Notas iniciais
Oi, oi gente! Tudo bem com vocês?
Dia 19 (na próxima quinta) é aniversário da Lola Royal, uma das minhas melhores amigas do fandom e em comemoração ao aniversário dela, resolvi postar essa short durante essa semana.
E Lola, espero que mesmo com todo o caos que tem sido esse ano pra ti, essa história te ajude a se distrair e curtir um pouco.

Bora comemorar junto com a Lola!

“Will you recognise me?

Call my name or walk on by?”

— Simple Minds

Prólogo

Doze anos antes

O Sol ainda estava alto no céu, mesmo que estivéssemos no meio da tarde, e eu apreciava minha vista privilegiada para o mar encantador de Riccione. Perderia o pôr-do-sol naquele dia e parte me mim estava um pouco arrependida por isso, mas pelo menos eu havia aproveitado bastante no dia anterior.

Carino, tem certeza que não quer vir hoje? — insistiu Charlie ao telefone.

— Eu já combinei com a Nonna e Gianna que iria embora amanhã, papá. Vou sair cedo daqui e nós almoçamos juntos. Não seja tão apressado!

— Você não pode me culpar por querer passar mais tempo com você, carino. O tempo que passou aqui voou.

— Eu sei, papá. Também sinto que essas férias passaram rápidas demais, mas eu passei dois meses aí na fazenda e amanhã eu estarei aí de novo.

— Vem para cá apenas para ir embora para a América de novo — falou com descontentamento na voz.

— Como todo ano.

Charlie não insistiu mais, admitiu que estava se sentindo nostálgico porque sua garotinha estava crescendo e indo para faculdade. Resmungou sobre eu parar de passar tanto tempo na Itália, disse que me amava e desligou a ligação prometendo cozinhar meu prato favorito pela manhã.

Eu passava meus verões na Itália desde que me entendia por gente, cercada pela família de papai. Então voltava para Seattle e sentia falta de todo o calor, das vozes altas e da comida boa — Renée era uma péssima cozinheira —.

Começaria na faculdade nos próximos dias, então quando eu me formasse a vida adulta realmente bateria em minha porta e adeus férias de três meses na Itália. Mas eu não deixaria de voltar, esse lugar era a minha casa. Não importava se na Bolonha ou em Riccione, a Itália era meu lar.

Sai da minha varanda e fechei a janela do quarto, Gianna estava espalhada pela minha cama folheando uma revista que ela havia pegado na recepção.

Nonna te mima demais — reclamou revirando os olhos. — Esse quarto é incrível e ela nunca deixa eu ficar aqui.

— Não posso fazer nada se eu sou a neta favorita — me gabei sorrindo.

— Americana feia — disse jogando um travesseiro na minha direção.

— Italiana invejosa — joguei o travesseiro de volta.

Nós duas rimos.

Renée era filha única, então eu não tinha primos pela família dela, ao contrário da minha parte italiana, que eu tinha primos até demais. Mas Gianna com certeza era minha favorita. Ela sempre era minha companhia em Riccione e quando as férias acabavam, eu desejava levar ela na mala comigo de volta para os Estados Unidos.

— A pior decisão que já tomei foi deixar você cortar a minha franja — afirmei sentada de frente a minha penteadeira.

Gianna levantou-se da cama, me empurrou e sentou-se ao meu lado, nossos reflexos lado a lado no espelho.

Nós tínhamos o mesmo tom de cabelo, um castanho que brilhava vermelho no Sol e agora exibíamos a mesma franja desfiada. Ela com seu cabelo longo e eu com um corte na altura do ombro.

— Ficou ótimo, eu sou uma ótima cabelereira — afirmou.

— Tia Renata que falou isso?

— Não, ela odiou a franja que eu fiz nela. Por isso ela fez aquele corte baixinho — disse ela sorrindo amarelo.

— Por que você não me disse isso antes de eu deixar você cortar a minha franja?

