Risk.
17 Capítulo XIV – Algo sobre a dor.
Casa de Capricórnio – Santuário, Grécia. 00h45, Sábado.
Shura estava sentado em uma banqueta diante da janela, apoiava o corpo no balcão do pequeno bar que mantinha em casa. Um copo semivazio de vodka com menta pendia entre seus dedos. O capricorniano ainda estava sóbrio, talvez devesse beber mais um pouco, mas estava com preguiça de levantar-se para preparar mais. O céu estava belíssimo, uma brisa gostosa atravessava a janela aberta. Poderia ficar observando o céu até amanhecer, que, com certeza, seria maravilhoso.
Estava pensando em Aioros, como de costume. Aquele encontro horas atrás havia sido a gota d’água. Com certeza, o grego deveria estar muito irritado com aquela atitude imbecil de Shura, mas o que o espanhol poderia fazer? Se chegasse perto do grego, iria dizer tudo o que sentia de uma vez só, ou então ficaria desculpando-se pelo que fez anos atrás, ou até pior; não faria nada. E como um Cavaleiro de Athena, realmente não deveria fazê-lo, deveria manter a compostura e esquecer aqueles sentimentos tolos; culpa, amor. Mas, acima de tudo, deveria parar de fugir.
Lembrou-se de que havia deixado o nome de Aioros escapar na frente de Shiryu, o chinês ficara perturbado, mas Shura considerava impossível o motivo ser o sagitariano. Sorriu ao lembrar-se do Cavaleiro de Dragão, ele era muito jovem, cheio de vida e entusiasmo, mas também era muito calmo e inteligente. Até conseguia lembrar-se de quando tinha a mesma idade. Lembrar-se de como era naquela época; era lembrar-se de Aioros novamente. A admiração que sentia por ele, que aos poucos transformou-se numa paixão inevitável e, de certo modo, terrível.
Um barulho veio de sua porta, provavelmente alguma de suas criadas não a fechara direito depois de sair, e agora o vento deveria tê-la aberto. Precisava advertê-las para que não deixassem isso se repetir. Tomou coragem e o último gole de vodka e levantou-se, sentindo-se, de repente, tonto. Ah, o efeito do álcool... Foi quando a porta bateu com força. Seria novamente o vento? Ouvira mais algum barulho, e não tinha certeza se estava bêbado demais ou se realmente havia algo de errado. Ignoraria aquilo, precisava deitar-se. Era o melhor a fazer. Dormir, esquecer aquele dia, parar de pensar nas soluções para os problemas que ele mesmo havia criado e que talvez nem existissem.
Foi quando começou a andar que as luzes da sala acenderam. E mesmo no estado em que se encontrava, se houvesse um invasor, iria atacá-lo sem piedade. Virou-se rapidamente a fim de ver quem era, já se preparando para um golpe.
– V-você...? – A sua postura de ataque se desfez. Shura recuou, como se não pudesse enfrentar aquele inimigo.
O Cavaleiro de Sagitário permaneceu parado, encarando o outro homem de maneira estranha. Os olhos azuis tinham um brilho diferente; era algo insano, irado. O rosto dele pendeu para o lado, ele entreabriu os lábios como se fosse dizer algo, mas não o fez.
– A-aioros, e-eu... – Queria lhe dizer algo, mas não sabia como. Como desculpar-se pelo que havia feito no passado, como apagar tudo e voltar a ser um companheiro para o sagitariano. Como justificar o fato, de que mesmo eles estando vivos novamente, Shura continuava a agir como se o sagitariano ainda estivesse morto.
O barulho do vento, sibilando, sussurrando alguma coisa em uma língua desconhecida. Ainda com os olhos fixados no capricorniano, Aioros deu alguns passos em sua direção. Foi muito devagar, ou rápido demais? Shura não saberia dizer. Mas ele estava ali, a sua frente, segurando em seu queixo, erguendo um pouco seu rosto, de forma que pudesse vê-lo perfeitamente. Aproximou-se ainda mais, sentindo o aroma do álcool vindo do mais novo.
