Ribellarsi

3 Capítulo III


Notas iniciais
Hey!! Mais um capítulo quentinho para vocês! A história está fluindo super bem e as ideias surgindo, queria compartilhar minha alegria com vocês. O semestre da faculdade acabou e estou pra lá de motivada a me concentrar no momento só na historia e na minha bolsa de pesquisa. Quero saber se vocês estão animas e motivadas para que eu continue!! #Aviso importante nas notas finais...

Nosso voo foi longo, onze horas dentro de um avião com uma criança não é nada fácil. Ainda bem que era fácil distrair Julia, coloquei seus filmes preferidos para assistir em meu celular com os fones de ouvido. Pedi a aeromoça para que trouxesse um lanche leve para comermos e assim passamos o nosso tempo.

Eu perdida em pensamentos e ao mesmo tempo tentando não transmitir meus medos para as minhas meninas, acredito que com Julia eu obtive sucesso, mas já com Mia não foi tão fácil. Ela sente tudo que eu sinto e cada vez que fico mais angustiada, mais agitada ela se torna.

Para aliviar minha tensão e tentar acalmar Mia, comecei a me questionar em que estado meu apartamento se encontrava. Será que Alice ou Rosalie mantiveram ele limpo? Será que Emmett continua morando lá? Provavelmente terei que fazer uma grande faxina por causa das meninas, além de reabastecer a dispensa. Emmett não é muito confiável no quesito alimentação saudável. Como deve estar a minha loja? Nesse quesito tenho certeza que Alice cuidou muito melhor do que eu poderia cuidar, já que ambas somos sócias e batalhamos muito para construir nosso atelier depois da faculdade. Me lembrei de Jacob, será que ele ainda trabalhava como fotografo e continuava a morar no apartamento da frente? Como meus pais estariam, quais serão as reações deles ao me ver? Ao ver as minhas garotas? Eles seriam capazes de me perdoar? Eles seriam capazes de compreender que minha rebeldia, minha motivação por mudar o mundo e a vontade de sempre ajudar o próximo antes de pensar nas consequências, nunca foi uma afronta a eles? Será que nesses seis anos eles conseguiram compreender que eu nasci para ser livre e forte o bastante para lutar com unhas e dentes por aquilo que acredito? Quando um nome brilhou em minha mente, meu coração se apertou, Anthony! Como ele estaria? Mesmo bad boy? Teria se casado? Teria assumido os negócios da família? Ou teria feito a sua tão sonhada faculdade de medicina? Será que continuava o mesmo babaca pelo qual uma vez eu fui completamente apaixonada? Anthony foi o único que conseguiu domar um pouco da minha rebeldia na adolescência, mas nem ele foi capaz de me proteger e prever o que iria acontecer alguns anos depois. E no meio de tantos questionamentos e lembranças acabei pegando no sono.

Estávamos eu e Victória sentadas na beira da praia de Copacabana no Rio de Janeiro, olhando aquele lindo pôr do sol. Era uma sensação de satisfação, de paz, liberdade, aquela velha história de alma lavada, era assim que eu me sentia olhando para aquela gloriosa paisagem. Percebi os olhos cor de mel de Victória cravados em mim, aos poucos fui movendo meus olhos pela paisagem até encontrar seus olhos. Ela tinha aquele sorriso torto e um brilho travesso em seu olhar.

— Sabe mia Bella, nós seremos muito felizes aqui! – e depois riu, quando um grupo de surfistas passavam por nós e acenavam. Foi impossível não gargalhar com ela. Victória possuía uma leveza na alma e a sua juventude transbordava pelos seus olhos, ela era feita de felicidade.

— Sim Vick, seremos muito felizes aqui! – Infelizmente éramos jovens de mais e não imaginamos o quanto o mundo poderia ser horrível para duas garotas que só queriam aproveitar a vida.

Sentia uma mãozinha em minhas bochechas e ao fundo uma voz doce me chamando.

— Acorda, mia Bella! – fui abrindo meus olhos até encontra meu mar de mel me observando com a testa franzida. – Mamãe, você sabe que não pode chorar. Se você chora a Mia também chora e ela não pode ficar triste. Lembra o que a doutora falou? – Foi impossível não sorrir para a minha garota esperta, sua maturidade e facilidade de lidar com as coisas me assustava. Eu não havia percebido que estava chorando, limpei rapidamente minhas lagrimas e lhe dei um beijo de esquimó, ganhando uma risada em troca.

