Rivach Academy - Interativa
7 Cinco
— Bella, St. Fagans. O Carniceiro tá indo pra lá, se já não estiver lá. Os Prestons também estão lá, mas eu to com um pressentimento ruim sobre o Alford.
— Chegamos lá em cinco.
Adrian e Bella estavam no centro de Cardiff, há vinte minutos de St. Fagans. Pietro e Jackie tinham a vantagem dos portais de Jackie, mas Bella tinha um belo motor que carregava sempre que precisava sair em missões específicas, como essa. Ninguém pilotava sua moto, e a ultima pessoa que havia tocado nela sem sua permissão havia parado no hospital.
Antes mesmo de chegarem ao local, um gigantesco feixe de luz surgiu no céu, faltando um quilometro para chegarem em St. Fagans. Bella parou a moto no meio da avenida e Adrian desceu, correndo na frente.
— São Estorvos!
A casa estava rodeada de estorvos em corpos apodrecidos. Era um tipo de magia de invocação difícil de ser feita por humanos, e geralmente eram feitas por demônios poderosos. No telhado da casa, uma figura estava sentada, observando toda a situação.
— Estava esperando vocês chegarem. Eu achava que todo o show seria visto apenas por mim — gritou Zachary, em forma de um garoto de dez anos.
— Você não vai descer aqui e me mostrar do que é capaz?
— Essa batalha não é minha. Sou apenas um espectador.
— Besteira. Se está aqui, seu interesse no Preston é gigantesco.
— Antes de se preocupar comigo, preocupe-se com os oponentes que estão caminhando até você.
Incontáveis estorvos e demônios caminhavam em sua direção. Raios alaranjados começaram a se formar ao redor da mão de Adrian, assim como rosados tomaram conta das mãos de Bella. Em segundos, Adrian estava com seu Bastão pronto para batalha: seu alvo era o Carniceiro. Bella tomava conta de alguns Estorvos e demônios, o que era um saco. Eram demônios de Classe F, fáceis de derrotar com sopros, mas sempre vinham aos montes, assim como formigas e boletos. Com seus Leques de Guerra, ela rapidamente dizimava vários em um púnico golpe; até mesmo os ventos que criava eram cortantes, graças as navalhas.
Adrian desviava dos demônios com golpes básicos e desintegrava outros com o bastão: as Armas Ancestrais tinham o poder de mandar de volta para o Inferno demônios de pequeno porte, como os de Classe F que estavam ali.
De repente, o feixe de luz que saia da casa ficou maior, distraindo ainda mais os dois únicos caçadores ali.
x.x.x.x.x
Pietro e Jackie haviam acabado de chegar no Museu Nacional de St. Fagans. Do alto de uma das torres, Jackie observava preocupada pela luz que saía da casa ao longe, já próximo ao clube de Cricket.
— Pietro... — O desespero na voz dela era mais que perceptível. — Ele despertou... O Preston despertou.
Entretanto, Pietro não entendeu. Sem a visão, seus outros sentidos eram milhares de vezes apurados, ele não era só um mero humano boas habilidades que por acaso o transformaram em um caçador especial.
— O que? Só se for minha dor de barriga de despertou. Se tem algum Preston ali, ele tá em sono profundo, porque não tá vindo nenhuma energia estranha dali.
Jackie se virou para Pietro, que olhava sem rumo. O branco nos seus dois olhos era perceptível até no escuro, a pequena faixa que usava no rosto quando entrava em batalha estava amarrada no pulso esquerdo.
— O que? Como assim? Eu to vendo um feixe de luz gigantesco subindo no céu nesse instante. Tem centenas de demônios ali embaixo lutando com Oliver e Bellatrix.
Pietro gofou uma risada, como se Jackie tivesse pago o mico do século.
— Eu vou matar você agora mesmo se não parar de rir explicar o que você tá vendo.
— Claramente sua piada não funcionou no momento porquê o que você está vendo não é real. Tem três pessoas de pé naquela casa. Duas delas são Bella e Adrian, que provavelmente estão brincando de lutar com o ar, enquanto outra pessoa tá sentado rindo da estupidez deles. E meu chute, minha querida, é de que é o Carniceiro.
O que?
— O que?
— Mas Jackie... Eu acho que só tem um Preston na casa. E eu to com um leve palpite de onde possa estar o mais novo. O despertar dele deve acontecer ainda hoje, eu to com um pressentimento bem...
