Risk.

6 Capítulo V – Ressurreição.


Santuário, Grécia. 20h23, Terça-feira.

Milo já estava a alguns metros da casa de Aphrodite, teve praticamente um acesso de riso quando descobriu o programa dos dois. Sempre teve certeza de que, no fundo, Deathmask era um cara amável. E, particularmente, achava extremamente fofo eles verem a novela juntos, comendo o bolo que o próprio canceriano fez. O que não deixava de ser cômico, claro.

Ainda recuperando-se da crise de riso, caminhava lentamente em direção à Casa de Escorpião, teve uma tarde agradável com Aphrodite, pôde conversar um pouco, mas ainda sentia-se muito solitário. Pensava em Camus, mesmo que um tanto distante, ele sempre esteve por perto, apenas como um amigo, claro. Mas o simples fato de poder vê-lo, dava ao grego uma alegria indescritível. Ele havia falecido antes que Milo pudesse declarar-se, depois, retornara como um Espectro de Hades, e lutar contra o seu grande amor – mesmo que em nome de Athena – foi cruel demais.

Então lembrou-se de Kanon, quando o conheceu, realmente o confundiu com Saga, claro, era seu irmão gêmeo. Naquela época, não sabia nada sobre Kanon, aliás, ninguém nunca soube de sua existência até a morte de Saga. Descobriu que ele e seu irmão haviam cortado relações, mas essa era uma longa história, da qual o geminiano nunca falava. Envolveu-se com ele. Kanon sempre fora muito sedutor, e sabia voltar qualquer coisa a seu favor, conquistara o escorpiano, aproveitando-se do amor que ele sentia por Camus, que nunca fora correspondido.

Fraquezas emocionais a parte, Milo deixou-se envolver com Kanon, sem nem desconfiar, de que, todas as batalhas, desde que Saga rendeu-se ao mal, até a guerra contra Poseidon eram também culpa dele. Como ele pôde enganar um deus?

Ora, ele gostava muito do geminiano, qualquer coisa ao seu lado era, ou divertida, ou prazerosa. Assim, conseguiram manter um relacionamento duradouro. Ele aparecia no Santuário, passava o dia com o escorpiano, então sumia, retornando uma ou duas semanas depois. Milo nunca soube onde ele morava. Mesmo tendo mentido, ele se arrependeu, juntou-se aos Cavaleiros de Athena na batalha contra Hades, e foi perdoado por Milo, por Athena, e por todos os outros cavaleiros.

A guerra acabou, e os cavaleiros que morreram em batalha ganharam a graça de uma nova vida, concedida pela deusa Athena. Mesmo assim, Milo não viu nem um sinal do Cavaleiro de Aquário, talvez ele tivesse abandonado sua armadura, talvez ele quisesse uma vida normal. Talvez o grego nunca mais o visse novamente.

E Kanon? Provável que ele tenha recebido o castigo dos deuses.

Mais uma vez a mesma história... Precisava esquecê-los. Mas tirar dois homens tão distintos e marcantes da cabeça era praticamente impossível.

Continuou tristemente sua caminhada, mais a frente havia uma pessoa deitada no chão, parecia morta, ou talvez estivesse dormindo. Curioso, alguém dormindo nas escadarias do santuário. Interessado, Milo aproximou-se.

– M-mas você é...

O homem se revirou no chão, colocou a mão no rosto, abrindo os olhos vagarosamente. Parecia não fazer ideia de onde estava.

– Kanon?!

Era impossível que Kanon estivesse vivo, mas aquele homem com certeza não era Saga. Ele estava pelado, e Milo conhecia muito bem aquele corpo.

– Milo...? – O geminiano se sentou, estava esquisito. A última coisa da qual se lembrava era de que estava morto. Estava em algum lugar do Inferno. – O que eu-

POR ATHENA, VOCÊ ESTÁ VIVO! – Gritou o escorpiano. – E VOCÊ ESTÁ PELADO, QUE SAUDADE DE VOCÊ.

