Notas iniciais
Ahhhhh, eu to tão cansada T-T Calma, gente, eu não to cansada da fic kk eu to cansada porque só agora to conseguindo ter férias (na verdade, ainda tenho um trabalho para entregar, mas detalhes), então eu PRECISO parar e, sabe, dormir, fazer nada, pôr os livros, séries e escritas em dia :'D Eu não tenho nada a dizer sobre a demora. A faculdade tava um porre. A vida fica me bombardeando de deveres e compromissos e eu acabo sem conseguir foco pras coisas que quero/gosto :( Mas vai ficar tudo bem agora u.u Aeeee, fic entrando na reta final, finalmente *-* Espero que gostem ♥ E eu espero conseguir continuar nesse fluxo de ideias maravilhoso pra ver se consigo dar continuidade logo pra fic kk

Haru não se sentia... Desperto.

Ao seu redor, a multidão gritava e torcia, mas, mais uma vez, tudo lhe parecia distante.

Seu coração não deveria estar acelerado daquele jeito, conforme ele encarava a piscina à sua frente.

Desta vez era pra valer, não era?

Nos últimos dias, ele tinha tido tantos pesadelos com este exato momento que era difícil convencer sua mente a acompanhar o ritmo de verdade do agora. A multidão ao seu redor fazia barulho. Mas a água era silenciosa. Haru olhou para a piscina. O que ele deveria fazer...?

Não, ele sabia o que deveria fazer. Deveria nadar por toda aquela extensão. Fazer jus às expectativas que todas aquelas pessoas depositavam nele. Era isso o que lhe era esperado. Ele, o prodígio da infância, mesmo crescendo continuava sendo esperado que ele fosse o campeão dentre todos dali.

Ele trincou os dentes, ouvindo o apito do juiz para que subisse ao pódio.

Makoto perdera. Nagisa e Rei ainda poderiam se qualificar, mas, com os tempos que eles costumavam marcar, se comparado com o alto nível daquela competição, era algo bastante improvável.

Mas ele deveria vencer.

Era para ele vencer.

Haru buscou rapidamente os olhos de Rin na multidão. Ele o estava assistindo também, não estava? As mãos de Haru estremeceram, mas ele fechou os punhos na pedra, posicionando-se para saltar na água.

Tudo parecia lento. Ele respirou fundo. Não se sentia no mundo real. Ou melhor.... Não se sentia em sua vida real. Mas aquilo já não era um sonho.

O apito soou. Ele deu um salto perfeito na água.

Era para ele vencer.

A água abraçou o seu corpo, como sempre fazia. Haru moveu o corpo por baixo d’água, até sua cabeça emergir, vários metros à frente. Ele só tinha que.... Encontrar as brechas certas, inserir as mãos e impulsionar-se adiante. Ele sabia como vencer aquilo.

Foi então que a água mostrou suas presas. E atacou.

Haru respirou errado. Suas pernas perderam o timing do movimento por um instante. Ele tentou retomar a compostura e ficar no comando, mas sentia-se sendo preso. Sua fiel companheira o estava prendendo, restringindo seus movimentos e o segurando enquanto ele tentava avançar.

Cada vez que seu rosto virava para poder respirar, os urros da multidão enchiam seus ouvidos. Mas era um ruído surdo. Como se Haru estivesse dentro de uma cápsula, dentro de uma bolha pessoal que o continha, que o impedia de alcançar qualquer coisa.

A torcida das pessoas do lado de fora. Elas todas esperavam que ele vencesse. Mas elas estavam tão longe.... Tão longe dele. Haru não fazia parte daquele grupo. Ele nem sequer sentia que controlava aquele corpo em quem eles depositavam as expectativas.

A água lhe prendia.

Preso.

Todos os pesadelos terminavam da mesma forma, e era exatamente assim.

Seus pés tocaram o chão.

Imediatamente, o tempo voltou a correr rapidamente. Num instante, ele ouviu gritos, ele ouviu o som da água respingando pelas braçadas dos oponentes. Estes passaram por ele na volta, em questão de segundos. Tudo foi rápido demais e ele não entendeu completamente o que aconteceu.

Então arregalou os olhos. Estava acordado. Estava de pé na piscina. Havia desistido.