De repente, Pietro colocou a mão no peito, apertando o peito com força, caindo de joelhos. Aquilo o desequilibrou, fazendo o garoto cair do alto da torre. A queda não o mataria, muito menos causaria algum efeito grave nele, mesmo assim, Jackie fez algo. Ela se jogou da torre, atravessou um de seus portais para chegar no chão antes dele, e então abriu os braços, segurando Pietro. Cuidadosamente, ela o colocou no chão; a respiração de Pietro estava pesada e ele se contorcia, sentia dores fortes no ouvido, sentindo milhares de vozes perfurantes penetrando sua cabeça, depois viu o pequeno Alford, parado em um único ponto de luz, rodeando por imensa escuridão. Alford olhava fixo para Pietro, sem falar absolutamente nada. De repente, o garoto desviou o olhar para seu ombro no instante em que uma mão demoníaca o tocava.
Ronove.
Jackie observava o garoto e estava prestes a se deixar levar em desespero, sacudindo Pietro, praticamente gritando seu nome; de repente, ele acordou, puxando todo o ar que parecia ter perdido. Ele respirava com alguma dificuldade, segurando em Jackie porque ainda não conseguia de fato de manter em pé.
— Calma, tá tudo bem. Respira devagar.
— Jackie, Pietro. Mo no canal. Alexia tá a caminho com Devon e Artie. Eles devem chegar logo.
— Me conecta com eles agora — disse Pietro para Mo, ainda com alguma dificuldade.
— Pietro, respira.
— Não temos tempo. Mo! Rápido! — Ele praticamente gritava. — MO!
— Conectado!
— Não venham pra St. Fagans, é uma armadilha. Alford Preston está prestes a despertar, a casa está rodeada de demônios. Diz pro Artie subir uma montanha de pedras até a gente chegar. Não deixem nenhum demônio chegar perto dele. Agora, Jackie. Bella e Adrian podem estar incomunicáveis, você tem que ir até lá tirar eles. Eu vou distrair o Carniceiro. Tirem o Jason de lá e depois vão pra Grayville.
— Vamos demorar quase uma hora pra chegar lá.
— Não — mais uma vez ele urrou por causa da dor, ainda respirava com dificuldade, mas nada o impediu de colocar a mão na gola da camisa de Jackie e puxar um colar. — Você pode criar um portal até lá.
— Devolve!
— Só se prometer que vai tentar. Ou os dois vão morrer. Jackie, é o Ronove. Se esse marquês filho da puta pegar o corpo do Al, sabe-se lá o que ele pode fazer. Ainda mais com o anel. Você precisa fazer isso.
Jackie simplesmente não queria fazer isso, tirando o colar, seu pode começaria a se liberar aos poucos, até ficar forte o suficiente pra perder completamente o controle. Pietro devolveu o colar para Jackie, fazendo-a prometer de que iria tentar de verdade.
Jackie o colocou na torre novamente, onde ele poderia chamar a atenção do Carniceiro e então Jackie seguiu seu caminho. Ela se jogou do prédio, caindo em direção a um portal, segundos depois, em cima da casa abandonada, um novo portal se abriu, de onde Jackie começou a cair na direção do Carniceiro.
Ele foi pego de surpresa. Olhou pra cima assustado, até mesmo o sorriso dele desapareceu, Jackie pode até mesmo entender que ele havia proferido um “Porra” silencioso. Centímetros antes do coturno de Jackie tocar o rosto de Zachary, ela criou mais um portal e apareceu novamente ao lado de Bella e Adrian, que também haviam se assustado quando ela apareceu gritando segundos antes.
— Demorou, onde estão os outros?
— St. Fagans é uma armadilha, eles estão indo direto pra Grayville. Prestem atenção, esses demônios que estão aqui não são reais, eles estão só na sua cabeça.
— Do que você está falando?
— Ele tá colocando essas imagens na cabeça de vocês — Jackie apontou para o garoto no telhado no exato momento em que ele fora atacado por uma das flechas de Pietro. A flecha acertou seu ombro esquerdo em cheio e no mesmo instante todos os demônios e estorvos desapareceram. Jackie os colocou então dentro da casa, no segundo andar, onde Jason estava em sono profundo em um canto de um quarto qualquer. Zachary voltou para dentro da casa, ele havia sido completamente enganado e sangrando. Se Pietro havia errado a mira ou não, ele não tinha ideia.
Na torre, Jackie buscou Pietro, que ainda estava fadigado, ainda com a respiração pesada, mas aparentemente menos perturbado.
— Você consegue — disse Pietro, segurando o colar na sua mão.
— Ei, ei, ei, ei, o que pensa que tá fazendo?
Adrian retirou o colar de Pietro e tentou colocar no pescoço de Jackie novamente, mas ela não deixou.
— Eu preciso levar a gente pra Grayville. É muito longe, com o colar eu não posso. Sem ele... Precisamos chegar o mais rápido possível.
Ela fechou os olhos e se concentrou. De repente, pareceu um pouco difícil. Talvez fosse pela distância, ou porque ela começava a sentir uma energia muito grande e seu desespero começava a tomar conta. De repente, um gigantesco buraco surgiu diante de seus pés e os quatro caíram.
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