Riccione
2 Capítulo Um
Notas iniciais
“Well life has a funny way of sneaking up on you”
— Ironic, Alanis Morissette
Capítulo Um
Atualmente
Há dias em que você acorda e tudo parece dar errado. E hoje definitivamente era um daqueles dias.
Eu deveria ter voltado para cama assim que vi que uma das minhas plantas favoritas estava destruída no chão da minha sala, mas ao invés disso eu olhei para o culpado escondido na irmã que estava deitada em um canto.
— Cazzo, Jude! Por que você não pode ser tranquilo igual sua irmã? Não, você precisa destruir as plantinhas da mamãe — falei séria pegando o gato rajado no colo e olhando em seus olhos.
Não adiantava nada, mas eu gostava de tentar.
— Te trato com todo o meu amor, dou a melhor ração e como você me retribui? Destruindo minhas plantas! Vou ter que contratar um adestrador pra você, pestinha!
Enquanto eu dava uma bronca em Jude, Lucy mordia a barra da calça do meu pijama, tentando chamar a minha atenção. Como se perguntasse quando seria a vez dela de receber carinho.
Eu sentei no sofá e a cachorra pulou no meu colo, disputando espaço com o gato que eu estava brigando cinco segundos atrás.
— Você precisa ensinar boas maneiras para o seu irmão bagunceiro — falei fazendo carinho em seu pelo macio.
Conversei com Jude e Lucy por alguns minutos, antes de levantar para colocar ração para eles e preparar meu próprio café da manhã. Então coloquei as minhas roupas na máquina de lavar e programei tudo, troquei de roupa e coloquei a cachorra e o gato na coleira para levar os dois para um passeio.
Sempre gostei de caminhar, quando eu morava em Seattle com a minha mãe, caminhava mesmo com chuva. Nas minhas férias, corria no vinhedo de papá ou na areia da praia de Riccione.
Amava que eu podia fazer a mesma coisa em Los Angeles.
Depois do exercício diário, voltei para casa e notei que a máquina de lavar havia dado um jeito de destruir minha blusa favorita. Todas as outras peças estavam intactas, mas minha melhor blusa agora tinha um buraco no meio.
Aquilo devia ter me alertado o suficiente para eu voltar para cama, mas eu não fiz isso. Ao contrário, eu peguei meu notebook e me sentei no sofá para responder alguns e-mails de fornecedores do meu restaurante.
Apenas alguns minutos depois, recebi a ligação de Charlie.
— Benção, papá — falei.
— Deus te abençoe, carino.
— Como estão as coisas aí na Itália? — questionei.
— Sua tia Renata finalmente conversou com Jane sobre greves de banho, estamos torcendo para que funcione e a garota pare de ficar sem tomar banho porque os pais disseram não — fofocou Charlie.
— Jane é mimada demais.
— Realmente, tão diferente de você e Gianna quando tinham essa idade — comentou e eu sabia que ele estava franzindo o bigode. — Mas eu não liguei para te atualizar sobre a família. Liguei para falar de negócios.
— Boas notícias?
— Infelizmente não, carino. Eu não vou conseguir ir aí no próximo mês como a gente tinha combinado — falou com pesar na voz.
— Mas papá, eu até marquei uma reunião com aquele colecionador de vinhos que eu falei. Vai ser uma oportunidade ótima para o vinhedo.
— Eu sei, Bella. Mas a colheita da Carménère atrasou. Félix acha que vai levar mais um mês e eu preciso estar aqui, para ter certeza que as coisas deram certo — explicou.
Charlie tinha um vinhedo em Bolonha, onde ele plantava algumas uvas tradicionais da região e produzia vinhos. Mas há alguns anos ele vinha tentando trazer uvas de outras regiões e a Carménère — que era tradicionalmente da França, mas que crescia bem no Chile — era o sonho dele.
— Tudo bem, eu vou remarcar com ele.
— Obrigada, carino.
— Sinto sua falta, papá.
— Eu também, carino, eu também.
