RinHaru Project
10 Capítulo 10
Notas iniciais
21 de março.
Já tinha quase duas semanas que as aulas haviam acabado e, no dia seguinte, todos os formandos da Academia Samezuka iriam dar uma festa para comemorar a conclusão do ensino médio. Mas o time de natação tinha planos um pouco diferentes. Então ali estavam reunidos todos os membros, mais alguns convidados, na (teoricamente impossível) corrida de despedida.
Seijuurou estava desafiando a todos e já completara mais da metade da meta que ele próprio estabelecera. Rin revirou os olhos e murmurou um “mais tarde” quando o capitão o chamou. Então ele ouviu o som de mais passos entrando no local.
Haruka, Makoto, Nagisa e Rei foram convidados para o evento, já que os dois times de natação vinham formando mais ligações, graças aos treinos conjuntos realizados uma meia dúzia de vezes durante o inverno. Os olhos de Rin se iluminaram ao ver o namorado, fazendo-o corar e, em seguida, desviar o olhar, com vergonha do público presente.
– .... Mas que corrida maluca é essa? – Ele ouviu Nagisa perguntar aos outros.
– Eles estão fazendo 100 metros 100 vezes. – O ruivo falou, se aproximando da equipe de Iwatobi. – É tradição da Samezuka continuar com as corridas até alguém vencer o capitão.
Mikoshiba espirrou, saindo da piscina, na raia do outro lado da piscina.
– Rin! – Haruka o viu se aproximar deles. Esperava não ter soado surpreso demais, mas.... Caramba, era Rin, com o abdômen a mostra, quem não perderia o fôlego por um momento?
– Oi. – Ele respondeu, com o olhar fixo em Haru. – Obrigado por virem.
Haru sorriu de volta para ele. Ali, Rin parecia realmente em casa. Confiante, alegre e fazendo o que gostava. Naquele dia, pela primeira vez, Samezuka e Iwatobi disputaram um revezamento. O rapaz moreno já se sentia contagiado pelo espírito do amado. Participar de uma competição com uma equipe, mesmo que não uma competição oficial.... Era bom.
***
4 de março.
Rin sentia o braço de Haruka transpassando o seu. Àquela hora, o parque já estava ficando mais vazio. O pôr-do-sol iluminava as árvores que voltavam a apresentar flores aqui e acolá, dando às silhuetas sombras compridas. O ruivo deitou a cabeça no ombro do namorado, absorvendo bem o seu cheiro.
– Você tem estado bem quieto atualmente. – Haru comentou.
– Tem muitas coisas complicadas pra pensar... – Rin respondeu, sereno. – Mas agora só quero aproveitar o tempo com você.
Haru esperou que ele falasse mais alguma coisa, mas o outro apenas fechou os olhos e entrelaçou as mãos dos dois. Com cuidado para não quebrar a singularidade do momento, o moreno o beijou, profunda e apaixonadamente.
Rin sentiu os lábios do namorado nos seus, uma sensação a que ele ficara bastante acostumado ultimamente. Agora que estavam de férias, tinham mais tempo apenas para os dois. Mas.... Algo dentro de si sentia-se inquieto. Ansioso.
***
20 de abril.
– Estranho nos encontrarmos aqui, não é, Rin?
Apoiado em um lance de armários do vestiário, o ruivo sorriu para ele.
– Estava te esperando, Haru.
Haruka devolveu o sorriso, então roubou um beijo do namorado. Rin sentiu o rosto corar, mas não reclamou. Há algum tempo os dois não se encontravam, pois, como ele agora era o capitão da equipe da Samezuka, seu tempo livre era bem menor. Terem passado as férias de primavera se vendo dia sim dia não era algo que contribuía bastante para que o rapaz, sim, estivesse com saudades do namorado. Ele sabia que estava acostumando mal a si mesmo no mês que passara, mas.... Foi meio difícil resistir.
Naquele dia, a cidade de Iwatobi estava realizando um torneio aberto ao público em geral no centro esportivo. Algo simples, mas que aqueles que almejavam o torneio regional de natação não poderiam deixar de lado.
Haruka afastou-se um pouco de Rin, ao ouvir um grupo passar próximo dos dois. Com um meio sorriso, o moreno falou:
– Eu gostaria de te encontrar hoje, depois daqui. Se não for um problema
Rin ouviu o próprio coração bater mais forte. Dois meses haviam se passado e Haru ainda exercia sobre ele o mesmo efeito de sempre.
“Não imagino que isso vá mudar, independentemente de qualquer coisa...”, pensou.
No final do dia, Haru o chamou para ir até o Instituto Iwatobi.
