Reverso

21 ♦ Capítulo 21


Notas iniciais
Mais um!Com um "finalmente" ao final :D
Boa leitura!

Reverso

By Amanur

Capítulo 21

...

Esperança, para Sakura, era sinônimo de ilusão. Para ela, esperança era apenas uma forma de enganar seus sentidos. Era uma fraude, criada por ela mesma. Pois a moça passou a infância e adolescência esperando por algo acontecer, mas nada mudou. Continuou vivendo a vidinha ao qual parecia estar destinada a viver pela eternidade de sua vida. Esperou tanto por aquilo ao qual mal conseguia compreender o que era, que acabou se vendo obrigada a desmanchar aquela ilusão de que algo poderia melhorar para não magoar ainda mais a si mesma. Mas quando encontrou o Itachi, aquela ilusão voltou. Mas tão rápida quanto veio, ela se foi novamente, no primeiro instante em que percebeu que o Itachi não atendia suas expectativas. Mas o pior de tudo não foi realmente essa segunda desilusão. Pior foi perceber que ela mesma era a própria culpada por tudo. Afinal, Itachi estava apenas sendo ele mesmo. E não tinha obrigação nenhum de mudar seu jeito de ser por causa de uma garota mimada, sonhadora. A culpa era dela mesma por esperar demais dele. E foi quando percebeu isso, que se sentiu mais adulta. Ela abriu os olhos para a realidade, e percebeu que nada era como esperava que fosse. Viu que a vida é mais crua, mais rígida, mais... estúpida — diria. Ser adulto é um saco!, pensou. Não é nada daquilo do que imaginava que fosse, quando criança.

Duas semanas se passaram. Quando resolveu conferir a data no calendário, se assustou ao perceber que o mês de Agosto já estava no fim. Não foi tão bom quanto gostaria que tivesse sido, mas também não foi tão ruim quanto sua avó dizia ser. A cada dia que passava, sentias-se mais proxima das pessoas que a cercava. E isso incluía o Sasuke, que parecia cada vez mais grudado nela. Tanto que a rosada já quase não mais almoçava no restaurante universitário com sua amiga Karin. E todos comentavam entre si a aproximação estranha entre os dois. Falavam em como eles não paravam de conversar, nem mesmo em sala de aula.

— Sabia que, em média, um homem em todo o seu tempo de vida caminha o equivalente a três voltas no mundo? — Sasuke a indagou, enquanto saiam juntos da sala de aula.

— Ual. Saber disso, realmente mudou minha vida! — ela responde, em tom sarcástico. Ele sorriu, lhe dando um cutucão com o cotovelo.

— Conhecimento, nunca é demais.

— Acredito que cultura inútil seja. Retarda as pessoas.

— Hum... talvez. Vou ali tirar água do joelho. Já volto. — e então, ele saiu correndo em direção ao banheiro masculino, que ficava estrategicamente bem em frente ao restaurante. Enquanto ela se perguntava quando ele aprenderia a ter modos.

Quando escolheu o lugar de sempre, ao ver a Karin entrar com Naruto e Sai, Sakura lhe fez um sinal. A ruiva a cumprimentou de longe, mas em seguida a ignorou. Sentia-se meio traída. Quando Sakura estava com Itachi, ela não a deixava de lado como andava fazendo desde que começou amizade com o Sasuke. Mas como sentia falta de conversar com a Sakura, depois que pegou apenas um copo de café espresso, resolveu sentar ao lado dela.

— É bom saber que você ainda se lembra de mim. — sorriu, meio sem jeito.

Sakura se sentiu péssima, pois sabia exatamente do que ela estava falando.

— Eu quero pedir desculpas, mas sei que isso não vai recuperar o tempo perdido. — apenas disse.

— Nem se preocupe com isso. Mas e então, qual é o lance? — Karin desviou o olhar para que a rosada não visse seu tom pesaroso no olhar — Vocês já estão namorando?

— Claro que não! Por que diz isso?

— Vocês ficam bem quando estão juntos! — a ruiva deu de ombros, forçando um sorriso de canto. E Sakura notou o tom diferente na voz dela, além de outro detalhe.

— Karin, você estava chorando? — os olhos da amiga estavam avermelhados.

