Revolting Child
15 Strike
Notas iniciais

Violet ficou um tempo de boca aberta e com os olhos arregalados fixos no convite dourado. Quando finalmente conseguiu dizer alguma coisa, exclamou:
— O quê?!
— Eu resolvi dividir o meu prêmio. — Charlie respondeu.
— O quê??? — Era tudo o que ela conseguia dizer.
— A fábrica é muito grande, tem espaço pra todo mundo lá.
— E você quer que eu... quer dizer, que eu e os outros sejamos os donos da fábrica junto com você depois do Sr. Wonka???
— Isso.
— Fala sério!
— Eu tô falando sério!
Isso foi inesperadamente inesperado! Nem em sonhos Violet podia imaginar que teria outra chance de voltar à Fantástica Fábrica de Chocolate e muito menos de morar lá! Esse Charlie era doido, né? Quem é que divide um prêmio desses??? Ela com certeza não faria isso! E como será que o Willy Wonka tinha concordado com essa ideia??? Nossa, ela tinha tantas perguntas! E pensava várias coisas ao mesmo tempo, mas seu principal pensamento era que não queria desperdiçar essa oportunidade de jeito nenhum! Oportunidade que tinha chegado num momento perfeito, quando Violet mais queria escapar.
Espera aí... parecia bom demais pra ser verdade. E então a menina pensou num obstáculo muito grande que a impediria de ir pra lá. Tendo sido convidada ou não, sua mãe ainda era a sua responsável e, se não concordasse, já era. Era ela quem tinha permitido que Charlie fosse visitá-las, mas a entrega desse convite não parecia algo com que Scarlett concordaria...
— A minha mãe sabia desse convite?
— Não, só da carta.
Então era isso: a mãe de Violet havia concordado em Charlie entregar a carta de desculpas de Willy Wonka, mas não sabia do resto.
— Charlie, essa proposta é incrível, mas... — disse a menina, suspirando — eu duvido que a minha mãe deixe eu ir...
— Os pais do Augustus também não deixaram... Mas você pode tentar pedir pra sua mãe, de repente ela deixa... e ela pode ir junto com você pra fábrica, você não precisa ir sozinha.
Porém, infelizmente, a suspeita de Violet estava certa: sua mãe não concordou. A menina pediu enquanto estavam todos no carro indo para o boliche. Charlie a ajudou, pedindo educadamente junto com ela, mas, mesmo ele sendo um anjinho, a mulher não se convenceu. Não tinha jeito, por mais que tivesse achado decente da parte de Willy Wonka pedir desculpas, ainda não confiava nele, nem naquela fábrica perigosa, nem naqueles Umpas-Lumpas sádicos e malucos...
— Eu falei que não ia dar... — Disse Violet, mais baixo, só pra Charlie.
— Que pena... — ele respondeu tristemente. — Tá gostando do chocolate?
— Uhn-hum.
Violet estava comendo a barra que havia ganhado dele. De repente, a menina teve uma ideia genial. Pelo que parecia, Charlie queria mesmo que ela fosse pra fábrica, então talvez ainda houvesse uma chance: ela podia ir pra lá com a ajuda dele sem que sua mãe soubesse. É claro que ele era muito certinho e obediente pra fazer qualquer coisa escondido dos adultos, mas... e se ela conseguisse convencê-lo a levá-la escondida?
É claro que, para isso, ele teria que confiar nela, então ela teria que fingir ser sua amiga. Ia ser a melhor amiga que ele já teve! Não ia ser tão fácil, afinal, ele era um menino muito sem graça, então ela provavelmente ficaria entediada com ele, mas teria que disfarçar... Enfim, tirando esse pequeno detalhe, era o plano perfeito! E ela decidiu colocá-lo em prática naquele momento, oferecendo chocolate a ele.
— Não, o presente é seu — Charlie respondeu.
— Eu sei. Por isso eu posso dividir com quem eu quiser. Toma!
Ele sorriu, parecendo impressionado, e aceitou o pedaço. Ela sorriu também, porque viu que seu plano já estava funcionando.
