Notas iniciais
Eu falei que, por deslize meu, eu não tinha postado tudo, né? Hehe e.e mas beleza, agora tá tudo em dia u.u

Nagisa olhava pela janela do metrô, no caminho para casa com Rei. Não havia quem deles não pensasse no estado de Haruka.

Haru estava fora da modalidade livre para o torneio nacional. Para a maioria dos jovens, só de ter ido até o regional talvez fosse muita coisa, mas Haru era bom o bastante para ter ganho aquela corrida facilmente... Se as coisas tivessem sido diferentes. E eles todos iriam juntos para a próxima etapa no revezamento. Revezamento. Não livre.

“Eu também quero”, ele voltou a pensar no que Rei havia dito, “que o Haru-chan possa nadar livre para sempre...” Havia alguma coisa subentendida nisso, mas que eles não sabiam explicar. Haru não parecia triste nem nada, mas era apenas “correto” que ele estar no nado livre... Então eles não sabiam ao certo o que pensar agora.

— Nagisa. – Rei disse, ao seu lado.

O loiro ergueu os olhos para ele.

— Obrigado.

Nagisa não entendeu direito.

— Pelo quê?

Rei desviou os olhos. Seus dedos esbarraram-se nos de Nagisa.

— ...

— Rei-ch—?

— Eu estou muito feliz. – Ele disse. – Em poder estar chegando tão longe com vocês. Nacional. Mesmo que seja só no revezamento, não, ainda mais sendo só no revezamento! Eu estou feliz de estar com vocês.

O metrô fez uma parada. Era aqui que Rei normalmente descia. A casa de Nagisa ainda era mais na frente. Rei se levantou e Nagisa pensou se ele não ia sair, mas o moreno apenas segurou as mãos dele, de surpresa.

— ... – Ele esperou que Rei continuasse, olhando em seus olhos. Ele não costumava ter muita iniciativa e, por mais que Nagisa gostasse de ser a pessoa que provoca o outro e o deixa com vergonha, ele se sentia um pouco feliz naquela situação.

— Se você não tivesse... Enchido o meu saco, me stalkeado e quase queimado meu filme em público mais de uma vez... – Ele pigarreou. – Se você não tivesse insistido tanto, eu provavelmente não teria olhado de volta para você.

Nagisa corou.

— Não foi nada. – Disse, com modéstia. – Todos estavam fazendo tudo o que podiam... Acho que faz parte de “ser um time”, né?

As portas se fecharam e Rei não desceu. Ele se segurou numa barra para não cair, mas continuou também segurando as mãos de Nagisa.

— Mesmo assim. – Rei continuou. Então ele deu um riso meio bobo. – Fico feliz que tenha me perseguido até me convencer. Valeu a pena. Eu estou feliz. Então... Obrigado.

Nagisa olhou para ele, com os olhos brilhando e o coração batendo forte.

— Rei-chan! – Ele se levantou num pulo, quase derrubando os dois, e se agarrou a Rei. Ele o olhou de baixo, com um enorme sorriso. – Obrigado também!

— P-Pelo quê?

Nagisa mostrou a língua, fazendo graça.

— Por me aturar.

Rei olhou para ele por um momento, então riu.

***

Makoto sentia-se ansioso.

Era estranho, como se ele alguma coisa lhe causasse pânico, mas ele não soubesse exatamente o que era. Ele estava acostumado com um certo grau de preocupações – afinal, ele às vezes era o único sensato do time de natação – mas ele estava inquieto de uma forma bastante desgastante. E se por um lado ele não entendia por que de repente aquilo bateu, ele tinha um palpite sobre o que era.

Futuro.

Se ele falasse com Haru, o amigo certamente iria fazer uma careta e dizer que era bem feito por ficar pensando naquilo... Haru não se irritava com facilidade, mas ele tinha visto a explosão dele no dia do regional e já ouvira meias palavras o bastante para entender como ele se sentia.