– Você está bêbado. – Soara como uma pergunta, mas ele estava afirmando, não precisa de confirmação. A voz era baixa, um tanto rouca e bastante rude.
Shura o encarou também. – Você não tem nada a ver com isso... – Retrucou meio inseguro.
Palavras imbecis que fizeram o sangue de Aioros ferver. Alguns segundos bastaram para ele erguer o punho e acertar a face do capricorniano em cheio. Shura caiu no chão, levou a mão ao rosto, lançando um olhar espantado para o sagitariano. Tentou recuar, mas o grego segurou em sua camisa, erguendo-o novamente. Os primeiros botões escaparam das casas, deixando o peitoral do espanhol à mostra.
– Eu não tenho nada a ver com isso...? – Perguntou, como se a resposta fosse mais que óbvia. Cerrou ainda mais o punho, abaixando um pouco a cabeça, como se a pele a mostra o atraísse feito um ímã. – Você se torna um alcoólatra e eu não tenho nada a ver com isso?
– D-do que você está falando? – Perguntou, não era possível que o sagitariano soubesse o que ele andou fazendo durante aqueles quatro meses de volta à vida. Quanta vergonha. Segurou em seus pulsos, tentando afastá-los. – S-solte-me...
– Não.
Shura sentiu os lábios do mais velho em seu peito, o sagitariano subiu com beijos pelo seu pescoço, parou perto de seus lábios, lambeu o sangue que ainda escorria por causa do soco que acabara de dar. Beijou-o então, de um modo tão lento quanto agressivo. O capricorniano largou os pulsos do mais velho, deixando que ele retirasse a sua camisa. Aioros se afastou, fitou-o alguns instantes em silêncio, analisando-o. Shura baixara o olhar, o rosto estava levemente ruborizado, estava tenso. Era como se não esperasse aquele beijo, ou como se temesse o que estava para acontecer.
– A-aioros, n-nós não-
Foi interrompido pelo mais velho, ele pegara em seu braço e praticamente o arrastara até o quarto, atirando-o na cama então. Shura rapidamente se virou, iria se levantar e correr para algum lugar, mas Aioros o segurou, jogando-o novamente em cima da cama. Assustado, o capricorniano ficou quieto, imóvel. Tremia de medo. Com certeza tinha condição e força suficiente para enfrentar o Cavaleiro de Sagitário, mas faltava-lhe coragem para fazê-lo.
– Você fica aí, lamentando-se pelo que aconteceu! – Gritou, enquanto tirava a jaqueta que vestia. – Mas você é um leal Cavaleiro de Athena, mataria seu amigo, seu companheiro em nome dela. – Então tirou a camiseta. – Eu não esperava que você fizesse diferente, mas mesmo assim não queria que tivesse sido daquele jeito. – Com um pé retirou o sapato do outro e vice-versa. Desabotoou as calças e abaixou-as junto da boxer, largando ambas no chão. Passou a mão no rosto, desfazendo-se das lagrimas. – Você sabia que eu não havia feito nada de errado.
– Não, não... – Balbuciou, iria começar a chorar. – Eu te amava, eu nunca... Nunca quis matá-lo!
– Não minta para mim! – O grito do sagitariano pareceu fazer tudo estremecer. – Era eu quem te amava! – E por mais que fossem palavras de amor, saíram carregadas de ódio.
Nunca havia visto Aioros daquele jeito; cheio de raiva. Ele sempre fora tão sensato e sóbrio, contido, mas amigável. Agora ele estava magoado – ou então sempre esteve –, magoado por aqueles quatro meses de silêncio, magoado pelo que havia acontecido anos antes. O sagitariano subiu na cama e praticamente arrancou as calças do outro cavaleiro. Shura não conseguiu impedi-lo, acabou encolhendo-se mais e mais, trêmulo. Não deveria estar com medo, mas estava. As palavras haviam secado em sua garganta, não conseguia falar nada, nem fazer nada. Lágrimas começaram a deslizar pelo seu rosto. Enquanto isso, Aioros terminava de despi-lo.