Seus movimentos foram robóticos enquanto ele se deslocava de lá para a borda, daí para o solo, movia os olhos para o painel para ver a tarja de “desclassificado” brilhando ao lado de seu nome. Ele caminhou de volta para o vestiário, deixando para trás toda a multidão. E a piscina.

— Haru! – Rin gritou. Os olhos de Haru se abriram um pouco mais e ele virou o rosto na direção do ruivo, que vinha furioso até ele. Rin segurou seu braço com força e Haru cerrou os dentes, direcionando o olhar para ele. – O que é que você estava fazendo?!

Haru não respondeu. Rin olhou para ele, abismado.

“Por que está jogando essa raiva em mim? ” Haru franziu o cenho. Rin não tinha nada que ir confrontá-lo por algo assim.

— Por que é que você foi fazer algo assim??? – Rin continuou.

— Isso não tem nada a ver com você. – Haru o interrompeu.

— Não tem nada a ver comigo?! – Rin retrucou, elevando ainda mais a voz. – Tem tudo a ver comigo, porque é da sua vida que estamos falando!

Haru apostaria que Rin estava querendo chorar. Francamente.... Ele era tão emotivo.

Mas Rin não queria chorar. Ele queria que Haru lhe respondesse. Que Haru parasse de agir como se não se importasse com nada.

Haru não queria isso.

“Por que você tem que fazer tanto alvoroço por algo assim? ” O moreno pensou.

— ...

— Tinha uma porção de olheiros assistindo a prova, Haru! Isso era importante! Então, o caralho que não tem a ver comigo!

— Por quê?

Rin recuou, surpreso.

— O qu—

— E daí que estavam vendo a prova? – Haru falou, sem olhar nos olhos dele. – Eu tinha que bater um recorde na frente de todos eles? É isso?

— ...

Haru levantou os olhos para Rin. Ele estava sério, sombrio e extremamente irritado. Rin fixou os olhos nele, sentindo crescer o medo pelo que viria daquilo.

— Você sabe que não é por isso que eu nado. – Haru falou.

Rin o encarou. Então seu olhar ficou mais sério também.

— Então fale.

— Eu nado por mim mesmo. – Ele disse, com convicção. – E pelos meus companheiros de time.

— Então faça isso. – Rin respondeu, sem recuar. – É o seu futuro bem ali! Nade por você mesmo e dê algum valor a isso! Vai mesmo abandonar os seus sonhos?! Você tem que levar isso a sério, Haru! Isso vai influenci—

BAM!

Haru bateu com força no armário atrás de si e olhou para Rin com um brilho mortal.

— Os meus sonhos? Deixe de bobagens! – Haru olhou fixamente para ele. Rin estava pasmo. – Eu não tenho nada disso! Quem tem sonhos é você, Rin! Quem liga para o futuro é você! E eu não sou você!!!

Haru sustentou o olhar com o ruivo, sem lhe dar chance de resposta. Rin sentiu o coração acelerar. Flashbacks de meses atrás lhe surgiram e lhe deram náuseas.

— Haru, espere! – Ele tentou segurar o braço do namorado, mas Haru o afastou.

— Não são essas coisas que importam para mim, Rin. – Ele concluiu, sem olhar de novo para ele.

Rin sentia vontade de gritar. Mas também sentia-se desesperado. Haru. Não.

Seus lábios se moveram. Rin abaixou os olhos.

— Vai ser mesmo sempre desse jeito...? – Ele perguntou a Haru.

Haru ouviu, firme no lugar. Então começou a andar, indo embora. Rin ficou onde estava, sem conseguir se mover, até ver o moreno sair de sua vista.

Cerrando os punhos e estalando a língua, Rin finalmente se moveu, seguindo na direção contrária. O dia ainda não terminara. E este não era um dia em que ele estivesse exatamente livre para sofrer por causa de Haru...

—Rin-senpai! – Nitori o alcançou. – Rin-senpai, você viu o Yamazaki-senpai?

Rin virou-se para o menor.

— Hm? Sousuke não está no vestiário?

Nitori desviou o olhar, meio envergonhado.

— O Yamazaki-senpai parece estar nos evitando... – Então ele olhou decidido para Rin. – Por favor, senpai, fale com ele! Afinal... Nós somos um time, não é? Se houver alguma coisa errada com ele—

— ... Vai ser um problema para todos, não é... – Rin completou, compreendendo. Ele olhou o relógio numa das paredes. Ainda faltavam algumas provas, mas eles em breve teriam que se encaminhar de volta à piscina para a competição do revezamento. E isso não poderia ser feito sem Sousuke. – Certo. Eu vou atrás dele.