Ah, sim, aquele era realmente o Milo, quem mais sairia gritando besteiras como aquelas, no meio da noite, para todos os que moravam no Santuário ouvirem? Kanon se levantou, naturalmente estava nu, mortos não precisam de roupas. Ele esboçou um sorriso, estava vivo, aquilo era muito bom. Foi abraçar o Cavaleiro de Escorpião, que retribuiu o abraço com gosto. Então afastou-se um pouco dele e o beijou. Sim, estava vivo. Muito vivo.


~


Shiryu ouviu certa gritaria em algum lugar do lado de fora, a voz parecia ser de Milo, mas ele não entendeu o que o escorpiano falara. Se bem que depois do Deathmask pedindo açúcar, qualquer coisa é normal..., pensou. Estava se sentindo melhor, talvez fosse ligar para Hyoga, mas não agora. Precisava arranjar algum passatempo que não lhe rendesse problemas. Mas aquele Santuário era pacato demais e todos os que conhecia pareciam distantes de si.

Odiava trocar o dia pela noite, mas passou o dia inteiro dormindo, foi interrompido pelo Cavaleiro de Câncer, e depois voltou para a cama, acabando por dormir mais. Não dormiria essa noite, com certeza. Então o que faria?

Ouviu o som da campainha. Será que Deathmask veio lhe devolver a caneca, ou alguém veio lhe oferecer companhia para uma triste noite de insônia? Correu até a porta e abriu-a. Era uma garota, parecia familiar, mas Shiryu não se lembrava de tê-la conhecido.

– Você é o Shiryu, certo? – Perguntou a moça, a voz soava tímida. Ela estava vermelha, mas com uma expressão um tanto aflita.

– Certo. – Confirmou o cavaleiro.

– Meu nome é Marrie, eu sou uma das criadas da Casa de Capricórnio. – Será que havia acontecido algo com Shura? Marrie parecia realmente preocupada. – Vim lhe pedir desculpas pelo que aconteceu segunda-feira.

– Desculpas? – Shiryu não estava entendendo. O capricorniano havia falado de Aioros naquele dia, mas como a criada sabia que isso havia magoado o Cavaleiro de Dragão? – Não compreendo...

– Mestre Shura anda bebendo muito... Você saiu correndo da Casa de Capricórnio naquele dia, pensei que meu senhor tivesse lhe dito algo enquanto estava bêbado. Algo ruim. – Ela falava dos problemas de Shura com o álcool abertamente, parecia confiar em Shiryu. – Por isso vim pedir desculpas por ele, não quero que ele fique com uma imagem ruim! Eu sei que esse é um vício horrível, mas ele vai melhorar!

O chinês estava visivelmente surpreso. Não chegara a pensar que Shura fosse um alcoólatra, realmente acreditou que aqueles copos de whisky eram uma coisa rotineira, como foi burro!

– Ele não disse nada que me ofendeu. Fique tranquila. – Sorriu tentando acalmar a moça, ela parecia muito preocupada com Shura. Era atenciosa, mas mesmo assim, aquele problema não era de sua conta, Shiryu não queria que ela se preocupasse com coisas que não poderia resolver. – De qualquer modo, se acontecer algo com Shura, peço-lhe que me avise.

– Ah, claro! – Ela sorriu também. – Obrigada, você parece ser um bom amigo, Shiryu.

Marrie fez uma breve reverência então saiu andando em passos rápidos. Shiryu ficou alguns instantes parado na porta da Casa de Libra, pensava em como poderia ajudar o Cavaleiro de Capricórnio, tinha total certeza de que ele estava daquele jeito por causa de Aioros. Queria vê-lo, quem sabe abraçá-lo e dizer-lhe que tudo ficaria melhor se ele conseguisse esquecer o sagitariano.

– Contraditório. Eu também ficaria melhor se te esquecesse, Shura.


~


Kanon estava na Casa de Escorpião, vestia algumas roupas do dono da casa. Ambos assistiam à televisão, sentados no sofá, o geminiano mudava de canal freneticamente – de dez em dez segundos –, parecia impaciente. O escorpiano tentara ignorar, mas queria que ele parasse com aquilo.

– Kanon, escolha um canal e largue esse controle.

– Você sabe onde meu irmão está? – O geminiano desligou a televisão, virou-se para Milo, sentando-se de lado no sofá.