– A-aioros, p-por favor, não... – Pediu que ele parasse. – N-não, não faça isso...
– Fazer o quê? – Perguntou irado, segurando os braços do mais novo, Shura tentava afastá-lo de si. – Você não disse que me amava?
O sagitariano gritava desesperado, ainda mais cheio de ódio e mágoa. Chorava mais a cada palavra. Segurou as mãos do outro cavaleiro, erguendo-as acima da cabeça. Manteve-se segurando os pulsos de Shura com uma das mãos, enquanto com a outra, separava as pernas dele, abrindo espaço para si. Ergueu a mão novamente, encarava o capricorniano, enquanto deslizava os dedos por sua face, limpando as lágrimas que ainda escorriam, porque as próprias já haviam secado. Shura, ao sentir o toque do mais velho, envolveu seus dedos com os lábios, chupando-os. Era coisa que Aioros não esperava, mas se era assim, iria continuar. Com os mesmos dedos, penetrou o mais novo; primeiramente com dois e depois três dedos.
– Ah-aah...!
Não queria ter gritado, mas fora impossível não fazê-lo ao sentir três dedos de uma vez só dentro de si. Tentou se soltar, nunca havia feito sexo antes e não esperava que a primeira vez fosse daquela forma. O sagitariano estava sendo brusco, ao ponto de ser violento. E tudo estava acontecendo rápido demais.
– Shh... – Aioros levou os dedos aos lábios do capricorniano, pedindo silêncio. Então pegou o primeiro pedaço de pano que viu – provavelmente uma boxer – e enfiou na boca do menor, não queria ouvi-lo gritar. Não iria aguentar se ouvisse. – Se você resistir, só vai doer mais. – Inclinou-se, beijando seu pescoço, mordendo-o então.
Shura não se mexeu mais, ficou praticamente imóvel, exceto pelo seu peito que subia e descia de modo irregular – não conseguia respirar direito. Engoliu em seco, balançando a cabeça, como se houvesse dado permissão para o mais velho continuar.
Um sorriso afetado fez-se no rosto do grego. Ele segurou no membro do outro cavaleiro, acariciando-o com os dedos ágeis, rapidamente deixando-o ereto. Os gemidos de Shura, agora, eram praticamente inaudíveis e misturavam-se com os soluços. Mas era notável o prazer que ele sentia com o toque do sagitariano. Aioros afastou a mão quando sentiu o líquido do outro em seus dedos. Segurou em sua cintura, então ergueu um pouco seu corpo, procurando uma posição mais confortável para si. O capricorniano fechou os olhos, inclinando a cabeça para trás, sentia o membro do grego dentro de si, invadindo seu interior.
Lágrimas incessantes escorriam pela face do espanhol, pôde-se ouvir seu grito abafado, já havia se rendido à força do Cavaleiro de Sagitário, completamente submisso aos seus caprichos. Por que estava chorando tanto? Ele amava Aioros, queria aquilo; tornar-se um só com o homem pelo qual nutria aquele sentimento tão grande e complexo. Então por que doía daquele jeito? Shura sentia sua força esvair-se a cada movimento do sagitariano, suas fortes estocadas resumiam-se apenas em dor. Só quando os movimentos ficaram mais constantes e delicados que conseguiu sentir algum tipo novo e estranho de prazer. Mais alguns poucos minutos, e sentiu algo quente em seu interior.