— Certo! Obrigado, senpai!

Rin assentiu e foi atrás do amigo. Encontrá-lo não foi tanto o problema... Mas ao olhar para ele, Rin soube que Sousuke tinha um.

— Sousuke. – Ele chamou, se aproximando. Sousuke não levantou a cabeça. Parecia perdido em sentimentos. Seu rosto exibia uma careta, discreta, porém constante. – Sousuke? Ei, Sousuke!

De repente, o moreno ergueu os olhos para ele. Ele pareceu surpreso em vê-lo.

— Rin...?

— Aconteceu algo? O Ai está preocupado com você...

Sousuke abaixou a cabeça. Rin viu que ele ainda parecia distante.

— Não é nada.

Rin ficou olhando para ele, mas Sousuke não ergueu os olhos. O ruivo foi sentar-se ao lado dele, procurando por uma brecha naquele muro pessoal que ele tinha erguido.

— Você estava estranho durante o treino hoje mais cedo também... Você pareceu sair de si por um momento—

— Já disse que não é nada.

— ... E você tem faltado treinos. – Rin continuou. Sousuke parecia querer fugir daquele questionamento, mas ele, mais do que ninguém, deveria saber que Rin não deixaria passar aquilo em branco. – Aonde tem ido? Sousuke, você—

— Eu já falei que não é nada! – Sousuke esbravejou.

Silêncio. Do tipo constrangedor. Sousuke desejou que Rin fosse embora. Que deixasse para lá. Qualquer coisa para não ter que passar por aquilo.

Rin olhou para ele até sua paciência esgotar.

“Francamente, Sousuke... Algumas coisas são bem fáceis de serem lidas”, ele pensou, pegando uma latinha de refrigerante na máquina mais próxima. Então ele a arremessou para Sousuke. Mas mirou um pouco mais perto.

Sousuke estendeu o braço direito para pegar a lata. Rin observou o movimento. E viu o membro de Sousuke travar, o rosto dele se contorcendo de dor imediatamente. Rin o observou, sério. Sousuke abaixou a cabeça, envergonhado. Sentia ter estragado tudo. Sentia ter desapontado a pessoa que mais lhe importava.

— Você machucou o seu ombro, não é?

Não era uma pergunta de verdade. Sousuke permaneceu impassível. O olhar de Rin se agravou e ele avançou na direção do amigo, erguendo o braço.

— Deixe eu ver. – Rin ordenou. Sousuke segurou a mão dele com a sua esquerda e os dois lutaram para ver quem cedia primeiro. Em momento algum, Sousuke olhou diretamente para ele. Então Rin puxou a camisa do moreno de uma vez, revelando a vermelhidão em seu ombro. Rin resfolegou. – ...Há quanto tempo está assim.

Sousuke respirou fundo. Ele não levantou os olhos ainda, mas respondeu Rin:

— Desde hoje de manhã.

***

Rin nunca estivera tão sério para uma competição. Ele caminhou junto aos outros até a ponta da raia indicada e se colocou no fim da fila da Samezuka.

Aparentemente, todos estavam querendo lhe levar até o seu limite naquele dia. Mas ele não se sentia amedrontado. Estava ali para vencer. Junto com seu time. Com o melhor time que poderia reunir.

Ele olhou para o lado. Haruka virou os olhos azuis em sua direção, com a seriedade costumeira. Rin não queria pensar na dureza que podia estar presente ali, um pouco mais firme para com ele do que ele se acostumara nos últimos meses.

Rin estava ali para vencer. Lado a lado com os seus rivais insubstituíveis.

A água da piscina estava cristalina como tinha que ser. A plateia parecia em conflito entre torcer e berrar por seus favoritos e ficar em silêncio antes do início da prova. Rin mantinha os olhos à frente, mas era óbvio que sua atenção estava fixa no moreno da equipe rival, emparelhado com ele, ambos na mesma posição.

— Esse é o meu time. – Rin falou. For the team. Ele faria jus à sua equipe. – Ele é imbatível.

— O meu também é. – Haru respondeu logo em seguida.