— Hum? Tsc! Claro que não! Eu só estava passando o rímel nos olhos, e, sem querer, a mão escapou nos dois olhos! Hehe. Que burra que eu sou, né! — a ruiva forçou uma risada mais forte, mas assim mesmo Sakura percebeu que ela não tinha humor.

— Sasuke me contou que vocês estudaram juntos na escola, até o primeiro ano do colegial. Quando prentendia me dizer que resolveu se prostituir só para poder ficar ao lado dele?

Sakura já desconfiava dos sentimentos da amiga pelo irmão do seu namorado, mas nunca comentou nada para não aborrecê-la, já que ela sempre reclamava do rapaz. Mas não imaginava que pudesse se algo tão forte assim.

E Karin ficou de boca aberta, por que nunca havia mencionado essa parte para ninguém. Exceto para o Itachi. Mas tinha certeza que, por causa da briga interminável deles, seu irmão jamais contaria nada, até por não ser de interesse dele. Mas Sasuke não era estúpido, é claro! Não foi difícil fazer os cálculos. Ele já sabia dos sentimentos da Karin por ele quando estudavam, e não foi complicado supor o que ela fazia. Principalmente quando soube que a mãe dela — respeitada médica de um dos hospitais mais caros da capital — se demitiu por brigas internas, e conseguiu apenas um emprego em um hospital público, se submetendo ao rebaixamento salarial. E por causa disso, Karin teve que deixar a escola privada em que estudava, para terminar os estudos em uma pública. Mas pouco antes de se formar, ela havia lido algumas entrevistas com prostitutas anônimas, que contavam sua rotina de trabalho. Foi quando descidiu que faria isso para poder entrar na mesma faculdade que Sasuke, já que não podia contar com a mãe. Mas quando se deparou com as patricinhas Ino e Hinata, viu que a concorrência ficou mais pesada, e começou a espalhar todas as fofocas mais absurdas que conseguia pensar a respeito dele para afastar qualquer uma que se metesse em sua frente. Mas Ino se mostrou mais difícil do que imaginava. No entanto, ela logo soube que a loira não era o tipo de garota que chamaria atenção do Sasuke. Ela era o tipo de garota com quem ele passaria algumas noites de bebedeira sim, mas que não significaria nada para ele.

No entanto, cá estava Sakura. Um novo tipo de garota.

Karin suspirou pesado, escolhendo bem suas próximas palavras.

— Sakura, me escuta. O Sasuke é o tipo de cara que atrai atenção de muitas garotas por causa do seu jeitão meio largado, despreocupado, mas também porque, convenhamos, o demônio é estupidamente lindo, sexy e gostoso. E ele pode andar por aí com muitas ao mesmo tempo, mas só tem um tipo de garota que realmente atraia a atenção dele. E eu diria que essa, minha amiga, seria você! — claro que, além disso, Karin via outras qualidades no rapaz, mas preferiu não citá-las. Todas essas palavras que acabou de dizer já saíram pesadas demais para ela.

E Sakura viu a sinceridade estampada na cara da amiga. Mas assim mesmo não podia aceitar aquilo.

— Mas... Mas eu tenho o Chi!

— Hã? Por que diabos essa ficsação por ele?

— Por que sim! Ele... foi meu primeiro namorado! E estamos falando do irmão dele!

— Primeiro: só por que o Itachi foi o primeiro, não significa que tenha que ser o último. É bonito passar o resto da vida com apenas um só homem, mas na vida real isso é algo raro de acontecer! E não é o fim do mundo, Sah! Segundo: aceite o fato de que você e o Itachi não estão mais juntos! O cara mal te olha! E terceiro: já se imaginou estando junto com o Sasuke? Já imaginou como seria viver com ele? Você deveria pensar nisso sim! — Karin viu o Uchiha mais novo entrando no restaurante, e foi juntando suas coisas da mesa para deixá-los a sós. — Não deixe que ninguém mais o tenha, Sakura. Eu aceito perdê-lo somente para você, entendeu? Se aquela vaca da Ino conseguir algo, é comigo com quem você vai se entender! — e então, a ruiva foi marchando em direção contrária a ele, que a observou se afastar, sem entender a cara emburrada dela.

Quando sentou de frente para rosada, ele suspirou. Um suspiro leve, de alívio.

— Nunca subestime o poder da bexiga. Ela poder abrigar litros de urina. — ele diz, bem sério, mas com intenção de fazê-la amenizar aquela expressão de zumbi.