— Principessa, não estou chorando de tristeza, apenas de saudades. –

— Só que não pode chorar, lembra? – Sim, eu lembrava. E dessa vez não era sobre a médica que ela estava falando e sim sobre aquele mostro.

— Não se preocupe Sweet, já conversamos que podes chorar sempre que quiser, seja de felicidade ou tristeza, nunca mais ninguém irá lhe machucar. – Ela me presenteou com um sorriso doce e um aceno de cabeça.

Julia se aconchegou em mim e deitou a cabeça em minha barriga. – Eu sinto falta da Vick, mia Bella. – Senti meus olhos se encherem de lagrimas quando percebi a dor em sua voz.

— Eu também, principessa, eu também. – Ficamos abraçadas uma na outra como se eu fosse seu bote salva-vidas e ela minha força.

Alguns minutos depois escutamos a aeromoça avisando para que os passageiros sentassem corretamente em suas cadeiras e colocassem os cintos, pois dentre alguns instantes já iriamos pousar. Arrumei a poltrona e Julia e coloquei o seu cinto e fiz o mesmo processo comigo.

Observei com satisfação minha princesa olhando pela janela uma Roma magnifica e toda iluminada, ela sorria como quem estivesse ganhando o melhor presente de natal. E foi com o pensamento de Natal que me lembrei do frio horrível que estaria fazendo lá fora e peguei a minha bolsa. Fiz Julia tirar sua blusa e seu casaco e lhe vesti com a blusa térmica, depois coloquei a blusa e o casaco novamente. Tirei seus tênis e sua calça e lhe coloquei a meia calça de lã rosa, para depois colocar a calça e o All Star. Julia ficou me olhando com uma cara de quem não estava entendendo nada, rapidamente me pus a explicar.

— Principessa, não estamos mais no Brasil e sim na Itália, assim como outros lugares do mundo aqui não é verão e sim inverno. – Ela rapidamente compreendeu e voltou a olhar pela janela do avião. Peguei minha meia calça de lã, tirei minha botinha e vesti a meia calça. A senhora que estava na poltrona do corredor ficou me olhando com uma cara engraçada, me limitei em dar um sorriso amarelo de desculpas e me vesti o mais rápido possível que aquele espaço me permitia. Foi o tempo de conseguir calçar minhas botas e o avião já estava pousando.

No tempo em que a aeromoça foi solicitando e dando as instruções para o desembarque, peguei minha bolsa, fechei o sobretudo de Julia e arrumei seus cabelos. Olhei dentro dos seus olhos para lhe passar o máximo de confiança que eu poderia.

— Iremos começar uma história nova aqui, eu, você e a Mia. Independentemente de qualquer coisa seremos eternamente nós três e eu te juro que nunca irei deixar ninguém encostar um dedo em você. Eu te amo, minha menina esperta e nunca mais ninguém irá fazer maldades com você. Confia em mim, principessa? – Julia me olhava com os olhos brilhando em lagrimas e acenou positivamente com a cabeça para depois pegar minhas mãos e apertar bem forte. Eu entendi ela, não tinha a capacidade de julgar seus medos, pois os seus medos eram os meus que os meus.

Respirando fundo me levantei da poltrona e deixei que Julia fosse na minha frente, meu instinto protetor estava em nível máximo com ela. Era como se a qualquer momento alguém fosse lhe roubar de mim ou lhe fazer alguma maldade. Eu era a legitima leoa e estava pronta para atacar e defender meus filhotes. Fomos andando até o portão de desembarque em uma conversa animada, Julia estava curiosa, tudo ela queria saber. Fui explicando e respondendo cada nova pergunta que surgia sua, era deveras maravilhoso ver ela tão solta e feliz. Estávamos tão concentradas na nossa bolha de felicidade e cumplicidade que quando levantei meus olhos eu fiquei em choque quando enxerguei uma belíssima loira chorando agarrada ao meu irmão que mantinha os olhos incrédulos em nós. Só percebi que tinha parado e lagrimas escorriam de meus olhos quando Julia puxou minha mão.

