Notas iniciais
Eu ainda existoooooooooooo Primeiramente, me desculpem de verdade!!! Eu não vou mentir, o problema foi bloqueio mesmo =/ a primeira parte do capítulo foi escrita na primeira metade de novembro e aí eu só consegui voltar a escrever hoje/ontem..... Pois é, não tenho desculpas. Pelo menos, eu estou finalmente de férias de verdade kkk minha faculdade é uma bitch, todo mundo sabe, e aí eu viajei pras festas de fim de ano e fiquei sem o pc. Como hoje/ontem foi meu primeiro dia completo de volta à civilização, resolvi aproveitar XD Infinitos agradecimentos por continuarem aqui, por não desistirem da história e por continuarem tendo fé em mim ♥ Amo vocês! E aos leitores novos que sei que existem, um olá, e sejam bem-vindos! ^^

Quando Rin abriu os olhos, já estava claro. Ele franziu o cenho e afundou a cabeça no travesseiro de volta, aspirando o cheiro que ficara ali de seu namorado.

Sábado... Não, domingo, sábado foi ontem. Domingo de manhã. Passadas as seletivas. Passada a festa. Passada...

Ele se sentou na cama e a parte inferior de seu corpo ainda nu reclamou com ele. No entanto, ele sorriu, com boas lembranças.

... Passada uma excelente noite com Haru.

O que o levava a...

“Ele já saiu...? ”

Com mais preguiça do que dificuldade, ele se levantou e olhou as horas no celular que havia largado na escrivaninha. O quarto de Haru não havia sido feito para duas pessoas, então ele parecia consideravelmente sem espaço, com os pertences dos dois espalhados após a noite anterior. Rin foi até a cadeira e, meio a contragosto, pegou suas roupas para se vestir.

Ele encontrou Haru lá embaixo, como esperado. O moreno, no entanto, não estava usando mais do que um avental de cozinha.

— Dormiu bem? – Haru lhe perguntou, de costas, quando ele entrou na cozinha. Ele estava junto do fogão preparando comida.

— Eu apaguei completamente em algum momento, então eu fico com sim.

Haru disfarçou um risinho.

— Energia demais gasta? – Provocou, virando-se para ele.

Rin fez um biquinho, fingindo incômodo. Haru sorriu, desligou o fogo e foi até ele, abraçando-o.

— Bom dia. – Haru disse

Rin beijou a bochecha dele e retribuiu o abraço.

— É meio estranho isso... Quase parece que estamos acostumados a morar juntos.

— Mas é a primeira vez que dorme aqui.

Era uma deveras triste verdade. Rin fez uma nota mental de que poderia fazer daquilo um hábito.

— Quis dizer que foi bom. – Ele disse, com a voz um pouco menos paciente. – Eu acho que eu esperava que fosse ficar um clima estranho depois...

— Eu também. Por causa da festa...

Rin afundou a cara na curva do pescoço dele.

Teve uma porção de pessoas na véspera que encararam eles quando os dois se beijavam. E alguns dos olhares não eram nem um pouco amigáveis. Mas, dessa vez, Rin não se afastou de Haru. Ele tinha feito uma promessa. Então ele só olhava com cara feia para os donos dos olhares inamistosos e segurava firme a mão de Haru.

Rin agradeceu internamente por ser menor de idade e portanto não poder beber. O fato de estar totalmente consciente abrandava um pouco o constrangimento... Mas saber que dezenas de pessoas o viram com o namorado ainda era algo que o fazia suar frio um pouco.

Ele afastou esses pensamentos da cabeça conforme Haru o chamou para a mesa. O tempo todo, havia essa estranha sensação de “recém-casados” na forma como eles agiam, mas Rin apenas sorriu consigo mesmo. Era como se estivessem numa pequena aventura particular e, sabendo que ela teria fim assim que ele saísse de lá para voltar a Samezuka, ele queria se divertir com isso.

— É fim de semana. – Haru falou quando eles já haviam terminado. – Tem certeza que não quer ficar mais?

Rin pensou por um momento, mas abanou a cabeça, mais sério.

— Tenho várias coisas a ver com o treinador, por ser capitão e tudo mais. No fim das contas, não tem muito tempo até a próxima etapa das competições, né?

Haru assentiu, mudo. Rin foi até ele e o abraçou, virando-o para si.

— Mas foi divertido estar com você.