— Você não ia deixar se soubesse — deu de ombros. — E para de reclamar, você ficou linda. Vamos te arrumar para hoje à noite e descer, a Nonna não vai deixar a gente sair sem comer.

Como eu sabia que ela estava certa, nem ao menos retruquei.

Gianna já estava pronta, vestida com um top frente única branco e um short caqui. Ela mesma escolheu um vestido de alças finas para mim, azul como o céu naquele momento.

Nós maquiamos uma a outra e descemos os quatro andares até o térreo, onde sabíamos que encontraríamos a Nonna.

— Se não são minhas duas princepessas — disse vovô da recepção sorrindo. — As garotas mais bonitas de toda a Itália.

Nós giramos com o elogio e rimos, fazendo uma saudação que imaginamos parecer algo da realeza.

— Estão procurando a Dora, não é? Ela está na cozinha preparando Zeppole.

Gianna olhou para mim como se dissesse “mimada, eu não falei?”. Era minha sobremesa favorita.

Minha prima ficou para trás, vovô tinha feito um comentário sobre um livro que os dois estavam lendo juntos e eu segui para a cozinha.

— Precisa de ajuda, Nonna? — questionei anunciando minha presença.

— Vem cá, pega um saco de confeiteiro e me ajuda a terminar isso aqui.

Eu fiz como ela mandou e nós trabalhamos em silêncio, como havíamos feito diversas vezes desde que eu era criança. Amava aquela sobremesa, mas principalmente porque me lembrava dela.

Quando acabamos, Nonna pegou um dos Zeppole que eu havia decorado e o analisou de perto séria, antes de comer e dar um sorriso.

— Como pode, uma neta minha ir aprender a cozinhar nos Estados Unidos — disse com tom de censura. — O que eles vão te ensinar? A esquentar macarrão no micro-ondas? Ou a como pedir comida em fast food?

Nonna!

— Estou falando a verdade garota, não há nada que aqueles americanos possam te ensinar. Se queria ir para uma faculdade para aprender a cozinhar, deveria pelo menos aprender aqui na Itália, não nos Estados Unidos — apontou.

— Eu sou americana. Assim como o vovô e papá — retruquei.

— Você é metade americana, assim como seu pai. E seu avô não é tão ruim assim — deu de ombros ao falar de vovô Caius.

— Às vezes parece que você odeia os Estados Unidos.

— Eu não odeio, é só que há um mar enorme que me mantem longe de você, minha Bella — disse se aproximando.

Nonna era mais alta do que eu, quando passou seus braços ao redor do meu corpo me abraçando apertado, me senti em casa e protegida.

— Também vou sentir sua falta, Nonna — respondi.

Nós ficamos assim por um tempo, apenas aproveitando a companhia uma da outra. Eu amava como todos eram carinhosos aqui, os pais de Renée poderiam tomar algumas aulas.

Vovô e Gianna vieram para a cozinha depois, atrás de comida e a Nonna aproveitou para separar alguns doces para levar para a recepção, onde os hospedes poderiam pegar e comer.

Quando deu a hora, Gianna e eu nos despedimos dos dois e mandamos eles não nos esperarem acordados.

Fomos para uma balada que não costumávamos ir sempre, porque não queríamos encontrar os irmãos de Gianna ou qualquer um dos nossos outros primos. Era minha despedida e nenhuma de nós queria uma babá particular.

— Um brinde — ofereceu Gi com seu drink.

— À Riccione.

— À Riccione.

Nós bebemos antes de irmos para a pista de dança e dançamos juntas até que ela achou um garoto com cara de turista para se agarrar, então eu fiquei sozinha. Não era só eu que estava curtindo a liberdade.

Aproveitei que estava sozinha e voltei para o bar, querendo descansar meus pés por algum tempo.

Pedi um Rossini para o bartender e cantarolei baixinho a música que tocava enquanto esperava a bebida ficar pronta, até que senti como se alguém me observasse e passei meus olhos ao redor do bar.

