Rich Boy and The Geek
4 The escape
Fugira da aula de matemática e estava perambulando pelo pátio, assustando as criancinhas mais novas. Sempre fazia isso, era seu passatempo; matar aula e assustar os mais novos. Bateu em algumas portas e observou de longe os professores as abrirem e ficarem confusos ao não ver ninguém do lado de fora. Essa era infalível, todos caiam. Passou pelo salão onde acontecia a aula de educação física.
Qual era a de ficar correndo em círculos feito um hamster?! E aquelas regatas brancas?! Esperava sinceramente não precisar usar aquilo. Iriai mostrar demais suas cicatrizes, e Bane preferia seu grande casaco com touca de pelos. Na antiga escola todos tinham medo quando ele usava o casaco.
Ficou observando de longe aqueles alunos idiotas correrem em círculos feito doidos, as meninas também o faziam. Percebeu que o professor chamava a atenção do tal Jonathan com quem falara mais cedo, ele estava sentado no banco conversando com outro menino. Após a conversa, Jonathan começou a rir e o outro menino saiu correndo, magoado.
Ele passara por Bane de cabeça baixa, e nem sequer o percebera. O seguiu e observou ele sentar no banco, estava prestes a chorar. Aproximou-se e sentou-se ao lado do menino.
- Algum problema? – Tentou não soar assustador, mas raramente isso acontecia com aquela máscara. O garoto o olhou assustado e derramou uma lágrima.
- N-Não... Eu só... – O menino gaguejou e engoliu em seco.
- Você se machucou? – Bane perguntou, dessa vez soara mais relaxado. Não conseguia controlar o tom da voz através da máscara. Se falasse muito baixo, ninguém o entenderia, mas se falasse alto demais, assustaria todo mundo. Que raiva que dava!
- Não. Eu só fingi estar doente pra sair da aula. – Garoto esperto. Bane passou a mão pela cabeça.
- E por que está chorando?
*
Já era assustador de longe, de perto então era horripilante. E sua voz?! Suspeitava que em outra vida ele devia ter sido bonito, mas Deus não lhe dera essa segunda oportunidade. Bruce estava pasmo, ao mesmo tempo magoado.
Que chato. Estava chorando na frente de um desconhecido.
E o pior de tudo é que ele o analisava, como se tentasse ver através de Bruce!
- Não estou chorando. É que eu tropecei ali atrás e meu pé começou a doer. – Mentiu. Mas Bane não acreditou.
- Acho que não foi isso não. Estava te observando sair do salão e não vi você torcer o pé. – Ele estava observando Bruce?
- Escuta... Eu só... Queria ficar sozinho um minuto antes de o professor perceber que estou aqui. – Falou calmamente, não queria soar ameaçador, não queria de jeito nenhum parecer que estava desafiando o novo colega – Se importaria de me deixar sozinho?
- Tudo bem. – O garoto estranho levantou e saiu. Bruce suspirou. Várias coisas passavam por sua mente confusa.
Quase saltou do banco quando viu que do outro lado do pátio, Bane estava sentado no chão e o encarando fixamente. Aquilo era assustador, digno de um filme de terror. Que diabos aquele garoto queria? Bruce se levantou e saiu da vista de Bane, entrando na biblioteca.
Colocou a mochila em cima da mesa e deitou a cabeça em cima dela, acabou adormecendo logo em seguida.
*
- Bruce? Acorda – Sentiu alguém lhe sacolejar. Por que não o deixava em paz? – Bruce!
Era Miranda. Estava na hora do intervalo pelo jeito, muitos alunos estavam na biblioteca. A menina sentou a frente de Bruce e moveu uma mecha do cabelo dele. O garoto apenas observou.
- Você está com os olhos inchados. Andou chorando? – Bruce abriu a boca pra responder, mas ela não deixou – Já sei. É por causa do Harvey?
- Não! De onde tirou isso?
- Ué, apanhou dele... Só pensei que...
