Notas iniciais
Meus lindos e lindas, voltei *-* Gente, eu to tão feliz! Eu saí do bloqueio ♥ eu escrevi esse capítulo literalmente de semana passada pra cá (o que ultimamente tem sido um recorde e tanto), e aí eu fui rever umas coisas do anime (vocês sabem que vivo de rever Free pra deixar a história "direitinha", né?) e meu deeeeeeoooooos eu super me empolguei de novo! A inspiração bateu, consegui planejar melhor o que vai rolar em cerca dos dois próximos capítulos.... Em resumo, estou bem feliz ♥ Não que eu não gostasse mais da fic, porque eu amo a RinHaru Project, mas.... Ah, deixa, vou deixar vocês lerem por conta própria XD

Makoto sentiu o coração parar. Seu queixo pendeu para baixo, enquanto seus olhos continuavam fixos em Kisumi.

— ...O que quer dizer... com o ombro dele?

Shigino Kisumi olhou para ele, como se fosse esperado que Mako e Haru soubessem de algo assim. Ele não parecia preocupado, enquanto falava com naturalidade.

— Isso. Ele estava no hospital há algum tempo por causa disso e nos esbarramos. Mas, se ele está competindo, já deve estar bem. Que bom!

Makoto trocou um olhar rápido com Haruka. Este também parecia estar ouvindo aquilo pela primeira vez.

— Eu tenho que ir agora. – Kisumi falou, descontraído, se despedindo deles. – Nos vemos por aí.

O silêncio ficou pesado depois que ele saiu.

— Mako... – Haru começou, um pouco preocupado.

— Como... Por que ele faria algo assim...?

Makoto não parecia estar falando com Haru, mas consigo mesmo. Ele sentiu seu coração se apertar de forma estranha.

— Tenho certeza que ele não se acidentou de propósito. – Haru disse com um suspiro.

Mako olhou abismado para ele.

— Não brinque com algo assim! O que estou falando é... Por que ele não nos contou nada? E se ele estiver se pondo em risco.

Haru ergueu uma sobrancelha, a expressão fria apenas ligeiramente confusa por Mako estar se exaltando daquele jeito. O rosto de Mako ficou vermelho e ele desviou os olhos. Não era surpresa para ele ficar preocupado com outras pessoas, ele sempre tivera esse instinto protetor meio paternal o tempo todo... Mas ele mesmo ficara um pouco impressionado por sua preocupação com Sousuke ter lhe abalado tanto.

— Mako...

Ele não voltou a falar sobre isso. Mesmo que soubesse que pouco importaria para Haru, que podia lê-lo tão bem que seus pensamentos e preocupações estavam completamente vulneráveis.

Principalmente quando mais tarde Makoto traiu a si mesmo, perguntando para Gou se ela ouvira algo a respeito de Sousuke.

— Hm? – Ela perguntou. – Algo como o quê?

— Ah, nada não! Tudo bem se não tiver ouvido nada.

“Mako... Você não costumaria ficar pensando em algo assim por tanto tempo... A menos que quisesse interferir”, Haru seguiu a fuga do olhar de Mako.

Naquela noite, eles voltaram juntos para casa pela praia. Uma das maiores vantagens de se viver numa cidade pequena era poder ter esses momentos de tranquilidade. Haru nunca passara muito tempo em cidades grandes – o máximo fora um final de semana em Tóquio com os pais – mas sabia que nas metrópoles o ritmo agitado tornava quase impossível momentos assim.

Caminhando pela orla, com as ondas batendo suavemente na areia, e nenhum barulho mais alto que os passos deles.

Ele viu Makoto parando, ao seu lado, com os olhos fixos no oceano. Haru olhou fixamente para o amigo. Mako adquirira o costume de encarar o oceano quando tinha alguma questão perturbando sua mente. E isso lembrou Haru de que, mesmo numa cidade pequena, sempre haveria algo para assustar as pessoas.

E ele pensou, com uma triste constatação, que talvez em breve fosse ter que ser arrancado daquele mundo de paz, onde mesmo os problemas eram algo a que ele já se acostumara. Era verão, mas a vida lhe exigia que ele – que eles todos – corressem, sem poder se ater à mudança das estações. Era verão. E, mesmo que sempre fossem haver verões, ele sentia como se esse fosse o último de sua vida.

“Estamos ansiosos para ver seu desempenho no Regional”, era o que o diretor tinha lhe dito. E Haru não sabia como deveria responder a esse tipo de expectativa.