O pensamento já lhe ocorreu em mente várias vezes! Mas ela era orgulhosa demais para admitir isso. Mas o problema não era exatamente esse. É claro que Sakura sabia que era uma ilusão passar a vida inteira ao lado de um só homem. Mas por não ser algo totalmente impossível, ainda deixava alimentar, bem no fundo de sua consciência, essa estúpida esperança. Não que o Itachi fosse com quem ela realmente quisesse condenar sua vida. Mas justamente por ele ser tão calmo e paciente, acreditava ser o mais adequado para aceitar as suas peculiaridades. Ao pensar no Sasuke, no entanto, a imagem que tinha era completamente diferente. Algo que alternava entre o muito incrível ao extremamente devastador.

— O Itachi não fala sobre mim? Não te pergunta nada sobre mim? — de repente, ela pergunta, na ilusão de que ainda houvesse uma esperança. Mesmo sem saber ao certo de que, seja lá qual fosse a resposta, faria alguma diferença para ela.

Sasuke se encostou na cadeira, pondo o pé sobre o outro joelho, mudando de expressão.

— Eu não falo com o Itachi.

— Como assim? Vocês moram juntos, mas não se falam? Isso é possível?

— Perfeitamente possível.

— Mas vocês são irmãos! — ela não conseguia entender a relação deles, de modo algum. Sakura sempre pensou que, se tivesse um irmão, ele seria seu maior aliado. E não inimigo, como Sasuke e Itachi pareciam ser.

— Tsc! Obrigado pelo lembrete! — revirou os olhos — Mas mudando de assunto... Vou passar no sobrado do Juugo para ver quando haverá outra corrida, depois da aula. Quer vir? Falei com ele por telefone semana passada, e ele comentou que gostou de você. Não sei o que vocês conversaram, mas te digo que é difícil agradar aquele cara.

Sasuke havia recém reavido sua moto da mecânica. Ela havia ficado tão danificada, que foi necessário todo esse tempo em manutenção. Agora, no entanto, ela estava nova em folha, e ele estava louco para voltar a correr com ela. Coisa que só gente louca, como Itachi diria, consegue entender.

— Eu quero ir! E quero que me leve na corrida também. Digo, não quero te esperar no ponto de chegada. Quero estar contigo durante a corrida! — os olhos dela brilhavam tanto quando os dele brilhavam quando começou a correr.

Sasuke entendia bem os riscos que corria ao levá-la consigo, mas, principalmente, ele entendia bem a necessidade de sentir a adrenalina. Ele entendia melhor do que ela, na verdade. Mas assim mesmo, não conseguiu prometer nada para a moça. O peso da culpa que carregava pelo acidente que causou pesava em suas costas toda vez que subia em sua moto. Se algo contecesse a ela, ele sabia que jamais se perdoaria. Se ele já se sentia mal por envolver um desconhecido em seus caprichos, não conseguia nem imaginar como seria envolver alguém tão próximo quanto ela.

Meia hora antes de a última aula acabar, Sakura ligou para casa, avisando que precisaria passar a tarde na biblioteca para fazer uma pesquisa para um trabalho em grupo. Quem atendeu foi sua mãe, que não questionou absolutamente nada sobre o que Sakura lhe disse. Mas toda vez que a garota contava uma mentira, tentava convencer a si mesma que aquilo era verdade. E agora, se julgava mais preparada para contar mentiras — algo que, antes, lhe seria incrivelmente vergonhoso. Agora, no entanto, não mais se importava. Semrpe que estava com o Sasuke, sentia-se mais corajosa. E percebia que aquela palavra, afinal de contas, pertencia sim ao seu dna. Talvez, estivesse apenas adormecido, por ter ficado tanto tempo adormecido dentro de si.

Quando chegaram ao estacionamento, Sasuke caminhava mais apressando na frente dela, tapando-lhe a vista. Ela via de longe a empolgação que ele tinha no sorriso e olhos. Pois ele queria lhe fazer uma surpresa.

Quando chegaram bem em frente à moto, sem que ela a visse, Sasuke tentou fazer algum suspense.

— Você sabe que a cor rosa é o vermelho suavizado com o branco? Duh! Claro que sabe! — revirou os olhos se repreendendo — Mas sabia que é a cor da beleza, do romantismo, do amor terno? O rosa significa romance, sensualidade, delicadeza e beleza feminina. Aliás, culturalmente, o rosa é uma cor associada ao feminino.

