4 Anos antes:

— Helena! Helena! Helena! Helena! – Gritava a multidão

Mesmo não sentindo mais os meus pés enquanto corro, as vozes gritando meu nome são o elixir que eu preciso para ter forças e continuar a maratona. Porém enquanto me concentro em ultrapassar a garota que está a poucos metros de mim, uma voz que eu conheço muito bem e que eu gostaria de apertar o botão mudo caso eu estivesse em casa vendo tv, não para de gritar, tirando meu foco da corrida.

— Pare! Pare agora mesmo Helena! – grita minha treinadora tentando me acompanhar.

Então involuntariamente minhas pernas param e meu corpo despenca no chão e a única coisa que eu consigo ouvir além minha respiração ofegante, é a música que eu sempre cantava enquanto treinava para as maratonas; dalí em diante eu apaguei e recobrei meus sentidos na manhã seguinte em casa. Rapidamente me arrumei e fui para o ginasio treinar para a próxima maratona, afinal não queria que a cena de ontem se repetisse.

Ao chegar lá não vi a treinadora em lugar algum e agradeci silenciosamente a Deus ela não estar lá, pois sabia que levaria uma bronca daquelas. Vendo minhas companheiras dando voltas no campo de corrida, eu apenas as acompanhei sorrindo e cantando minha música favorita. Enquanto corro distraída, a treinadora se aproximou jogando sobre mim a mala que eu usava para levar minhas coisas quando tínhamos corridas em outra cidade. Eu parei de correr e a encarei segurando o choro pois sabia o que aquela atitude da treinadora significava.

— Você não ouviu ontem quando eu mandei que esvaziasse seu armário? – perguntou ela seriamente – Por que você continua a ignorar as pessoas assim?

— Trei-treinadora... – comecei a falar.

— Agora vá, se não quiser ser constrangida na frente das suas juniores. – disse ela.

— Eu.. Eu sei que eu estou em falta. É por isso que eu vou trabalhar ainda mais. Você disse que não há nenhuma falha, quando se trabalha duro. Então eu vou dar tudo de mim, eu prometo. – Eu estava desesperada.

— Não tente. NÃO DÊ TUDO DE SI! – gritou ela – Você... Você ainda não sabe qual é o seu problema?? – perguntou ela que parecia que estava mais triste do que chateada — O seu problema é que você não sabe como parar quando você precisa. Pessoas como você não deve correr uma maratona. Para desistir também é preciso coragem. Pare de ser um incômodo para os outros, e... cai fora. – ela não me olhou nos olhos ao dizer isso e saiu do ginasio.

Naquele momento eu senti que todos os planos que eu tinha feito para minha vida estavam indo por água a baixo. Respirei fundo, peguei a mala que estava no chão e deixei o campo em direção aos armários. Eu não culpava a treinadora Suh por ter que tomar aquela decisão pois eu me conhecia melhor que qualquer um e quando eu começo algo, eu vou até o fim sem me importar se aquilo irá me machucar ou não, eu tenho que terminar.

Esvaziei o meu armário e com os olhos prestes a derramar lágrimas, olhei aquele lugar que me acolheu desde a morte da minha mãe, pela ultima vez.