Vendo que era o melhor a ser feito, Haru sentou na borda do calçamento, de frente para o mar. Makoto pareceu não entender de início, mas então deu um sorriso curto e sentou também.

— Haru...

— Hm.

Makoto virou o rosto para ele.

— Você acha que o Kisumi falou é verdade mesmo?

— Quem sabe. Nós não temos nada a ver com isso.

Mako virou para a frente de novo. Haru devia ter razão. Não era algo com o que eles deveriam se preocupar. No entanto, ele duvidava que aquilo dentro de si fosse aceitar uma resposta dessas. Sousuke estava nadando, mas... E se ele não estivesse bem de verdade?

Haru apoiou os pés no calçamento também, abraçando os joelhos.

— Tem razão. – Mako falou, um tanto inesperadamente. – Nesse momento, temos que nos preocupar com nós mesmos, não é?

“Com nós mesmos, hã? ”

Haru olhou para a lua. Ela brilhava muito, e toda a água e toda a praia era iluminada por ela, do outro lado da calçada, onde a luz dos postes de iluminação não chegava. Mas ela era solitária.

— Temos que nos preocupar conosco porque – Mako olhou para Haru, que encontrou seu olhar – nós vamos vencer o Regional, não vamos?

E, conforme os olhos de Haru se prendiam nos dele e pareciam absorver algum tipo de profundidade estranha, Mako sorriu, tentando mostrar a si mesmo quais eram suas prioridades naquele momento.

***

Rin já estava feliz o bastante de chegar ao hotel onde ficariam para o campeonato regional. Obviamente, eles tiveram que viajar, e era sempre ótimo lembrar que a Academia Samezuka tinha recursos para fretar um ônibus para seus alunos. A cidade ficava a meras três horas de viagem na estrada, rumo ao interior da região, e, uma vez lá, foram mais quase quarenta minutos para chegarem, estacionarem e receberem as instruções do técnico.

Eles já tinham viajado para competições antes, apesar de sempre haver alguns como Momotaru, extremamente empolgados com cada árvore por que passavam no meio caminho. Mesmo assim, Rin abriu um enorme sorriso para Sousuke e abraçou de lado os ombros dele, dando um leve tapa em seu peito.

— É aqui, Sousuke. – Ele olhou para o amigo, enquanto seguiam os outros alunos para fora do ônibus. – O nosso time vai arrasar! E você vai enxergar o que precisa nele.

Sousuke ergueu os olhos para ele meio duvidoso, mas ele é que não ia discordar de seu melhor amigo e capitão do time.

— Vamos ver... – Ele disse, com um suspiro.

Ele olhou de novo para Rin, mas este tinha praticamente travado, com um sorriso bobo se estendendo por seu rosto.

— Haru...?! – Ele balbuciou.

Sousuke seguiu seu olhar e, de fato, lá estavam as sempre reconhecíveis camisas amarelas do time de Iwatobi. Sousuke inconscientemente dirigiu seus olhos para o mais alto e Mako pareceu surpreso com isso. Eles sustentaram um olhar por mais tempo que o necessário, cada qual como se estivesse tentando lembrar de algo que procurava.

— Não sabia que ficaríamos no mesmo hotel! – Rin falou, descontraído, apressando-se na direção do namorado. Haru deu um sorriso discreto e deu de ombros. Resposta típica, vindo dele. Ele segurou a mão de Rin e a apertou por um momento antes de soltá-la de novo.

O técnico da Samezuka não pareceu se importar com a interação, pelo contrário, assim que ele terminou de fazer o check-in de seus supervisionados, ele foi falar com Miho.

Haru deixou que seus olhos se prendessem em Rin sem ele sequer perceber. Rin estava sorridente. Era bom ver o sorriso de Rin. Fazia Haru lembrar de quando eles eram crianças e Rin era tão irritantemente empolgado, mas também lhe lembrava que... Ele tinha descoberto que gostava muito daquilo. De quando Rin sabia que podia derrotar um desafio que, para tantos outros, poderia parecer grande demais.

“Bem”, ele pensou, “não grande demais agora, Rin. Você ficou maior que eles. Do que os desafios. ”

E Haru sorriu com o riso de Rin. Porque aquela sim era uma visão como nenhuma outra que ele tivesse visto na vida.

— ...Haru? – A voz de Rin lhe chamou a atenção.

— Hm?

Rin deu um sorriso confuso, franzindo um pouco as sobrancelhas. O rosto dele estava corado e ele olhou ao redor antes de voltar os olhos para Haru.