- Não estava chorando, só estou com a cara amassada. Eu estava dormindo, se não percebeu.
- Jonathan está te procurando. – Miranda apontou para a porta, onde no mesmo instante Jonathan entrou. Bruce afundou a cara na mochila de novo. – Ele ainda não te achou. Quer que eu diga que você está no pátio?
- Seria ótimo.
- JONATHAN! JONATHAN! ELE TÁ AQUI Ó! – Bruce levantou o rosto assustado. Jonathan acenou para eles e se aproximou. Miranda começou uma discussão com o bibliotecário.
- Bruce, eu estava te procurando! Você sumiu da aula! – Ele sentou-se no lugar de Miranda. – Desculpe se aquilo que eu te falei te magoou. Não fiz de propósito...
- Não... Nada a ver...
- Tem certeza que não tinha nada a ver? Aquele olhar ressentido que você jogou pra mim dizia exatamente o contrário! – Jonathan não parecia se importar realmente com o que Bruce sentia.
- Eu só estou com sono.
- Bruce, eu te conheço.
- Você riu de mim lá na aula por que eu falei que estava apaixonado! – Bruce quase gritou e as meninas atrás deles riram.
- Tudo bem, Bruce. Eu já pedi desculpas!
- JONATHAN! – Jack estava na porta, Bruce viu Jonathan se tremer todo.
- Jack! Pela ultima vez! Não grite na biblioteca! – O bibliotecário gritou com ele, que não deu à mínima.
- Depois eu falo com você, Bruce.
Claro, Jack é mais importante no momento, pensou. Ótimo, agora estava com ciúmes!
Jonathan se levantou e caminhou receoso até Jack, que o puxou pela gola do suéter que usava. Bruce não gostava quando ameaçavam seus amigos assim, principalmente Jonathan. Levantou-se e andou até Selina, que fingia ler um livro do outro lado da biblioteca.
A menina folheava as páginas do livro O Código da Vinci, um livro relativamente grande. Ela não parecia estar interessada nele.
- Deve estar se perguntando por que estou lendo esse livro. – Selina disse, sem desviar o olhar das páginas do livro velho.
- Trabalho de história?
- Exato. – Selina fechou o livro e o deixou de lado, encarando Bruce. – O que você quer?
- Preciso de um favor. –Bruce falou em um sussurro. Selina se surpreendeu.
- Bruce Wayne me pedindo um favor?! Que honra!
- Escute, você poderia ouvir uma conversa por mim e me conta-la depois?
- Bruce... É feio espionar as pessoas! – Ela fingiu estar chocada. Bruce riu.
- Será que devo te dizer que também é feio roubar a pulseira da Rachel... Ou os doces do Jônatas? – Ele jogou verde e ela pegou, se aproximou dele.
- Conta ai.
- Jack acabou de levar Jônatas para o laboratório, eu quero saber o que Jack está tramando.
Selina acenou para ele e se levantou. Saindo porta a fora.
*
Não era de seu feitio ouvir a conversa dos outros... Mentira. Ouvia a conversa dos outros o tempo inteiro. Mas Bruce parecia preocupado, e de jeito nenhum iria recusar-se a ajuda-lo. Quando entrou no laboratório, sentiu o clima tenso entre Jack e o menino Johnny. Harvey também estava lá, quase como um segurança. Selina se escondeu na soleira da porta e escutou a conversa lá dentro.
- Consegui o que você precisa, agora... Comece a trabalhar! – Jack disse. Percebeu que o menino estava diferente. Pintara os cabelos loiros de verde... Que ridículo. Se colocasse uma maquiagem iria parecer um palhaço, apelido que já tinha ganhado.
Selina achava engraçado o jeito que eles se apelidavam, Harvey era o Duas-Caras, pois sempre que Jack não estava por perto ele falava mal dele por trás. E Jack, após uma peça de teatro, onde ele se vestiu de Bozo, o apelidaram de palhaço. E o menino Johnny... Bom, Espantalho descrevia exatamente sua aparência esguia e estranha.
