Rewrite the Stars
2 Sweater Weather
Notas iniciais
PERSEU JACKSON ESTAVA lindo, vestindo sua tradicional farda atraia diversos olhares, no entanto não estava preocupado e nem interessado com isso. Queria se casar com uma mulher que visse algo além da aparência.
Ele dançou com algumas mulheres sem se interessar muito, apenas por uma questão de formalidade. No entanto, quando seus olhos encontraram com uma linda ruiva de olhos cinzas, teve a certeza que valeria a pena o esforço de ir naquele baile.
— Posso te tirar para dançar? — ele perguntou estendendo a mão para a ruiva.
Ela apenas deu um sorriso leve e aceitou, feliz por seu plano estar dando certo.
— Desculpa a minha falta de educação, sou o general Perseu Jackson. — ele disse sorrindo, mostrando suas covinhas.
— Muito prazer, sou Hannah Neumann.
Eles dançaram por várias músicas, até que ela se cansou e o chamou para tomar uma bebida, coisa que, para época, era um escândalo. Afinal, ela era uma mulher.
Mas isso não fez com que Perseu se sentisse envergonhado, cada vez mais ficava impressionado com aquela ruiva.
Em algumas horas de conversa e vários copos cerveja artesanal, ele descobriu que o pai de Hannah também havia sido um general, mas que havia morrido por causa de problemas no coração. Apesar de ser alemã, ela havia vivido boa parte da vida na Inglaterra, o que explicava o sotaque gostoso de se ouvir.
Eles caminharam por algumas horas pelas ruas de Berlim apreciando a quietude da rua e a companhia um do outro.
Conversavam banalidades, esquecendo — mesmo que por alguns instantes — que estavam vivendo a pior das guerras.
Vez ou outra percebiam que ainda existiam crianças que brincavam nas praças, apesar do horário e da situação.
Se tudo fosse diferente, Percy queria ter filhos. No entanto, seria covardia colocar uma criança para viver naquela situação, naquele mundo.
Eles divagavam sobre as crianças, sobre o trabalho de Percy e inclusive sobre as origens da ruiva, até Hannah mencionar que estava em uma rua próxima a de sua casa. Aproveitando que já estavam por ali e a hora passava impiedosamente, Perseu decidiu acompanha-la até sua casa.
Ficaram em um silêncio absoluto, no entanto, ele não era desconfortável. Era um silêncio que confirmava que a conexão deles era além de palavras.
Eles andavam juntos e um determinado momento, Perseu resolveu se arriscar um pouco e segurar sua mão.
A rua estava parcialmente deserta, fazendo com que apenas as estrelas e alguns casais mais velhos percebessem que, de certa forma, dois destinos estavam se encontrando naquele momento.
— Chegamos. — Hannah avisou indicando com a cabeça para uma casa e desvencilhando sua mão da dele.
Perseu encarou a pequena construção com foco nas janelas destacadas e ângulos graciosos que pareciam sugerir sutis aspectos vitorianos. Talvez fosse para suprir a falta de seu antigo lar ou por considerar os detalhes bonitos, mas fazer menção à Inglaterra em meio ao caos da guerra era perigoso. Principalmente para alguém que tivera uma vida na terra do rei, como Hannah.
— Então boa noite, Perseu Jackson. A noite foi extremamente agradável.
A voz melodiosa da mulher a sua frente fez com que Perseu desviasse seus olhos para os dela. Além de únicos, eram lindos, assim como a pessoa a quem os pertenciam. O homem não se oporia caso seu ser fosse exposto pela imensidão cinzenta. Até porque era exatamente o que pareciam fazer: envolviam com sua misticidade e desvendam cada um de seus segredos.
— E obrigada por me acompanhar até aqui. — ela acrescentou.
Perseu sorriu.
— O prazer foi todo todo meu.
Com bastante coragem — e um pouco de ousadia, talvez — pegou a mão direita de Hannah e a levou até seus lábios, depositando ali um beijo casto, mas significativo. Era como um pedido silencioso para que esperasse por ele.
— Boa noite para você também, senhorita Neumann. — voltou a olhá-la, quase não enxergando os indícios vermelhos em suas bochechas por conta da noite — Mas antes de ir, será se poderia me dizer se aceitaria sair para passear comigo? Outra vez.
Um sorriso brincou no rosto da ruiva enquanto ela recolhia a mão onde o beijo havia sido dado, deixando rente ao seu peito e guardando o gesto de carinho.
— Ficaria lisonjeada se tentasse.
Perseu realmente tentou.
E Hannah não pôde deixar de aceitar.
No entanto, as mesmas estrelas que testemunharam o início de uma provável história de romance, também testemunharam o sofrimento de Silena Beauregard, poucos meses antes.
Todo o seu corpo e suas roupas — mesmo que elas não fossem suficientes nem para cobrir sua intimidade e seus seios — estavam ensanguentados e grudentos, seu sorriso que antes conquistava todos ao seu redor, agora faltavam alguns dentes, sua intimidade tinha sido violada mais vezes que ela poderia contar.
Fosse pelas feridas expostas, fosse pela humilhação que havia passado, a dor a atingia de inúmeras formas diferentes levando de si toda a vontade de viver.
Mas ela jamais se entregaria tão fácil.
Pessoas que ela amava haviam suportado bem mais do que isso, ela não desistiria tão fácil.
Embriagada pela dor, seus pensamentos divagaram pela lembrança de Nico Di Ângelo. Apesar de tudo, não o culpava, ele apenas não estava pronto para suportar tudo aquilo. Esperava que Nico não levasse para o lado pessoal, muito menos que se sentisse responsável pelo que estava passando. Nada daquilo era culpa dele afinal, então não haviam motivos para pensar que Nico a condenara àquele fim.
Ela mesma havia se condenado a isso.
Respirava tão rasamente que não duvidava que poderia morrer em poucos instantes, apesar de tudo, não se arrependia. Faria tudo novamente — talvez consertando alguns erros.
Seu corpo ainda tremia devido aos vários minutos em que estiveram a afogando, aquela pessoa não era mais a Silena — ou Lena como era chamada pelos mais próximos — era um fantasma de quem ela havia sido no passado.
Ainda assim, em meio ao sofrimento, fechou os olhos e conseguiu visualizar a única pessoa que fez valer seu tempo de estar ali, arriscando a vida.
Sorriu, sentindo seu corpo amolecer.
— Espere por mim, Charlie...
Foi com um fraco suspiro que deixou de resistir, entregando-se ao desconhecido e deixando para trás sua dor, suas preocupações, um diário e sua vida.
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