Os dois rapazes se olharam e, por um instante, Rin até mesmo esqueceu que eles deveriam ser apaixonados um pelo outro. Ele e Haru eram rivais, acima de tudo, antes de tudo o mais. Eles não tinham rixas e ódio, mas eles meio que sabiam que sempre precisariam daquilo... Do sentimento que vinha com competir um com o outro, e apenas com o outro.

Rin era de novo uma criança de onze anos. Aquele Haru era muito rápido. E ele o queria ao seu lado para as duas coisas: para vencê-lo (ou se esforçar ao máximo para isso!), e para trabalharem juntos. Ambas as opções eram o caminho para a realização de seus sonhos. Não caminhos diferentes, porque ele precisava das duas coisas juntas.

Haru era seu rival, aquilo que lhe motivava a crescer, apenas porque ele sabia que Haru também continuaria a fazê-lo. Mas Haru era seu aliado primário, a pessoa em quem ele mais confiava, fosse para carregar a sua carreira ou a sua vida. Ele e Haru eram competidores, havia algo que acontecia quando se enfrentavam que lhes dava um sentimento estranho de euforia e completude. E eles eram parceiros. Rin já desistira de quebrar a cabeça pensando nesta última afirmação, na verdade. Ela se tornara apenas uma certeza em sua vida.

O juiz apitou uma vez e os nadadores da primeira sequência, costas, mergulharam.

Rin olhou para a água, então outra vez para Haru. Outra vez, eram eles dois debaixo de uma cerejeira. Haru não gostava que Rin fizesse as coisas sozinho, nem que fosse assumindo fatos sobre ele sem lhe consultar. No passado, ele deixara que Haru se afastasse por causa do que ele próprio tinha feito. Mas hoje...

Rin podia ver. O céu límpido do fim do inverno. Pétalas de flores de cerejeira, inexistentes quando eram pequenos, pareciam voar entre eles. E só estavam os dois ali.

“Haru...” Ele estendeu a mão. Haru pareceu percebê-lo, olhando em sua direção meio surpreso. Rin deu um sorriso largo, tentando não se emocionar. “Não vão haver mais despedidas...”

Haru assentiu.

“A nossa vida será...” Haru disse, apenas no mundo deles dois. “...um eterno verão. ”

Esse não era o último verão de suas vidas.

Esse era o início do verão de suas vidas.

O clima quente seria mantido pelas explosões e conflitos que surgiam. Mas a brisa refrescante se estenderia por entre eles dois, assim, desse jeito.

Seu coração batia alto. Haru sorriu, muito discreto. Então os dois correram em direção à piscina e saltaram quase juntos.

A vida era isso. Nada poderia definir mais a vida do que isso. Rin estava dando o seu máximo naquele momento para não decepcionar nenhum dos companheiros que contavam com ele, nem tampouco o seu adversário. Não era questão de vida ou morte. Porque a única coisa que havia ali era a vida.

Ele tocou na piscina. Rin levantou a cabeça, mal lembrando que já podia respirar livremente. “Quem venceu...?” Ele olhou para o painel. Apenas um instante antes dele, Haru havia chegado em primeiro. Rin olhou para ele.

Haru parecia não saber o que dizer. Sua boca estava aberta, como se ele não tivesse acreditado de verdade que podiam fazer isso. Rin riu, subindo para a borda. Haru olhou de soslaio para ele, sendo içado para cima em sua própria raia. Rin olhou de volta para ele, deu um sorriso doce, então foi falar com seus colegas de time.

***

Nagisa estava falando animadamente com a equipe de Iwatobi e Gou riu de algo que ele disse. Todos eles pareciam muito felizes. E não era para menos: era um degrau a mais que subiam nos rankings das escolas do Japão. E, na próxima etapa, seriam eles competindo juntos a nível nacional!

— Ah, Haru-chan! – Nagisa acenou. – Estávamos falando de como você foi incrível lá na prova!

— Uhum. – Gou concordou. – A Samezuka parecia que ia passar de vocês, mas assim que Haruka-senpai pulou na água, nós—

— Makoto. – Ele os cortou. Todos se calaram.

— Haru?

— Será que posso falar com você?

Gou cobriu a mão, pressentindo que tinha falado o que não devia. Nagisa ficou parado, com a boca semiaberta, até ser puxado por Rei para longe dali.

Os dois já a sós, Makoto olhou para Haru.