Haru corou, com os olhos pregados nele e em seu sorriso. Então sorriu.

— Hm. Obrigado por ter concordado.

— Não há de quê... – Ele respondeu, em voz baixa.

Seus olhos caíram para a boca de Haru. Ele travou, meio hipnotizado pela ideia de curtir um pouco melhor Haru antes de sair. Ele aproximou o rosto, passando os braços pelas costas nuas do namorado.

Haru sorriu por entre o beijo e abriu a boca discretamente. Um beijo apaixonado, porém gentil, se seguiu. Havia algo de puro no amor que passava por eles agora, e Haru não queria que isso caísse no lado sexual, nem que Rin recuasse, como teria feito alguns meses atrás.

Quando os dois se afastaram, os rostos de ambos estavam corados. Haru percorreu os cabelos vermelhos do outro com os dedos, enquanto Rin abria um sorriso sem graça.

— Eu te amo. – O moreno disse.

— Hm. – Rin concordou, com os olhos fechados. – Eu também.

Rin ajudou Haru a terminar de arrumar as coisas depois do café da manhã e então subiu para pegar o resto de suas coisas. Ele não conseguia parar de pensar em como aquilo parecia confortável. Dormir na mesma cama que Haru, acordar perto dele... Eles passarem juntos esses pequenos momentos que os faziam se sentir como um casal.

Ele respirou fundo, sentando na cama uma última vez.

Era assim que tinham que ser as coisas entre eles. Ele não queria, não precisava de outras pessoas se metendo no relacionamento deles. Eles poderiam ser um casal, interagir e tudo o mais, dessa forma, não era? Dormir e acordar juntos, trocar palavras carinhosas ali, onde só eles podiam ver e ouvir um ao outro... Era bem melhor assim, não era?

Rin disse a si mesmo que era a razão de ele ter hesitado com relação a saírem juntos, como namorados. Ele preferia que fosse desse jeito..... Ele sentiu uma presença na porta do quarto e, levantando o olhar, viu que Haru o estava olhando. Agora, ele já estava usando uma calça e uma camiseta simples.

— Hm?

Haru deu um sorriso entredentes. Rin sentiu o próprio rosto esquentar rapidamente. Deus, Haru nunca sorria daquele jeito, mas era tão.... Tão lindo! O sorriso de Haru era lindo. E, assim como os maravilhosos momentos deles ali, era apenas dele para ser apreciado.

— Pensativo...? – Haru meio que perguntou.

— Hm? Ahn... Eu... – Ele deu de ombros. – Sei lá. Acho que... Gostei daqui.

Haru se aproximou e sentou ao lado dele.

— Engraçado dizer isso não sendo a primeira vez que vem aqui.

— É a primeira vez que fico tanto tempo.

— Uhum. – Haru concordou.

Rin remoeu em sua mente algumas frases que poderiam vir a seguir, mas todas elas pareciam estranhas. Atrevidas demais, apressadas demais, todas meio desnecessárias. Então ele apenas juntou os rostos deles em outro beijo.

— Você parece... – Haru começou, franziu as sobrancelhas por um instante, e recomeçou. – Isso parece ter um ar de despedida.

Rin riu de leve.

— Não, não. – Ele olhou nos olhos profundamente azuis do outro. – Apenas... Talvez eu vá ficar com um pouco de saudades... Até que dê para vir uma próxima vez.

— Venha mais, então.

Ele fez um biquinho, contrariado.

— Sabe que não posso fazer isso.

Haru soltou um suspiro.

— Então... Posso dizer que também vou sentir saudades?

A forma como ele falava, tão delicado na fala, mas ainda assim tão... Incisivo, fazia o coração de Rin bater mais forte. Era como se cada palavra de Haru fosse direcionada diretamente para o fundo de seu ser, para atravessar a sua própria alma. Ele deu um sorriso meio envergonhado.

— ... Eu gosto de ouvir isso. – Disse, com um aceno de cabeça.

— Certo. Vou sentir sua falta. E... Até a volta¹.

— Até a volta, Haru.

Ele tocou os lábios de Haru com os seus uma última vez, antes de se levantar e sair.

***

Mal Rin entrou de volta na Samezuka, seu celular tocou. Os quartos tinham telefones fixos, mas ele sempre costumava dar o número de seu celular.

Era um olheiro de uma universidade. E não o único a lhe ligar. Pelo resto da tarde, seu telefone tocou mais quatro vezes, e ele já nem sabia mais como responder. Por que eles todos tinham que ligar no mesmo dia?

