Revolting Child
12 Bambinatum est maggitum
Notas iniciais
Violet passou todo o resto do verão muito feliz. Sua mãe não esteve de férias o verão todo como ela, mas, mesmo assim, sempre encontrava tempo para a filha. Elas também viram os avós da menina mais vezes do que o habitual naquelas férias. Violet estava tão bem que achava que não precisava mais de terapia, mas sua mãe ainda achava que sim, o que a pequena não contestava, afinal, gostava muito de conversar e brincar com o Dr. River. Na verdade, ela gostava tanto dele, que uma ideia começou a se formar em sua cabecinha.
Quando estava na casa de sua avó no 4 de julho, Violet ouviu sua mãe dizer que só ia se casar se encontrasse o homem perfeito para ser o pai de sua filha. Scarlett achava que esse homem não existia, mas Violet não só sabia que ele existia, como sabia exatamente quem era. É claro que a menina considerava que ela e sua mãe já eram uma família completa, ela sempre soube disso, a não ser naquela época em que quis morar com o pai porque achava que a mãe não a amava mais. Porém, mesmo já sendo uma família completa, ela ia achar legal se sua mãe ficasse com um homem melhor do que seu pai ou aqueles namorados aleatórios que ela arrumava de vez em quando. E também ia achar muito legal ter um pai de verdade!
Então Violet começou a prestar atenção em certas coisas, pra ver se seria possível. Primeiro, percebeu que o doutor não usava aliança, o que significava que não era casado. Também percebeu que ele parecia se importar muito com ela e com sua mãe e se lembrou que na época em que ficava falando mal dela na terapia, ele sempre a defendia. Sendo assim, a pequena começou a dar algumas indiretas à sua mãe, mas ela não fazia ideia de que a filha andava pensando nessas coisas, então nunca percebia. Por exemplo, uma vez Violet disse:
— Você e o Dr. River sempre conversam muito, né?
— Claro, a gente tem que falar sobre você, meu amor.
— E vocês só falam sobre mim? Mais nada?...
— Sobre o que mais a gente falaria?
— Deixa pra lá...
E era sempre mais ou menos assim. Scarlett estava pensando tanto só na filha, que nem tinha chegado a reparar em como o Dr. River era bonito. E olha que ela sempre reparava nos homens bonitos! E costumava dar em cima de todos eles...
Na terapia, Violet também ficava dando essas indiretas para o doutor, mas, diferentemente de sua mãe, ele percebia, afinal, seu trabalho era analisar o comportamento da menina. E ficava preocupado com essa transferência que ela estava fazendo depois que se decepcionou com o pai. Era difícil, mas o doutor precisava fazê-la entender que não podia substitui-lo.
— Eu queria que você se casasse com a minha mãe e me adotasse. — Ela admitiu em uma das sessões. — Aí você ia ser meu pai de verdade.
Com um aperto muito grande no coração, ele disse:
— Eu não posso fazer isso...
— Casar com a minha mãe ou me adotar?
— Os dois...
— Por quê?
A princípio, Violet ficou chateada, pois achou que o doutor não gostava dela e de sua mãe, mas depois de um tempo e de muita paciência por parte dele, a menina tirou suas próprias conclusões e conseguiu aceitar. Ele explicou algumas coisas, mas Violet interpretou do jeito que quis e o que entendeu foi que ele gostava, sim, dela e de sua mãe, mas, por alguma razão, era errado terapeutas namorarem mães de pacientes e, como os adultos complicavam tudo e tinham um monte de regras sem sentido que precisavam seguir, isso nunca ia acontecer. Não era tão difícil pra Violet entender o mundo dos adultos, já que praticamente só andava com eles. Mesmo assim, a menina não ia deixar de pensar que seu desejo ainda podia se realizar, afinal, o próprio doutor já havia dito a ela uma vez que às vezes a gente pensa em certas coisas mesmo achando que não vão acontecer...
Bom, um problema resolvido. Agora, sobre o fato de Violet só andar com adultos, isso era algo que preocupava o doutor desde o início da terapia, mas ele estava mais otimista, acreditando que logo, logo a menina começaria a interagir com mais crianças e poderia fazer muitos amigos. Ele pensava isso por três motivos.
O primeiro era porque sabia o que havia acontecido no orfanato de Los Angeles, onde ela, talvez pela primeira vez na vida, tinha brincado com outras crianças e, tanto pelos relatos dela quanto pelos de sua mãe, ele sabia que ela tinha gostado e se divertido apesar de ter estado triste em todos os outros momentos daquele dia.