***
Charlie nunca havia jogado boliche antes. Violet ficou impressionada. Sabia que antes ele era pobre, mas agora ele morava na Fantástica Fábrica de Chocolate, não tinha de tudo lá? Bom, quase tudo, mas pista de boliche não tinha. Então ela o ensinou a jogar. Nas primeiras vezes ele foi péssimo, mas foi pegando o jeito aos poucos. Violet comemorava todas as vezes em que ele conseguia derrubar muitos pinos, tentando parecer o mais espontânea possível. Ela, quando jogava, sempre derrubava todos.
— Nossa, você é boa nesse jogo! — Exclamou Charlie.
— Obrigada! — Ela respondeu, com um sorriso enorme no rosto. Então, vendo que o menino parecia intrigado com alguma coisa, perguntou: — O que foi?
— Nada, é só que... você tá muito diferente de quando eu te conheci!
— Você acha?
Violet estava se achando uma ótima atriz. E olha que, apesar de ter feito vários cursos aleatórios ao longo da infância, nunca tinha feito uma aula sequer de teatro! E o Charlie era tão bobinho! Estava caindo direitinho! Hahaha.
Só que ela não era uma atriz tão boa quanto achava, pois sua mãe estava bem desconfiada de sua mudança brusca de comportamento. É claro que estava achando ótimo, pois queria mesmo que a filha fosse legal com Charlie, só não podia negar o quanto aquilo era estranho. A Srta. Beauregarde e o Sr. e a Sra. Bucket não estavam jogando com as crianças, estavam um pouco mais afastados numa mesa conversando e, assim como todos os pais de crianças quando encontram outros pais, eles só falavam sobre os filhos.
É claro que Scarlett não falava dos problemas que tinha com Violet, apenas das características da menina que já tinham melhorado depois da visita à fábrica. Os pais de Charlie, por sua vez, diziam que ele também estava mudando depois que haviam ido morar lá e que sua vontade de fazer essas viagens pelo mundo eram uma prova disso. É claro que antes eles não tinham dinheiro pra viajar, mas, de qualquer forma, Charlie sempre queria ficar em casa com a família, não tinha vontade de sair pra canto nenhum, só fazia isso quando precisava.
Uma coisa que a Srta. Beauregarde achou muito curiosa foi que eles disseram que agora ele não ia mais pra escola (mais um motivo pra ela não querer que Violet fosse morar na fábrica), mas que, quando ia, não tinha muitos amigos lá, então era bom pra eles vê-lo assim, brincando com outras crianças, já que ele normalmente só andava com adultos. Scarlett nunca imaginaria que sua filha e Charlie tivessem isso em comum...
Agora, os dois tinham parado de jogar e ido tomar Coca-Cola e comer as batatas fritas que segundo Violet eram as melhores do mundo. Depois de Charlie concordar com a afirmação, curiosamente, eles também começaram a falar sobre escola.
— Que sorte! — Exclamou Violet. — Eu daria tudo pra não ter mais que ir pra escola!
— Mas eu ainda tenho aulas, só que na fábrica.
— Aulas de culinária?
— Também — ele respondeu, rindo. — Mas eu também continuo aprendendo as mesmas coisas que aprenderia na minha série da escola. Eu tenho aulas particulares com os Umpa-Lumpas.
Violet começou a rir e disse:
— Deve ser legal ter professores Umpa-Lumpas! Muito melhor do que as aulas da minha escola!
— Você não gosta da sua escola?
— Eu odeio! Você gostava da sua?
— Sim... bom, eu gostava das aulas... gostava de aprender...
Violet desconfiou que ele não gostasse tanto assim da escola e preferisse mil vezes ter aulas com os pequenos dançarinos e imaginou o porquê:
— Você sofria bullying?
A expressão dele foi de "como você sabe?!" e ela percebeu que estava certa.
— É horrível, né? — Ela continuou.
— Você sofre bullying na sua escola?
— Por que você parece tão surpreso?