Rin largou o celular na cama e soltou um suspiro alto após encerrar a ligação mais recente. O quarto estava vazio, então Sousuke provavelmente estava treinando... Rin agradeceu o momento de silêncio que se fez possível. Ele tinha tempo ainda, é claro. Não precisava responder nenhuma das ligações por hora, mas ele tinha apenas alguns meses mais por lá. Depois viria a faculdade e ele sabia que seria um mundo completamente diferente.

“... O que será que Haru vai fazer...? ”

Vários flashbacks desagradáveis lhe vieram à mente. Haruka ainda não lhe dissera de fato o que planejava para o futuro. Mas o futuro era importante, e Rin não conseguia fazer de conta que não pensaria nisso. Isso o deixou ansioso.

Foi tentando distrair a mente que ele foi até a academia particular da Samezuka. Nitori, Sousuke e vários outros estavam lá. Vendo suas expressões, Rin imaginou que vários deles pareciam também estarem imersos em pensamentos.

Aiichiro veio falar com ele e Rin não pôde deixar de enumerar as universidades que haviam entrado em contato com ele mais cedo. Os olhos do garoto se arregalaram, como sempre orgulhosos de seu veterano. Rin deu de ombros, tentando fugir dessa impressão de “centro das atenções”, e virou o rosto para Sousuke.

— Essa é a mesma universidade para onde você vai, não é? – Ele disse, se referindo à última que ligara para ele. Sousuke prendeu a respiração por um instante. – Seria legal, não é? Continuarmos nadando juntos mesmo depois desse ano?

Sousuke largou os pesos que puxava de uma vez, assustando Rin e Nitori. Ele afastou-se do equipamento, tentando manter a expressão plácida, mesmo sabendo que não conseguiria se esconder de Rin. Ele se perguntou se o Nanase conseguia fazer aquilo tão facilmente ou se as preocupações apenas não lhe vinham à mente, porque esconder algo em seu rosto de Rin.... Não era algo que ele considerasse possível.

— É. Legal. – Ele disse, distante, indo sentar num dos bancos da academia.

Seu coração estava acelerado. Ele não gostava de esconder nada de Rin. Detestava. Mas... Abrir o jogo por completo seria admitir que eles não fariam parte do futuro um do outro. Seus caminhos iriam divergir depois daquele ano, ele sabia, mas não queria que Rin soubesse disso ainda. Machucaria demais que ele soubesse.

— ... O que há com você?

Sousuke não olhou para o amigo.

— Não há nada comigo.

— Mentira. Está agindo estranho desde ontem.

Sousuke franziu muito de leve as sobrancelhas. É... Muitas coisas aconteceram no dia anterior. Rin podia até chamar atenção ao momento da prova, no campeonato, mas Sousuke conseguia ouvir as reticências que indicavam que era mais que isso.

“Você estava esquisito quando saímos ontem”, Rin pensou, com os olhos fixos nele.

“Não faça perguntas sobre isso...” Sousuke pensava, ainda sem querer olhar para ele.

“Não é típico de você se distanciar de mim assim, também”, o ruivo pensou.

Não houve resposta.

— Pare com esse silêncio. Fale logo!

— Não há nada para dizer. – Sousuke respondeu.

Nitori olhava de um para o outro, ignorado. Rin olhou para o amigo, depois para o garoto mais novo. Não adiantaria nada tentar terminar aquela conversa ali.

— Vamos lá pra fora. – Rin disse, por fim.

Até estarem nos jardins da Samezuka, Sousuke não olhou nos olhos de Rin. O ruivo parecia impaciente. Qual era o problema afinal?

— Não é nada, eu já disse. – Sousuke disse.

“Bem”, ele pensou consigo mesmo, “há muitos problemas. Você não precisa ouvir sobre nenhum deles ainda. ”

— Então eu vou fazer uma pergunta. Quando nadamos o revezamento ontem... O que você sentiu? – Rin chegou mais perto dele. – Você disse... Que tinha algo que queria entender. Que achava que ia entender isso nadando comigo.

“Sim... Eu quero entender o que é isso que vocês têm”, Sousuke pensou. “E por que eu não posso fazer parte disso. ”

— Você entendeu?

— Eu não sei.

— Como você não sabe?