Pensei no trabalho que seria convencer o colecionador a reagendar a reunião. Ele era uma presença constante no restaurante, mas era um cliente sempre difícil. Não reclamava da comida nem nada, mas não era educado e gostava de sentar-se sempre no mesmo lugar toda vez que ia ao restaurante, mesmo sem reserva.
Mas era uma dor de cabeça que eu teria que lidar, querendo ou não.
*
Eu passei boa parte da manhã resolvendo problema, atolada de e-mails e fazendo ligações. Fazia tempo que eu não tinha uma manhã tão agitada desse jeito.
Quando achei que já tinha me estressado o suficiente pelo dia, tomei um banho, troquei de roupa, fiz um sanduiche e corri para o meu carro. Era hora de ir para Riccione.
Uma formação em gastronomia, um curso de especialização na Itália, alguns verões com a minha Nonna, anos trabalhando no restaurante de outras pessoas e uma ajuda financeira generosa da família me permitiram abrir o meu próprio restaurante.
Riccione era o meu lugar favorito do mundo, não importava o que eu estivesse passando, quando estava lá, eu me sentia bem. Quando abri meu próprio restaurante, não tive dúvidas de qual nome colocar, queria que as pessoas sentissem o mesmo conforto e magia que eu sentia quando estava lá. Meu restaurante era meu pedacinho da Itália nos Estados Unidos, um restaurante com comida típica Italiana de verdade, um lugar que misturava sofisticação e aconchego, em um bairro nobre de Los Angeles.
Cheguei no restaurante e entrei pelos fundos, fui direto para o vestiário e troquei de roupa — havia aprendido da pior maneira que sair de uniforme de casa, com uma cachorra e um gato, não era a melhor escolha —. Então cumprimentei meus funcionários na cozinha e coloquei um sorriso no rosto para cumprimentar os clientes.
Eu nunca fora pobre, mamãe era filha de políticos, que coincidentemente eram donos de muita coisa em Seattle e nas cidades próximas. A família do meu pai também não era pobre, com os vinhedos, a pousada e o restaurante. Mas vivendo na cidade das estrelas pelos últimos anos havia me ensinado alguma coisa sobre outro tipo de ricos, aqueles que gostavam de ser adulados.
Então eu sempre passeava pelo restaurante algumas vezes por dia, checando se os pedidos estavam corretos, se os clientes gostavam da comida e perguntando se eu podia oferecer mais alguma coisa. Era uma tática simples, mas eu havia criado alguns clientes fixos por causa disso.
Quando voltei para a cozinha, concentrei meu olhar para a preparação dos pratos. Ter um restaurante como aquele, significava muito mais resolver burocracia, apertar algumas mãos e supervisionar meus funcionários do que efetivamente cozinhar.
— Mike, o que é que você tá fazendo? — questionei o surpreendendo.
— Cortando pimentão? — falou com a voz fina.
— Para que?
— Para o tortellini.
— O meu tortellini não vai pimentão — respondi.
— Mas é que eu vi na internet.
Stronzzo!
Eu fechei os olhos, respirei fundo e contei até dez antes de falar com ele novamente.
— Qual a parte de seguir a minha receita você não consegue entender, Michael?
— É.. que... Minha mãe falou que eu preciso ser mais proativo, então pensei em inovar — respondeu gaguejando.
— Você quer ser proativo aqui? Lave a louça. As pessoas vêm aqui para comer a minha receita, não as suas invenções. Mantenha-se fiel à minha receita. Entendido?
— Sim, chefe — concordou balançando a cabeça.
Eu não era nenhuma carrasca como alguns chefs com que eu havia trabalhado, mas eu sabia que não podia deixá-los livres demais. Eu era jovem, o restaurante era novo, precisava que a minha identidade fosse mantida e que as pessoas me respeitassem.
Havia aprendido a ser multitarefa na faculdade, então acabei por pegar uma panela para fazer um molho enquanto continuava checando as outras pessoas na cozinha e dando instruções. Não era algo silencioso, mas eu amava.
Estava começando a achar que toda a minha cota de problemas do dia tinha acabado, mas comecei a sentir cólica. Bem fraca no início, até ir piorando o suficiente para eu entregar a panela para outra pessoa e ir para o meu escritório atrás de um remédio.