– Eu não vejo o Saga desde que voltei à vida. – Respondeu pensativo. – Assim como não vejo o Camus. – Passou a mão nos cabelos azuis, levemente ondulados e bagunçados. Suspirou. – Quando te vi, pensei que era seu irmão. Ninguém esperava que você voltasse.

O geminiano baixou o olhar, ele também não esperava voltar. – Então você não sabe por que Athena me salvou...

Milo sorriu. – Na verdade eu sei. – Riu ao ver a expressão surpresa do companheiro. – Você é um dos Sagrados Cavaleiros de Athena, Kanon de Gêmeos, que lutou ao nosso lado contra Hades. A verdade é que você deveria estar aqui, comigo, há uns três meses.

O mais velho ficou rubro, tentou retribuir o sorriso, mas continuava perturbado. Por que Saga não estava ali no Santuário? Ele era o verdadeiro Cavaleiro de Gêmeos, deveria estar lá. – Tudo bem se eu ficar aqui até meu irmão voltar? Não quero invadir a casa dele, e não sei para onde deveria ir...

– Você sabe que pode ficar aqui o tempo que quiser.

O escorpiano se levantou, havia colocado uma carne para assar há pouco tempo. Filé mignon ao molho mostarda, aprendera a receita com o Cavaleiro de Aquário. Mesmo sendo estabanado na cozinha, decidiu preparar algo especial para o jantar, precisava comemorar a volta do geminiano e nada como uma boa comida.

– Sabe, o Mu e o Shaka também fizeram uma viagem há uns dois meses e meio... – Disse enquanto abria o forno, a carne estava quase pronta. Havia se lembrado da viagem dos outros dois, depois de pensar um pouco no sumiço de Saga e Camus. – Só que eles já voltaram, né.

– Você acha que os dois estão juntos?

Milo parou o que estava fazendo e refletiu um pouco. Nenhum dos dois era aberto a novos relacionamentos, os dois juntos, numa viagem, seria, no mínimo, bizarro. – Que coisa mais estranha seria isso. – Respondeu, colocou a carne de volta no forno, fechando-o.

O outro simplesmente concordou. – Essa carne fica pronta hoje?

– Está quase pronta. – Respondeu o escorpiano, tirando o pote de bolachas da mão do mais velho. – Espere o jantar!

– Eu não comia no Inferno, isso é maldade! – Disse emburrado, cruzou os braços e permaneceu encarando o outro cavaleiro, que ria da birra que ele acabara de fazer. – E pare de rir da minha cara. – Disse, dando as costas para o escorpiano.

Milo o puxou pela cintura, segurou seu corpo com firmeza, esboçando um sorriso malicioso. Passou a mão por seu rosto, deslizando os dedos pela pele macia, levemente corada, descendo para o pescoço, arranhando-o com as unhas compridas e bem-feitas. Então Kanon o empurrou contra parede, beijando-o enquanto abria suas calças, colocou a mão dentro de sua boxer, movimentou-a, fazendo o mais novo gemer alguma coisa sem sentido. Com a mão livre, o geminiano desabotoava a camisa do outro cavaleiro.

O escorpiano inverteu as posições, colocando o mais velho contra a parede, fazendo com que ele tirasse a camiseta. Observou o corpo do geminiano, estava cheio de cicatrizes que ele jamais havia visto, passou a mão em uma delas. Kanon não disse nada, mantinha-se acompanhando os movimentos de Milo, ele desceu beijando seu corpo, acabando por ajoelhar-se, retirou a calça moletom dele – estava sem roupas íntimas –, seu membro estava rijo, provavelmente não era tocado há um bom tempo, o que não fugia as habilidades do escorpiano. Envolveu-o com a boca e conforme fazia pequenos movimentos, arrancava alguns longos suspiros de Kanon, seguidos por uns gemidos baixos. O geminiano segurava as mechas do cabelo do mais novo, acompanhando seus movimentos.

Aah, Milo...

Ele não respondeu, continuava entretido com o membro do maior.

– M-milo, aah, a carne! – Gritou empurrando o escorpiano. – Ai, está queimando! – Abriu o forno e uma fumaça preta invadiu toda a cozinha, perfumando a casa com um delicioso cheiro de comida queimada.