— Foi como eu te disse... – Sousuke finalmente voltou o olhar para ele. Sua expressão estava conturbada, indecisa. Ele queria dizer muitas coisas a Rin. Mas o que ele devia dizer, Sousuke não sabia ao certo. Sua expressão ficou séria para completar a frase. – Eu não sei.

Rin trincou os dentes e, de súbito agarrou sua camisa, o imprensando contra a árvore mais próxima.

— Eu pensei que você quisesse nadar pra valer. É o que eu queria! Você não levou isso a sério?!

Sousuke esperou que a explosão de palavras de Rin terminasse. Não era aquilo que ele queria. Aquilo tinha saído de controle.

Olhando para os olhos rubros do amigo, Sousuke abriu a boca.

— Você acha que nadar com você é algo que eu deixaria de levar a sério?

Rin travou por um momento, mas seu olhar raivoso persistiu.

— Então por quê?

Sousuke pôs uma mão sobre a de Rin e, com um impulso o trouxe mais para perto, grudando seus olhares.

— Isso é importante demais para que eu minta sobre isso!

Rin ficou olhando para ele, sem entender. Sousuke estreitou os olhos e sua mão estremeceu ao perceber para quão perto tinha trazido o ruivo.

— Eu não posso – ele disse, sério – menosprezar isso. Apenas fingir que eu entendi algo que diga respeito a você!

Rin arregalou os olhos. Sousuke soltou sua mão. Não, ele não queria dizer tudo. Dizer a Rin, realmente, o que sentia. Sousuke queria primeiro encontrar aquilo, o segredo detido por Nanase, a razão de ter ido para o revezamento. Ele precisava, antes de dizer qualquer coisa, garantir que encontrara aquela forma de conseguir a sua vitória.... De estar com Rin.

— Rin, eu quero nadar mais. – Foi tudo o que ele disse. – Eu não quero parar.

E, no fim, o sorriso que Rin lhe deu após a surpresa inicial foi caloroso. Mas também doeu dentro dele.

— Está ficando tarde. – Rin disse, quando eles pareciam já ter chegado num entendimento. – Vamos pro quarto.

“Estou ficando sem tempo...” Sousuke olhou para o céu da Academia, depois desceu o olhar para as costas de Rin. Ele estalou a língua e franziu a sobrancelha. Ele teria que arranjar uma forma de descobrir aquela coisa o quanto antes, ou o que ele falaria soaria como um adeus.

***

Makoto acabara de colocar os irmãos na cama, pois seus pais voltariam para casa muito tarde. Ele caminhou pela casa escura até seu quarto, meio apático. Passara o dia inteiro sem prestar atenção em nada em especial, como se ainda estivesse num sonho.

Diversas vezes lhe passou pela cabeça o fato de que beijara outra pessoa.... Que não Haru. E, no fim das contas, ele havia gostado. Mako se sentia traindo seus sentimentos por Haru, não conseguindo aceitar que eles fossem tão reais quanto ele pensara se ele tinha gostado de ficar com outra pessoa. Ele se sentia horrível. E, ao mesmo tempo, havia um alívio estranho, pois isso queria dizer que não precisaria mais ficar sofrendo por Haru.

No entanto, não parecia certo. Pensar em deixar seus sentimentos por Haru para trás pareciam como fingir uma personalidade que não era a sua. Um sorriso ao qual não estava acostumado.

Ele deitou na cama e se encostou na parede, desejando que a sensação de solidão fosse embora ao chegar do sono.

Notas finais
Olha, feels desnecessários! *foge* Sobre a nota no texto: a ideia na verdade é que o Haru diga "itterashai" e o Rin "ittekimasu", que são tecnicamente usadas por um casal que mora junto :v #eutentei Sim, pois é, eu sei que (1) o Sousuke nem sequer pensou no Mako, (2) o Mako tá na bad, (3) aqueles dramas do Haru não saber o que vai fazer ainda tão aí ( e (4) nós sabemos onde esse drama acabou da última vez), mas! Calma! Ainda falta é tempo pra história! Tudo vai se concertar, eu prometo! ^^ .... Na verdade, eu já queria ter colocado uma interação maior de soumako aqui, mas aí eu pensei "f*ck! Eu tenho que colocar essa conversa do Sousuke com o Rin (mesmo que tenha ficado um lixo -.-)" e resolvi arrumar pro próximo :'D Espero que continuem aqui, amando a história ♥ Sutoruberi kissus~