Meu calendário não previa essa cólica tão cedo, mas Murphy parecia estar brincando comigo.
*
Depois de checar se havia descido para mim — não tinha —, eu tomei um remédio e me tranquei no escritório esperando a dor passar enquanto respondia mais e-mails. Eu preferia cuidar da parte burocrática em casa com Lucy e Jude, mas eu gostava de ser produtiva em todo o meu tempo, então liguei meu aparelho de som na minha playlist favorita e foquei minha atenção no computador.
O dia estava sendo terrível, mas eu não podia voltar para cama aquela hora do dia.
Eu cantarolava uma música do Elton John quando Angela, minha gerente, bateu na porta do meu escritório.
— Bella, nós temos um problema — começou.
Angela era uma das minhas funcionárias favoritas e com certeza a mais eficiente. Apesar de eu gostar de passear pelo restaurante e falar com os clientes, ela era a pessoa que fazia isso com mais frequência e quem resolvia os problemas. Ela só recorria a mim em dois momentos, quando os problemas eram grandes demais ou quando o cliente era importante demais.
No momento eu não queria lidar com nenhuma das duas hipóteses.
— O que aconteceu?
— Um casal está reclamando da comida.
Famosos. Cazzo!
— Tinha algo no prato? Alguma coisa queimada? — questionei.
— Hannah e Josh disseram que a mulher está reclamando desde que olhou o cardápio, demorou séculos para escolher e reclamou assim que o prato chegou. Além de ter sido super grossa com todo mundo desde o começo — contou ela.
— E quem eles são?
— Ela é Claire Young, é modelo e influencer, mas não acho que você deve conhecer.
— E ele?
— Edward Cullen.
Eu continuei olhando para ela, esperando que continuasse.
— Sério? Esse nome não diz nada pra você? — perguntou indignada.
— Você sabe que eu não ligo muito pra famosos, não é?
— Não sei para que você mora em Los Angeles — comentou ela balançando a cabeça em negação. — Ele é um dos maiores cantores da atualidade, como Justin Timberlake, mas sem todo o lance de ser escroto com a Britney.
— É, não conheço. Você sabe que eu não escuto rádio ou aquelas playlists atuais do Spotify.
— E aparentemente também não usa a internet — comentou enquanto saiamos do meu escritório.
O Riccione era um lugar realmente espaçoso, então quando comprei o lugar decidi dividir o lugar em dois ambientes. As duas partes conversavam entre si, com uma decoração tipicamente italiana, mas o andar debaixo era mais sofisticado, enquanto o segundo andar era mais romântico e pessoal, além de ter algumas salas que as pessoas que queriam privacidade costumavam reservar.
Angela me seguiu de perto, falando mais sobre Edward e como ela tinha sido fã da boyband que ele tinha feito parte quando era mais novo, mas quando nos aproximamos o suficiente da sala onde ele e Claire estavam, vestiu seu sorriso profissional e ficou em silêncio.
A sala apesar de ter paredes e uma grande janela espelhada, não tinha portas — queria dar privacidade para os meus clientes, mas não tanta para eles usarem meu restaurante de motel —, então antes de entrar eu consegui vislumbrar Claire. Mesmo de longe eu consegui enxergar o quanto ela era bonita com sua pele dourada, rosto angular e os cabelos em ondas perfeitas.
Quando cheguei próximo o suficiente, abri meu sorriso profissional enquanto ignorava a dor que o remédio não tinha eliminado completamente.
— Boa noite! Eu sou Bella Swan, sou a proprietária do Riccione — apresentei-me — Me informaram que vocês estão tendo problema com a comida, então eu vim aqui pessoalmente resolver.
Claire olhou-me de cima a baixo com ar de desgosto antes de falar.
— A comida está péssima — despejou ela.
— A minha está ótima na verdade, eu não como um tortellini assim tão bom há anos — comentou Edward chamando minha atenção.
Eu me virei para olhar para ele por alguns segundos e senti como se o conhecesse. Ele sorria em minha direção, o que fez seus olhos verdes ficarem ainda mais bonitos. Seu cabelo cor de cobre era algo único, completamente alinhado e a cada segundo que eu olhava para Edward, sentia como se já o conhecesse.