Sakura cruzou os braços, suspeitando das intenções dele. Mas ao ver que não parecia muito ter agradado a moça com aquele assunto, ele tenta se lembrar porque tocou naquele tema.

— Rosa é uma cor muito bonita, sabia? — engoliu a seco.

— Aham... — ela responde, sem muito entusiasmo.

— Err. Esquece. Tcharam. — e sem mais a empolgação de antes, ele sai do campo de visão dela, para mostrar que havia não somente trazido o capacete reserva dele, como também o havia mandado pintar em cor de rosa.

Sakura ficou de boca aberta, mas logo revirou os olhos.

— Por que rosa?

— Por que você gosta! — ele responde, com toda a certeza de que sua convicção lhe conferia.

— Eu odeio rosa!

— Hein? Então por que diabos pinta o cabelo com essa cor horrorosa???

— Rá! Achei que você achasse bonita! — o acusou.

— Achei que VOCÊ achasse bonita!

— Não tente entender as mulheres!

— Nem queria mesmo! — deu de ombros. Ele queria entender somente ela! Mas isso ele não diria. Por enquanto, pelo menos.

E então, lá se foi Sakura prender o capacete idiota na cabeça, enquanto ele resmungava coisas como se fosse um velho gagá. Enquanto prendia a fivela embaixo no queixo, ela viu Karin passando entre alguns carros. A ruiva a viu, e acenou. Sakura apenas a cumprimentou com a cabeça, vendo-a entrar em seu velho fusca.

Quando subiu atrás do Sasuke, sentiu aquele mesmo frio na barriga que experimentou quando sentou atrás dele pela primeira vez. E adorou reconhecer aquele leve cheiro de graxa e gasolina que ele tinha em suas costas. Só que ela não precisava mais se abraçar a ele, pois já havia entendido que isso era necessário somente quando corresse em alta velocidade, o que não seria o caso agora. Mas assim mesmo, pensou em não perder a oportunidade, sabendo que ele também não se importaria.

E de fato, para Sasuke, foi legal senti-la em suas costas novamente.

Em uma hora e quinze minutos, chegaram em frente ao sobrado do amigo do Sasuke. Por sorte, a chuva havia dado uma trégua para eles e Sakura pôde apreciar melhor a paisagem, graças ao belo dia de sol que se fazia naquela sexta feira.

— Seu timing, às vezes, me assusta! — o grandalhão diz, assim que os vê na porta de seu sobrado.

Sasuke o cumprimentou com um gesto e, em seguida, Juugo estendeu a mão para cumprimentar Sakura também.

— Vai ter uma corrida amanhã, atrás da velha usina do gasômetro. — Juugo ainda comentou.

— Beleza. Nunca corri lá. — e então, Sasuke olhou para Sakura — Deidara e Hidan vão correr também?

— Não! Parece que eles tinham outra corrida não sei onde. Mas te digo que eles estão muito fulos com você. Além disso, tenho novidades! O cara que estava apostando neles, da última vez, quer falar com você!

— Ahn... Por acaso esqueceram de mencionar que não faço apostas?

— Noup. Mas diz ele que tem uma proposta irrecusável. Ele estará lá, amanhã.

— Hum. — Sasuke ficou imaginando o que poderia ser, já que Juugo, com certeza, também teria dito que dinheiro algum o faria mudar de idéia.

Depois de jogarem mais um pouco de conversa fiada, Sasuke resolveu voltar para a capital. Mas durante o percurso, tomou um caminho diferente, beirando um grande lago. E então parou na margem, embaixo da sombra de uma grande árvore. Os dois desceram da moto, e sentaram na grama.

Sakura não disse nada, mesmo sem conseguir imaginar o que poderia estar se passando na cabeça dele.

Mas Sasuke estava preocupado com o que poderia acontecer na corrida, e estava pensando em como contar que não poderia levá-la desta vez. Ele ensaiava algumas palavras mentalmente, e olhava para ela. Mas ao ver a expressão dela, tão leve e suave, ele perdia seus pensamentos de foco. Ainda mais quando ela soltou os cabelos, para prendê-los novamente. Ela tinha o rosto que ele não podia esquecer.