— Você..... Estava olhando para mim... – Ele pigarreou. – Bastante.

Haru fechou os olhos, então, certificando-se que não havia ninguém os observando realmente, puxou o braço de Rin para o outro lado do saguão do hotel. Eles pararam num corredor que dava para coisas como o salão de jogos e a sauna, e Rin se perguntou por que se dar ao trabalho de pegar um hotel daqueles se eles mal poderiam aproveitar.

Então Haru o abraçou. Com os braços por sobre os ombros de Rin, ele manteve o ruivo perto de si. Rin podia ouvir seus batimentos cardíacos e podia apostar que eles estavam acelerados demais para um momento rotineiro de Haru. Haru não ficava emocionado daquele jeito. Em terra firme, isto é.

— Haru...? – Ele chamou o nome dele outra vez.

Assim que se olharam, Rin soube que havia algo errado. Haru tinha a expressão tensa e a testa franzida. E então ele soube que a razão por que Haru o levara ali, longe de olhares alheios não era para ninguém os ver juntos como casal.

Haru queria que Rin visse como ele estava. Mas ele não queria ninguém mais metido nisso.

Rin segurou as mãos dele.

— Aconteceu alguma coisa...? – Ele tentou de novo, mesmo achando idiota fazer aquele tipo de pergunta.

Haru desviou o olhar, mas apertou as mãos de Rin. Isso serviu de confirmação.

— We swim for the team, não é...? – Ele disse, com a voz surpreendentemente pouca.

Rin teve um vislumbre de lembrança.

— É, mas... – Ele disse, meio inseguro. – We swim the best... Free.

Haru olhou para ele, e os dois riram baixinho. Foi um riso reconfortante.

— Essa frase não faz nenhum sentido gramatical.

— Não, não faz. – Rin concordou, rindo. – Mas é igual com japonês, não é? As ideias é que são o importante. O... Coração.

O olhar de Rin caiu sobre o peito de Haru. Sobre seu coração, que agora estava ligado ao seu. Ele foi quase surpreendido por um beijo lento e suave de Haru.

Seus lábios se tocaram, e se entreabriram deixando suas respirações se encontrarem. A mínima movimentação de suas bocas, meio hesitantes de ir adiante, comunicou muito mais do que as palavras poderiam.

Mas... Rin já estava acostumado. Era sempre assim.

Ele afastou-se delicadamente depois de um tempo, olhando para baixo.

— Tenho que ir pegar minha mala e levar para o quarto. Você também, né?

— Makoto já deve ter levado.

— Sei.

Eles ficaram em silêncio por um segundo. Dois. Então se beijaram de novo, com muito mais ardência e um toque de desespero. Tomaram cuidado para manter as mãos acima da linha da cintura, mas suas bocas devoraram uma à outra, e suas línguas se entrelaçaram saudosamente. E isso também comunicou mais do que Haru conseguia expressar verbalmente.

“Rin... Só pare de tentar pensar em mim como você”, ele desejou. “Eu sou eu. Mesmo as partes de mim que pertencem a você. ”

— Eu te amo. – Haru disse, apenas porque sabia que Rin gostava de ouvir.

O ruivo sabia que Haru ainda tinha suas coisas a resolver em sua cabeça, e que ele não poderia fazer nada a respeito, então ele só o abraçou com força.

— Eu também. – Ele disse, num sussurro.

***

Sousuke saiu do elevador com uma expressão irritada.

Aquele maldito Kisumi! Ele não tinha nada que ficar tagarelando sobre ele. E Haru também, sempre se intrometendo.

E, é claro, complicando ainda mais algo que havia entre ele e Rin. Ele só podia esperar que Haru se importasse o bastante com Rin para ficar de boca fechada.

Seu ombro latejava e isso somado à irritação causada por Haruka lhe fizeram entrar abruptamente no quarto. Assim que viu que seu colega de quarto não estava, ele trincou os dentes e arremessou com força o celular em direção à cama, apenas porque ele era a única coisa de peso razoável em seus bolsos. Ele tombou na cama.

“É uma trapaça ir para as provas de amanhã sem contar a ele”, uma vozinha na cabeça de Sousuke o repreendeu. “Rin está contando comigo para dar o meu melhor...”

Era por isso que ele havia sido escolhido, em detrimento de outros alunos igualmente talentosos. Porque, mais do que conhecer sua habilidade, Rin sabia que ele tinha o que era preciso dentro de si para tomar para eles a vitória.