“Talvez Haru tenha razão”, pensou. “O futuro é estressante e só vou me sentir pior se continuar a pensar nele. ”

Assim que eles voltaram da viagem para a etapa regional do campeonato de natação, Mako sentiu aquele baque pela primeira vez. Talvez a época do ano em que se encontravam houvesse lembrado seu subconsciente do quão perto estava o fim do ensino médio... E, com o fim dele, ele não sabia ao certo o que aconteceria com os caminhos que ele, Haru e os outros percorriam.

Ele tinha um certo.... Medo de que fosse o único percorrendo um outro caminho. Que uma hora fosse olhar para trás e ver que a trilha se bifurcara e agora ele estava sozinho.

Claro, também tinha outro motivo, talvez mais agravante do que a transição do ensino médio para a vida adulta.

Ele havia desistido de Haru.

Havia?

Deveria ter.

Não sabia ao certo. Ainda não tinha certeza.

Ren chamou o seu nome e Mako piscou duas vezes, percebendo que deixara de prestar atenção no videogame que jogava com o irmãozinho.

— Hm. – Ele sorriu e fez carinho na cabeça do irmão. – Desculpe. Tinha falado alguma coisa?

O menino abanou a cabeça.

— Irmão, você está estranho desde que voltou da viagem.

— Dife..rente...? – Mako olhou para ele.

Foi a vez de a irmã, Ran, falar:

— É sim, é sim, você tem estado super calado. – Ela se debruçou sobre ele. – Aconteceu alguma coisa entre você e o Haru?

Mako olhou de uma criança para a outra, então fechou os olhos, num riso sem graça.

— É claro que não. – Respondeu, evasivo. – Haru só... Está tendo muito em que pensar...

Ren e Ran se entreolharam, depois voltaram os olhinhos para o irmão mais velho, não parecendo muito convencidos.

— Digo, por causa do vestibular! – Mako completou.

Os dois se calaram por um momento. Então, Ren abriu a boca outra vez:

— Mako-nii... – Falou, parecendo pensativo. – Você e o Haru-nii vão embora de Iwatobi quando o ano acabar, não é?

Makoto travou. É, isso era uma possibilidade. Ele não queria dar aquela confirmação para os dois, porém... Soava como se ele os estivesse abandonando.

— O que faz você perguntar isso?

Ren desviou os olhos, envergonhado.

— Eu ouvi o papai comentando com a mamãe. Que parecia que você ia para Tóquio, ou sei lá...Que era melhor pra você.

Makoto pensou em rebater, mas aquilo era bem próximo da verdade. Depois daquele último ano letivo no secundário de Iwatobi, ele iria seguir adiante com sua vida e aquilo significava... tomar novos rumos.

— Eu não sei o que Haru irá fazer quando nos formarmos. – Ele disse com um suspiro.

“Ninguém sabe, na verdade”, pensou consigo mesmo. Haru evitava aquele tipo de questão a todo custo. E, tendo visto o drama que tinha sido com Rin com relação ao “futuro”, lá no regional, ele não sabia se queria pressionar o amigo ainda mais...

— Pode ser que ele fique por aqui. – Mako continuou. – Ou que vá para algum outro lugar...

Ran inclinou a cabeça, parecendo confusa.

— Então... – Ela disse. – Quer dizer que Mako-nii e Haru-nii vão se separar?

— Se-Separar?! – Ele ergueu uma sobrancelha, sem saber como reagir.

Ran balançou a cabeça.

— Não pode! Se Mako-nii vai pra longe da gente... E, e se Haru-nii não vai junto... O que Mako-nii vai fazer?!

— Huh?!

Makoto se perguntou o que ela queria dizer. Ran estava preocupada que ele fosse ficar sozinho? Que não tivesse ninguém para protegê-lo, ou algo assim...?

No entanto...

— Mako-nii... – A menina continuou, parecendo desolada com seus pensamentos. – Mako-nii sempre cuida das pessoas. Ele cuida de mim, de Ren-nii, de Haru-nii...! Mas de quem ele vai cuidar se estiver sozinho?!

Okay, aquilo não tinha saído exatamente como ele havia esperado. Mako ficou olhando para ela, tentando processar a indignação dela.

