Rich Boy and The Geek

3 The new, and strange boy


As meninas estavam todas reunidas no pátio, fofocando sobre alguma coisa. Algumas delas pareciam assustadas e relatavam coisas exageradas para o resto do grupo. Alguns meninos também estavam fofocando.

Por que Bruce era sempre o último, a saber, das coisas?

Continuou andando e tentando ouvir sobre o que eles falavam. Mas não demorou muito e logo a resposta apareceu na sua frente.

Se aquilo não fosse um monstro, não sabia o que era!

Era um garoto – assim suspeitava Bruce – forte e grande. Algumas crianças correram assustadas quando ele passou por elas. Ele usava um tipo de máscara, que tapava grande parte de seu rosto. Era careca e... Caramba, o cara era enorme!

- Fico me perguntando o que tem debaixo da máscara. – Jonathan apareceu do seu lado chupando um pirulito. Bruce suspirou.

- É aluno novo?

- Sim. Dizem que colocou fogo na diretoria de outra escola e os pais o transferiram para cá. – Bruce encarava temeroso aquele monstro andar até perto deles – As meninas estão falando que ele não tem nariz.

- Ele mal entrou na escola... – Bruce não entendia por que os alunos contavam as galinhas antes dos ovos chocarem – Por que ficam falando essas coisas?!

- Não sei. Mas tá todo mundo apavorado – Jonathan moveu o pirulito para o lado e a bolinha dele acabou caindo. Bruce riu do garoto – Droga!

- Acha que alguém vai falar com ele?

- Todos estão dizendo que Jack seria o único que teria coragem de falar com ele... Mas digamos que o “palhaço” sumiu. — Jonathan puxou mais dois pirulitos da mochila e pôs um na boca. – Vou quebrar essa teoria e ir falar com o grandalhão.

Antes que Bruce pudesse intervir, Jonathan já caminhava tranquilamente até o menino monstruoso que estava sentado desajeitadamente em um dos bancos perto do bebedouro. Não sabia o que fazer, ficou temendo que o pequeno nerd pudesse apanhar. Todos estavam nervosos ao ver que Jonathan tinha ido até ele.

- Ele é corajoso! – John chegou por trás de Bruce, e ele estava boquiaberto. – Além de ter te defendido do Harvey, ele tomou coragem e foi falar com... O... – John parecia tentar achar um adjetivo que qualificasse o aluno novo, mas desistiu – O aluno novo!

Bruce não respondeu, apenas ficou nervoso.

Ele não estava nervoso, necessariamente.

Ele estava em pânico!

Jonathan havia chegado perto do “monstro” como quem não queria nada e ainda lhe ofereceu um pirulito – Bruce ficou se perguntando por que não ganhara um também – sem falar que estavam conversando normalmente.

Como seria a voz daquele grandalhão? Será que sofria algum tipo de modificação ao passar por aquela máscara?

- Que engraçado, eles parecem estar se dando bem! – John parecia mais surpreso que Bruce. Selina se aproximou dos dois. Ela usava uma regatinha um pouco comprida, que mostrava metade de seu sutiã preto. Ela tinha um pirulito na boca e se mostrava entediada.

- De onde tirou esse pirulito? – Bruce perguntou, mesmo sabendo a origem do doce.

- Roubei a metade dos pirulitos que estavam na mochila do Jonathan. – John e Bruce olharam surpresos para ela.

- E pretende comer tudo sozinha?! – John perguntou.

- Não, eu dei para as criancinhas do primeiro ano! – Ela se defendeu. Ela era igual Robin Hood. Eles pararam de encarar Selina quando Jonathan saiu do lado do menino novo. Ele tinha um sorriso satisfeito nos lábios... Parece que Bruce tinha julgado mal o aluno novo só por causa da máscara de Halloween dele.

- E aí?! – John e Selina perguntaram curiosos. Os outros alunos estavam pasmos com a coragem de Jonathan.

- O nome dele é Bane. – Jonathan franziu o lábio e arrumou os óculos – Perguntei sobre a máscara, ele pareceu receoso em responder, mas contou que sofreu um acidente e a máscara serve para aliviar a dor.

- O que tem embaixo da máscara? – Selina era a mais curiosa de todas, Jonathan olhou para a mão dela e percebeu o pirulito.

- De onde saiu esse pirulito, Selina? – Selina fez cara de vítima – Por acaso você roubou da minha mochila?!

- Roubar é uma palavra feia, Johnny. – Selina ficou pensativa – Eu peguei emprestado.

- E por acaso ia devolver o pirulito todo babado para mim, de certo.

- Não! Só o cabinho do pirulito!

Selina riu e Jonathan rolou os olhos. Aquele rolar de olhos...

- O que mais ele disse? Que idade ele tem? De que cidade ele veio?

- Ele tem a mesma idade que nós e veio do Kansas. Ele é parece ser um cara legal.