— Por que você está de luto por si mesma? — perguntou. Ele esperava que ela se abrisse naturalmente para ele, mas não conseguiu resistir. O contraste de suas roupas pretas, com a pele pálida, os olhos verdes e o cabelo cor de rosa ficava ainda mais evidente sob a claridade da luz do dia.

Sakura se surpreendeu pela pergunta e deixou a fita cair da mão, justo quando uma forte rajada de vento passou levando-a. Ela resmungou algo, enquanto tentava conter seus fios de cabelo que caiam sobre o rosto. Para ajudá-la, Sasuke segurou uma mecha que ela estava deixando escapar. Mas, na verdade, ele fez isso apenas pelo prazer de poder tocar seus cabelos novamente.

Ela o olhou de canto, tanto surpresa quanto constrangida pela dúvida repentina.

— Digamos que três pessoas me mataram... — murmurou.

E Sasuke ficou ainda mais confuso. Mas ao ver que ele ia fazer mais uma pergunta, ela se levantou de repente.

— Me ensina a andar de moto? — perguntou, enquanto tirava a sujeira da calça.

— Tem certeza?

— Uhum. — ela mal podia se conter de empolgação, na verdade.

Ele suspirou. Mas ao constar que estavam em uma área meio isolada, achou que não tivesse problema. E então, Sasuke foi dando as instruções para ela. Desde como equilibrar a moto, as trocas de marchas, o aceleramento, os freios, até como ele deveria verificar todas as informações que precisava saber no painel. Depois de repetir tudo o que acabou de ouvir dele, ela sentou na moto, sentindo-se ligeiramente nervosa.

— Vai com calma, e respira fundo! Lembre-se que é você quem controla a moto, e não o contrário, ok?

— Ok.

— Certo. Não acelere muito, por que a moto é potente, e qualquer coisinha a faz voar.

Ela ligou o motor, girou suavemente o acelerador e a moto foi se movendo lentamente.

— A moto está andando! — ela comentou, feliz da vida enquanto segurava firme o guidão.

— Que bom! Era esse o objetivo! — Sasuke ia caminhando ao lado dela, mas sem encostar na moto.

Ela conseguiu andar por um bom trecho, até que, sem querer, acabou girando um pouco o acelerador, fazendo com que a moto andasse mais rápido. E assim, Sasuke foi ficando para trás. Quando se deu conta, ela começou a ficar ainda mais nervosa, e perder o controle.

— ESTÁ ANDANDO RÁPIDO DEMAIS, SASUKE!

Ele corria atrás dela.

— NÃO APERTE ESSE FREIO!! É VOCÊ QUEM ESTÁ CONTROLANDO A MOTO!

— NÃO É NÃO! A MOTO ESTÁ ANDANDO SOZINHAAAA!

A moto, então, passou por uma pedra, depois outra, fazendo-a desequilibrar. Além disso, a moto era grande e pesada demais para que ela conseguisse obter o controle sobre ela, assim, com a primeira tentativa. E isso resultou com a garota se encontrando com o chão. A garota ficou tão assustada que nem conseguiu gritar. E Sakura ainda ralou o braço, pois o trecho em que estava era, agora, de terra e pedrinhas. Mais além, enquanto se recompunha, ela viu Sasuke correndo em sua direção a toda velocidade.

— Você está bem? — ele perguntou, se aproximando.

— Estou, estou... — respondeu, enquanto se levantava, olhando para a moto caída com as rodas girando, levantando poeira.

— Eu estava falando com a moto! — ele diz, erguendo a garota do chão.

— Idiota! — ela deu uns socos no braço dele.

— Estou brincando, estou brincado!!! Hehehe. Tem certeza de que está bem? — ele estranhou o sorriso no rosto dela. Achou que fosse encontrá-la pálida, ou algo assim, já que ela parecia ser daqueles tipos de garotas super delicada.

— Uhum. — mas ele se enganou — Sinto-me como se fosse criança novamente. Faz tempo que não me machuco assim.

— E isso é bom?

— É sim! É engraçado que, quando somos pequenos, temos uma pressa estúpida em tornarmos adultos, e acabamos perdendo boa parte da infância tentando parecermos mais adultos. Mas quando crescemos, queremos regredir. Eu não tive uma infância muito proveitosa, então, para mim, isso é ótimo sim! Mas o pior é ter que assumir que meus pais tinham razão! “Brinque mais de boneca, por que quando crescer não vai mais ter tempo. Você vai ver quando crescer!”, eles diziam. Sempre achei que apenas estivessem sendo uns chatos.