— De quem eu... Vou cuidar?

Ren concordou com a cabeça.

— É mesmo! É assim que o Mako-nii é!

Makoto foi pego de surpresa. Ele riu, embaraçado demais para concordar de verdade.

— É, eu acho que sim... – Ele botou de lado o controle que ainda segurava e levantou-se. Antes de sair do quarto, olhou para os irmãos. – Tenho algo para fazer. Boa noite para vocês.

— Awwww... – As crianças reclamaram, enquanto o mais velho saía.

Os pais não estavam na sala, então ele simplesmente passou direto pelo cômodo, calçou-se e saiu da casa.

Makoto olhou para cima. O céu estava cheio de estrelas, sem nuvens à vista, e o clima de fim de verão estava agradável. À noite, as escadarias que levavam até sua casa estavam vazias, então o som de seus passos parecia alto demais. Ele se sentia chamando atenção demais.

Lentamente, subiu até a próxima etapa da escadaria, onde se encontrava a casa de Nanase Haruka. Seu amigo não costumava deixar as luzes da frente acesas, então era meio difícil dizer, pelo lado de fora, se ele sequer estava acordado. Mas ele foi até lá mesmo assim e ergueu o braço para bater na porta.

E, dentro de seu bolso, seu celular tocou.

— Uh...?! – Mako se sobressaltou. Sem tocá-la, mas ainda de frente para a porta de Haru, ele pegou o celular. Então, quando viu o nome no visor, se surpreendeu ainda mais.

Clic. Ele atendeu.

— Alô. – Falou, meio incerto.

— ...

— ...?

— ......

— Err... Olá. Eu... Eu não estava esperando que me ligass—

— Eu não ia ligar. – O outro respondeu. Pareceu que ele ia falar mais, então Mako esperou. A resposta demorou a vir. – Eu... Queria saber como estão as coisas, aí com vocês de Iwatobi...

Mako sentiu o rosto esquentar e se afastou da residência dos Nanase. Ele foi até um muro de pedra, apoiou-se nele e virou o rosto na direção das plantas que cresciam das laterais da escadaria até ali em cima.

Yamazaki Sousuke e ele não haviam mais se falado de verdade.... Desde que passaram a noite juntos no hotel, após a etapa passada do campeonato de natação. Eles haviam se visto depois, no lobby, é claro, mas não trocaram mais do que um olhar nervoso e acenos de cabeça. Posteriormente, Mako escreveu e apagou muitas mensagens. Ele imaginava que o outro tivesse feito o mesmo.... Ou talvez Sousuke simplesmente não tivera mais pensado naquilo.

Mas esta última hipótese se invalidava com este telefonema.

— Bem. – Ele respondeu depressa. – Estamos todos bem. Meio nervosos com o nacional, mas nada de mais....

Ele estrategicamente deixou de fora a parte em que eles tinham dificuldade de coordenação e em que seus tempos do revezamento aumentavam, mesmo com cada um melhorando individualmente. Era um problema que, para ele, parecia pessoal demais para qualquer outra pessoa de fora do time saber.

— Sei. – Sousuke respondeu. Outra pausa. – E.... Como você está?

— Eu...?

— É. – Pela demora em unir uma frase com outra, Makoto imaginou que ele estava nervoso. Sousuke não parecia o tipo de pessoa que ficava nervoso, mas talvez ele não fosse muito bom com telefonemas. – Da última vez em que nos vimos, nenhum de nós dois estava... Bem. Estou perguntando se você está bem agora?

Makoto apoiou a cabeça no muro. Olhou de leve para uma das únicas constelações que conseguia ver completa dali de onde moravam. Sorriu um sorriso triste.

— Acho que sim. Tenho que preencher o questionário que nossa professora-orientadora nos entregou, sobre o que vamos fazer depois da escola. Eu tenho umas coisas em mente, mas algo sempre parece me fugir.

— O que você tem em mente?

Mako não esperava realmente que ele fizesse aquela pergunta, que despertasse interesse nele daquela forma.

