Rivach Academy - Interativa
6 Quatro
Notas iniciais
Andar pelas ruas de Cardiff não era problema nenhum, mesmo sendo procurado pela polícia. Jason não sabia exatamente como, mas sabia que a pessoa que matou seus pais estava atrás dele, caso ele fosse com os policiais, seria fácil demais encontrá-los, por isso resolveu fugir com o irmão, mas Alford havia desaparecido na mesma noite. Sem saber o que fazer, precisava primeiramente sobreviver nas ruas. Já haviam passado quatro dias desde o assassinato de seus pais, ele nunca havia cozinhado nada, ou vivido sem dinheiro. Seus pais sempre deram tudo pra ele, então precisaria aprender a se virar o mais depressa possível.
Ainda mais nas ruas.
Por isso, quando viu uma senhorinha andando pra certa linha do metro, já tarde da noite, ele não pensou duas vezes: respirou fundo, pediu desculpas a Deus e foi em direção a velha. Não fora nada difícil: ele apenas pegou sua bolsa, correu, vasculhou por dinheiro e jogou a bolsa fora: achou um total de vinte e quatro libras. Dava pra comer.
E foi o que fizera, entrou num mercadinho qualquer e depois seguiu para St. Fagans, onde ele sabia que havia uma casa vazia, porque seu pai vendia casas. E foi pra lá que ele seguiu.
O subúrbio de St. Fagans era relativamente pequeno, e rodeado por uma área de vegetação aberta, nada denso o suficiente pra alguém se perder, mas comparado a outras partes da cidade, um ótimo lugar pra se esconder da polícia. Na casa vazia, ele achou papelões, plásticos e um canto pra dormir aquela noite; em pouco tempo, ele já estava em sono profundo.
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Do outro lado da cidade, Jackie andava com Pietro. De prédio em prédio, ele observava as ruas do alto, enquanto Jackie caminhava pelas ruas; ela procurava um certo alguém... Ou algo.
A fama de Jackie não era conhecida apenas dentro da Academia, pelo contrário. Desde que fora encontrada com quatro anos, diversos poderes foram se manifestando ao longo dos anos e isso se devia a fato dela ser filha de um demônio específico. Embora tal história corresse apenas como um mito, muitos acreditam nisso; a outra parcela que acreditava que tudo não passava apenas de história pra criança permanecia em suas opiniões porque acreditavam que o filho do Diabo viria apenas para destruir o mundo, e o próprio Diabo não queria isso.
Mito ou não, os poderes da garota eram estupendos. Jackie controlava as sombras: o controle que tinha sobre elas a fazia criar seres de matéria escura – como era chamado, ou simplesmente sombras, como Jackie chamava –, que faziam tudo o que a garota mandava. Ela também poderia entrar na mente das pessoas e fazer seus pesadelos se tornarem reais, além de criar portais pra sabe-se lá qual dimensão. Ninguém sabia que dimensão seria essa, boatos corriam de que era o próprio Inferno.
Mas os poderes de Jackie sempre foram fortes demais pra que ela pudesse controlar de tão nova, por isso, Judas havia criado um colar especialmente para ela, de forma que todos os seus poderes fossem contidos e ela pudesse usá-los de forma reduzida, como os portais que criava: Jackie aprendeu a usar seus portais para se transportar em pequenas distâncias. As poucas sombras que ela conseguia criar serviam apenas para defesa e nunca ataque, por isso, ela treinava diariamente combate direto para que não viesse a depender de seus poderes.
— Nada dele?
— Acabei de achar. Ele ta entrando em um beco, a sua direita. Dois prédios a frente, sete a esquerda. Fica bem de frente, eu to indo direto pra lá.
Jackie atravessou a avenida e entrou em um beco escuro, criou um portal e apareceu em seguida na frente de um homem que aparentava ter 30 anos ou mais, que olhou assustado em resposta.
— Se você fugir, eu te mando lá pra baixo.
— Vai se ferrar, você disse a mesma coisa da ultima vez.
— Então isso significa que você vai me responder de qualquer forma — Jackie levantou as mãos e as já conhecidas faíscas e raios negros apareceram, a fumaça dando a forma da pistola tão temida. — Qual é, Macato. Me ajuda dessa vez, daí eu prometo que não desintegro você.
O homem correu. Atravessou a avenida e entrou em outro beco, duas ruas a frente. Jackie atualizava sua localização para Pietro enquanto perseguia Macato. As estavam quase vazias, mas ainda havia gente suficiente pra se machucar caso entrasse em combate direto: Macato era fraco, mas rapidinho poderia conjurar seus amigos.
