se envolvam em um combate direto, o próprio Mestre não os impediria, podendo me— São as gurias insuportáveis do segundo ano, elas estão andando no outro lado da rua.
— Ah, então esquece elas. Vai direto pra Grayville, de lá descemos pro Abbeyford.
— Eu vou direto pra Abbeyford, não vamos passar pelo bosque de novo.
— Como quiser.
Jackie nada mais respondeu, apenas continuou olhando para os Denvers a sua frente. Ela andava um tanto devagar, se eles olhassem pra trás e percebessem sua presença, provavelmente iriam provocá-la. As meninas do segundo ano atravessaram mais a frente e não perceberam os caras da Denver vindo. A sorte delas era que não usavam o blazer da escola, usavam apenas a saia quadriculada com a camisa branca, fora os enormes casacos que usavam.
— Vadias desgraçadas.
x.x.x.x.x
Bella havia encontrado um rastro do Carniceiro assim que passaram em Grayville. O cheiro era inconfundível. O problema mesmo seria encontrá-lo, porque, aparentemente, ele conseguia se misturar na multidão, como se fosse um humano. Ninguém sabia de fato como era sua aparência, porque corria um boato nas profundezas de que ele trocava de forma e rosto como se trocasse de roupa. Bellatrix acreditava que ele podia manipular mentes para que as pessoas fizessem exatamente o que ele queria, mas não sabia exatamente dizer o que ele era, se era um demônio ou qualquer outra coisa, mas de algo ela estava convicta: não era humano.
— Ele pode estar pelo bosque.
— Não acho que esteja, — respondeu Adrian — se ele pode se misturar, pode estar na cidade. No meio de tanta gente.
— Pra falar a verdade, esta missão é inútil. Ninguém sabe a verdadeira forma dele, ou como ele esta agora. Pode ser uma criança de dez anos ou um velho de noventa.
— Você sabe porque o Mestre Professor me mandou nesta missão com você?
— Porque Jackie seria incapaz de realizá-la.
Adrian observava as casas e indicava para a região da entrada do bosque, por onde os garotos provavelmente fugiram – e por onde o Carniceiro provavelmente os seguiria.
— Não, Bella, não responde algo assim, ainda mais pra um professor, você teve aulas de estratégia e é muito mais inteligente do que a maioria desses garotos.
Bella bufou. Treinava todos os dias cedo da manhã, geralmente sozinha, treinava durante as aulas práticas a tarde, treinava a noite, depois das patrulhas, quando tinha. Sim, ela sabia muito bem do que era capaz e da inteligência que tinha, o problema era que as vezes ela não se conformava de não ser... A número um. Sofreu durante toda a sua vida, perdeu seu pai, duas mães preciosas, sua melhor amiga. Foi acusada de assassinato. Aqueles demônios quem a mataram, eles sim mereciam ser atormentados.
Após o incidente com a freira que havia cuidado dela desde criança, Bella passou por situações que nenhum ser humano deveria ter passado. Tudo em questão de dias, foi de uma garota cheia de sentimentos, mesmo que confusos e ruins, para uma casca vazia de alma, mas cheia de poderes prontos para explodirem. Exatamente como Alford estava naquele momento, vagando sozinho.
— Pequeno Caos, eu sei bem o que se passa na sua cabeça.
— Eu sei que ele mandou nós dois por causa dos poderes. Manipulação e... Eu. Só espero que Jackie e Pietro o encontrem antes do despertar.
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