Foi quando o encontrei.

Eu o achei bonito no instante em que coloquei meus olhos nele, mas assim que ele sorriu para mim, foi como se ele ficasse ainda mais bonito. Não consegui resistir e inclinei a cabeça, tentando chamá-lo para o banco ao meu lado.

Parla inglese? — perguntou sentando-se ao meu lado.

Eu dei uma risadinha de sua pronúncia, ele claramente não era italiano.

— Americano?

— Tão ruim assim? — perguntou fazendo careta.

— Sim — confessei rindo. — Mas um americano reconhece o outro.

— Agora tá explicado! — disse sorrindo. — Eu sou Tony!

— Bella.

— Realmente, muito Bella.

Eu ri de seu trocadilho besta, não era inovador, mas ainda não havia perdido a graça pra mim.

Me permiti olhar para ele abertamente, afinal ele havia começado tudo isso.

Com ele mais perto e com a ótima luz do bar, eu consegui observar melhor o tom único de seu cabelo cor de cobre, cortado exatamente como Zac Efron. Seus olhos eram de um verde intenso e brilhante, por um instante desejei ter esbarrado com ele na praia, imaginando como seriam seus olhos no Sol.

— Então bela americana, o que te traz aqui? — questionou ele.

— Pais separados — falei. — Meu pai é italiano, então eu sempre passo minhas férias de verão aqui. Esse é meu último dia em Riccione antes de ir para faculdade. E você, o que te trouxe para Itália?

Tony pareceu pensar por alguns segundos antes de falar.

— Eu fiz audição para uma banda e vou receber a resposta em breve. Meu pai, que é uma pessoa muito otimista, disse que eu precisava das minhas últimas férias como uma pessoa comum. Então aqui estou eu, torcendo para que ele esteja certo.

O bartender trouxe minha bebida naquele momento, então eu inclinei minha taça e brindei com Tony.

— Pelas mudanças em nossas vidas e pelas boas notícias.

Nós ficamos no bar por um tempo conversando, Tony havia me perguntado sobre o que eu cursaria na faculdade e eu acabei me empolgando, adorava falar sobre o quanto eu gostava de cozinhar. Mas quando nossas bebidas acabaram, eu não resisti e o chamei para dançar.

Ele manteve uma distância segura na primeira música, parecia inseguro sobre onde colocar as mãos em mim, o que apenas fez ele parecer mais atraente para mim. Eu o trouxe mais para perto, o que fez com que ele me desse um sorriso de lado.

A música seguinte era de um artista italiano que eu adorava Luca Dirisio e eu não resisti a cantar a música, era estranho, mas eu me sentia à vontade com o desconhecido. Provavelmente era o álcool.

Cerco di trovare la mia identità. Senza chiedere aiuto, ma sono lontano.

— Italiano é a língua mais sexy do mundo — comentou ele olhando para minha boca. Completamente alheio a letra da música, que estava bem longe de ser romântica.

— Você deveria aprender, vai combinar contigo — disse devolvendo o olhar.

Aquele flerte foi o suficiente para ele tomar a iniciativa de me beijar.

Cazzo. Eu nunca havia sido beijada daquele jeito.

Seus lábios se aproximaram com delicadeza, mas logo o beijo se tornou mais firme e decidido, o receio de me tocar assim que começamos a dançar parecia uma coisa distante. Meu corpo todo pareceu reagir, pedindo para eu não me afastar, querendo sentir o toque dele pelo resto do meu corpo.

O que começou com um beijo inocente na pista de dança, evolui rapidamente para uma sessão de amassos em um canto da balada. Então uma pausa para beber, com sorrisinhos e toques, mais beijos e uma outra pausa, dessa vez para tirar foto em uma máquina instantânea que tinha no lugar.

— Para você não esquecer da melhor noite da sua vida — falei sem modéstia.

Então voltamos para o canto. Eu não queria me afastar.