O grego havia parado de se movimentar, largou os braços do mais novo, abandonando o seu interior. Então retirou o pano de sua boca. Shura arfava e gemia baixinho, ainda chorando, ergueu o olhar a procura do mais velho. Encontrou-o chorando também. Iria tocar em seu rosto, mas Aioros afastou sua mão. Havia algo engasgado em sua garganta, não conseguia mais olhar para o espanhol, precisava sair dali. Levantou-se rapidamente, quase caindo, pegou suas roupas e vestiu-as, dando as costas para o outro cavaleiro. Não aguentou e parou na saída do quarto lançando um último olhar para o capricorniano. Ele continuava sentado na mesma posição, mas havia juntado as pernas. Continuava chorando baixinho, agora com a cabeça baixa. O grego levou a mão à boca, apertando os olhos. Precisava sair dali. Precisava. Então correu, correu para longe. Apenas correu e fugiu.
~
Passava da uma da manhã quando alguém bateu no que restava da porta da Casa de Libra. Shiryu não fez questão de levantar-se, aquilo só poderia ser uma brincadeira de mal gosto de algum de seus atuais vizinhos – Deathmask, em especial, tinha cara de quem viria pedir açúcar de madrugada só para sacanear. Colocou o travesseiro em cima de cabeça, queria dormir, mas só conseguia ouvir umas pancadas insistentes. Levantou-se para ver quem era.
– Espero que seja muito importante... – Disse, enquanto acendia a luz.
Era Marrie. A garota parecia assustada, mais preocupada do que da última vez. – Shiryu, desculpe-me acordá-lo essas horas, mas eu acho que está acontecendo alguma coisa na Casa de Capricórnio... – Disse, afobada.
– Ei, acalme-se. – Se duvidar, Shiryu já estava tão desesperado quanto ela. – O que está acontecendo?
– Eu esqueci minhas chaves lá, saí muito tarde, porque as outras serviçais deixaram serviço acumulado, mas também porque queria vigiá-lo. – Ela respirou. – Enfim, eu voltei para pegá-las, mas ouvi uns barulhos estranhos, pareciam uns gemidos, tinha mais alguém lá. – Então pegou nas mãos de Shiryu, encarou o chinês; um olhar preocupado, quase suplicante. – Eu acho que ele estava chorando, não tive coragem para entrar no quarto e ver o que estava se passando. Peço que você vá lá, Shiryu. Por favor.
O Cavaleiro de Dragão ficou alguns instantes pensando no que poderia estar acontecendo, se realmente deveria ir até lá. Shura era um homem bem crescido, certo. Não precisava de uma criança para socorrê-lo. – Está certo. Eu irei. – Largou as mãos de Marrie. – Agora vá descansar, eu cuido disso.
Ela concordou, agradecendo novamente, então foi embora. Shiryu foi vestir uma roupa e partiu em direção à Décima Casa. A porta de entrada estava fechada, achou melhor não bater, abriu-a e entrou. Todas as luzes estavam apagadas, mas o libriano conseguiu movimentar-se sem dificuldade, era uma noite de lua cheia, as estrelas brilhavam no céu, deixando o ambiente relativamente claro. Entrou no quarto do capricorniano, ele estava sentado no canto da cama, enrolado em um cobertor, gemia baixinho, realmente parecia estar chorando. Shiryu aproximou-se mais da cama, e ligou o abajur que estava numa cômoda ao lado da mesma.
Shura encolheu-se ainda mais, abaixando a cabeça, quando sentiu a luz artificial bater em eu rosto, parecia tentar esconder-se.
– Shura...? – Shiryu colocou a mão no rosto do mais velho, uma lágrima atingiu seus dedos. – Shura, o que aconteceu? – Perguntou aflito.
O espanhol segurou com força na mão do mais novo, afastando-a de seu rosto. Shiryu pôde perceber que ele estava trêmulo, seu rosto estava machucado, com certeza havia levado um soco. Analisou o quarto então, procurando algo que indicasse o que havia ocorrido. Parecia normal com exceção das roupas no chão, mas o capricorniano não era um cara desorganizado, isso era estranho. Largou a mão do mais velho, juntando as roupas, dobrando-as e colocando no armário.
– Shiryu... – Shura havia reconhecido a voz do chinês, queria entender o motivo de ele estar lá. Não queria que o libriano o visse naquele estado lastimável. – E-está tarde, o que você faz aqui? – Falava baixinho num tom de choro, estava rouco.