— Porque você não parece o tipo de pessoa que sofre bullying...
A menina se lembrou do jeito como o tratou na fábrica e entendeu que ele devia achar que ela era a bully da escola por sua personalidade forte, então quis mostrar que ele estava errado:
— Pra sua informação, na minha escola, todos os alunos sofrem bullying, porque a bully é, ninguém mais ninguém menos, do que a diretora!
— Isso é sério?!
— Uhn-hum. Você queria saber como o meu braço quebrou, né? Foi ela, na aula de Educação Física, de propósito!
Charlie parecia horrorizado e então Violet se deu conta de uma coisa anormal na conversa que estavam tendo:
— Você acredita em mim?
— Por que você ia mentir sobre isso?
— A minha mãe não acreditou quando eu contei pra ela...
— Deve ser porque às vezes os adultos precisam ver pra crer.
— É... deve ser...
Era diferente falar com outra criança. Mesmo não sendo da escola e não vendo aquelas coisas horríveis que a Trunchbull fazia, Charlie acreditou. E então começou a fazer várias perguntas, quis saber exatamente como aconteceu e Violet contou da mesma forma que contava das atrocidades da Trunchbull pras outras crianças da escola, como se estivesse tentando assustá-lo e mostrar o quanto era ótima em sobreviver a tudo aquilo.
Porém, a menina notou que, assim como os colegas de sua escola na época do ocorrido, Charlie parecia estar com pena dela. Devia estar achando que ela era uma garotinha indefesa, o que era um absurdo! Se bem que... se ele sentisse pena dela, seria muito mais fácil concordar com seu plano de levá-la pra fábrica... Ah, não, Violet não queria que fosse desse jeito! Nem devia ter tocado no assunto de bullying pra começo de conversa. Na verdade, ela só falou disso por causa dele, porque queria fingir que entendia o que ele passava e, tá, ela entendia mesmo, mas como o foco da conversa mudou pra ela? Aliás, ele nem chegou a contar por que sofria bullying...
Enfim, Violet podia, sim, aguentar fingir ser amiga de Charlie durante toda a semana que ele ficasse em Atlanta, mas sua falsidade tinha limite e se fazer de coitadinha estava fora de cogitação! Era melhor só fingir ser legal mesmo e pronto.
— Sabia que eu nem chorei? — Disse a menina, pra tirar aqueles olhinhos de pena da cara dele.
— Sério? — Agora ele não parecia estar acreditando tanto.
— É, eu nunca choro.
Violet preferiu não insistir no assunto, pois teve uma ideia melhor do que ficar falando da vida ao ouvir a voz de uma moça que estava cantando no karaokê.
— Ei, a gente ainda não foi cantar! Depois que ela terminar, você devia ir, é muito divertido! — Disse a garota, sorrindo.
— Eu acho melhor não...
— Por quê?!
— É que tem muita gente aqui... e eu não canto bem!
— Ah, você tá com vergonha... Não tem problema, qualquer pessoa pode cantar aqui, não precisa ser profissional nem nada...
— Você também canta mal?
— Claro que não! Eu não ia subir naquele palco nem morta se eu não soubesse cantar! Ah, agora entendi o seu problema... uhn... Já sei! A gente pode cantar junto, aí ninguém vai perceber se tiver alguém desafinando.
Então Violet pegou o menino pela mão e foi correndo com ele até o palco. Charlie não teve tempo nem de processar o que estava acontecendo, quando viu já estava lá.
— Eu acho que você vai gostar dessa música! — Disse a menina, sorridente, mostrando a letra da música que escolheu.
A letra que estava numa tela na frente deles era da música "Uni Duni Tê". Sim, eu sei que a história não se passa no Brasil, mas eu amo essa música, então vou fingir que existia uma versão dela em inglês e por isso os personagens conheciam, não quero saber! Hahaha.
— Eu adoro essa música! — Exclamou Charlie, por um momento esquecendo a vergonha que estava prestes a passar.
— Eu também!
