Notas iniciais
Gente, muitíssimo obrigada pelos comentários *-* estou realmente feliz em saber que estão gostando, então pra "comemorar", resolvi postar mais cedo o/ esse cap é mais (bem mais) parado, mas é necessário pro andamento da estória. Espero que gostem =)

Gradativamente, a Samezuka tornava-se mais vazia, conforme os alunos iam saindo para passarem o feriado com seus parentes e amigos. Gou havia ligado para Rin na véspera para chamá-lo para passarem o Natal juntos com o restante da família. Ele não tinha mais desculpas para recusar o convite, então teve que aceitar, mas ainda faltavam alguns dias até que eles fossem. Até lá, havia apenas esse ócio interminável. Após algumas horas tentando encontrar algo para fazer lá mesmo, desistiu e resolveu dar uma volta pela cidade.

A Academia Samezuka estava localizada na periferia da cidade, onde haviam apenas uns poucos apartamentos para os mais endinheirados. Um bairro calmo demais, se fossem perguntar a opinião do garoto. Apesar do frio já presente, o dia estava bonito e ensolarado, então Rin resolveu caminhar. Ele disse a si mesmo que não tinha destino, mas não se surpreendeu ao ver até onde seus pés o tinham levado. À sua esquerda, uma árvore, agora sem as bonitas folhas claras dos meses anteriores, que o lembrava muito da cerejeira que havia no Fundamental Iwatobi. Ele fechou os olhos e deixou um sorriso transparecer em seu rosto antes de continuar andando a esmo.

“Sei como é bom nadar em um revezamento juntos... E foi você que me ensinou isso, Rin! Se não fosse você, eu nunca...”

Palavras que na hora ele havia escolhido ignorar, mas que agora lhe retornavam à memória. Haru tinha razão... Ele era péssimo em ouvir o que as pessoas falavam e em prestar atenção ao que estava acontecendo. Os olhos de Haru naquele momento lhe transmitiam tanta coisa... E ele estava tão irritado que nem havia prestado atenção nele... Irritado demais achando que o havia decepcionado...

Nanase Haruka havia chamado a sua atenção desde a primeira vez que se encontraram. Ele lembrava de como aquele pequeno garoto de cabelos negros parecia tranquilo ao nadar, como se houvesse nascido fazendo aquilo. E isso o fazia querer ter aquela mesma serenidade.... Acreditar que era possível para ele nadar de forma tão bela. Era dele que precisava em sua equipe perfeita. Nenhum sonho estaria completo se Haru não estivesse lá para trazer beleza a ele.

Rin riu das lembranças infantis. Riu porque ele não mudara sua opinião. Claro, ele não era mais tão inocente e sabia que seu sucesso dependia, mais que tudo, de seu próprio esforço. Mas, no fim das contas, era Haruka que ainda o fazia querer continuar, mesmo quando seu corpo estava dolorido por treinar exaustivamente por dias a fio. Quando perdia e sentia-se desestimulado a continuar a rotina, o que iluminava seus pensamentos e lhe dava força era o sorriso bonito e discreto de Haru.

Bonito?! De onde essa palavra saíra??? Rin pôs uma das mãos no rosto. Talvez o sol estivesse lhe fazendo mal e embaralhando seus pensamentos. Ele entrou em uma lanchonete, forçando-se a pensar em outra coisa que não fosse Haru sorrindo para ele na piscina, com a água escorrendo pelos cabelos escuros e os olhos profundamente azuis a fitá-lo e hipnotizá-lo.

***

Surpreendentemente, Haruka não estava na banheira. Estava sentado no quarto, olhando pela janela, como se procurasse por algo. Levantou-se e foi até a varanda, debruçando-se enquanto olhava para fora. Alguma coisa estava faltando...

Sentia-se com energia demais no corpo, provavelmente por não ter nadado mais desde que fora à Samezuka da última vez. Não havia se sentido assim quando parara de nadar por causa de Rin, mas supunha que tinha sido por ter se sentido culpado e deprimido demais. Para completar, aquela fora a época em que os pais o haviam começado a deixá-lo ficar sozinho em casa quando estavam em uma de suas infindáveis viagens a trabalho.

Às vezes, Haru lembrava de pensar se eles realmente ainda voltariam para casa. Poderia ocorrer um acidente como o do pai de Rin, ou eles poderiam apenas acabar se esquecendo da existência dele e começar novas vidas em outro canto. Não se surpreendeu, da última vez que os vira, há pouco mais de um ano, quando o pai finalmente legalizou sua emancipação. Ele não dissera nada a respeito. Era apenas algo que acabaria por acontecer e nada que Haru falasse impediria os pais de saírem mais uma vez. E, desta vez, já que ele “já era um homem”, eles não precisavam mais marcar data para voltar.