— O que houve? Nós vencemos, você foi mesmo muito b—

— Não é isso o que quero falar. – Haru o cortou. Não precisava daquela conversa fiada agora, principalmente quando apenas uma das corridas daquele dia tinha sido bem-sucedida...

— Hm. – Mako assentiu. – Ainda está pensando no 200 metros livre?

Haru olhou para longe. Sua expressão não denunciava nada.

“Isso não tem nada a ver com você! ” Ele lembrou.

“Tem tudo a ver comigo—! ”

Ele fechou os punhos, então olhou outra vez para Makoto.

— Eu e o Rin.... Nós....

Mako assentiu outra vez. O sorriso de sempre e o mesmo olhar vagamente tristonho como sempre era quando o ouvia falar de Rin.

— É. Vocês brigaram, não foi? – Era uma pergunta retórica. Todos tinham visto aquilo. Haru não respondeu. – Precisam de um tempo para conversar.

— ... – Haru franziu as sobrancelhas, parecendo meio envergonhado. – Acho que sim...

— Sabe, eu não acho que ele esteja com raiva de você de verdade... – Makoto falou. – Pela forma como... Ele olhou para você no fim da prova.

— Aquilo era por causa da prova, não por causa... da gente.

— ...Se é o que você diz. – Ele deu de ombros.

Eles ficaram em silêncio. Os olhos de Mako se moveram para as mãos de Haru e ele quis segurá-las. Era uma vontade que parecia sempre estar ali dentro dele. Ele ficou olhando para Haru, esperando que o amigo falasse de novo.

— Será que.... Eu posso chamar o Rin para conversar no quarto.... Lá no hotel...?

Haru não olhou para ele enquanto falava. Ele tinha consciência de que estava abusando da amizade de Makoto pedindo algo como aquilo.

Mas ele precisava de... um tempo sozinho com Rin. Algumas horas eram o bastante. Só não queria ter que esperar até estarem de volta a Iwatobi, com as palavras que disseram um ao outro se acumulando de forma amarga daquele jeito.

Para sua surpresa:

— Precisam de privacidade, né? – Mako também olhou para longe. Haru ergueu os olhos, mas não conseguiu encontrar o olhar dele. – Bem... Não tenho o que fazer então...

— Makoto...

Mako olhou para ele e sorriu docemente.

— Eu dou um jeito de me distrair... Passar um tempo com a Gou ou sei lá até que vocês estejam bem...

Haru subitamente o abraçou.

— ... Obrigado...

Mako o abraçou de volta.

— Vou sempre fazer o que for preciso para te deixar feliz, Haru.

Haru apertou os olhos e o abraçou mais forte.

***

Rin bateu na porta do quarto de Haru. O moreno a abriu de imediato. Eles se olharam em silêncio por alguns segundos.

— Rin...

Rin deu um sorriso amarelo.

— Posso entrar?

Haru abriu passagem para que Rin entrasse no quarto e depois fechou a porta, os deixando sozinhos no quarto. Rin sentou-se numa das camas.

Ele olhou para Haru, que se aproximou, mas continuou de pé. Então Rin suspirou.

— Olha, eu não sei o que—

— Eu estou cansado de discutir. – Haru falou.

Rin se incomodou por ter sido interrompido, mas então seus olhos encontraram os de Haru e ele desistiu de protestar. Ele suspirou e fez um movimento com a mão para que Haru se aproximasse.

Haru o fez. Ele se sentou na cama, logo ao lado de Rin, e o ruivo passou um braço ao redor dele. Haru deitou a cabeça no ombro de Rin. Era só disso que ele precisava.

— Eu também estou cansado... – Rin disse. Sua mão afagou suavemente o braço de Haru e este se encolheu um pouco mais contra o corpo dele.

Os dois rapazes ficaram em silêncio. Não era como se eles soubessem tudo o que se passava na mente um do outro, mas nenhum dos dois queria discutir agora. Eles só precisavam de um pouco de paz.

Haru respirou fundo, aspirando o cheiro de Rin com um sorriso discreto. Ele não queria afastá-lo de sua vida e não queria que Rin pensasse que ele estava.... Afinal, eles ainda eram namorados, certo? Ele só.... Sentia que seus problemas eram dele mesmo. Eram algo com o que ele tinha que lidar, ao invés de ter Rin se preocupando a respeito.

