Reverso

7 ♦ Capítulo 7


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura.

Reverso

By Amanur

Capítulo 7

...

Sakura já leu algo sobre sonhos, que dizia não passar de manifestações emocionais. As imagens que se vê variam de acordo com o que se sente, ou com o que se pensa antes de dormir. Às vezes, podem aparecer imagens que estavam guardadas no subconsciente. Mas, no fundo, todos eles, não passam de figuras projetadas pela própria mente.

Mas seu último sonho, com certeza, era algo mais. Pois nem brincando ela pensaria em trair o Itachi com o irmão dele.

Não conseguiu se lembrar do lugar, apenas da situação que apareceu nesse sonho. Ela falava sem parar, choramingando sobre algo, até que o Sasuke precisou lhe calar com um beijo. Mas o mais esquisito, era que seu beijo era doce e suave — completamente o oposto da imagem de grosso, estúpido e bruto que ele passava para todo mundo — e... Ela gostou.

Isso só pode ser maluquice da minha mente!, pensou. Ou influência da Karin!

Mas só quando conseguiu acordar bem, graças àquela terrível dor de cabeça que começou a explodir, foi que se deu conta de que estava deitada numa cama que não lhe pertencia. Sakura sentiu o coração acelerar, quando viu os inúmeros pôsteres de bandas de rock, misturadas à pôsteres de mulheres peladas, para todos os lados. Mas fora isso, o quarto parecia limpo e organizado. Havia uma escrivaninha com dois capacetes, ao lado de uma mesinha com um notebook aberto, mas desligado. Além de um enorme closet na parede esquerda, uma enorme estante que ia até o teto sustentava uma tv de tela plana e mais um aparelho de som potente.

E seu coração quase explodiu quando viu que não mais estava vestida com o vestido preto da Karin, mas com uma camisola de seda cor de creme.

Saiu do quarto, ouvindo vozes. Desceu uma escada, ao perceber que o som vinha do andar de baixo. A cada passo que dava, o que restava do seu coração acelerava mais e mais, na medida em que ia reconhecendo aquelas duas vozes. Eles pareciam irritados, discutindo.

—... Engraçado como essa é sempre a solução para os seus problemas! Sim, essa é uma excelente desculpa para fugir das responsabilidades, Sasuke. Sua ressaca vai salvar seu mundo. — Itachi dizia em tom sarcástico, em meio a ruídos de louças — Quando você pretende crescer?

— Te fode, Itachi! Não me enche o saco! Não preciso de mais um para me dizer o que eu tenho o que fazer! Cara, você não tem vontade própria não? Até quando pretende ser o cãozinho daquele velho punheteiro? — o Sasuke rebateu.

— Só estou indo atrás do caminho mais prático! É diferente. E você deveria fazer o mesmo!

— Mais prático? Mais fácil!, é o que você quer dizer, seu bunda mole! Mas adivinha só, Itachi, a vida não é fácil!

— Hahahaha! Até parece que você sabe de alguma coisa sobre a vida! Não me faça rir, Sasuke!

— Talvez eu saiba...

Sentiu-se constrangida por ouvir aquela conversa que não tinha nada a ver consigo. Mas quando pensou em voltar para o quarto, o próprio Sasuke aparece no corredor, com um copo cheio de água na mão. Ele estava sem camisa, com os cabelos emaranhados como se tivesse acabado de acordar. Vestia apenas uma calça jeans azul clara, que parecia folgada em sua cintura, mostrando a barra de seu boxer preto, e sem nada nos pés. Aquela visão que ela estava tendo dele, ali, com certeza faria a Karin babar. Mas para ela, a reação foi outra. O ar saiu completamente dos seus pulmões, e não conseguiu dizer nada. Só não soube dizer por que! Talvez fosse o nervosismo. O que ele faria agora, que sabia que ela ouvira aquela conversa?, pensou. Mas ele apenas a olhou da cabeça aos pés, e passou por ela como se não fosse nada além de um trapo velho. E o viu se afastar, sem saber se deveria dizer algo ou não.

Foi então que o Itachi apareceu na porta da cozinha, com uma bandeja de prata nas mãos. Desta vez, ele não exibia aquele sorriso perfeito de sempre. Sua expressão estava séria demais, e ela não sabia mais se era por causa do Sasuke ou dela mesma.

