Reverso

25 ♦ Capítulo 25


Notas iniciais
Mais um capítulo dramático/romantico!!! hum...espero que gostem T__T
Boa leitura!

Reverso

By Amanur

Capítulo 25

...

O medo era uma constante na vida de Sakura. Ela tinha medo da solidão, mesmo estando tão acostumada com a presença dela ao seu lado. Tinha medo do passado, que lhe atormentava continuamente. Tinha medo do frio. Tinha medo de que a morte a tocasse antes de fazer tudo o que queria. Mas também tinha medo que a vida lhe fosse mais cruel do que já havia sido até então. Ela tinha medo, até mesmo, dos próprios pensamentos. No entanto, ela não conseguia ter medo do Sasuke — pois sabia que ele não era mau.

Mas ela correu para longe dele o mais rápido que pôde, mesmo sem entender o motivo daquela atitude. Correu a ponto de quase deixar as pernas para trás, desprendendo-as do próprio corpo. O que quer que ele tivesse em mente, naquele momento, ela sabia que não era bom. E quanto mais corria, mas o peito parecia diminuir. Seu peito parecia encolher, se contorcer, se espremer. Quando percebeu, já estava com a visão turva, distorcida pelas lágrimas. Praguejou internamente por se permitir aquilo. E praguejou ainda mais por ele ter sido o culpado.

Seu coração pulsava forte contra o peito diminuto, quando se deu conta de que havia perdido o tempo em que havia gasto correndo para longe. Mas quando pensou em parar, para retomar o fôlego perdido, ouviu ao longe o som da moto dele se aproximar. Aí, o desespero bateu outra vez em sua mente. Tudo o que conseguiu pensar foi em correr por sua vida. Pois aquilo era quase uma questão de morte. Ela morreria se ele descobrisse por que ela fugia; ele não poderia saber jamais! Ninguém podia! Mas quanto mais corria, quanto mais o som da moto se aproximava, mais ela tinha certeza que a verdade iria querer escapar do fundo de sua consciência, onde o havia trancado.

Ao ver que quanto mais tentava fugir, mais Sasuke se aproximava, Sakura desistiu desabando no chão. De repente, ele passou a representar opressão. Talvez a mais forte de todas. E então, o som da moto cessou, e a opressão veio caminhando em passos lentos em sua direção. A moça se encolheu, abraçando as próprias pernas. Tremia de medo, frio e cansaço. Uma enxurrada de lágrimas já lhe escorria dos olhos, descontroladamente.

Sasuke se sentiu um monstro, diante daquela pequena figura encolhida a sua frente. Mais monstro do que já se julgava ser. Sentiu-se sujo, corrupto. Teve nojo de si mesmo. Ela parecia um filhote temendo seu predador, tremendo da cabeça aos pés. Mas aquilo era tudo o que ele precisava saber para calar suas dúvidas. Pois se deu conta de que Sakura não era a moça lasciva ao qual poema dela se referia. Sakura, na verdade, era o laço de fita. Um objeto preso, cheio de anseios pela liberdade. E sempre que conseguia se desprender de algo, era aprisionada novamente para, no final — em “E dá-me por c'roa... Teu laço de fita.” —, ser entregue como um prêmio, pois era isso o que a coroa representava. Era um final sádico — Sasuke achava que só podia ser.

Então, se ajoelhou em frente a ela abraçando-a. Ela tentou de esquivar dele, empurrando-o para longe e até mesmo lhe esbofeteando. Mas ele apertou o abraço, para se mostrar consciente de sua dor.

— Shhhhhhiii! Você sabe que eu não ousaria te machucar, né? Você sabe disso, não sabe?

Ela chorou por mais um longo tempo, agora agarrada a ele. E Sasuke, pacientemente, esperou que ela se acalmasse para poderem voltar a conversar. Ele passava a mão nos cabelos dela, lentamente, como alguém — cujo rosto ele não conseguia lembrar — fazia nele, quando era pequeno, até adormecer. Lembrava-se bem da sensação de aconchego que aquele pequeno gesto lhe causava, junto com uma sonolência gostosa, que sempre o acalmava. E agora, ele tentava transmitir a ela aquela mesma sensação que antes sentira, para que ela soubesse que ele não era seu inimigo.