“Eu não sou você! ”

Rin hesitava em fazer qualquer coisa que fosse... demais. Ele não queria ter deixado Haru com raiva horas mais cedo, mas ele não pudera evitar. Ele continuaria se preocupando com o que quer que Haru fizesse de sua vida. Porque ele não cometeria o erro de novo de achar que eles poderiam fazer aquilo separados.

Gradualmente, eles se deitaram na cama. Haru deitou a cabeça sobre o braço de Rin e moveu as pernas até encostarem nas do ruivo. Rin olhou para ele. Apaixonadamente. Ainda querendo poder entrar na cabeça de Haru e resolver tudo o que ainda havia para ser resolvido... Mas ele não podia fazer isso.

— ...Eu te amo. – Haru disse, olhando de volta para ele. As bochechas de Rin coraram como sempre faziam, mesmo depois de meses, quando ouvia Haru falar de seus sentimentos. – Não me peça para ser alguém que eu não sou.... Ou para saber o que eu não sei.

Rin fechou os olhos por um momento, então deu um pequeno sorriso, tocando de leve o rosto de Haru. Foi a vez de Haru corar.

— Não vou. – Prometeu. – Mas você não quer que eu tenha dúvidas, então.... É natural que eu queira o mesmo, não é?

— Minhas dúvidas são diferentes das suas. – Ele respondeu.

— Eu sei que são...

Haru suspirou e virou-se na cama, ficando com a barriga para cima.

— Todas as suas decisões são tão simples. – Haru falou. – Você sempre foi muito certo.

Rin deitou-se de bruços, olhando para ele. E riu.

— Você é uma pessoa muito mais simples do que eu. – Seu olhar viajou dos contornos de Haru para o quarto, sem rumo. – Eu estou sempre pensando demais em responsabilidades e em como vou chegar nos meus objetivos.

— Eu estou sempre pensando demais. – Haru falou também, virando o rosto para ele. – Parece que por mais que eu tente ser alguém simples, que nem você falou, o mundo fica me puxando.... Em direção a objetivos que eu preciso ter.

— Okay, nós dois pensamos demais. – Rin concordou. Haru deu um risinho. Rin sentiu o peito se encher de alegria com aquilo. – Eu gosto de quando você ri. Você parece mais tranquilo.

— Acho que eu gostaria que isso acontecesse mais vezes... – Haru falou, meio que concordando com ele.

Rin abriu a boca, pensando no que ia falar a seguir.

— ... Foi por isso que eu disse aquelas coisas, sabe? – Ele falou, sendo propositalmente fugaz. – Você sempre teve essa... Coisa com o nado livre... E de repente você não estava mais tranquilo enquanto nadava. Não fez sentido para mim.

— Eu não quero falar disso agora.

— Eu sei. – Rin mudou outra vez de posição, flexionando o braço para deitar a cabeça sobre ele. – Eu só quero dizer que.... Eu não vou te deixar ficar intranquilo assim. Você não está sozinho.

— Rin, quando foi que você ficou assim? – Haru deu um sorriso pequeno, mas meio provocativo. – Você costumava ser mais tsundere.

— E-Eu estou tentando melhorar, tá bem? – Rin gaguejou e fez um biquinho. – Ou... Você prefere quando eu sou tsundere?

— Nah, você é irritante e complicado.

— Malvado.

Haru inclinou-se e beijou o rosto de Rin.

Como que se esperasse o timing perfeito, Haru ouviu o celular vibrar. Ele o tirou do bolso e viu que havia uma mensagem. Ele a leu.

— O que foi? – Rin perguntou.

— É o Makoto. Disse para não me preocupar com ele hoje... Me pergunto o que ele está pensando.

Rin encolheu levemente os ombros.

— Bom, se ele diz isso, no mínimo encontrou um lugar onde dormir.

Haru assentiu, então se virou de costas para Rin e puxou o braço do ruivo por cima de sua cintura.

— Podemos... Só passar a noite assim...? – Ele disse. – Juntos. Sem ter que pensar no resto das coisas?

Rin sorriu.

— Claro.

Um pouco de paz... Era tudo de que eles precisavam.

Notas finais
Bem, é isso, gente ♥ Por favor, comentem, favoritem, compartilhem e tudo o mais XD eu vou agradecer muito! Sutoruberi kissus~