— Pus café e suco de laranja na bandeja, por que não sei o que você costuma tomar. — lhe disse, secamente.

Itachi estava decepcionado, mas não sabia ao certo como abordá-la. Nunca tiveram uma briga antes, e costumava a acreditar que nunca brigariam. Afinal, Sakura era tão certinha, que a notícia de que havia se embriagado daquela maneira lhe veio como um choque. Na festa de seu aniversário, fora ele quem a incentivou a beber algumas doses de Martini, e a ofereceu o uísque. Deveria ele ter suspeitado do fato de ela não ter negado a segunda bebida? De fato ele se recusou a acreditar no que Sasuke lhe contou mais cedo. Mas quando ele o sugeriu para investigar ele próprio, suas esperanças de que Sasuka não teria feito aquilo foram por água abaixo. Claro que, nem por isso, ele deixaria de duvidar. Só não tinha mais a mesma convicção quando à sua namorada, como antes.

E ela fitou-o sem saber o que dizer também. Deveria se desculpar? Agradecer? Perguntar o que estava fazendo ali? Ela sequer sabia como havia chegado a casa deles. A última coisa que lembrava era de estar dançando com um dos seus colegas de aula, no meio da sala da casa do Kiba. E de ter vomitado na estrada, é claro. O resto de suas memórias aparecia uma montoeira de imagens sem nexo em sua mente, embora uma delas lhe fosse terrível demais para se focar naquele momento. Mas que, com certeza, daria mais atenção àquela lembrança mais tarde. Agora, precisava pensar no Itachi.

Foi então que ela viu que seu namorado estava vestido, pronto para ir para aula. Afinal, ainda era terça-feira. Fez uma nota mental para nunca mais ir a uma festa no meio da semana. De quem foi aquela péssima idéia?, pensou.

A palavra “aula” lhe bateu com mais força, desta vez.

Meu Deus!, suspirou.

Dormiu fora de casa, e não avisou seus pais. Seus ouvidos começaram a zunir ao som tamborilante do coração acelerado.

— Posso usar um telefone? — foi a única coisa que conseguiu dizer.

— Ali na sala tem um. — ele indicou a direção com a cabeça.

Ela foi correndo até o primeiro aparelho que encontrou. Suas mãos estavam trêmulas, enquanto digitava os números. Não conseguia ver mais nada a sua volta, quando a mãe atendeu o chamado sem deixar dar o segundo toque.

— Sakura? — ela parecia afoita.

— Mãe... Mil desculpas. — choramingou, detestando por ter que fazer isso.

— Graças as Deus!

— Peguei no sono no meio do caminho, e a Karin resolveu me levar para a casa dela. — ainda bem que sua mãe não conseguia ver seu rosto vermelho, por estar contando a maior mentira da sua vida.

— OK. Volte direto para casa, depois da aula. Seu pai está furioso.

— OK. Eu sinto muito.

— Eu sei, minha querida, eu sei...

Desligou o telefone, com as mãos e pernas bambas. Estraguei tudo!, pensou. Ela errou feio! Brincou com a confiança dos seus pais, e isso era algo que jamais havia feito.

Depois de inspirar e expirar oxigênio até conseguir se acalmar, resolveu voltar para a cozinha, decidida a se desculpar pelo inconveniente com o Itachi. Ela não deveria nunca ter pisado naquela casa! Não era a primeira vez que pisava naquela sala, mas ela nunca passou dali. O Itachi já havia lhe apresentado ao seu pai, formalmente, em uma ocasião, mas o encontro havia sido muito breve, pois o homem parecia muito ocupado e apressado. Não deu sequer para formar uma opinião a respeito daquele senhor. E agora ela estava ali, naquela situação constrangedora. E muito menos deveria ter ouvido aquela conversa estranha. Ela começou a se preocupar com o que seu namorado deveria estar pensando — mil e uma coisas absurdas ao seu respeito, graças ao seu estúpido irmão que deve ter-lhe enchido de difamações sobre ela.

Droga!, praguejou.

Quando se virou, no entanto, deu de cara com o próprio Sasuke de braços cruzados, escorado na parede do corredor que liga a sala com a cozinha. Ele olhava para os pés, mordendo o canto do lábio inferior, com uma leve expressão de preocupação no rosto que ela não soube explicar o motivo. Engoliu a seco, procurando pelo Itachi com os olhos. Talvez ela tivesse feito algo pior do que conseguia se lembrar...