A maioria dos adolescentes provavelmente adoraria a ideia de morar sozinho, de se livrar dos pais irritantes, de ser dono da própria vida. Mas essas pessoas costumam ter uma família, apesar de tudo. Porque há horas em que você se encontra sozinho em um quarto e apenas quer que tenha alguém no quarto ao lado que o aconselhará a tomar uma decisão ou outra, ou que dirá coisas que o faça sentir especial sem querer nada em troca. Família.... Fazia tempo que a sua não tinha essas características.

Haru se sentia sozinho. Não que estivesse sentindo falta dos pais. Já aprendera a se virar sem eles e não desperdiçava seus pensamentos com eles. E ele ia à casa de Makoto frequentemente, apenas para fazer alguma coisa, já que ele era o mais próximo de um irmão que ele tinha. Mas, ainda assim, sentia como se algo estivesse faltando. Normalmente, encher uma banheira com água e ficar deitado nela o relaxava, mas não estava obtendo tanto resultado e isso o perturbava intensamente.

Da última vez, em vez de conseguir apenas relaxar, vários pensamentos encheram sua mente. A maioria deles, incluíam Rin e isso o deixava confuso. Rin era confuso. Era emotivo demais, intenso o tempo todo e vivia se contradizendo. Mas, por alguma razão, Haru não conseguia não se importar com ele. O ruivo tinha uma influência sobre ele.... Um magnetismo estranho... Rin, com seus sorrisos de dentes pontudos, seus cabelos magenta compridos demais, seus olhos, ora com lágrimas, ora furiosos... O que se passava na cabeça dele?

Haruka suspirou e começou a se despir, indo tentar outra vez seu ritual na água. Que irônico. Ele reclamara que Rin tinha pensamentos demais e agora tinha problema em organizar os seus próprios. Totalmente livre das roupas, exceto da bermuda de natação (ele preferira ficar com ela por baixo da roupa, apenas para garantir. Nunca se sabe...), ele encheu a banheira e entrou nela.

“Você vai nadar por mim!”

“Eu já descobri pelo quem eu nado. Ou por quem eu nado!”

Lá estava ele de novo pensando em Matsuoka Rin. Ele submergiu, deixando apenas os olhos de fora. Haru resolveu se render à sua mente e deixar-se divagar sobre o ruivo. Ele não ia negar que Rin era importante para ele. Já tinha certeza disso há bastante tempo. Mais de uma vez, ele sentira o desespero do pensamento de não mais nadarem juntos.... Afinal, por que aquilo era tão importante? “Ora, porque sim”, uma parte de si respondeu. “Nadar é uma sensação sublime, mas isso, mais a companhia de Rin, é algo sem comparação”.

“... E quanto a só a parte da companhia dele?”, outra parte da sua mente perguntou.

Haru se surpreendeu por ter evitado esse pensamento por tanto tempo. Ninguém precisava lhe dizer que ele gostava de estar na água. Mas.... E quanto a Rin? Qual era diferença que ele fazia? Tentou parar de relacionar o amigo à natação.

Um pequeno Rin com sorriso infantil sorria para ele no playground, na época em que estudaram juntos. O ruivinho o puxara para um jogo de esconde-esconde e ficara implicando com ele quando Haru o encontrara facilmente. Mas então sorriu de novo e passou um braço por seus ombros, enquanto iam em direção aos outros.

O mesmo gesto era repetido pelo amigo nos dias de hoje também. No dia da fase regional do torneio de natação, após sua conversa, ele havia feito isso. E o fizera com uma naturalidade tão surpreendente que Haru até se surpreendeu por ele ser a mesma pessoa que às vezes o tratava com tanta hostilidade. Mas ele sabia que Rin não ficava com raiva dele de verdade. Via isso em seus olhos.

Naquele momento, caminhando pelos corredores vazios, apenas os dois, ele havia sentido uma felicidade bastante semelhante à de quando nadavam juntos. Isso queria dizer.... Que gostava de estar com Rin, mesmo que não fosse para nadar com ele? Sim.... Gostava muito de estar com Rin.

Dessa vez, não se censurou por pensar em Rin.... Apenas nele.... Pensou, sem receio, em quão próximos já haviam estado um do outro. Permitiu-se lembrar do cheiro dele e do calor do corpo de Rin quando próximo ao seu. Na maioria das vezes que estiveram realmente perto um do outro, era verdade, eles estavam ou saindo ou entrando na piscina. O corpo musculoso de Rin, ainda molhado...

Aquilo estava saindo de seu controle. Ele gostava de Rin... E.... Ele gostava do corpo de Rin também... Haru afundou completamente na água, tentando lavar os pensamentos exagerados a respeito do ruivo que agora surgiam. Rin…. Ele levantou a cabeça. Estava com saudades dele... E receava que precisasse de mais que uma conversa rápida para se satisfazer....

Notas finais
E aí, pedidos? Críticas? Elogios? Zoeiras? Prometo que o próximo cap vai ser maior, gente, mas eu precisava desses "momentinhos" deles kk até a próxima, lindos ;)