Matsuoka Rin nunca tinha pensado em Nanase Haruka como uma pessoa particularmente romântica, mesmo quando começaram a namorar. Mas....
“- Essas flores de cerejeira são bonitas, não? – Dizia um Rin sorridente de doze anos.
– Hm. – Haru não mostrou ter uma opinião.
Rin olhou para as árvores, que começavam a perder o colorido das flores conforme o tempo esfriava.
– Gostaria de nadar em uma piscina cheia delas um dia. – Ele olhou para o amigo. – O que acha, Nanase?
Haruka o encarou. Os olhos rubros brilhavam com uma chama que o fazia querer compartilhar do que ele sentia. Matsuoka era fascinante. Sua energia o atraia para perto, e ele queria poder fazer aquele garoto feliz.
Um sonho de cada vez. ”
Aparentemente, Haru também lembrava de quando ele dissera aquilo.... À sua frente, a piscina do colégio estava cheia d’água e sua superfície era inteiramente rosa por causa das inúmeras flores.
Haru.... Sempre fazia coisas maravilhosas para ele.
Em poucos minutos, no entanto, começou a chover, afogando as pobres florzinhas e obrigando os seis jovens – Rin, Haru, Mako, Nagisa, Rei e Gou – a se abrigarem.
– .... Obrigado por isso. Só é uma pena que tenha chovido. – Rin comentou com Haru e Mako, os únicos próximos a ele, de frente para a piscina.
Haru deu de ombros.
– Não tem problema. – Makoto respondeu.
Rin observou os pingos escorrerem pela coberta. Os amigos tinham dito que, apesar de terem conseguido autorização para encher a piscina, não obtiveram êxito em conseguir novos membros para o clube. Por que se dar ao trabalho por tão pouco? Ele sabia que Haru amava nadar, acima de qualquer coisa, mas ele ainda parecia não se importar com competições nem nada do gênero.... E, se ele não se importava, até quando então ele se dedicaria a esse gosto em comum entre eles? Foi a natação que fez com que os dois se conhecessem e se reencontrassem, mas e se Haru acabasse por deixar isso de lado?
.... Era a hora de tomar decisões, não era?
– Isso me lembra.... – Ele começou, chamando a atenção dos outros dois. – Vocês já pensaram no que vão fazer depois que se formarem?
Os dois rapazes ao lado dele o olharam, meio surpresos.
– Não muito. – Haru disse com honestidade.
– Não dá pra não pensar sobre isso!
Haru o olhou. Rin continuava com a mesma paixão de sempre.
– .... Eu estou lutando para conseguir bons resultados e fazer com que meus sonhos se tornem realidade.
“Rin.... Sempre tão certo de si.... ”
– Haru, Makoto, o que vocês dois pretendem fazer?
“.... Não espere que todos tenham tanta certeza como você.... “
Depois de alguns minutos em que nenhum deles falou mais nada, a chuva parou.
Rin pegou a bolsa e a pôs atravessada no ombro.
– Bem.... Acho que tenho que ir.
– Okay. – Mako disse sorrindo. – Quer que a gente te acompanhe?
– Deixa que eu vou, Mako. – Haru se ofereceu.
– Sabe, não precisa...
– Rin. Eu te acompanho.
O ruivo suspirou, então sorriu para ele.
– Tá bem. – Ele acenou para o mais alto. – Até mais, Makoto.
– Tchau, Rin.
Os dois se despediram brevemente dos outros três e rapidamente saíram do Instituto Iwatobi.
– O que quis dizer com aquela pergunta? – O moreno perguntou quando já estavam sozinhos.
– Nada mais do que aquilo... – Rin desconversou. Não queria falar agora sobre estar inseguro quanto ao que iria acontecer no futuro. Não queria falar agora sobre ter medo de Haru seguir um caminho completamente diferente do dele. Não queria falar sobre isso nunca.
Haruka segurou o braço dele, fazendo-o parar de caminhar.
– Rin, no que está pensando?
O ruivo desviou os olhos, ruborizando. Não.... Agora não...
– Bem.... – Disse, olhando para o vazio – Eu quero saber o que você vai fazer depois do colégio para poder planejar o que eu vou fazer...
Haru o encarou, surpreso.
– Você faz planos para nós?
Rin suspirou e fez um biquinho.
– É super normal fazer planos pra se estar com quem se gosta, tá bem?
Haru riu baixinho. Ele puxou Rin pela mão, aproximando seus corpos e tocando suas testas. Então falou:
– Não precisa se preocupar com isso. – E o beijou de leve.
Rin afastou os corpos dos dois, deixando Haru confuso.
– Como não me preocupar? – Disse. – Sou seu namorado! O que você faz diz respeito a mim!