— É verdade... — mas Sasuke não saberia dizer isso com tanta convicção quanto ela, porque não teve uma mãe para lhe dizer essas coisas, e seu pai nunca se importou.

E Sakura ainda ficou pensando que, se tivesse naquela mesma situação, mas com o Itachi, ele teria se preocupado exageradamente, e a levaria imediatamente para um hospital para tratar de daqueles leves arranhões. Mas Sasuke não. Parecia despreocupado. Afinal, estava mais interessado em vê-la se divertir do que pensar em conseqüências. Para ele era mais importante viver um momento de cada para não perder as oportunidades. Se estivesse preocupado com os leves arranhões, ele não teria capturado o sorriso dela.

Mas aquele brilho no olhar, que Sakura tinha, desapareceu por completo quando seu celular tocou no bolso da calça que vestia. Era seu pai. Ela ainda hesitou por alguns segundos, mas ao ver que Sasuke a observava curioso, deu as costas para atender.

— Sakura? — o homem indaga, assim que atendeu a chamada.

— Sim...

Venha logo para casa, ok? — ela olhou a hora em seu relógio de pulso. Ainda faltavam umas três horas para o sol se pôr. Apesar de perceber a urgência no tom de voz dele, ela tentou contestar.

— Mas... Eu ainda estou... — ela olhou rapidamente para trás, vendo que Sasuke disfarçava que não ouvia nada, levantando a moto do chão. E então, deu mais uns passos para se distanciar, baixando a cabeça —... Ainda estou na biblioteca, fazendo o trabalho. Eu avisei a mãe!

Uhum. Tudo bem. Pegue os livros que precisar, e traga seus colegas para terminarem o trabalho aqui em casa!Temos espaço suficiente, você sabe.

Sakura nunca se sentiu tão frustrada e irritada ao mesmo tempo, como se sentiu naquele instante. Mas o que poderia dizer? Ela mentiu para sair com alguém. Há algo mais infantil e estúpido do que isso, para uma garota que não deveria nem precisar pedir permissão para se divertir? Ela nunca desejou tanto a liberdade, como a queria naquele momento.

— Estou indo. — resmungou. Em seguida, encerrou a ligação.

O vento soprava contra Sakura, levando sua voz até Sasuke. Ele ouviu tudo. Até a parte da mentira. Mas fez de conta que não escutou absolutamente nada, quando ela se aproximou com aquela cara de desânimo.

— Eu estou muito a fim de um sorvete agora. O que acha? — ele pergunta.

— Não vai dar. Preciso ir para casa. Esqueci que tinha um compromisso na empresa do meu pai. Às vezes eu o ajudo com algumas coisas, sabe? — ela tentou sorrir, parecendo casual, despreocupada. Mas ele não se convenceu.

— Oh. Ok. Eu te levo até a empresa, então.

— Preciso passar em casa para trocar de roupa. — ela mostrou o braço ralado. Parecia a desculpa perfeita. Além disso, sua calça também estava suja.

Sasuke apenas concordou, e não disse mais nada. Ela subiu na moto e, em seguida, ele a levou em casa. Quando desceu, e entregou seu capacete a ele, Sakura deu uma espiada pela casa, vendo que não parecia haver ninguém a esperando na janela.

— Obrigada pelo passeio. E pelo capacete idiota.

— Às ordens. — ele respondeu, sorrindo de canto.

— E me desculpe pelos arranhões na moto.

— Ela já sobreviveu a coisas bem piores.

Ela sorriu para ele, sentindo-se profundamente grata pelo dia que teve. Ficou ali parada, olhando para ele, e viu que ele tinha tudo o que ela queria ter. Sasuke era a representação perfeita da liberdade, independência, ousadia, autonomia, aventura... Tudo o que ela queria. Tudo o que ela queria, mas não poderia ter.

Sakura ainda tentou dizer algo a mais para ele, algo que não sabia bem o que era, mas que precisava dizer. Mas Sasuke não resistiu ao olhar dela. A puxou mais para perto e lhe deu um beijo profundo, aproveitando seus lábios entreabertos. Deleitou-se com a suavidade e maciez dos lábios dela, tirando-lhe o fôlego. Bem no instante em que o senhor Haruno aparece no canto da janela, por ter ouvido o som da moto em sua calçada.

Notas finais
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