— Obrigada — respondi sem conseguir não sorrir de volta.
— Então, o que você fará sobre a minha comida? — questionou Claire chamando a minha atenção.
Olhei para o seu prato procurando algo que estivesse fora do lugar e encontrei uma salada caprese perfeita. Não era um prato elaborado, nem mesmo ia ao fogo, não tinha o que estar errado ou ruim.
— Você se importa se eu provar?
— Faça o que quiser, desde que resolva — resmungou.
Peguei um garfo na mesa que ainda não havia sido usado ainda, então pedi licença mais uma vez e provei a salada.
A mozzarella estava perfeita e os ingredientes estavam frescos, não havia nada de errado, nenhum motivo para reclamar. Olhei de novo para seu rosto e vi uma expressão arrogante, ali ficou claro para mim que ela só queria tratamento VIP.
Bem, ela tinha ido no dia errado. Depois de todas as coisas erradas que haviam acontecido no meu dia, eu não estava bem humorada para lidar com nenhuma estrelinha querendo menosprezar meu restaurante.
— Hm, a salada está perfeita, Claire — informei.
— É senhorita Young para você — retrucou séria.
Vadia arrogante.
— Claro, senhorita Young — disse com meu sorriso profissional. — Mas como eu disse, não há nada errado com a salada. Você já comeu esse tipo de salada? Talvez não seja para o seu paladar.
— Você está dizendo que eu não sou sofisticada o suficiente para comer no seu restaurante? — falou com tom de voz indignado.
— Eu nunca disse isso, senhorita Young. Pessoas tem gostos diferentes, algumas gostam de comida mexicana, outras de sushi e não há problema nenhum com isso — respondi sem mudar o tom.
— Eu amo comida italiana, como salada caprese com frequência. É esse seu lugarzinho que não oferece comida de verdade — retrucou ela.
Vadia, vadia, vadia!
Eu não consegui nem ao menos contar até dez, apenas respondi.
— Acho que você não sabe o que é uma comida italiana de verdade então. Eu sou formada em gastronomia, tenho pós graduação na Itália. Além de que eu cresci na Itália, aprendi a cozinhar antes mesmo de ter peitos — falei. — A única comida que você deve conhecer é a congelada.
— Como você ousa falar assim comigo?
— Pode me poupar desse discurso ofendido — cortei ela. — Você tem a ousadia de entrar no meu restaurante, tratar mal meus funcionários e ainda por cima reclamar da minha comida, que sem modéstia alguma, está perfeita e ainda quer que eu te trate bem?
— Eu sou Claire Young, você deveria demonstrar mais respeito.
— Parabéns para você, mas eu não te conhecia até cinco minutos atrás, quando minha gerente falou de você. Agora depois desse chilique, eu te convido a sair do meu restaurante.
— Você está me expulsando? — indagou ela indignada.
— Estou te convidando a sair — corrigi. — Mas se você for resistente eu posso chamar os seguranças.
— Eu nunca fui tão humilhada na minha vida — declarou se levantando. — Vamos Edward!
— Eu? — questionou ele. — Eu não vou a lugar nenhum antes de terminar meu delicioso jantar.
E como se quisesse reafirmar seu posicionamento, ele deu uma garfada em seu tortellini e soltou um gemido que deveria ser proibido.
Claire bateu o pé e pegou sua bolsa, saindo da sala como um furacão.
Eu me aproximei de Angela e disse em seu ouvido.
— Vá atrás dela e faça-a pagar pela salada, não deixe ela sair sem pagar.
Angela deu um sorrisinho e concordou com a cabeça, antes de correr elegantemente atrás dela.
— Sinto muito por estragar seu encontro, senhor Cullen — falei me virando de volta para ele.
— É só Edward e não foi nada. Na verdade, você só me ajudou a me livrar de um encontro arranjado que eu não queria estar. Agora eu estou aqui sozinho com essa comida incrível e com essa vista maravilhosa — disse ele apontando para a janela, vista para o mar. — Eu deveria te agradecer para ser sincero.