O segundo motivo era porque, de vez em quando, ao longo das férias, Violet mencionava a menininha de 2 anos que era filha de Julie, a amiga de Scarlett que tinha dado a ela a ideia de colocar Violet na terapia, lembram? Os pais da mais nova, que se chamava Lily, e a mãe da mais velha achavam que Violet estava sendo gentil e cuidando da bebê pra dar uma folguinha pros adultos quando brincava com ela, mas a verdade é que as duas se divertiam muito juntas. Lily não entendia nem metade das coisas que Violet falava, mas a achava muito legal e engraçada. E também morria de rir quando a mais velha fazia cosquinhas nela. Violet, por sua vez, até então, achava que não gostava de pirralhos, mas depois que começou a passar mais tempo com Lily, percebeu que gostava, sim. Bom, pelo menos dessa pirralha ela gostava. Aliás, era só como "pirralha" que se referia a Lily, que, por não conhecer a palavra, achava que era um apelido que a outra tinha inventado pra ela. E, de certa forma, acabou virando um apelido carinhoso, mesmo.
Às vezes, depois dessas brincadeiras com a Pirralha, Violet pensava em seus irmãozinhos. Será que, se os conhecesse, iria gostar deles como gostava dela? E será que eles iriam gostar da irmã mais velha? O irmãozinho mais novo tinha exatamente a idade de Lily. O nome dele era James. Bom, mas Violet nunca ia conhecê-los mesmo, então não fazia diferença...
Enfim, o terceiro motivo pro Dr. River acreditar que Violet ficaria mais sociável com outras crianças era o fato de que (provavelmente) ela iria mudar de escola. Então ele achava que estando num ambiente novo com pessoas novas, ela poderia agir de maneira diferente de como agia na escola antiga, onde ele sabia que ela nunca tinha tido interesse em fazer amizade com ninguém.
Porém, ainda havia a questão do transtorno de estresse pós-traumático, que, como o doutor havia imaginado, estava sendo difícil de tratar porque a menina não tinha a menor vontade de falar sobre o trauma que a fez nunca mais chorar, ou seja, sua primeira vez no Sufoco.
Na verdade, agora que ia mudar de escola, o que Violet queria era apagar da memória tudo o que tinha vivido na Crunchem Hall e começar uma vida nova e feliz. Aliás, essa vida já estava começando. A menina estava muito feliz com sua mãe e achava que nunca mais teria motivo para chorar, então não ia mais ser um problema se não chorasse, não é?
O doutor tentava diferentes estratégias ao longo das sessões, jogos e brincadeiras, pra levar a menina a falar sobre o assunto ou tentar ele mesmo chegar à conclusão do que poderia ter acontecido. O máximo que ela chegou a falar em uma das sessões foi que se lembrava perfeitamente da última vez que havia chorado e que decidiu nunca mais chorar desde então. O doutor perguntou se havia sido por causa de uma competição e ela disse:
— É, por assim dizer...
E então começou a ficar com uma sensação ruim ao pensar naquele dia e logo mudou de assunto. Disse que queria brincar de faz-de-conta e nunca mais voltou a falar sobre a "competição" que a levou pro Sufoco.
Felizmente, as crianças revelam muito mais sobre si mesmas do que imaginam nessas brincadeiras, e Violet, fingindo ser a Chapeuzinho Vermelho, acabou descarregando toda a raiva que sentia enfrentando um Lobo Mau imaginário vestido de vovó. E voltou a ficar feliz depois disso.
***
Mas os dias de glória de Violet logo acabariam. Isso porque, mesmo que tivesse se esforçado para ser boazinha por mais de 2 meses, a mãe da menina ainda estava com um pé atrás em relação ao fato da filha ter imposto uma condição pra se comportar bem e às vezes temia que toda a alegria e carinho que ela andava demonstrando fossem apenas por achar que ganharia algo em troca: mudar de escola.
Bom, é claro que a possibilidade de sair da Crunchem Hall (o que Violet achava que já era uma certeza) era, sim, um dos motivos pra ela estar tão bem. Mas isso não era por achar que sua mãe faria tudo o que ela quisesse nem nada assim, era só porque saber que nunca mais voltaria a sofrer naquela joça deixava a menina muito tranquila e feliz.