E não podia esquecer-se do Charada, Eddie Nygma, que adorava charadas.
- Jack, eu preciso de tempo para formular os antídotos, você vai ter que esperar... Não é simplesmente juntar tudo, tem que saber que efeitos podem dar! – Selina estava curiosa para saber do que se tratava – Não estou nada afim de criar um apocalipse zumbi, tá bom?!
- Você precisa fazer isso mais rápido, quem sabe se tiver uma ajudante? A Tate talvez. – Harvey dizia calmamente. Seu olho estava roxo por conta da briga que tivera outro dia.
- Não meta a Miranda nisso – Johnny disse ameaçadoramente, apontando um dedo para Harvey. De onde ele tirava coragem pra isso? – Talvez o Nygma pudesse me ajudar.
- De jeito nenhum, ele faz os nossos trabalhos. Você faz os nossos experimentos. – Jack tinha um humor negro forte demais para sua idade. Selina tinha medo dele, e suspeitava que não fosse a única.
- Vou chamar a Tate.
- Já disse que não! Se meter ela nisso, eu juro que não vou fazer nada pra vocês!
- Ótimo. Ai a gente bate em você. – Johnny engoliu em seco, apavorado. Harvey caminhou até a porta. Era hora de sair dali.
Harvey bateu a porta atrás de si e encarou Selina, como se tivesse visto uma assombração.
- Oi Harvi. – Ela falou baixinho e bateu com sua cabeça na dele, deixando-o inconsciente no mesmo momento. Arrastou o corpo dele para fora do laboratório e o deixou lá. Em meia-hora ele acordaria.
Precisava tirar Johnny de lá de dentro. Abriu a porta e percebeu que Jack não estava ali.
- Selina?! – Jonathan sussurrou apavorado. – O que faz aqui?
- Vem, vou te tirar daqui! – Selina o puxou pelo braço e saiu correndo pelo pátio. O menino tropeçara algumas vezes, mas voltara a se levantar e tentou correr no mesmo ritmo do dela.
- Por que fez aquilo? Harvey e Jack vão vir atrás de você!
- Bruce pediu que eu fosse te espionar. Achei estranho da parte dele, mas fui. Não podia deixar você lá. – Selina olhou em volta. Tinha se afastado bastante do laboratório.
- Mas... Espera, disse que Bruce mandou você ir me espionar?
- Sim. Mas fique tranquilo. Se esconda deles por enquanto, Harvey só vai estar a par da situação quando acordar. Digamos... Daqui uns vinte minutos.
- E você? Harvey vai contar pro Jack!
- Tudo bem, eu me viro. – Selina encostou os lábios nos de Jonathan em um beijo rápido, depois se virou e saiu – Vá atrás do Bane! Jack não vai encostar em você se estiver perto dele!
*
Bane estava cercado de alunos que jogavam no time de futebol. Todos eles pareciam impressionados com o colega novo e disputavam entre si para ver quem o escolheria primeiro para o futebol. Ele adorava aquele tipo de atenção.
Percebeu ao longe, Jonathan correndo. Era engraçado o modo como ele corria. Bane saiu de perto dos jogadores e foi até o menino.
- Ah, Bane! – Ele gritou quando o avistou – Estava procurando por você!
Estava procurando por ele?
- Estava é? – Bane encarou o garoto de alto a baixo. Surpreendeu-se ao ver que ele tinha batom nos lábios. Resolveu não falar nada, mas que era esquisito, era. – E eu posso saber por que estava atrás de mim?
Jonathan franziu os lábios e sentou-se na escadaria. Ele estava com a respiração falhada. Iria ter um ataque de asma a qualquer momento.
- Tome, pegue a minha bombinha.
- Você também tem asma? – Ele perguntou.
- Costumava ter.
