Rewrite the Stars
3 Secret
Notas iniciais
JASON TENTAVA NÃO sentir enojado com as atrocidades com que tinha que conviver diariamente.
Pessoas eram mortas por serem diferentes e ele, simplesmente, tinha que agir como se concordasse com tudo aquilo. Havia pedido remoção para o mesmo lugar que Perseu Jackson trabalhava com a desculpa que a sua mulher estava grávida e queria poder ficar mais perto dela.
Aparentemente tinha funcionado.
Ele remexia em uma gaveta do amigo procurando alguma coisa que ajudaria a incrimina-lo — ou salva-lo — quando Perseu chegou assustando o loiro.
— Algum problema? — o moreno perguntou franzindo a testa em tom de curiosidade e cruzando os braços para — tentar — demonstrar algum tipo de autoridade.
— O Octavian falou que você tinha uma informação sobre o caso da traidora da Beauregard. — Jason disse apostando no ódio que todos sentiam por Octavian e, de certa forma, ele não estava mentindo.
— Céus, eu odeio aquele cara. — Perseu disse arrancando uma risada sincera do homem ao seu lado — Não me surpreenderia se o próprio Hitler o matasse.
Perseu se sentou na cadeira em frente ao armário e respirou fundo, aqueles dias estavam acabando com ele. Tudo o que queria era sair para beber sem se preocupar em ter que comandar soldados no dia seguinte.
— Como estão a sua esposa e o bebê? — Perseu perguntou apenas por uma questão de formalidade, afinal o General Jason Grace nem era seu amigo.
— Infelizmente ela o perdeu, Piper está acabada. — ele disse enxugando uma falsa lágrima — Nós dois estamos.
— Meus pêsames. — o moreno se levantou e apertou os ombros do colega, como se fosse um pequeno conforto — Vocês querem sair comigo e com a minha esposa, Hannah, para tentarem, não sei, se distraírem um pouco?
Jason viu naquele convite uma oportunidade ótima para tentar entender quem era Perseu Jackson e porque Silena havia o citado.
— Adoraríamos.
Longe dali, Piper olhava pela janela a sua nova vizinha, Hannah Neumann Jackson.
Ela era estranha.
Agia como se tivesse um segredo e, se isso fosse verdade, Piper não tardaria para descobrir.
A ruiva treinava incessantemente, talvez fosse uma interesseira e quisesse matar Perseu na primeira oportunidade. Piper teve que rir da sua teoria ridícula, afinal ela apenas poderia ser louca.
Resolveu que precisava sair de casa, fazer algumas compras, afinal para aquela sociedade as mulheres eram simples donas de casa. Aqueles homens loucos deveriam aprender algo com Simone de Beauvoir.
Todos na rua a parabenizavam pelo bebê, às vezes isso a irritava, mas na maioria das vezes a deixava um pouco feliz.
Assim como todas as espiãs, Piper teve o útero retirado, afinal TPM, menstruação e gravidez atrapalhavam o seu trabalho. No entanto, em certos momentos, ela imaginava como seria se ela tivesse tido a oportunidade de ser mãe.
Estava treinando quando Jason chegou, pela primeira vez, seu marido exibia um sorriso verdadeiro. Ele segurou a cintura da esposa e a beijou.
O loiro finalmente estava se permitindo ter algum tipo de esperança.
— Devo me preocupar? — Piper disse em tom de brincadeira.
— Acho que não. — ele disse dando um meio sorriso — Apenas se arrumar para jantar com Perseu Jackson e tentar descobrir quem ele é.
Enquanto Jason e Piper se arrumavam para receber as pessoas em sua casa, Perseu tentava convencer a sua esposa a saírem.
Ela penteava o seu cabelo, enquanto olhava para seu marido deitado de lado na cama, pelo espelho. Perseu podia ser muitas coisas, menos feio. Seus olhos verdes — assim como as esmeraldas em seu pescoço — faziam um pedido silencioso para que ela aceitasse o convite do amado.