— Está tudo bem, mamãe? – Eu só ri, ela estava utilizando essa palavra com mais frequência e segurança. Meu coração sempre perdia uma batida quando ela me chamava assim. Olhei para baixo e me abaixei a sua altura, pelo canto dos olhos pude perceber uma Rosalie chorosa e chocada e meu irmão respirando profundamente para se manter calmo e andar lentamente até nós.

— Sim principessa, está tudo bem. Mamãe só está feliz. – Ela me olhou ainda desconfiada e depois levantou seus lindos olhos para as duas pessoas que estavam a dois passos de nós. Sua boquinha de abriu em um lindo “O” e seus olhos brilharam em reconhecimento. Sim, ela sabia quem eles eram, mesmo eles não sabendo da existência dela. Eu sempre falei deles e mostrava fotos da faculdade e adolescência juntos. Tomando a coragem que eu não possuía, peguei impulso e levantei para ficar de frente para eles.

Seria engraçado a situação se não fosse trágica, Emmett não conseguia para de olhar para mim, minha barriga e Julia, ele já estava me deixando tonta. Rosalie parecia estar perdida em pensamentos enquanto analisava Julia, eu sabia que ela iria perceber as semelhanças, afinal Julia era uma cópia fiel de Victória quando criança. Rose levantou seus olhos para mim e sorriu, um sorriso de compreensão, de boas-vindas e você está segura, um sorriso de é bom ter você de volta e tudo irá ficar bem, um sorriso que apenas Rosalie sabia dar. Soltei a respiração que nem eu tinha percebido que trancava e me joguei nos braços da minha loira, os soluços que se sucederam depois eu não conseguia decifrar se eram meus ou dela, provavelmente de ambas. Ela sempre foi meu porto seguro, nós não precisávamos de palavras, nossos olhares se entendiam.

Quando estávamos mais calmas nos soltamos e sorrimos uma para a outra, Rose olhou sobre o meu ombro e me virei vendo uma Julia retraída e amedrontada olhando por baixo dos cílios para Emmett que não conseguia parar de lhe encarar. Eu sabia que ela teria medo de outros homens, eu sempre evitei que ela tivesse novos contatos depois de todos os acontecimentos e digamos que o tamanho de Emmett e sua cara não estavam ajudando. Me doía ver ela com medo e insegura, mas iriamos passar por isso juntas e superar.

Andei até ela e lhe peguei no colo para que ficasse mais próxima deles, Julia se agarrou no meu pescoço e deitou a cabeça no vão do meu pescoço enquanto mordia o lábio e olhava para eles, ela era uma junção de características físicas de Victória e manias minhas que chegava a ser engraçado. Fui andando suavemente com ela em meu colo até perto deles, fiquei de frente para Emmett e ela se encolheu mais no meu colo. Emmett me olhou desconfiado, mas não falou nada. Suspirei, pois sabia que teria que dar muitas explicações para eles.

— Principessa? – Chamei suavemente sua atenção para mim e lhe beijei na testa. – Se lembra das fotos que eu sempre te mostrava e das histórias que te contava? – Ela sutilmente concordou com a cabeça. – Lembra do ursão que eu te contei? – Ela novamente concordou. – Pois então, esse é o irmão da la tua Bella, esse é o Emmett que a Barbie, como tu mesmo chamava Rosalie, namora. – Ela levantou a cabeça e ficou encarando Emmett, levantou uma mãozinha como fosse tocar ele para ver se era real, mas se deteve e me olhou pedindo permissão. Apenas acenei com a cabeça e fiquei observando Emmett deixar duas lagrimas escorrerem quando ela tocou na sua bochecha. Ouvi um suspiro alto e me virei sorrindo para Rosalie, fazendo Julia lhe olhar também. – Essa Loira é a Rosalie, minha menina esperta. – Rose não se conteve e veio correndo nos abraçar, não demorou muito e senti mais dois braços fortes e grandes na nossa volta. E eu só conseguia pensar em uma única coisa: Como é bom estar em casa outra vez!

"Desde pequena disseram para ela ser Amélia e ela foi Capitu" (Zack Magiezi)

Notas finais
Vamos lá suas lindas o que estão achando?? Capítulo 4 já está pronto e o 5 sendo finalizado, quanto maior o número de comentários mais rápido irei postar. Alguém já possui alguma opinião sobre a história de Julia, Mia ou Victória? Soltem suas imaginações e lembrem-se tudo é possível. Beijos de Luz ;**