A introdução começou e a menina ficou lá dançando, enquanto Charlie só olhava com vergonha pra plateia. Seus pais estavam impressionados por verem ele lá e pareciam estar torcendo pelo garoto. Eles estavam gostando muito de ver o filho se arriscando a fazer coisas diferentes desde que havia ido morar na fábrica.
Violet começou a cantar:
Eu quis saber da minha estrela guia onde andaria meu sonho encantado...
Porém, Charlie não a acompanhou, continuou lá parado.
— Vai, Charlie! — A menina exclamou. — Canta!
A plateia, então, começou a incentivá-lo também. Ele ainda estava com vergonha e, pra dizer a verdade, aquelas pessoas não estavam ajudando muito, pois só o lembravam de que ele estava sendo observado. Violet continuava cantando e dançando. Ela parecia muito animada! E aquela música era tão legal... É o tipo de música que não tem como ficar indiferente quando se ouve, é contagiante demais. Quando chegou no coro, finalmente o menino começou a cantar com ela:
Uni, duni, duni, tê
Oh, oh, oh, oh, oh, oh
Salamê minguê...
Ele estava cantando baixinho, mas pelo menos estava cantando. Violet ficou ainda mais animada quando ele entrou na música. Ele não dançava e pulava que nem ela, mas, aos poucos, foi ficando bem sorridente. A verdade é que estava achando engraçada a performance da menina, ela tava parecendo uma doida. Então preferiu se concentrar nisso e na música ao invés de pensar nos olhares do público, que, por sinal, já estava cantando com eles também. Quando a música terminou, todo mundo aplaudiu e, do nada, Violet deu um abraço em Charlie, que ficou todo vermelho.
No final, todos acabaram se divertindo, mesmo os adultos, que só conversaram e observaram os filhos. Violet começou a pensar que talvez não fosse tão difícil fingir ser amiga de Charlie, era só fazer alguma coisa divertida e levar ele junto. E parecia que, pelos Bucket serem visita e não conhecerem nada na cidade (nem no país, né?), a mãe da menina estava disposta a levá-los pra passear o fim de semana inteiro.
***
Violet estava muito eufórica por causa do passeio, então, na hora de dormir, queria fazer qualquer coisa menos dormir. Foi quando se deu conta de que ainda não tinha lido a carta que Willy Wonka mandou pra ela, e resolveu ler.
Eis o conteúdo da carta:
Querida Violet Beauregarde,
Eu gostaria de pedir perdão por ter permitido que você se tornasse uma amora azul gigante e fosse espremida que nem uma espinha na minha fábrica. O Charlie me fez perceber que não foi muito legal da minha parte. Pessoalmente, eu não tinha achado nada de mais, afinal, quem pegou o chiclete foi você. Além disso, eu já sei que os efeitos colaterais não foram permanentes por conta dos outros Umpa-Lumpas que também viraram amoras. Eles ficaram tão engraçados! E você mais ainda! Mas pra você não foi engraçado, eu sei... mas eu também sei que agora você já voltou ao normal, então está tudo bem, são águas passadas, não é mesmo? Quer dizer, a não ser que você não aceite as minhas desculpas, mas então eu não vou poder fazer nada quanto a isso...
Saiba que tudo o que eu fiz foi para que você aprendesse uma lição por ser uma criança tão revoltante. Mas eu entendo que poderia ter te ensinado a lição de outra maneira. Na verdade, quem devia ter feito isso era a sua mãe, mas, como ela não fez e eu estava procurando um herdeiro para a minha fábrica, não podia deixar que alguém com o seu ego e as suas maneiras a assumisse, de jeito nenhum! Meu herdeiro teria que ser esperto o suficiente para tomar as decisões corretas sozinho.
Apesar da maneira como tudo ocorreu, eu espero que você tenha aprendido a lição. Se não tiver, a minha falta de habilidade em lidar com pessoas pode ser a culpada. Mas eu ainda acho que a culpada de tudo é a sua mãe. Todavia, creio que, se você não tiver aprendido uma lição, talvez pelo menos ela tenha percebido como te criou mal. Os momentos que eu passei perto daquela mulher foram extremamente desconfortáveis, eu espero que ela não esteja mais tão atirada! Aliás, é melhor você não mostrar esta carta a ela e nem contar que eu disse isso!