- Escute, Bane – ele começou a falar, se recuperando – Se importa se eu ficar perto de você até de noite?
- Por quê?
- Tem uns meninos querendo me pegar. – Bane riu. Jonathan não pareceu entender o por quê dele ter começado a rir.
- Me mostre quem eles são, eu vou ter o prazer de ir falar com eles.
- Jack e Harvey. Conhece?
Por que diabos aquele menino estava usando batom?!
- Conheço. Claro que conheço. Quer que eu dê um jeito neles?
- Não!
- Ótimo, então pode deixar que eu vou conversar com eles.
- Apenas conversar, entendeu?
Claro que ele tinha entendido! Bane não era um cachorro para ser tratado assim!
- Conversar.
*
Selina tinha sumido fazia mais de uma hora. Se quiser fazer uma coisa, faça você mesmo, pensou frustrado. Percebeu que Jack e Harvey andavam de um lado para o outro atrás de alguém.
Ela tinha feito algo errado.
Aqueles dois últimos períodos eram liberados, acontecia uma vez por semana. Bruce resolveu ir atrás de Nygma para saber se ele sabia onde estava Jonathan.
- Eddie – Chamou quando o avistou conversando com um grupo de garotos – Você viu o Jônatas?
- O Johnny está lá na quadra assistindo o jogo.
- Por acaso viu Selina?
- Estava se escondendo de alguém, e Miranda estava com ela!
Bruce achou estranho. Com certeza ela tinha feito algo errado. Esbarrou em Harvey enquanto caminhava até a quadra, mas o mesmo não pareceu dar bola. Estava procurando alguém.
Raciocínio lógico: Harvey e Jack estavam procurando por Selina.
Assim que chegou à quadra, avistou Jonathan sentado na escadaria, parecia pensativo. Bruce se aproximou.
- Ei Jônatas... – Bruce parou de falar quando percebeu que ele tinha batom nos lábios.
- Oi Bruce.
- Por que você está usando batom? – Ele perguntou ainda confuso.
- Não estou! – Jonathan esfregou os lábios, piorando a situação. Agora tinha batom na metade do rosto – Estou?!
- Está!
Jonathan usou a tela do celular como espelho e se apavorou.
- Maldita... – Ele sussurrou tentando limpar-se. – Agora entendi por que Bane me olhou daquele jeito... Maldita!
- Quem é maldita?
- Ninguém. – Ele respondeu aleatoriamente e limpou a mão no suéter. – Por acaso Harvey e Jack estão que nem cães procurando drogas lá em cima?
- Estão. E aposto como você tem a ver com isso.
- Na verdade, Selina tem.
- Imaginei. – Bruce cruzou os braços. A maldita sempre tinha que estragar tudo.
- Aliás, não foi legal você ter pedido pra ela me espionar.
Maldita!
- Ah... Eu só fiquei preocupado que eles pudessem te machucar e...
- Tudo bem. Não precisa se explicar.
- Não vai me contar por que estava usando batom?
Jonathan pareceu nervoso e não quis responder. Bruce achou aquilo estranho.
Bruce resolveu deixar o assunto de lado e observou lá em baixo os meninos jogando bola. O jogo já estava pra acabar. Percebeu sem querer que Bane olhava para onde eles estavam de cinco em cinco minutos.
Era por isso que Jonathan estava ali.
Ele estava observando Bane jogar futebol.
Maldito ciúmes!
- Buru buru buruce – Blake cantarolou subindo as escadas. Ele era pior que criança. Jonathan riu – E ai Johnny, pegador!
Jonathan congelou e Bruce não entendeu o que tinha acontecido. O que John quis dizer com “pegador”?
- Não adianta fazer essa cara, a metade da escola viu a Selina te dar um beijo. – Jonathan encarava Blake por cima dos óculos, com os olhos azuis brilhando de raiva – E que beijo!
- Seu... Indiscreto... – Então era assim que ele xingava as pessoas?
- Você... Beijou Selina?
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