Porém, antes de procurar outras escolas para matricular a filha e atender ao pedido dela, a Srta. Beauregarde resolveu conversar com outros adultos. Primeiro pediu conselho a seus pais. Sua mãe logo se exaltou, achando um absurdo ela deixar que a criança mandasse na própria vida. A maneira exagerada como a mãe de Scarlett falou quase a fez ter vontade de fazer o oposto do que a mulher queria, como geralmente acontecia ao receber conselhos da mãe. Porém, sabia que esta apenas estava pensando no melhor para a neta, então tinha que ser madura e aceitar o conselho, afinal, todas queriam o bem de Violet. E o avô da garota também concordava em mantê-la na escola, pois a Crunchem Hall tinha boas recomendações e com certeza era a melhor opção para o futuro da menina. Além disso, se Scarlett era bem sucedida agora, isso era em boa parte porque seus pais sempre tinham se preocupado com sua educação.
O outro adulto com quem Scarlett resolveu conversar antes de tomar sua decisão final foi a Dona Trunchbull. É preciso confessar que a Srta. Beauregarde ficou um pouco assustada, fazia tempo que não via a diretora da escola de sua filha pessoalmente e não lembrava como ela era feia! Pensou em recomendar algum salão de beleza pra ela, mas depois resolveu deixar pra lá. Aquilo não importava, o que importava era a sua filha e estava lá para falar sobre ela.
— Violet Beauregarde. — Disse a diretora, sabendo exatamente de quem se tratava. — Essa menina adora chamar atenção e odeia ser disciplinada!
É... era exatamente o que Scarlett imaginava. Sabia que a parte da disciplina era o motivo pra Violet querer sair da escola e contou sobre sua dúvida em relação a tirá-la de lá. A Dona Trunchbull odiava crianças, mas precisava de alunos em sua escola, né? Então o conselho que deu foi a favor da permanência da menina.
— Me desculpe, Srta. Beauregarde, mas quem é a mãe? Você ou ela? Quem faz as regras e quem tem que obedecer?
Scarlett olhou em volta e viu os troféus que tinham na sala da diretora, então lembrou que o principal motivo pra ter matriculado a filha lá inicialmente tinha a ver com as competições. Mas agora era diferente. Ela não queria que Violet fosse uma campeã só pra colecionar troféus, não queria mais que ela fosse orgulhosa e ficasse se achando melhor do que os outros como antes. Será que era mesmo uma boa ideia deixá-la nessa escola?...
A diretora continuou falando. Disse que na Crunchem Hall as crianças eram tratadas exatamente da maneira como deviam ser tratadas e que o mais importante era que aprendessem a seguir regras e não ficarem fazendo o que queriam. As crianças precisavam entender que só poderiam ganhar um troféu, por exemplo, ou qualquer outra coisa na vida se soubessem qual era o lugar delas.
Scarlett achou que fosse um bom sinal. Era exatamente o que queria pra sua filha, que fosse obediente e responsável, como vinha sendo. É claro que ela tinha a condição de não voltar pra escola pra continuar sendo obediente e responsável, mas se a mãe começasse a fazer todas as vontades dela, quem poderia garantir que a menina não voltaria a ser rebelde de qualquer maneira?
Enfim, a Srta. Beauregarde tomou sua decisão e fez a rematrícula. E quando a diretora disse que tomaria um cuidado especial com Violet para que ela não ultrapassasse limites como costumava fazer, a mãe da menina ficou bem aliviada. Achava mesmo que tinha tomado a decisão certa. Só estava apreensiva em relação à reação da filha, tinha muito medo que as coisas voltassem a ser como antes do verão...
***
Quando a menina soube que voltaria para a Crunchem Hall, achou que estava tendo um pesadelo. Sua mãe conversou com calma com ela, explicando todos os motivos pelos quais acreditava que isso seria o melhor para o seu futuro. Violet estava prestes a ter uma reação explosiva, mas resolveu se conter, pois começou a pensar que aquilo fosse um tipo de teste. Pensou que sua mãe estivesse verificando se ela conseguia se comportar até o último minuto das férias e só assim a tiraria da escola. Ótimo, Violet ia mostrar que conseguia!
— Tudo bem, mamãe. — Foi o que respondeu após ouvir o discurso.
Scarlett ficou muito surpresa, parecia que a filha tinha mudado mesmo!