— Onde você está hospedado? — questionei enquanto ele beijava meu pescoço.

Ele se afastou por uns segundos, seus olhos verdes pareciam mais escuros do que minutos atrás. Quando ele viu que eu não estava brincando, me disse em qual hotel estava e eu o arrastei pela balada, procurando Gianna para avisar que eu estava indo embora.

Nós chegamos em seu hotel mais tímidos, então Tony ligou a televisão em um filme que passava. Não conseguimos prestar atenção no filme por cinco minutos, mas acabamos engatando em uma conversa novamente.

Falamos sobre nossos filmes favoritos e sobre como haviam sido nossas férias. Conversamos sobre música, então ele me falou sobre seus sonhos e medos, o que me levou a falar sobre os meus também. Era estranho o quanto eu me sentia a vontade ao redor dele.

Nós fomos nos aproximando enquanto conversávamos, se inclinando, tocando, até que voltamos a nos beijar.

Eu havia ficado impressionada com seu beijo, mas ele com certeza estava escondendo o melhor para o quarto. O garoto era talentoso.

Não esperava encontrar alguém bacana naquela noite, só queria dançar e curtir o final das minhas férias. Mas o destino me surpreendeu enviando Tony e a conexão mágica que pairou por nós durante todo o tempo que estivemos juntos.

De uma maneira inusitada, nós nos encaixamos. Nada antes havia sido daquela maneira.

Em algum momento da noite, caímos os dois no sono, mas eu acordei primeiro do que ele.

Olhei para o seu rosto sereno e não consegui conter um sorriso, ele era realmente bonito. A noite com ele havia sido especial, eu queria ter o conhecido dias antes, ter sentido toda aquela magia e conexão por todos os dias das férias teria sido incrível.

Mas a vida não funcionava desse jeito e a probabilidade de nos vermos um outro dia não existia, não havia por que criar fantasias que não aconteceriam.

Então levantei de sua cama com cuidado, abri o criado mudo e escrevi um bilhete com a caneta e o papel que encontrei.

Querido, Tony.

Você acredita em destino?

Este era meu último dia de férias antes de começar na faculdade, mas você já sabe disso. Eu não tinha planos muito mirabolantes, apenas beber e dançar. Mas o destino colocou nossos caminhos juntos essa noite. Como um sinal de que coisas boas vão acontecer.

E eu não poderia ser mais grata.

Nunca havia experimentado o que senti essa noite, toda essa conexão. Acho que você também deve ter sentido isso, era forte demais para que eu estivesse sentindo sozinha.

Não vou deixar meu número aqui, porque não quero criar expectativas que você pode não querer cumprir. Além disso, minha vida vai estar ocupada demais nos próximos anos caso você queira me surpreender mais uma vez — e eu sei que a sua também estará, não haveria espaço para mim em sua vida de astro pop —.

Então deixo esse bilhete como um agradecimento pela noite mais mágica da minha vida e desejo que assim como eu tenho um pressentimento de que coisas boas vão acontecer para mim, que você receba as respostas positivas que você tanto espera.

Se um dia nos encontrarmos de novo, me conte se meu sexto sentido estava certo.

Se isso não acontecer, tenha uma boa vida, astro pop!

Mil beijos, sua Bella italiana.

Eu dobrei o papel e coloquei ao lado de seu travesseiro, olhei mais uma vez para seu rosto tranquilo e resisti a vontade de lhe dar um beijo de despedida. Sai do quarto com tantos sentimentos que eu não sabia nem ao menos identificá-los.

Eu sentiria falta de Riccione.

Notas finais
* Fala inglês?

* Procuro encontrar minha identidade. Sem pedir ajuda, mas estou longe.

?” eu não falo italiano, tudo o que encontrarem aqui é fruto de pesquisa do Google

E aí, quais as expectativas pra essa história? Animados? Me contem tudo, vou adorar saber!
Beijos!