Se Jonathan achava que ele era legal, quem era Bruce para pensar o contrário? John não parecia acreditar muito que o sujeito era amigável, e Selina... Onde estava Selina?

- Vocês querem pirulito? Eu tenho vários aqui e... – Jonathan olhou em volta, com certeza procurando por Selina – CADÊ MEUS DOCES?!

*

Achava confiável? Não. Bane não achava ninguém confiável. Porém, fora o único com coragem suficiente para ir falar com ele. O menino não parecia ser um dos valentões, valentões não usavam óculos fundo de garrafa. Ele parecia apenas curioso em relação ao novo colega.

Tentou parecer amigável ao jovem estudante, e conseguira. Mas não iria ficar se expondo para todos os alunos da mesma forma. Só havia agido de tal maneira para não levantar suspeitas. Pretendia fazer algo maligno, era seu plano desde o inicio – em outra escola – mas não dera certo.

Dessa vez daria.

Só precisaria da confiança dos alunos certos.

*

Que aula chata. Todos os adjetivos daquele gênero se encaixariam perfeitamente a sua aula de educação física. Primeiro alongaram-se e depois estavam correndo em círculos. Jonathan também corria, embora desajeitado e quase parando, mas com os gritos de Jim até aquele gordinho com sotaque escocês corria. Ele estava todo suado, e com aquela regata branca – que todos os meninos eram obrigados a usar – ele parecia... Atraente.

Por que, diabo estava pensando aquilo?! Devia era estar prestando atenção em Rachel, ou em Selina – que parecia correr e não cansar nunca – mas não! Estava prestando atenção em Jonathan Crane.

- Bruce! – Jim chamou. Ele nunca parecia notar Bruce nas aulas, somente quando ele não fazia nada – Junte-se aos seus colegas!

- Não me sinto bem, professor. – Bruce fez cara de enjoo, e aquilo desencadeou um caos na aula de educação física.

- Por que Bruce pode fingir estar doente e nós temos que continuar correndo?! – Alguém perguntou.

- É! Ele tem o mesmo direito de correr como nós!

- Ei! – Jim tentou acalmar a garotada – Se o Wayne quisesse se atirar da ponte iriam querer se atirar também? Não, né! Agora, continuem correndo. – O professor se aproximou de Bruce e sentou-se ao seu lado – Bruce, você anda muito preguiçoso ultimamente, suas notas caíram muito. Está acontecendo algo?

- Não, professor. Só estou enjoado. Prometo participar na próxima aula. – Bruce estava mentindo para não ter que correr loucamente com os outros, mas parece que o professor tinha caído.

- Tudo bem, então. Se se sentir mal, vá até a enfermaria. – Jim falou com compaixão ao aluno e voltou a gritar com os demais. Jonathan escapara da corrida e sentara ao seu lado.

- Tudo bem, Bruce? – Jonathan respirava com dificuldade e procurava sua bombinha na mochila. – Você está estranho desde ontem.

- Estou bem. Só enganei o professor para não me exercitar. – Jonathan estava sem os óculos, e parecia infinitamente mais atraente. Droga Bruce, de novo com esses pensamentos?! – Tudo bem com você?

- Sim, sim. É só a asma.

- Crane! Volte para a quadra! Você não está doente! – O professor não perdoava ninguém.

- Eu tenho que descansar, senão vou ter um ataque de asma! – Gritou de volta e o professor aprovou. O menino se virou novamente para Bruce – Vamos, me conte o que está te incomodando.

- Acho que estou apaixonado. – Bruce falou e Jonathan o encarou sério. Mas aquela seriedade se dispersou e em seguida veio um acesso de riso.

- Que clichê! – Talvez a teoria de Blake não estivesse tão exata. Ele nem sequer havia se abalado com o que Bruce falara! – Quem é a coitada? Selina?

Bruce queria ter pegado aquelas palavras e as colocado de volta na boca. Havia se arrependido de dizer aquilo. Sentiu-se mal pelo modo como fora tratado e apenas lançou um olhar magoado para Jonathan e saiu caminhando.

- Bruce? Desculpa, não quis te magoar! – Jonathan foi atrás de Bruce seriamente arrependido, mas o professor o puxou de volta. Bruce ainda ouviu Jim falar “Ele está doente, ele vai para a enfermaria, e você volta pro campo, já está melhor”. Ele realmente não perdoava ninguém.

Estava se sentindo mal. Por que tinha que ter sentimentos?! Estava quase chorando, e nem sequer sabia o porquê de fazê-lo. Devia ser assim que uma menina se sentia na TPM.

Tentou afastar os pensamentos e sentou-se no banco, afundando o rosto nas mãos. Não vou chorar, pensava repetidamente.

Percebeu que alguém sentou ao seu lado.

- Algum problema? – Uma voz forte e abafada soou. Era... O monstro.

Notas finais
(: