Notas iniciais
Desculpem a demora aaaaaa Sim, eu terminei esse capítulo hoje sendo que eu tenho prova depois de amanhã, eu sou uma péssima pessoa kkkkk Espero que gostem~

O verão era sem dúvidas uma época muito agradável. Os estudantes tinham as férias para aproveitarem e o clima quente favorecia toda espécie de atividades.

Dito isso...

A noite estava toda iluminada. Mas não era pelas estrelas no céu e sim pelas lanternas que as pessoas soltavam rumo ao oceano. Famílias se reuniam na praia para construir lembranças felizes juntas e jovens celebravam ao lado de seus amigos. E, sim, no meio deles estavam os rapazes do time de natação do Colégio Iwatobi.

Mas não o capitão da Samezuka.

Rin podia ver as luzes das lanternas, e ele recebera uma mensagem de Haru lhe dizendo que iriam para lá. Mas foi só isso, uma mensagem, não um convite.

“Haru...” Ele pensou consigo mesmo, voltando para a Academia Samezuka. O sol há muito já caíra, mas ele tinha estado... ocupado com umas coisas. E agora ainda havia coisas com as quais ele estava ocupado.

“Eu não vou mais deixar as coisas assim...”

Tudo estava uma bagunça. Na verdade, tudo sempre estivera meio bagunçado e ao menos parte da culpa era dele. Rin franziu o cenho. Ele pegou o celular e cogitou ligar para o namorado, mas... o que havia para ser dito?

Ele estava nervoso.

E assim...

“...”

Chegou o outro dia. Não, na verdade, era aquele dia que ele estivera esperando que chegasse. Por isso, ele não perdeu tempo em reunir tudo e ir até a casa de Haru.

A escadaria era bem longa e causava estranheza a Rin ter que subir até lá sozinho.

“Outra vez”, ele pensou, “é aquela impressão de que na verdade isso é algo casual...”

Como se fosse algo que poderia ser corriqueiro na vida deles como um casal, algo a que ele facilmente poderia se acostumar, mas que, por algum motivo, ainda estava longe de ser uma realidade.

“Bom, nós ainda somos estudantes, afinal...”

Ele se perguntou se, dali a alguns anos, aquela cena seria normal para ele. Ou se seria normal esperar assim, ansiosamente, que Haru lhe abrisse a porta...

— Quem é...? – Disse o dono da casa, ainda sonolento. Então ele viu. – Rin?!

— E aí, Haru. – Rin respondeu, tentando não aparentar nervosismo. Ele estava decidido. Não ia vacilar, por mais insano e aleatório que fosse aquilo. – Estamos de saída. Ande logo e pegue suas coisas.

Haru ficou boquiaberto, esquecendo por um momento do sono.

— De saída? Aonde vamos?

Rin virou-se de costas e pegou a bolsa de viagem. Então sorriu consigo mesmo.

— Não é óbvio? – Ele olhou para o outro. – Para a Austrália.

Aquilo certamente pegou Haru de surpresa, já que ele deu um passo incerto para trás. Rin fez um muxoxo, parecendo meio decepcionado com aquela reação.

— O que é que há? Não já havíamos combinado de passar o final de semana juntos? Além do mais, eu já comprei as passagens e tudo...

— .....

Haru franziu os lábios.

Após mais um instante encarando o namorado, Rin soltou um suspiro.

— Cara.... – Ele soltou a bolsa de novo, então deu um passo até onde estava Haru. Com uma expressão séria, ele pôs as mãos no ombro do rapaz. – Não pense muito a respeito. Eu tenho algo para lhe mostrar.

Haru ergueu os olhos para ele. As íris azuis como o oceano se encontraram com as do outro, que corou com aquilo. Então Haru assentiu debilmente.

— Do que... eu vou precisar?

— Só de uma muda ou duas de roupa. – Ele respondeu, com um aborrecimento meio fingido e um encolher de ombros. – E o passaporte, é claro.

Haru assentiu e precipitou-se para dentro da casa, para buscar suas coisas. E, como ele não estava esperando nada daquilo, a ida até o aeroporto passou voando e, antes que notasse, estavam na sala de embarque.

Sentado numa cadeira ao lado da dele, esperando que liberassem a entrada na aeronave, Rin procurou a mão dele e a apertou. Haru olhou para ele enquanto entrelaçava seus dedos.

... Ele não pôde deixar de notar que Rin não tentou esconder das outras pessoas as mãos entrelaçadas, e Haru nem teve que pedir isso. Ele abriu um sorriso discreto ao pensamento de que fora Rin quem arquitetara aquela viagem – uma viagem para os dois, juntos – e que talvez ele estivesse mesmo ficando mais confortável com a ideia de sua relação com Haru ser pública.