No entanto, Hannah ainda não se sentia pronta, não havia feito amizade com a vizinhança e ainda se sentia estranha naquela cidade que agora era o seu lar.
— O que tanto te incomoda, querida?
— Eu só... — ela respirou fundo e se virou para olhar nos olhos de seu marido — Eu não os conheço e parece inapropriado ir na casa deles assim.
Perseu se levantou ficando de frente para Hannah, segurou suas mãos e — assim como no dia em que se conheceram — as levou a boca, depositando um leve e casto beijo.
— Não farei nada que você não queira, Hannah, mas eu gostaria muito ir nesse jantar. Jason insistiu que fosse em sua residência por causa da esposa debilitada. — ele disse apertando as mãos de sua esposa de leve, como se dissesse que a apoiaria qualquer que fosse sua decisão.
Hannah, por mais que não quisesse, não pode negar o pedido de seu marido. Com o leve sorriso, assentiu fazendo seu marido dar um gritinho de comemoração.
Não demorou muito para que os Jackson' s estivessem prontos e do lado de fora da casa — que mais se parecia com um castelo. Por serem vizinhos, Perseu preferiu ir andando para a casa do — talvez — amigo, afinal, Hannah sempre amou andar durante a noite, contemplando as estrelas.
Por estar fardado, várias pessoas demonstravam respeito — e às vezes até medo — à Perseu. Ele achava ridículo ter que vestir seu uniforme para ir à um jantar informal, afinal, nenhum médico ou engenheiro vestia os uniformes fora do ambiente de trabalho. Balançou a cabeça negativamente sabendo que, provavelmente, nunca poderia se livrar daquele fardo.
Chegando ao destino, ele esperou uma confirmação de sua esposa. Ela estava sorridente, entretanto, Perseu conseguia enxergar o nervosismo transparecer em seus lindos olhos. Conhecia muito bem sua esposa para saber que algo estava a angustiando.
— Está se sentindo bem? — perguntou.
Claro que estava, só não se sentia... confortável estando ali.
Justamente por serem vizinhas, Hannah achava que teria uma convivência agradável com Piper. Não de serem amigas íntimas, mas ao menos de se cumprimentarem nos encontros ocasionais em mercados ou com conversas banais sobre os maridos. Por ora, nem isso tinham. Havia dois meses que chegara no bairro, casada com Perseu, e nesse meio-tempo Piper não demonstrava um único sinal de simpatia para com ela.
Não que se importasse, não tinha necessidade de se prender a amizades. Mas isso a incomodava. Não se sentia bem-vinda e, estando ali, para entrar na casa dela ocorreu-lhe o pensamento de que seria uma intrusa.
Definitivamente não saberia o que fazer ou como agir quando tivesse que conversar com ela. Afinal era uma mulher que estava ali para consolar o infortúnio da outra. Teria que ser cautelosa ao mencionar qualquer coisa. Por estar fragilizada, Piper poderia se mostrar bastante amarga com alguém que, aparentemente tem uma vida perfeita e chances de alcançar a maternidade logo. Hannah se sentiria da mesma forma se perdesse um filho.
Na verdade, se pudesse ter um filho, em primeiro lugar.
— Querida?
A voz de seu marido a trouxe de volta à realidade. Ele a encarava com um olhar inquisitivo, quase que como se estivesse esperando uma resposta. O que, de fato, estava.
— Sim, claro — ela respondeu de imediato, só agora lembrando onde se estavam — Estava apenas... pensando na situação de Piper. Não quero que aconteça conosco. — disfarçou.
Perseu segurou sua mão, sorrindo compreensivo.
— Não vai — garantiu — Não precisa ser agora, teremos tempo para consultar o médico e, em breve, teremos um bebê em nossos braços.
A ruiva abaixou a cabeça, dando um sorriso que Perseu interpretou como tímido. Se estivesse a encarando, descobriria que fora um forçado. Hannah não queria. Pelo menos não daquele jeito, com tantos problemas envolvidos e muitas pessoas no fogo cruzado.
Tinha um foco e não se desviaria dele
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