RinHaru Project

18 Uma Impressão Ruim


Notas iniciais
Vindo aqui hoje pra comemorar o halloween escrevendo esse especial pra vocês ^^ espero que gostem! Aviso que este capitulo é do gênero de suspense/terror, caso alguém não aprecie.

Cabruuum!

Lá fora, a tempestade região furiosa. Os quatro rapazes se reuniam num círculo no meio do quarto, tentando manter-se confortáveis apesar do frio.

Foi uma tarefa difícil a princípio acalmar Makoto. Não só ele for a de encontro ao seu maior medo como também quase morrera no processo. Rei sentia dificuldade em engolir a culpa, já que fora ele a sair primeiro. Haru apenas passava os olhos por cada um dos amigos, preferindo não parar pra pensar no perigo que correram há pouco.

Nagisa recebeu assumir a missão de distraí-los. Após umas conversas mais sérias habilmente redirecionadas para anedotas e brincadeiras, ele mudou de assunto outra vez. Meio porque seu estoque de assunto estava no fim, meio porque ele amava isso:

— Que tal contar histórias de terror? – O loiro sugeriu, sorrindo.

Os outros três olharam para ele sem saber se ele estava falando sério. Nagisa deu um sorrisinho indicando que sim.

— Nagisa, nenhum de nós—

— Não tem problema, eu começo! – O loiro tomou a dianteira de novo. Ele limpou a garganta. – Há muito tempo, numa cidade de interior… Um garotinho de cabelos loiros que tinha acabado de nadar um revezamento com seus senpais…

— Por que está contando uma história sua? – Haru interrompeu.

— Não sou eu! Enfim. O garoto resolveu ficar até mais tarde no centro de natação da cidade naquele dia…

— É, eu lembro que você foi o último a sair no dia do revezamento. – Mako comentou.

Nagisa olhou feio para ele, mas o ignorou:

— … Porque ele queria descobrir se a velha história era verdadeira… A história sobre o terrível monstro devorador!

Silêncio.

— Essa história dificilmente assusta alguém com mais de 12 anos…

— Sua imaginação era fértil assim pra imaginar algo assim lá no centro?

— Eu disse que não era eu!!!

Os garotos disfarçaram risinhos.

— Okay. – Mako disse. – Rei, sua vez.

— E-Eu? Mas eu não sei nenhuma história de terror.

— Então invente uma, Rei-chan.

— Inventar…? – Ele pensou um pouco. – Hmm… Havia essa garota e, hmm, ela estava andando sozinha na rua… À noite… Até que ela ouviu… eerrr

— Chatoooo. – Nagisa reclamou. – Próximo.

— E-Espera!!

— Próximo! – Ele repetiu.

— Minha vez, então? – Mako perguntou retoricamente. Ele fez uma pausa dramática, organizando ideias. – Bem, certa vez, quatro amigos estavam perdidos por causa de uma tempestade e, após vagarem sem rumo por horas, eles encontraram uma mansão abandonada.

Lá fora, a tempestade fez barulho de novo. Rei arrumou os óculos no rosto, concentrado e Nagisa se inclinou para a frente.

— Os amigos resolveram passar a noite na casa, mas eles perceberam que coisas estranhas aconteciam. O vento corria mesmo com janelas fechadas, haviam barulhos vindos de salas vazias e às vezes eles sentiam toques sem que esbarrassem em nada nem ninguém. – Ele pausou dramaticamente a narrativa. – Foi então que eles descobriram que um deles tinha desaparecido. Porque ele na verdade estava… Morto.

Eles ficaram em silêncio. Mako passou os olhos por Nagisa.. Rei…

— … Onde está Haru? – Ele perguntou, um pouco mais apreensivo do que queria.

Os outros dois olharam ao redor, mas nem sinal de Haruka.

— Vocês já acabaram?

Os três garotos sentados deram um pulo de susto pela voz do quarto membro subitamente aparecendo, conforme ele se sentava outra vez.

— Onde você estava?! – Todos perguntaram quase ao mesmo tempo.

— Procurar lençóis. – Ele disse, apontando para uma pilha de cobertas. – Vamos ter que passar a noite aqui, não é?