Haru fez um muxoxo.
– Eu ainda não sei o que vou fazer depois desse ano. E ainda tenho bastante tempo para pensar. – Ele voltou a caminhar e Rin o acompanhou em silêncio, se censurando por ter deixado um clima tão pesado com a pessoa que mais gostava.
– De qualquer forma, – Haru voltou a falar – você já tem o seu futuro todo planejado. Para onde eu vou não importa.
Ele não estava querendo ser pessimista, nem muito menos grosseiro, mas.... Era verdade, não era?
– Como pode dizer algo assim? – Rin perguntou, subindo o tom da voz. – Você é o que mais importa para mim!
– Ainda assim, não é como se você fosse deixar de lado o seu futuro como nadador para ficar comigo.
Rin olhou fundo em seus olhos. Ele.... Estava falando sério?
– Eu.... Poderia fazer isso. – Rin disse, sem muita certeza.
– Pare com isso! Já disse que não vou deixar que desista do seu sonho.
Haru estava com a expressão séria. Não o sério inexpressivo costumeiro, sério de “é melhor prestar atenção no que eu to falando porque eu não quero ter que repetir”. Era estranho vê-lo assim, principalmente com Rin.
– .... Do jeito que fala, parece que não quer que eu te escolha.... – Rin falou, receoso.
– Só digo isso porque te conheço. – Haru respondeu, mais calmo. – Não é certo abrir mão do que você quer de verdade.
Rin se virou bruscamente para o moreno.
– E se o que eu quero de verdade for você?
Haru arregalou os olhos. Rin.... Ele.... Nunca havia de fato dito algo assim.... O rapaz esperou que o outro dissesse mais alguma coisa. Afinal, por que ele insistia em fazer as coisas pela metade? Estava abrindo seu coração ou o quê, deixando essa frase no ar?
Por favor, eles já haviam passado dessa etapa. Sem que o outro visse, Haru revirou os olhos. Soltou um suspiro e segurou a mão do namorado. Não havendo reclamações, tentou retomar a conversa:
– .... Você é o novo capitão da Samezuka, não é?
Era uma pergunta retórica. Ele estava lá no dia em que Rin fora escolhido. Mesmo assim, o ruivo respondeu.
– Tsc. Não sei o que deu no Mikoshiba....
– Você é talentoso E focado. E vai ser um ótimo líder.
Rin olhou para ele lisonjeado e segurou mais forte sua mão.
– Acho que você acredita mais em mim do que eu mesmo... – Ele disse, lembrando dos resultados da competição do ano anterior.
– Todos acreditam em você, Rin.
É claro, o caminho até a Samezuka era bastante longo para se ir a pé àquela hora, então Haru iria acompanhar Rin até um ponto de ônibus ali perto. Isso queria dizer que o tempo dos dois juntos estava chegando ao fim.
A mente de Rin, involuntariamente, no entanto, lembrava de coisas que não colocavam Haru como prioridade.... “Não deixar nada me desviar dos meus sonhos, né.... ”
– Sabe, tem algo que o Mikoshiba falou e.... – Como diabos ele falaria isso? E logo para Haru? – Comecei a pensar a respeito....
– Fale.
Sempre sem rodeios. É claro.
– Que eu deveria.... Não deixar nada me distrair do meu objetivo.
– Viu só? – Haru o olhou, com uma expressão vencedora. – Eu disse que não deveria desistir por nada no mundo....
– O problema não é esse! – Rin o interrompeu. Em seguida, ele percebeu que tinha gritado e imediatamente ficou envergonhado disso. Haru não pareceu entender. Ele suspirou. – Haru, o que mais me distrai, em tudo o que eu faço.... É você.
O moreno lhe devolveu um olhar hesitante.
– .... O que quer dizer?
Rin soltou as mãos deles.
– Sabe que não paro de pensar em você. E..... Meus resultados no fim desse período não foram tão bons.... Por isso me surpreendi ao ser nomeado capitão....
– ....
Era péssimo falar sobre isso. Sentia-se vulnerável. Não gostava de parecer fraco.
– Então.... – Rin continuou. – Se eu soubesse o que você planeja fazer, poderia ter isso como objetivo também.... Ficar na mesma cidade que você, não sei.... Quero poder unir nossos destinos.
Foi a vez de Haruka o interromper
– Eu já disse que não sei ainda. É egoísmo da sua parte tentar arrancar isso de mim.
Ele deu um risinho falso.
– É, acho que sou egoísta mesmo. E não se preocupe, eu nunca desistiria de ser um nadador profissional. – Ele parou de caminhar e ficou de frente para Haru. – Mas estou com medo do que isso pode me custar.
– Rin....