Ele se arrumou um pouco melhor na cama, virando depois a cabeça para a janela. Estavam longe de casa... Ele dividia um quarto com Rin sete dias por semana, mas a mudança de ares lhe era estranha, e ele não conseguia decidir se isso era bom ou ruim. De qualquer modo, parecia fazer sentido que ele contasse a verdade para Rin ali, onde eles pareciam estar à parte do dia-a-dia colegial.

Ele já tinha se decidido quando a porta se abriu e, ao erguer o tronco, Sousuke viu Rin entrando. O ruivo sorriu para ele, mas ele parecia sério... Preocupado.

— ...Onde estava?

Rin moveu os olhos para ele, depois os fechou com um pequeníssimo sorriso e foi sentar em sua própria cama.

— Eu queria falar com Haru. Mas ele não estava no quarto... Bom, não tem importância. Vou vê-lo a manhã inteira amanhã, então tudo bem.

Haru não... tinha voltado ao quarto? Realmente, agora que lembrava, o elevador estava descendo, e os quartos de Iwatobi eram em um piso superior. Ele se preocupou aonde ele teria ido, se não tinha falado nem a Rin.

— Talvez ele só esteja nervoso antes do evento...?

Rin deu um riso seco.

— Haru não é do tipo que se intimida quando o assunto é água. Ele tem pleno controle sobre sua forma e seu tempo, e o nado de Haru é realmente imbatível...

A voz de Rin morreu no meio da frase, e Sousuke viu em seus olhos que ele devia saber de algo mais. Então havia realmente uma preocupação sondando Nanase Haruka.

— ...Rin... – Ele começou, baixo.

— Ah, sim! – Rin o interrompeu. Ou talvez nem tenha notado. – Makoto perguntou de você. Ele... Perguntou se você estava bem para a prova de amanhã.

Rin olhou em seus olhos e Sousuke os manteve gélidos, ansioso.

— Ele perguntou?

— Uhum. Mas eu disse a ele que não tinha com o que se preocupar, porque você era o melhor do melhor! – Rin riu. Sousuke sorriu. Rin abriu os olhos de novo, olhando para ele com a expressão mais suavizada. – Makoto é sempre assim, eu acho. Ele se preocupa conosco. Com todos nós. E ele consegue ter empatia com cada uma e nossas dores... Só é engraçado você fazer parte do grupo. Vocês têm conversado recentemente?

Sousuke absorveu as palavras lentamente, chocando-se com a pergunta. Ele desviou os olhos.

— Não muito. Acho que ele só deve não tirar as coisas da cabeça dele.

No momento em Sousuke falou, ele percebeu que soara estranho, e Rin também lhe dirigia um olhar indagativo.

— Não é nada. – Sousuke afirmou. – Eu vou.... Conversar com o Makoto amanhã, se é que ele realmente está pensando nessas coisas...

Em sua mente, ficou estranho se ele se referia à preocupação por seu estado físico ou a.... acontecimentos passados entre os dois. Ele também não fazia ideia se Mako sequer mantivera isso em mente.

“Quem sabe”, ele pensou. “Talvez a preocupação seja só por eu ser um membro da equipe de Rin...”

— Hmm. – Rin murmurou e apoiou as mãos atrás de si na cama, tombando a cabeça para o lado de forma brincalhona. – Não sabia que chamava o pessoal de Iwatobi pelo primeiro nome.

De repente, Sousuke sentiu-se envergonhado por isso.

— Ele que pediu...

Rin riu de leve.

— Ainda assim, é legal. – Ele olhou para o teto, com um sorriso tranquilo. – Afinal, podemos ser nós todos um time, não é?

— Do que está falando? Qualquer competição envolve apenas quatro pessoas.

— Não quis dizer para competir. – Ele baixou os olhos para Sousuke. – É mais como... Família, não é?

Sousuke deitou o tronco na cama e estalou a língua.

— Você fala coisas esquisitas.

Notas finais
Esse trecho que eles falam em inglês é tirado da novel (High Speed), que eu terminei de ler mês passado. No caso, a frase original é "I swim the best free for the team", que se traduziria literalmente como "eu nado o melhor livre pelo time" (mas que realmente soa meio esquisita em inglês kk) e é uma junção de coisas que o Makoto, a Yazaki, o Haru e o Rin escreveram quando tinham 12 anos. A Yazaki era uma amiga deles que eu não sei por que cargas d'água nunca é mencionada ao longo do anime =/ Bem, é isso ^^ muitíssimo obrigada por continuarem por aqui, vocês são todos muito importantes!