— Eu deveria pedir desculpas pelo inconveniente ao Itachi... — conseguiu dizer, mas com uma voz tão fraca que duvidou que ele tivesse lhe ouvido.

Mas ele sorriu de canto, a olhando por baixo, sem humor. E lá estava aquela mesma expressão de cansaço e preocupação que havia visto no primeiro encontro que tiveram, no parque, dois dias atrás.

— Hehe... Ele está tão preocupado com o que aconteceu, que já se mandou para a faculdade.

— Oh. — ela não soube se entendeu bem o que ele quis dizer com isso.

— Que disciplina você tem no primeiro período? — ele perguntou.

— Acho que estatística. — sua dor de cabeça não a permitia pensar muito bem.

— Se importa muito se perder a primeira aula do dia?

— Não... Eu poderia ir para casa, trocar de roupa... — comentou mais para si mesma, se encolhendo naquelas roupas estranhas.

— Coma algo, antes.

Por que ele lhe parecia diferente do bad boy irritante e exibido que se mostrou ser?, perguntou-se.

Sasuke estava pensando. Psicologia reversa é algo muito interessante. Você tenta convencer a pessoa o contrário do que ela pensa, para incentivá-la a fazer justamente o que ela pensa. Sasuke leu sobre isso um dia desses na internet. E era isso o que ele pretendia fazer. Assim, ele poderia matar dois coelhos com uma cajadada só.

O único problema é que não tinha certeza de que realmente deveria fazer aquilo.

— Então... Desde quando você está a fim do meu irmão? — ela se engasgou com o suco de laranja que tomava.

— Do... Do que você está falando?

— Estou falando do que está escrito aí na sua testa!

— Não tem nada escrito na minha testa. — ela resmungou, baixando a cabeça para que seus cabelos cobrissem seu rosto vermelho.

— Tá, tá... Olha só: eu tenho uma proposta a fazer. — ela o olhou desconfiada, mas Sasuke apenas sorriu — Eu te ajudo a reconquistar o Itachi, se você me ajudar a conquistar a Karin. Que tal?

— E quem disse que eu quero algo com o Itachi? — ela cruzou os braços, se fazendo de durona. Na verdade, aquela frase não fazia sentido. É óbvio que ela queria algo com o Itachi! E por que haveria de não querer?

Além disso, o que ele quis dizer com reconquistar? Ela já o tinha, não o tinha? Por que precisaria reaver o que já era seu?, pensou.

Sasuke revirou os olhos.

— Ora, deixe de bancar a difícil! É uma excelente troca, você tem que admitir.

Ela olhou para o comprimido para a ressaca que ele lhe entregou, hesitante. O colocou na boca, e o engoliu com mais um gole do seu suco e, então, o olhou.

— O que foi que você disse para o Itachi? — perguntou, estreitando os olhos. Ela tinha certeza de que, se havia o perdido, era por culpa do Sasuke.

— A verdade! — ele deu de ombros — Você estava fazendo um strip tease no meio da sala, para uma rodinha de machos, e depois ainda me agarrou no meio da rua, enquanto eu tentava salvá-la. — deu de ombros outra vez.

Ela ficou de boca aberta, olhando para o Sasuke, tentando processar o que acabou de ouvir da boca dele. Mas aí, se deu conta de que nada daquilo poderia mesmo ser verdade! Jamais faria coisas tão absurdas como essas!...Por mais que quisesse ser “louquinha” por um dia, isto é. Pois sua vergonha jamais a permitiria. E disso, ela tinha certeza.

Mas antes que ela pudesse dizer algo, alguma afronta contra ele, Sasuke previu o que se passou em sua mente. Pois era fácil ler as expressões óbvias da garota. Por isso, a interrompeu quando abriu a boca.

— Se duvida de mim, é só perguntar para os seus colegas! Tenho certeza de que um monte de gente vai confirmar. Afinal, eu não estava te aplaudindo sozinho! O Itachi vai fazer o mesmo... O idiota ainda duvida! — ele sorriu — A propósito... Você estava divina! — ele ainda lhe diz, em provocação.

E lá estava aquele sorrisinho irritante que ele tinha.