O chinês tentou pensar em uma resposta coerente para estar na Casa de Capricórnio de madrugada. Não queria arranjar problemas para Marrie. Então desviou o assunto. – Vou pegar um gelo para você e fazer um chá, você vai se sentir melhor.
Ele foi para a cozinha e rapidamente preparou um chá de camomila, procurou nos armários algum remédio e por sorte, achou algumas pílulas para dormir – provavelmente o capricorniano tinha problemas com insônia –, abriu-as e dissolveu o pó no meio do chá. Obviamente, encontrou o gelo que precisava no congelador, pegou a forma, torcendo-a até alguns cubos caírem em cima de um pano de prato. Fez uma trouxinha com ele, pegou a xícara de chá e voltou para o quarto. Pediu para que o capricorniano se sentasse direito. Ele o fez com um pouco de dificuldade, passou a mão no rosto que estava inchado de tanto chorar, apertou os olhos de dor ao tocar no machucado, os olhos estavam avermelhados e ele respirava com dificuldade pela boca. Shiryu entregou-lhe o chá, então colocou a mão em sua cabeça, bagunçando-lhe os cabelos.
– Cuidado, está quente.
Shura pareceu surpreso; por que Shiryu era tão atencioso, tão carinhoso? Desviou os olhos do rosto do chinês, por um instante sentiu seu coração disparar. Bebeu o chá devagar, enquanto o libriano segurava a trouxinha de gelo próxima a seu rosto. Ao terminar, entregou a xícara para o chinês, foi pegar o gelo, acabando por tocar na mão do mais novo. Shiryu afastou-a rapidamente, virou-se para que o mais velho não o visse corar. Então voltou para a cozinha, lavou a louça que havia sujado e quando voltou para o quarto, Shura já estava dormindo, ainda sentado, com o gelo no colo. Sorriu, ele ficava muito bonito dormindo, parecia mais calmo.
Decidiu arrumar as cobertas para que ele ficasse mais confortável, o lençol estava embolado debaixo do corpo do espanhol, puxou-o. Ele estava sujo de sêmen e sangue. Shiryu largou o lençol imediatamente, olhou aterrorizado para Shura, mas ele continuava dormindo. Abaixou-se um pouco, trêmulo, juntou o lençol.
– Mas que merda...
Levou o lençol para a lavanderia e o deixou de molho. Pegou alguns panos e umedeceu com água quente. Voltou para o quarto e puxou as cobertas, como suspeitava, ele estava completamente despido. Com o pano, Shiryu limpou os vestígios de sêmen e sangue do corpo do mais velho, principalmente entre as pernas. Vestiu o capricorniano com um pijama de seda verde. Então o pegou no colo e levou-o para o outro quarto – provavelmente o quarto de hóspedes –, deitou-o na cama, e cobriu seu corpo com os cobertores que estavam lá.
Sentia um aperto terrível no peito, não conseguia acreditar no que vira, a vontade de chorar era quase incontrolável, mas mesmo assim, ele não o fez. Precisava ser forte. Pegou toda a roupa de cama do quarto do capricorniano e colocou dentro da máquina para bater. Limpara tudo. Não havia mais nada que pudesse fazer o espanhol se lembrar daquela noite. E realmente esperava que Shura pudesse esquecer aquilo.
Voltou para o quarto de hóspedes, e sentou-se numa cadeira ao lado da cama, observou o capricorniano dormir, deixando, finalmente, algumas lágrimas escaparem. Suspirou. Sentia vontade acordá-lo e dizer que o amava, que ficaria ao seu lado e cuidaria de suas feridas. Que jamais o magoaria. Inclinou-se, apoiando os cotovelos nos joelhos, estendeu uma das mãos tocando de leve no rosto e nos fios de cabelo do mais velho, enquanto apoiava a cabeça na outra mão. Continuou observando-o, observando-o até pegar no sono.
Fale com o autor