A menina ficou alguns dias esperando que a mãe revelasse a real escola na qual ela iria estudar, mas nada aconteceu até o último dia de férias. Então chegou o primeiro dia de aula, mas Violet ainda tinha esperança. Vestiu o uniforme da Crunchem Hall, crente que assim que descesse as escadas sua mãe estaria com o uniforme de uma outra escola pra ela vestir ou diria pra ela voltar pro quarto e usar alguma roupa do armário caso fosse uma escola pública, que não precisa de uniforme. Quando chegou na sala, viu que Scarlett parecia orgulhosa dela mas não tinha uniforme nenhum na mão, então com certeza era a segunda opção, uma escola pública. Ia ser bem legal poder ir pra escola com a roupa que quisesse!
Elas tomaram o café da manhã e nada da mãe de Violet pedir pra ela tirar o uniforme, então a menina começou a estranhar.
— Vamos, filha? — A mulher chamou, com a chave do carro na mão. Então, vendo que a pequena estava parada olhando pra ela com uma expressão confusa, perguntou: — O que foi?
— A gente vai mesmo pra... Crunchem Hall?!
— Ué, a gente já conversou sobre isso...
— Eu sei, mas... eu achei que você ainda podia mudar de ideia...
Scarlett ficou com um pouco de pena da filha, que ainda parecia esperançosa. Mas logo o rosto da menina assumiu uma expressão de raiva.
— Isso não é justo! Eu me comportei até o último minuto! Nós tínhamos um trato, você mentiu!
— Eu não menti! Eu prometi que ia pensar no assunto e eu pensei muito e cheguei à conclusão de que o melhor pra você é continuar nessa escola!
— Você não pode me obrigar!
— Eu posso porque sou sua mãe e você só tem 10 anos.
— Eu tenho quase 11!
— Grande diferença! Agora entra no carro, vai!
Sem conseguir pensar em como fugir de seu destino, Violet foi para o carro. E as duas ficaram sem se falar até chegarem na escola, parecia que estavam de volta ao mês de fevereiro. Scarlett estava muito triste com isso, era como se a relação delas não tivesse mudado desde aquela época.
Violet, por sua vez, só pensava na escola e em como era injusto ter que voltar. Quase teve vontade de vomitar quando avistou o prédio dela de longe no carro. Quando chegaram, nem teve coragem de abrir a porta. Só ficou olhando fixamente praqueles portões que mais pareciam os de uma prisão.
— Filha, eu sei que você tá com raiva de mim agora — uma das duas finalmente disse alguma coisa —, mas, no futuro, você vai entender por que eu não te tirei dessa escola e vai me agradecer por isso, acredite!
Violet olhou pra sua mãe como se a fuzilasse com os olhos e disse:
— No futuro, um futuro bem próximo, você é que vai entender que não devia me fazer voltar pra esse inferno e vai se arrepender por isso! Cansei de ser boazinha! — Então finalmente saiu do carro e bateu a porta com força.
Saiu o mais depressa possível pra não ouvir bronca da mãe e entrou na escola.
— Ai, como eu odeio esse lugar!
Estava tudo igual, mas de alguma forma parecia pior. Provavelmente pela falsa esperança que a menina teve de nunca mais ter que voltar lá...
Pelo menos, Violet conseguiu achar uma coisa engraçada: Cornelia Prinzmetal tinha subido de patente, agora tinha o título de Puxa-Saco Principal da Diretora (era Delegada Principal, mas não era assim que Violet chamava) e estava se achando a rainha da cocada preta por causa disso.
— Parabéns! — Disse a loirinha debochada. — Agora você vai ser mais insuportável do que nunca!
— Obrigada. — Respondeu a asiática, igualmente irônica. — E você, pelo jeito, vai ser mais invejosa do que nunca!
— Você realmente acha que eu tenho inveja de você?! Querida, eu tenho pena de você, isso sim!
Violet não entendia como Cornelia podia ser tão idiota. Quer dizer, na verdade ela era bem inteligente... Inteligente e burra. Os colegas da sala dela diziam que ela podia tirar 10 em todas as matérias se quisesse, mas ela sempre tirava 9 de propósito em pelo menos uma porque a Trunchbull não gosta de crianças sabidas e a menina não queria correr o risco de ser punida. Então preferia se contentar em ficar apresentando a escola pra um monte de pirralhos quando podia muito bem desafiar a diretora e mostrar o quanto era inteligente.