Quando entrou no beco, Jackie agradeceu pela estupidez do seu oponente ser maior, quanto mais ele adentrava o subúrbio, mais vazio ficava, então ela logo agiu: criou dois portais, um a sua frente e um a frente de Macato, enquanto ela pulava, Macato caia dentro do buraco. Dois quatro prédios a frente, no alto, mais dois portais de abriram e Jackie pousou em cima de Macato, criando um impacto que rachou o chão do prédio.
— Eu avisei, Macato — ela fez um sinal na cruz invertido na sua teste e disse: — Saedng ley.
Em segundos, a pele do homem começou a rasgar enquanto ele urrava de dor, seus olhos espocaram e de seus ouvidos saíram uma gosma preta sangrenta, seu corpo se contorceu e seus ossos quebraram, mas Macato ainda se levantava, como se lutasse contra aquilo. Em segundos, sua aparência mudara completamente: ele diminuiu de tamanho, como se parecesse uma criança de cinco anos, seus chifres quebrados apareceram, sua barriga gorda e sangrenta aparecera, até mesmo suas assas rasgadas deram o ar de sua graça. Os olhos negros deles esbanjavam raiva para a morena. Ele tentou correr e levantar vôo, mas Jackie pisara em seu rabo.
— Diz pra mim, Macato. Cadê os Preston?
— Como eu vou saber, sua maluca? Por que não liga pro seu pai? — Jackie o chutou com tamanha raiva.
— Coopera comigo, antes que eu te mande de volta — a pistola apareceu novamente. — Os Preston. Você tem três segundos. Um...
Macato tenta gritar coma voz grunhida e desesperada, puxando o rabo em vão.
— Dois.
Em um susto, uma flecha cortou o ar e posou milímetros de distância de Macato, que gritou em desespero.
— Três.
— Ele tá em St. Fagan! O Preston foi pra St. Fagan. Ele tá procurando o irmão dele, ele tá vagando por aí e tá todo mundo tentando pegar o corpo dele antes do despertar! O Carniceiro tá lá e vai matar os dois!
Lentamente, Jackie se afastou, ainda analisando todas as informações. As coisas iriam ficar bem piores em muito pouco tempo; ela levantou e foi caminhando na direção oposta a Macato.
— Central 5R, canal 3.
— 5R3, Mo.
— Mo, me conecta com a Bella agora.
Nesse meio tempo, Macato tentava levantar voo e quando estava a metros do chão, uma nova flecha apareceu, o acertando em cheio no meio do seu pequeno corpo, o que o fez cair rapidamente e antes mesmo de tocar no solo, tanto a flecha quando Macato haviam desaparecido.
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Seu irmão pertence a mim, Jason...
Um arrepio correu a espinha de Jason Preston, misturado com um medo arrebatador. Ele acordou em um instante, assustado, a voz correu seus ouvidos de forma que arranhou, uma voz arrastada, rouca e... Presente.
— Pra quem teve a vida destruída completamente nos últimos quatro dias, você tá dormindo muito bem. Nem parece preocupado com seu irmão.
Havia um garoto da altura de Jason em frente a enorme janela daquele andar, ele olhava para algum ponto distante do lado de fora, segundos depois, ele voltou seu olhar para Jason, que sentiu que já havia visto aqueles mesmos olhos. Assustado demais, Jason deu um pulo de cima do papelão onde dormia.
— Quem é você?
O garoto virou finalmente, encarando Jason de frente, e o maior percebeu que o rapaz a sua frente aparentava ter apenas doze ou treze anos, e estava menor quando comparado a segundos atrás. Sua mente estava pregando peças agora.
— Eu sou o Carniceiro. Mas onde eu trabalho, me chamam de Zachary — ele sorriu, ainda encostado na janela. — Eu só vim deixar as coisas claras porque eu odeio que façam as coisas em meu nome, porque meu trabalho sujo eu faço com minhas próprias mãos.
— Do que você está falando? Você não pode ser o Carniceiro.
— Eu não preciso provar nada pra ninguém, muito menos pra um caçadorzinho medíocre. Eu só vim retirar o meu nome do massacrezinho que fizeram da sua família. Presta bem atenção, Jason Preston. Duas pessoas vão vir atrás de você. Foram eles que mataram seus pais e transformaram você e seu irmão nessa coisa bizarra — Zachary fora andando lentamente até Jason, que recuava igualmente a cada passo. — Se eu fosse você, aceitava calado e depois me vingava com minhas próprias mãos.
Suas últimas palavras saíram quase como um suspiro, que correu até Jason e até criou um vento frio no seu pescoço. Ele engoliu em seco com aquela aproximação, porque agora o que antes parecia apenas uma criança, se transformou em um garoto um pouco mais velho, de cabelos ondulados, olhos verdes penetrantes e também apareciam covinhas com aquele sorriso de canto provocador.
Quem de fato era aquele garoto?
— Agora corre porque os demônios estão vindo atrás de você.
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