Só que ela não era tão boba quanto parecia ser. Ela ainda estava duvidando dele com seus olhos, como se tivesse a certeza de que aquilo não poderia ser verdade. Mas ela se deu mal, por que Sasuke não estava disposto a desistir de sua idéia tão facilmente. Ele iria insistir nisso até o fim. E só por que ele tinha a convicção de que valeria a pena. Mas de onde tirou essa convicção toda, ele também não sabia! Talvez daquele jeito meio sensível, meio bruto, meio tímido, meio curioso da Sakura...

E Sakura já não sabia mais o que pensar. Não sabia como deveria se sentir. Triste, ressentida, aliviada, enraivecida, envergonhada...? Afinal, ela se lembrava sim de ter dançado com Gaara. Ela só sabia que não queria perder seu primeiro namorado. Pelo menos, não naquelas circunstâncias.

— Você acha mesmo que eu tenho alguma chance de me redimir com o Itachi? — Sasuke mal conseguiu ouvi-la. Era como se ela estivesse falando consigo mesma.

— É claro que tem. —... nenhuma chance!, ele pensou. Mas não disse essa última parte para não arruinar seu plano.

Até onde ele sabia sobre o irmão, Sasuke pensava que Itachi também não pensava com a cabeça de baixo. Além disso, priorizava seu futuro acima de qualquer coisa, já que sempre viveu na sombra do pai. Ele tinha certeza de que o irmão não a olharia mais. Mas como ele se surpreendeu com a reação do Itachi, quando o confrontou, Sasuke ainda tinha esperanças de que o Itachi se importasse o suficiente para poder atingi-lo quando começasse a perceber de que ele estava perdendo a Sakura para o irmão mais novo e irresponsável.

Mas a verdade é que Sakura não o havia agarrado. Depois da pergunta que fez, a garota desandou a vomitar mais. Aí, ele caiu em si, e se deu conta de que era melhor não beijá-la mesmo.

— Pense bem! É uma oportunidade de ouro! Eu sou o único que pode te ajudar nisso. Conheço aquele vead... cara!, melhor do que ninguém. — ele deu de ombros.

— Você realmente gosta da Karin, ou apenas quer zoar com ela? Eu posso não te conhecer, mas conheço os boatos a seu respeito. Não quero entregar minha melhor amiga para qualquer um. — ela lhe diz.

Muy amiga!, Sasuke pensou revirando os olhos.

— Olha, se eu fosse você, não acreditaria em tudo o que ouço. — ele coçou a cabeça, olhando para os lados. Ele sabia bem da reputação que lhe deram gratuitamente. As pessoas têm essa mania de inventar histórias incríveis a respeito dos outros, só para ter o que falar. Por isso nunca gostou de gente que não sabe calar a boca.

Ela cruzou os braços, novamente, para analisá-lo. Ele viu seus olhos verdes, que pareciam mais claros pela manhã, deslizar por todos os detalhes do seu rosto, descer para o seu peito, e desviar os olhos. Sasuke teve que morder o lábio para conter a risada. Ela só podia ser uma virgem!, pensou.

— Vou pensar sobre o assunto. — foi tudo o que ela disse. Ainda estava em dúvidas sobre confiar nele ou não. Precisava primeiro se certificar de que tudo o que ele lhe disse era verdade. Ela não era tão estúpida a ponto de cair na ladainha de qualquer um. Muito menos de um estranho. Apesar de que... Ela via a oportunidade perfeita para descobrir mais sobre o Itachi. Se Sasuke estiver mesmo falando à sério, ela poderia lhe interrogar e descobrir tudo o que sempre quis sobre o namorado.

E ele sabia que ela iria acabar cedendo à sua proposta, sim. Estava escrito em seus olhos que ela estava louca por aquilo, tanto quanto ele.

Depois que ela empurrou a bandeja de café mal tocada para o lado, Sasuke lhe entregou uma saia e uma blusa que eram de sua madrasta. Elas regulavam de estatura e proporções e, bem como suspeitou, as roupas serviram direitinho. Ele ainda lhe entregou uma sacola com o vestido molhado dela.

Quando Sakura viu o conteúdo da sacola, seu rosto avermelhou de vergonha e raiva.