— Você deu um susto na gente… – Mako disse.

Haru deu de ombros.

— E agora é a sua vez! – Nagisa disse para ele.

— Não conheço histórias de terror. – Disse simplesmente.

Os rapazes protestaram, mas Haruka se recusou a entrar na brincadeira. No final, eles desistiram e se organizaram para dormir ali mesmo, já que era o maior dos quartos.

No meio da noite, Haru acordou. Ele suava, certamente por causa de um pesadelo, mas não conseguia lembrar direito o que tinha sido. Algo sobre Matsuoka Rin…? Mas ele não fazia ideia de por que Rin apareceria em seus sonhos. A tempestade ainda rugia lá fora e Haru fez cara feia para ela. Mako se enrolava nas cobertas ao seu lado e Nagisa estava perto de Rei do outro lado.

Haru levantou tentando não acordar os outros e se moveu pelo quarto escuro até a porta. Ele saiu e olhou para o corredor, tentando acostumar os olhos à falta de luz. Onde era mesmo o banheiro? Ele caminhou devagar, ainda menos sonolento, agora mal lembrando o que havia sido o pesadelo.

O banheiro era na porta na ponta do corredor, após uma curva para a direita. Haviam várias portas, provavelmente para quartos menores, todas fechadas. Haru as ignorou, atravessando a distância e entrando no pequeno banheiro.

O interruptor falhou algumas vezes antes de finalmente a luz se acender. O rapaz foi direto ao vaso, meio sonolento. Ele nunca imaginaria que passaria a noite numa casa abandonada quando o plano simplesmente fazer um acampamento de treino.

Indo lavar as mãos, ele vislumbrou seu rosto no espelho. Por um instante, ele pensou ver lágrimas escorrendo por sua face e uma expressão de puro desespero. Ele piscou os olhos e seu rosto voltou ao normal. Ele encarou o reflexo, curioso. Tocou o vidro, mas nada de estranho. Ele passou a mão pelo próprio rosto, mas nada de lágrimas.

“Ainda devo estar meio dormindo…”

Haru apagou a luz e saiu de volta para o corredor. Novamente, ele viu uma série de portas em meio à escuridão. Quando ia passando por uma delas, ouviu alguma coisa, como que passos vindos lá de dentro. Ele franziu o cenho e fez menção de ir até ela, mas se interrompeu.

Então ele viu que a porta seguinte estava entreaberta. E a seguinte também. Ele olhou de uma para a outra, tendo a impressão de que o corredor era bem maior do que na ida. Enquanto pensava se deveria fingir que não era nada e ir direto de volta para o quarto, ele ouviu barulhos mais altos vindos de trás da primeira porta, terminando com batidas nela do outro lado.

Ele abriu a porta de uma vez. O quarto estava quase vazio, for a poucas coisas cobertas por lonas e cheias de pó. Mas, no meio do quarto, ele viu a si mesmo.

— Foi culpa dele. – O rapaz no meio do quarto disse. – Eu não tinha como fazer nada. Não tinha.

Ou uma versão aparentemente enlouquecida de si mesmo. O outro Haru tinha os cabelos despenteados e olheiras profundas. Ele deu um passo à frente, os olhos cheios de uma chama que o próprio Haru não conseguia…

... A não ser quando ele falava de Rin.

— Eu não tinha como chegar até ele a tempo! – O outro insistiu, como que tentando convencer Haru do que ele dizia. Ou seja, tentando convencer a si mesmo. – Não importava o que eu tivesse feito, não teria dado……. tempo….

Haru recuou, saindo do quarto para se afastar da outra versão de si mesmo. Assim que o fez, a porta se fechou bruscamente. Haru olhou para ela, assustado. O que tinha acontecido?

Um trovão soou pela construção e o vento soprou por um dos quartos com porta semi-aberta. Haru olhou para lá e, meio receoso, andou até lá. Ele empurrou a porta e encontrou um quarto quase igual ao anterior.

Exceto que neste haviam janelas do lado oposto ao da porta. E, virado para a janela, outro rapaz exatamente igual a ele mesmo. Haru se aproximou dele quando viu que ele iria ficar em silêncio.