— Eu quero estar em contato com pessoas. Acho que vou prestar vestibular para algo na capital.

— ...Mas não sabe ainda para quê?

— Não. – Ele respirou fundo. Meio triste consigo mesmo, mas ao mesmo tempo tranquilo. Sousuke não o estava julgando. Apenas queria saber, por interesse real. – Não sei. Mas tive uma conversa com pessoas da família hoje e... Talvez eu chegue a uma conclusão em breve.

— Entendo. E o Nanase?

Mako perdeu o fôlego. Um gosto amargo subiu à sua boca.

— Ele não decidiu. Ou, mais que isso, não quer que saibamos o que ele vai decidir. Não quer que pensemos nele fazendo outra coisa que não exatamente o que fazemos agora. Algo assim.

Sousuke, do outro lado da linha, estalou a língua.

— Você parece ter muitas suposições, mas o Nanase não te disse nada, não é?

“Ele não disse nada a ninguém”.

— Não.

— Francamente, aquele cara...

A voz de Sousuke sumiu. Mako sentia-se desconfortável. Ele queria saber o que Haru ia fazer, para onde iria, se poderiam ir juntos.... Mas era estranho que aquilo parecesse afetar outras pessoas também. Que outras pessoas também precisassem daquela resposta.

“Ah, é”, veio um pensamento, “o Haru não é meu”.

Haviam muitas pessoas, aparentemente, cujas decisões dependiam das dele. Muitas outras pessoas além de Makoto.

Será que haveriam pessoas cujas decisões dependessem das dele? Que esperassem para saber do destino de Tachibana Makoto antes de moldar seus próprios?

“Mako-nii sempre cuida das pessoas—”

... Pessoas de quem ele fosse responsável.

É, aquilo parecia ser um pensamento bom...

— Sousuke. – Ele chamou. – Você está bem?

Um riso seco.

— Não tenho como ficar muito diferente de como estou.

— O seu braço...

— Eu já sei sobre o meu braço há algum tempo. – Ele respondeu. – É uma ideia com a qual já estou meio acostumado. Um pouco. Já tive tempo para pensar sobre isso.

— E... quanto ao Rin?

— ....

— Onde você está agora?

Ele quase conseguia ver a confusão no rosto de Sousuke por causa daquela pergunta.

— Na Samezuka. Na quadra interna de basquete.

— Você joga basquete?

— Não. – Um princípio de riso. – Mas é grande e vazio. Espaçoso o bastante para que eu possa andar sem nunca passar duas vezes pelo mesmo lugar... De dia, é impossível se movimentar de verdade aqui, tem sempre alguém, e ficam te olhando estranho se você quiser apenas andar....

Makoto não entendia direito aquele sentimento. Mas, bem, ele também estava sozinho num lugar em que normalmente não estava. Não era como se sempre houvesse gente por ali, mas de dia tudo parecia tão vivo.... Agora, era como se ele fosse a única pessoa. Como se todos houvessem desaparecido e só restasse ele e a pessoa que conversava com ele pelo telefone.

— Se tudo.... Estivesse realmente bem entre você e o Rin.... Você não estaria caminhando por arquibancadas vazias, conversando com alguém que está a quilômetros de distância.

— Cale a boca. E eu não liguei para falar do Rin.

— E para que você me ligou, Sousuke?

Ele pôde ouvir a respiração do outro.

— Para não falar dele. Para não pensar nele, e não pensar no que fazemos ou deixaremos de fazer. Porque tenho que me acostumar com a ideia.

Ele não completou a frase, mas Mako entendeu.

“...Me acostumar com a ideia de estar sem ele”.

Mako fechou os olhos e abraçou o próprio corpo.

— Entendo. Talvez eu também precise me acostumar com essa ideia.

Notas finais
Sim, eu já estou escrevendo o próximo! Eu só não estou postando com frequência por causa do scanlation de que faço parte (pessoas somem e aí sobra tudo pra mim -.-'), maaaaaas vai dar certo, já tá dando certo ^^ Amo vocês ♥ Sutoruberi kissus~