Enfim, eu espero que você não esteja mais mascando chiclete o tempo todo porque isso é muito nojento. E também espero que tenha aprendido a perder com dignidade. Se bem que talvez fosse mais fácil perder com dignidade se não estivesse toda azul, né?...
Bom, acho que esta carta não está tão polida e sentimental quanto o Charlie imagina, mas, apesar disso, estou escrevendo de coração e estou realmente arrependido!
Assinado,
Willy Wonka
PS.: Eu não gosto muito de falar com pessoas além dos Bucket e dos Umpa-Lumpas, então não precisa responder se não quiser. Na verdade, eu prefiro que não responda. Se não souber por você, vou saber pelo Charlie se aceitou as desculpas ou não.
No geral, Violet achou a carta muito engraçada. O jeito como o Sr. Wonka se expressou era tão esquisito! Sabe o que parecia? Uma criança que foi obrigada pelos pais a pedir desculpa pra coleguinha.
Violet se lembrou de uma vez em que esteve nesse lugar. Um dia, uns anos atrás, um garoto idiota chamado Ollie Bogwhistle (que agora era um dos delegados da escola) a pegou no flagra armando uma de suas pegadinhas pra Trunchbull e disse que ia dedurá-la. Ele acabou não fazendo isso porque levou uma surra da menina, mas foi chorar que nem um bebê pra mamãe dele, que, indignada, foi tirar satisfação com a mãe de Violet. A Srta. Beauregarde ficou horrorizada quando soube! Tinha matriculado a filha no karatê pra ela aprender a se defender (e, claro, ser campeã em mais uma coisa), não pra ficar batendo de graça nos coleguinhas da escola. Sendo assim, Violet foi obrigada a pedir desculpa de qualquer jeito e, como obedecia às ordens da mãe naquela época, foi o que fez. Sem a menor vontade, mas fez.
Falando na mãe de Violet, a menina não gostou do jeito como o Sr. Wonka falou dela. Tipo, mesmo que ainda estivesse com raiva da mãe, a única pessoa que podia falar mal dela era a própria Violet. Mas enfim, ele podia ficar tranquilo, pois a menina não ia contar nada, afinal, nem estava falando com a mãe direito... Talvez só tivesse uma conversinha com o Sr. Wonka a respeito quando chegasse na fábrica, pra dizer que o que ele disse não foi legal.
Aliás, falando nisso, vamos a um ponto desta carta que deixou Violet muito intrigada: em nenhum momento o chocolateiro falava sobre o 2° convite dourado que foi entregue à menina. Charlie disse que a barra de chocolate era um presente seu, não de Willy Wonka, sendo assim... será que o atual dono da fábrica estava sabendo disso? Será que concordava?... Bom, ele tinha que concordar, não era possível que Charlie saísse distribuindo convites por aí sem a permissão do Sr. Wonka!
Violet ainda mantinha sua opinião de que ele era um menino muito certinho pra fazer coisas escondido dos adultos, mas... pela carta de Willy Wonka, percebeu que Charlie parecia ser muito persuasivo. Com certeza era ele que tinha feito o homem se arrepender e pedir desculpa pra todas as crianças. Charlie era o "pai" que estava "obrigando" ele a pedir desculpa pros "coleguinhas". Sendo assim, provavelmente o menino tinha tido a ideia de dividir o prêmio, e, de algum jeito, conseguiu fazer o Sr. Wonka concordar. Só podia ter sido isso!
Agora, a pergunta que não queria calar era: por que Charlie se importava com aquelas crianças que não estavam nem aí pra ele e que (até a própria Violet admitia) eram chatas pra caramba? Bom, seja lá qual fosse o motivo, a menina ia se aproveitar da situação. Aquele convite dourado era a sua chance de não ter que voltar para a Crunchem Hall nunca mais!
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