— Haru... – Rin chamou em voz baixa, aproximando a boca do ouvido dele. – Obrigado.

Carinhosamente, ele enfiou o rosto no pescoço de Haru e beijou seu ombro.

Haruka tocou a cabeça dele, quase ruborizando. Agora, aquilo era uma mudança considerável de atitude em público, e ele estava gostando.

— Por que “obrigado”?

Rin não respondeu de imediato, levando um segundo para formular:

— Por me acompanhar. – Ele levantou a cabeça para olhar nos olhos dele. – Acho que estou sempre... usando o imperativo quando quero alguma coisa. E não sei o que faria se você resolvesse não seguir o que eu digo.

Haru riu consigo mesmo, um sorriso se desenhando em seu rosto.

— Acho que não faria mal a você pedir que eu lhe acompanhe. Nade comigo. Nade contra mim. – Ele baixou os olhos, lentamente se perdendo em seus próprios pensamentos. – No início, eu tinha raiva de você por isso. Por quebrar a minha... paz pessoal. Mas eu acho... que eu precisava mesmo que você fizesse isso. Eu precisava que você mudasse as coisas.

Rin assentiu.

— É preciso que mudemos as coisas que fazemos uma vez ou outra... – Concordou. – Se não, a vida fica... insípida. Sem sabor. – Ele apertou outra vez a mão de Haru, fazendo com que o moreno olhasse diretamente para ele. – Haru, você traz esse... sabor para a minha vida.

Haru arqueou uma sobrancelha, com um meio sorriso.

— Um sabor bom...?

Rin riu.

— Nem sempre. – Ele desviou o olhar, sonhador. – Mas acredito que é melhor sentir algum sabor na vida, nos pequenos e nos grandes momentos dela, do que... err...

— Viver só bebendo água? – Haru sugeriu, com um risinho. – Bem, eu viveria só de água. Mas entendo o que quer dizer...

Rin soltou a respiração junto com um riso abafado, se tocando de que aquela conversa, também, o havia deixado meio nervoso. Ele não era a melhor pessoa falando sentimentalismos... Ele não costumava filosofar assim. Mas era uma sensação boa, a troca de ideia com Haru.

Ele corou.

Haru era uma pessoa interessante. Excêntrico, e difícil de se entender, mas todos que ele conhecia também não eram um pouco dos dois? Era bom que eles pudessem... se entrosar mais, daquela forma.

— É a primeira vez... – Haru falou, após um certo silêncio. – Que eu entro nessa sala de embarque.

Rin ficou olhando para a frente. O salão não estava lotado, mas havia uma quantidade razoável de pessoas, já que ainda era verão. Ainda sem olhar nos olhos dele, mas sempre segurando sua mão, Rin comentou:

— Eu pensei que viajasse, por causa dos seus pais. Não é por isso que tem um passaporte atualizado?

Haru baixou a cabeça e pareceu que ele ia ficar em silêncio, mas ele respondeu, com a voz baixa, apenas para Rin:

— É por isso, sim. Mas eu nunca cheguei a viajar com eles. Meu pai e minha mãe costumavam me dizer, quando eu era menor, que iriam me levar junto para onde quer que eles estivessem trabalhando... Demorou algum tempo para eu perceber que era uma mentira.

“Mas, mesmo sendo mentira, ele mantém o passaporte em dia....” Rin pensou.

Haru lhe dirigiu um sorriso triste, que fez Rin ser impelido a quebrar um pouco daquele ar gélido que a conversa adquirira.

— O que seus pais fazem? – Ele perguntou, numa tentativa falha.

— Meu pai trabalha na parte de tecnologia de uma indústria, então ele sempre vai para fora, conferências e essas coisas, para estar em dia com tudo o que há de novidade no ramo.... – Ele pausou por um momento. – Eu não lembro qual ramo. Acabei de perceber isso...

Rin engoliu em seco e apenas desejou que aquele assunto morresse. Não era que queria negar qualquer coisa mais... Obscura da vida de Haru, mas aquilo era bastante desconfortável. E ele não gostava de pensar que aquilo era uma realidade para Haru.

Quer dizer, Haru não parecia se importar explicitamente, mas... Ele parecia ser uma pessoa muito sozinha, mais do que apenas no sentido literal.

— Bom, mas você está aqui. – Rin falou, ainda que sentisse o nó na garganta. – E, dessa vez, estou ao seu lado.