Mas quem era Violet pra ficar julgando ela? Tinha fugido de todas as aulas de Ed. Fis. desde que foi pro Sufoco por causa da primeira... O que será que aconteceria se participasse de outra aula? Bom, a pequena Beauregarde não demoraria muito para descobrir, pois, naquele dia mesmo, a Dona Trunchbull apareceu logo na primeira aula da 5ª série chamando a turma pra Ed. Fis.. Todos foram pegos de surpresa, pois sabiam que a Educação Física era uma espécie de punição, então nunca acontecia de ter uma dessas aulas no primeiro dia, nem tinha dado tempo de alguém aprontar ainda!
Acontece que isso fazia parte do "cuidado especial" que a Dona Trunchbull havia dito que ia tomar com Violet. Aliás, como estava dando mais atenção pra menina do que o normal, esta acabou não conseguindo achar uma brecha pra fugir como costumava fazer. Ao chegarem na parte externa da escola, Violet estava morrendo de medo, com o coração acelerado. Mas, como geralmente acontecia quando sentia medo, a menina deixou que a raiva o encombrisse. Então, na força do ódio, decidiu que ia enfrentar a diretora.
Até seu uniforme de ginástica refletia sua atitude desafiadora, estava totalmente fora das regras da escola: ao invés de branco e sem graça como os dos outros alunos, ele tinha vários desenhos e palavras (afrontosas) escritas com canetinhas coloridas, estava com as mangas rasgadas, com a gravata do outro uniforme da escola amarrada como um cinto e lapelas retiradas do casaco também do outro uniforme cruzadas. Uma delas tinha o desenho de um troféu e a palavra "Vencedora", a outra tinha o desenho de uma estrela e estava escrito "Número 1":

Quando ela teve tempo de fazer isso tudo? Durante uma aula de Ed. Fis. da qual fugiu no semestre anterior.
Violet achava melhor que não tivesse conseguido fugir de novo. Não estava nem aí para o que podia acontecer depois, não ia pensar no Sufoco, só manter a atitude de vencedora que sempre tinha nas competições.
As crianças começaram a fazer os exercícios propostos e Violet estava se saindo bem como da outra vez. Seus colegas tinham diferentes impressões sobre sua presença lá. Alguns achavam que ela era louca por ter voltado pra Ed. Fis. e estavam apreensivos por ela; alguns estavam doidos para vê-la vencer a Trunchbull novamente; alguns estavam incomodados com aquela menina chata e metida, e outros, por fim, estavam culpando a garota por suspeitarem que aquela aula só estava acontecendo por causa dela. E, após a diretora dar uma pausa nos exercícios, o último grupo teve sua suspeita confirmada ao ouvi-la dizer:
— Algum de vocês sabe por que estamos aqui? É claro que todos vocês precisam de uma lição, mas tem uma de vocês, a vermezinha mais revoltante dessa escola, que tem talento para o mal e sempre consegue escapar de algum jeito, que precisa mais do que todos os outros!
Todos os olhares estavam voltados para Violet, que olhava diretamente para a diretora, sem aparentar nenhum medo.
— Aposto que você me trouxe aqui porque sentiu falta de enfrentar uma adversária à sua altura! — Disse a menina, deixando todos, principalmente a Trunchbull, muito chocados.
A mulher até colocou a mão no peito, como se estivesse a ponto de infantar com o absurdo que ouviu.
— À minha altura? À minha altura?!?! Olha o seu tamanho, você não passa de um verme!
— Olhem só, ela ficou ofendidinha! — Disse Violet, se voltando para os colegas e sorrindo.
Poucos deles riram discretamente, mas a maioria estava tremendo de medo. Agatha, morrendo de raiva, se aproximou da menina e disse:
— Fique sabendo, sua porcaria de saco de cocô de cabra, que eu te trouxe aqui por causa de uma conversinha que tive com a sua mãe!
O sorriso de Violet sumiu na hora.
— Ela me disse que você é nojenta e precisa saber qual é o seu lugar!
A menina ficou imóvel. Nem pensou na possibilidade da diretora estar deturpando totalmente o que sua mãe havia dito pois não confiava mais nela após quebrar o trato de tirá-la da escola.
De repente, Trunchbull agarrou o braço esquerdo de Violet fortemente. Ah, não! Ela ia pro Sufoco de novo??? A menina tentou se soltar, mas a mulher era muito forte. Todas as crianças estavam muito apreensivas! Mas não, Violet não ia pro Sufoco. O que Trunchbull fez foi começar a torcer o braço da garota até todos ouvirem um creck seguido por um grito extremamente longo e agudo da pequena Beauregarde.
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