Quando já estava quase ao lado dele, foi que Haru percebeu que o outro na verdade estava falando, só que bem baixo. Ele tinha o olhar fixo na praia, visível através da janela, os olhos arregalados como que entre o choque e a negação.

— … segui. Foi por causa disso que ele veio atrás de mim… Fui eu… Foi só por causa do que eu fiz…

Muito hesitantemente, Haru tocou na sua outra versão. Este se assustou e se virou para ele, segurando em seus ombros.

— Foi por minha causa! Se eu não tivesse seguido Makoto até aqui—

— O quê? – Os dois se olharam. – Não nadar atrás de Mako?

O outro assentiu, com os olhos cheios de pesar.

— Ele vinha me ver, entende? Mas aí ele me viu entrando no mar e foi atrás de mim… Eu nem sei o que ele queria falar comigo…

O segundo Haru desviou o olhar de volta para a praia lá fora e o original fez o mesmo. Por um instante, um lampejo apenas, ele viu um corpo estirado à beira-mar, como que trazido pelas ondas. Inanimado, para dizer o mínimo.

O outro Haru olhou de relance para onde estivera o corpo e isso fez os olhos dele se encherem de lágrimas e ele inclinar o corpo abraçando o próprio corpo. Haru olhou para ele, sem conseguir reagir, sem entender porque sentia o próprio coração se apertar.

Ele se afastou devagar, de volta ao corredor, ainda ouvindo os choramingos do outro. Ele correu os olhos pelas demais portas e, no primeiro instante, tudo ficou em silêncio…

… Para no instante seguinte, ser uma confusão de sons. Por trás de uma das portas, vidro se estilhaçou. Em outra, uma pessoa batia freneticamente, acompanhada por choros e soluços da porta vizinha. Maçaneta eram forçadas, gritos ecoavam e a mente de Haru girava. Ele se sentia tonto, tentando caminhar até o fim do corredor, mas não conseguindo se equilibrar direito para isso.

Ele tombou para junto da parede, apoiando-se na porta e abrindo-a por acaso enquanto fazia isso. A porta se abriu de uma vez, como se a gravidade puxasse naquela direção e Haru caiu para dentro do quarto.

Outro Haru estava encolhido num canto do quarto e apenas levantou a cabeça, desinteressado.

— De que importa? – Disse – Eu nunca mais pude nadar mesmo… Nem poderei—

De novo apenas numa fração de segundo, a imagem mudou diante de Haru, com o outro se contorcendo de dor. Ossos nas duas pernas se projetavam sobre a pele em fraturas expostas horrendas.

Haru rastejou para longe, assustado, mas a visão já mudara de volta. O outro Haru segurava as pernas e, então, Haru notou que elas tinham de fato cicatrizes em sua extensão. O sósia voltou a ignorá-lo enquanto Haru se afastava com pressa.

Ele se levantou desengonçadamente assim que saiu do quarto, mas na porta logo ao lado, outro dele estava de pé, com o olhar no vazio, a porta escancarada.

— … Se ao menos ele mandasse uma carta…

Haru olhou para ele, verdadeiramente confuso. O novo Haru então olhou para ele. Seu olhar tinha uma profundidade sinistra.

— Ele não voltou mais… Desde aquela corrida…

Algo pareceu estalar dentro de Haru. Uma fagulha de compreensão.

“Mas não faz sentido…”

— Todos eles deveriam pagar… — Mais um Haru apareceu, pelo outro lado. – Todos que o tiraram de mim…

— Eu acabei com o sonho dele… — Disse, ainda o que estava à sua frente.

— NÃO!!! – A voz de Haru vinha agora outra vez da primeira porta. – NÃO FOI culpa... Minha—

Haru olhou para este a tempo de vê-lo esmurrar a porta enlouquecido.

O quão comprido era aquele corredor…?

Por todos os lados, a voz de Haru chorava, praguejava, gritava e murmurava de forma quase aleatória.

“Ele…” Haru quase perguntou em voz alta.