Não consegui evitar de sorrir de novo, eu adorava famosos que eram simpáticos, ao contrário da modelo que era sua companhia até minutos atrás.
— Bem, mesmo assim vou te compensar pelo transtorno — falei. — Eu tenho o merlot perfeito para esse tortellini, vou trazer para você, por conta da casa.
— Obrigado — agradeceu ele com seu sorriso brilhante.
— Mais uma vez, desculpe o transtorno. Se precisar de alguma coisa não hesite em chamar.
Sai de sua sala depois de retribuir seu sorriso mais uma vez, era contagiante demais. Caminhei entre as mesas ainda sorrindo, aproveitando o momento para checar se as pessoas estavam satisfeitas.
Mesmo ainda com cólica, voltei para a cozinha.
Não sei quantos minutos passaram até que Leah, uma das auxiliares de cozinha se aproximou de mim.
— Chefe, tem sangue no seu uniforme, acho que desceu pra você — sussurrou ela.
— Obrigada por avisar — falei dando a panela que eu segurava e correndo para o vestiário.
Quando cheguei lá, notei que realmente tinha uma manchinha pequena de sangue no meu uniforme. A vida realmente estava brincando comigo.
*
Depois de tomar um banho rápido no vestiário e vestir novamente minhas roupas casuais, já que não dava para voltar para meu uniforme, voltei para o meu escritório.
Pelo menos no dia seguinte eu teria menos e-mails para responder.
Estava concentrada quando ouvi uma batida na porta e a voz de Angela.
— Bella, o senhor Cullen quis vir pessoalmente elogiar a comida.
— Eu já falei Angela, é só Edward — disse ele olhando para ela.
Ela não resistiu ao seu sorriso brilhante e corou intensamente, então se afastou sem novas palavras nos deixando sozinhos.
Eu fiquei em silêncio por alguns segundos, apenas observando o cantor a minha frente. O senhor Sorriso Brilhante era bonito de uma maneira que me deixava deslumbrada e me dava a estranha sensação de que eu já o conhecia.
Provavelmente eu devia ter visto alguma notícia na internet sobre ele.
— Bem, Angela já disse o que eu vim fazer aqui, mas queria reforçar o quanto gostei da sua comida — falou ele. — Desde a salada na entrada, o prato principal e a sobremesa. Sem contar o vinho que harmonizou perfeitamente.
— Obrigada — respondi sentindo minhas bochechas quentes.
Passar os verões com papai haviam me ensinado uma coisa ou outra sobre vinho.
— Enfim, foi uma ótima experiência. A última vez que comi uma comida italiana tão autêntica, foi exatamente na Itália. Com certeza vou aparecer mais vezes por aqui — prometeu ele.
— Eu vou esperar.
Como ele estava indo embora, resolvi acompanhá-lo até a saída e ofereci uma saída pelos fundos da próxima vez que ele viesse, para fugir dos paparazzis. Mas ele recusou.
— Bem, a pergunta que eu vou fazer é meio ousada — disse ele enquanto esperávamos o manobrista trazer seu carro. — Mas você poderia me passar seu número?
— Você chegou aqui para jantar com uma modelo e espera que eu te dê o meu número? — questionei rindo.
— Não pode me culpar por tentar — respondeu com um sorriso travesso.
— Desculpa, mas eu não vou te dar meu número hoje.
— Então eu realmente terei que vir outros dias — disse piscando.
— Boa noite, Edward Cullen!
— Boa noite, Bella Swan!
Exatamente naquele momento, o manobrista trouxe o carro dele, que colocou óculos escuros e andou apressadamente até o banco do motorista, fugindo da meia dúzia de paparazzi que estavam do outro lado da rua.
Voltei para o escritório com um sorriso no rosto.
Há dias em que tudo parece projetado para dar errado, como se a vida te mandasse voltar para cama e começar de novo. Aquele dia tinha sido assim, mas eu fiquei feliz de não ter desistido daquele dia.
Depois de tudo que tinha acontecido, ainda com cólica e com coisas pra resolver, eu ainda estava surpreendentemente feliz. Transbordando de uma sensação de que coisas boas estavam por vir.
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