Haru olhou de lado para ele e sorriu brevemente.

— Hm. – Concordou.

“Saindo do país... E com alguém que me importa ao me lado”, Haru pensou. “Mas, Rin, não é para ser só dessa vez, seu bobo...”

***

Makoto estava com os olhos no céu. Olhando para o alto e sentindo um vazio na alma.

Não era uma sensação particularmente ruim. Ele não estava triste, magoado ou zangado. Se alguma coisa, ele diria que estava começando a se sentir aliviado, pois sabia que estava começando a se desapegar...

É claro, ele só ficara sabendo que Haru e Rin estavam na Austrália quando o amigo lhe avisara, horas mais cedo. Mas ele já sabia que eles dois deveriam passar o final de semana juntos... Ele mesmo tinha sugerido a Rin que falasse com ele.

— Tem que parar de se cobrar tanto. – Disse o rapaz ao seu lado.

Mako olhou de soslaio para ele e sentiu o rosto esquentar.

Ah é, ele e Sousuke estavam num encontro.

Ou seja, não era para ele estar pensando em Haru!

... Mesmo que a relação entre ele e Yamazaki Sousuke fosse às vezes uma forma de compensação... Ele não queria fingir que não era ele ali. Seria muito pouca consideração, a essa altura.

— Por que é que acha que me cobro? – Makoto rebateu, perguntando-se se ele era tão transparente quanto algumas pessoas faziam parecer.

Sousuke parou. Mako percebeu e virou-se para olhar para ele.

— Você não precisa ficar do lado dele, do Haru, o tempo todo. – Ele inclinou levemente a cabeça, desviando o olhar. – Ele vai seguir a vida dele, e as suas ações não vão sempre... ser cruciais para isso.

— ...

Makoto sabia disso. Sabia que era verdade. Mas sentia que ainda tinha que processar direito a informação.

— Sabe... – Ele respondeu, com um sorriso melancólico. – Não é algo em que eu possa acreditar simplesmente querendo. É mais difícil de me fazer entender do que eu queria—

— Eu sei. – Sousuke o cortou. Ele deu um passo à frente. – Mas... Você pode levar o tempo que precisar.

— ...

Sousuke inspirou fundo antes de continuar.

— Tenho a impressão de que você precisava ouvir isso de outra pessoa. Para ajudar a organizar os seus pensamentos. Eu acho.

Ele se calou.

Mako riu pelo nariz, sarcástico.

— Está muito falante hoje. Pensei que só tivesse vindo me encontrar por causa da parte dos “benefícios” da nossa amizade.

Sousuke franziu um pouco as sobrancelhas, mas Mako pôde vê-lo ruborizar.

— ... Se você estiver a fim...

Mako não precisou de mais um convite. Ele rompeu a distância entre si e Sousuke num instante e beijou sua boca com ferocidade. E também, Sousuke pensou, com algo que não estava lá da última vez.

“Ah. Seria isso ‘respeito’...?”

Ele segurou o rosto de Mako entre suas mãos, correspondendo o beijo com tudo o que tinha. Seu coração martelava no peito. Forte.

Mako tocou a mão dele com sua própria e Sousuke a segurou, ainda junto à face. Ele estava beijando Tachibana Makoto. Seu coração estava batendo por Tachibana Makoto. Ele gostava de ser reconhecido como quem era e não apenas como... um substituto.

... Isso era egoísmo?

... Querer que a afeição que aquele homem lhe dirigia fosse realmente direcionada a ele e não apenas a uma projeção de outro alguém?

Ele não ia perguntar aquilo para Mako agora.

— Não que eu não esteja. – Mako respondeu por fim, rompendo aos poucos o beijo. – Mas tenho que voltar para aprontar o jantar lá em casa. Se quiser vir, está convidado.

— Não, obrigado. – Sousuke resmungou. Não estava a fim de jantar com a família toda dele. Seria esquisito e desconfortável.

Mako riu de leve.

— Bom, não tenho que ir ainda, então relaxe.

Era tarde. Só agora o céu começava a se alaranjar, mas o pôr-do-sol veranil ainda demoraria um pouco mais a chegar. Sousuke suspirou.

“... É. Não vá.”

— Certo. – Respondeu, com um pequeno sorriso.

“O Nanase já tem quem tome conta dele...”

Mako sorriu, antes de beijá-lo outra vez.

“De quem é que o Mako-nii vai cuidar?”

Notas finais
Leitores amigos, não sejam apenas fantasmas :'D eu gosto muito de ler os comentários de vocês, eles são todos bem valiosos pra mim! Sutoruberi kissus~