— Rin. – Um respondeu seu pensamento.

— Rin! – Um resfolegou.

— Matsuoka Rin…

— Riiiiin!!!

E todos continuavam repetindo o nome de Rin. Inúmeros Harus, talvez dezenas deles, falavam de suas desventuras e lamentavam pelo nome de Rin.

— … Mas nada disso aconteceu… – Haru disse, meio que para si mesmo. – Nenhuma dessas coisas.

A inexplicável tontura o jogou outra vez no chão, enquanto:

— Ele se foi—

— Ele morreu!

— Eu perdi.

— Nunca mais…

Haru se arrastou por alguns metros igualmente embaralhados, envoltos em histórias e mais histórias, trágicas, depressivas, violentas, súbitas… Cada qual claramente diferente de todas as demais.

E em todas um assustador sentimento de que aquilo bem que poderia ser verdade.

De alguma forma ele conseguiu se levantar e correr cambaleante até a porta no fim do corredor…. Havia uma porta no fim do corredor?

Ele a abriu e se deparou com o banheiro outra vez. Olhando para trás, um corredor do qual ele nem conseguia enxergar o fim, com várias e várias versões dele, aprisionadas em seus cômodos gritando por atenção de forma macabra.

Quando estava prestes a se mover na direção da saída, ele se percebeu com dificuldade de mover seus pés para a frente. Ele olhou para baixo. Ele estava, da forma mais sutil, dentro do banheiro. Ele tentou estender a mão, mas nenhuma parte de seu corpo queria obedecê-lo e ir para a frente.

— Rin…

“Não. Não, isso está errado… Não há nada de errado com Rin…”

Ele tentou atravessar a barreira invisível.

“Se há alguma coisa acontecendo entre eu e o Rin… Ficar preso aqui…”

Ele sentiu o aperto no coração outra vez.

“É… Isso definitivamente não pode acontecer…”

Com uma forçada mais brusca, ele foi para a frente, a inércia quase o fazendo cair de novo. Desta vez, ele ignorou as vozes. Ele ignorou os rostos iguais ao seu e correu até o fim.

Até que ele viu uma parede e, com uma guinada para a esquerda, ele se viu só na escuridão.

As vozes todas não podiam mais ser ouvidas.

Mas ele não parou até chegar no grande quarto onde estavam seus colegas, adormecidos. Makoto, Nagisa, Rei, todos dormindo pacificamente. Ele se meteu debaixo das cobertas e tentou ignorar o que tinha visto.

Sem que ele mal tivesse tempo para desejar isso duas vezes, ele caiu no sono.

***

— Haru... – Alguém lhe acordava.

Ele abriu os olhos, tomado por raios de sol nascente que vinham na inclinação perfeita para atingir seu rosto. Mako sorria para ele.

— Bom dia, Haru.

Haru olhou para ele, parecendo meio grogue. Provavelmente pelo sono.

— Haru-chan? – Nagisa perguntou. – Está com uma cara estranha… Teve um pesadelo?

Haru olhou para ele, então pensou por um momento.

— Eu… Não me lembro.

Mako sorriu.

— Seja o que for, passou. Vem, nós temos que nadar de volta.

Os outros se levantaram e Haru os seguiu em silêncio. Tinha a impressão de estar esquecendo alguma coisa… Tinha a ver com…

Ele olhou para os amigos e para o céu claro depois da tempestade problemática da véspera. Então sorriu consigo mesmo.

“… Deixa pra lá.”

Notas finais
Agradeço imensamente a todos que leram até aqui! Foi a minha primeira vez escrevendo suspense propriamente dito, eu não sei se funcionou, mas eu me divertir bastante com isso ^^ Para vocês que estão querendo me matar porque eu não postei mais capítulo da história mesmo, boas notícias! Eu finalmente tô livre das provas, então vou fi-nal-men-te poder escrever *-* Mais uma vez, obrigada a todos vocês, é só por sua causa que eu estou por aqui afinal ^^ Ah, por favor, comentem, eu realmente quero saber as opiniões de vocês sobre essa loucura que foi eu querendo escrever suspense kk ~sutoruberi kissus