— Quem me trocou? — perguntou. Ela sequer conseguiu olhá-lo nos olhos, como se tivesse sido mortalmente humilhada. Seus olhos marejaram, mas ela mordeu o lábio para se conter como se não quisesse mais chorar. E ele percebeu tudo.

E Sasuke achou que sabia bem o porquê disso tudo. Quando chegou em casa, de madrugada, Itachi já dormia no quarto. A levou direto para o chuveiro, no segundo andar, para que tomasse um banho quente, já que ela tremia de frio. Sakura ainda estava meio grogue, e não protestou muito quando ele tirou suas roupas. Apenas choramingou em silêncio por alguns instantes. Mas quando pensou em tirar algum proveito dela, apenas para olhá-la nua, foi que viu as marcas feias que a garota tinha em suas costas e parte do peito. Vergões vermelhos e roxos, entre cicatrizes antigas, como se tivesse sido pintadas ali muito recentemente. Quando tocou em uma delas, ela se encolheu como se sentisse dor.

Naquele momento, pareceu que tudo nela fazia mais sentido, mesmo ele sabendo que não conhecia nem a metade da verdade por trás daquilo tudo. Aquilo poderia ter sido causado por seus pais, por ela mesma e, na pior das hipóteses, pelo próprio irmão. Ou até mesmo por outra pessoa... E de repente, então, ele não achou mais graça alguma em absolutamente nada do que tivesse feito ou dito para ela. Afinal, de humilhação, ele entendia muito bem, já que era um dos passa-tempo favorito do pai deles.

— Foi você mesma quem se trocou. Não se lembra? — lhe respondeu.

Ela o olhou de canto, balançando a cabeça em negação, hesitante. Sasuke deu de ombros, pegando os capacetes de cima da mesa do seu quarto. Ela havia a deixado em sua cama, para dormir no quarto de hospedes, só para causar ainda mais ciúmes no Itachi. Por que, se realmente tivesse sido ele o autor daquelas agressões, ele teria ainda mais motivo para infernizá-lo.

Na garagem de casa, Sasuke descobriu que ela nunca havia andado de moto antes. Para ele, era fácil de perceber isso, quando se vê que a pessoa parece meio atrapalhada com a fivela para prender o capacete à cabeça, e quando ela se agarra com todas as suas forças ao condutor, com medo de cair. Mas ele não disse nada, já que ela também não fez nenhuma reclamação quanto à sua velocidade. Afinal, ela estava, na verdade, adorando aquela adrenalina. Então, ele apenas a deixou lhe dar as instruções de quando deveria virar a rua até a sua casa. Por sorte, havia parado de chover, embora as nuvens ameaçassem a desabar sobre a terra logo em seguida. Por precaução, ele havia posto duas capas de chuva no baú que encaixou na moto antes de sair.

Ele parou a moto em frente a uma bela casa de dois andares, pintada em cor salmão, com um belo jardim florido. Havia uma pequena cerca de madeira em volta do terreno, pintado apenas com verniz.

Aos pôr os pés em terra firme, ela se deu conta de que estava com as pernas bambas. Não deixou que ele percebesse.

— Obrigada pela carona. — ela diz, entregando seu capacete — Lhe entregarei as roupas na faculdade... Se você não matar a aula. — Sakura se perguntou a quem as roupas pertenciam, mas resolveu deixar a pergunta para outra ocasião.

E ele percebeu seu tom de sarcasmo, mas ignorou.

— Não se preocupe com isso. Pode jogá-las fora, se quiser. — deu de ombros — A dona dessas roupas não deve nem se lembrar que essas roupas sequer, algum dia, estiveram em seu guarda-roupa.

Aquela vadia da sua madrasta não notaria falta delas mesmo. Aquela mulher era a mais vaidosa do planeta, e adorava gastar a grana do velho fazendo compras desnecessárias. Toda semana eram jóias, roupas, bolsas e sapatos. E o babaca do velho a deixava fazer o quisesse com seu cartão de créditos, realmente achando que tinha encontrado a mulher certa.

Ele a viu estremecer e suspirar profundamente quando tocou a maçaneta da porta de sua casa, como se estivesse se preparando para que o pior acontecesse. Ela o olhou mais uma vez por cima do ombro, como se esperasse que ele fosse embora logo. Sasuke deu de ombros, ligou o motor e saiu cantando os pneus no asfalto.

Notas finais
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