Oh, Deus, ele não estava gostando do rumo que isso estava tomando.
– Haru, eu preciso estar focado no meu sonho esse ano. Não posso continuar me distraindo tanto
– .... O que está dizendo?
Rin fixou o olhar no namorado, com lágrimas brotando nos cantos dos olhos, enquanto ele lutava para se manter firme.
– Haru, não posso continuar com você.
E foi assim. Rin sabia que essa era uma péssima escolha. Sabia que o que ele falava não fazia o menor sentido. Mas sua cabeça estava uma bagunça e ele já havia repassado essa situação de tantas formas diferentes que o fizeram perder noites de sono, quando tudo o que queria era uma resposta simples. Matsuoka Rin não fazia sentido.
Se ao menos.... Haru tivesse respondido.... Se tivesse dado pra ele a resposta, dito a ele o que iria acontecer.... Mas era mesmo egoísmo da sua parte querer que as coisas acontecessem do jeito fácil. Rin sabia que estava se auto sabotando. Ele lembrou da manhã de seu aniversário, menos de dois meses atrás.
“Desejo que Haru nunca me deixe. ”
– Você disse que nossos futuros estavam unidos, independente do que viesse a acontecer. – Haru respondeu. Não havia sinal algum de contentamento ou aceitação em seu rosto. – Mentiroso.
– Eu ainda acho isso. Mas por hora.... É melhor só sermos amigos.
Repentinamente, Haru o beijou. Rin não fez nada para impedí-lo, mas, ao se afastarem, ele já não conseguia impedir as lágrimas de rolarem por seu rosto.
– Droga, Haru.... Não faça eu me sentir péssimo por isso....
– A culpa é sua. – Haru respondeu. Foi meio cruel, mas ele merecia.
Rin afastou seus corpos.
– Um dia.... Se você me esperar.... – Ele não conseguiu terminar a frase.
– Não demore demais. – Haru respondeu, ainda nem um pouco feliz, nem conformado. – Não vou esperar mais quatro anos até você decidir lembrar que eu existo.
Rin não respondeu. Não tinha o que responder. Ia abraçá-lo de novo, mas isso só tornaria tudo pior, então ele só murmurou uma despedida, enquanto via o ônibus que pegaria chegar na parada.
“Haru, um dia eu serei bom o bastante para você. Eu vou atrás de você de novo. Eu prometo. “
Era uma promessa muda, feita apenas para ele mesmo, mas não importava
– Ah, senpai, digo, capitão! Aonde tinha ido? – Rin teve a vaga consciência da voz de Nitori lhe chegando aos ouvidos quando entrou no quarto.
Ele ignorou o pequeno rapaz. De cabeça baixa, foi até a cama. O tubarão de pelúcia o esperava, e aquilo foi a gota d’água. Não queria que Nitori o visse chorando, mas não podia mais evitar.
Haru caiu em prantos antes mesmo de chegar em casa novamente. Subiu os degraus que levavam até lá cego pelas lágrimas. Ele não lembrava a última vez que chorara, mas definitivamente não havia sentido uma dor como essa.
Ele havia sentido seu mundo inteiro se partir em milhões de pedaços ao ouvir a derradeira frase de Rin. Se isso fosse algum tipo de jogo, ele queria apenas apertar o botão de restart e dar um jeito de mudar isso. Se fosse um pesadelo, esperava acordar logo.
Haru sabia que não era.
– Rin.... – Sussurrou, fechando a porta atrás de si e escorregando até sentar-se no chão, do jeito que estava.
Era apenas Rin, sendo o maior imbecil, sacana, filho da puta de todos.
– Rin....
Mas ele o amava.
– Rin....
Então só podia sentir dor. E tristeza. Mas não conseguia odiá-lo.
***
Gou ouviu o celular tocando e, após verificar o nome na tela, o levou à orelha.
– Alô.
– Oi, Kou.
– Finalmente você resolveu aparecer! – A menina respondeu com um sorriso. – Faz anos que não o vejo!
– Estive meio ocupado.
– Isso não se faz! Me abandonar assim.... Está de volta pra valer agora?
– Creio que sim. Também senti sua falta.... E dele também.
– Sei disso. Bem, me conte depois como foi o reencontro.
– Valeu. – A voz disse, por fim. – Vou desligar agora, mas acho que devemos nos ver logo.
Ele não esperou que Gou respondesse para finalizar a ligação. O rapaz olhou para o portão à sua frente, onde se lia “Academia Samezuka”. Aquele idiota veio totalmente sem aviso, então só agora ele conseguira se transferir. Com um sorriso, passou pela entrada.
– Finalmente vou te ver de novo.... Rin.
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