E, de fato, aquilo funcionava. Aos poucos, os soluços foram passando, juntamente com os batimentos cardíacos da garota, que iam voltando ao normal.

Quando Sasuke percebeu que ela não mais chorava, a afastou de si para olhar no rosto avermelhado, levemente inchado. Mas Sakura desviou o olhar, sabendo o que ele queria perguntar.

Algum pássaro gritava distante. Aquele som entrava em melodia com o barulho do vento batendo contra o rosto deles, e as folhas das arvores que se espalhavam por aquele lugar. Mas o silêncio dela era tudo o que ele conseguia ouvir naquele momento.

— Quem fez isso?

— Eu não posso ficar com você, nem com o Itachi, nem com ninguém, Sasuke! — ela resmungou.

— Eu não perguntei com quem você pode ficar! Eu perguntei quem te violentou, Sakura! Quem bate em você? — o modo como ela reagiu aos toques dele mostravam claramente que a garota havia sofrido algum tipo de agressão física. E ele havia forçado aquela cena para tirar suas dúvidas.

Sakura olhou nos olhos escuros dele por alguns instantes. Tão escuros quanto à noite em que tudo aconteceu para ela. Mordeu com certa força o lábio inferior para se conter. Ela não queria falar por medo da reação dele. Tinha medo dos julgamentos, e da rejeição. Mas Sasuke não parecia disposto a deixar aquele assunto para depois. Ele a olhava furtivamente, esperando pela resposta. Então, ela suspirou pesadamente, como nunca fizera antes.

— A culpa é minha... Eu que dei permissão para ele fazer isso! — se não fosse o silêncio do local onde estavam, ele não teria ouvido sua voz.

— Quem?

Ela suspirou mais uma vez. Estava agora com medo de fechar os olhos e rever todas aquelas cenas que lutava desesperadamente em esquecer. E Sasuke sentiu o peso daquele suspiro. Era algo carregado de marcas invisíveis que ele não podia nem imaginar como era carregá-las. Afinal, jamais sofrera tais abusos. Era algo que somente ela saberia descrever.

— Meu pai foi embora quando nasci. Acho que não agüentou as neuroses da minha mãe quando se deu conta de que ela estava com depressão pós-parto. E é aí que a parte mais irônica da minha vida está. Ele queria filhos, mas foi embora. Minha mãe não queria, e ainda não quer, mas não foi embora. — ela o olhou de canto, mas rápido demais para definir que expressão era aquela que ele mostrava — Foi quando fiz quinze anos que meu padrasto, este homem que me obriga a chamá-lo de pai, entrou em nossas vidas. Quando minha mãe começou a namorar ele, o tratamento que ela me dava melhorou consideravelmente. Mas depois de alguns meses se relacionando, eles tiveram a primeira briga. E eu estava lá; ouvi tudo. Minha mãe não queria fazer sexo com ele, por que tinha medo de engravidar outra vez. E naquela época os anticoncepcionais não eram tão eficientes quanto são hoje. Ele ameaçou deixá-la porque dizia que uma relação sem sexo não era saudável...

Continuar a história a partir daí começou a ficar mais complicado para ela. Ela lembrava daquele dia com perfeição, como se tivesse acontecido ontem. E Sasuke trincou os dentes, prevendo a continuação daquele relato. Mas preferiu manter-se calado, esperando que ela terminasse o que havia começado.

Após mais alguns suspiros e fungadas, ela continuou.

—... Eles haviam oficialmente terminado a relação, quando ele passou em casa, certo dia, para pegar de volta algumas de suas coisas que havia deixado. Minha mãe não estava em casa, então, fui eu quem o atendeu... — ela fez mais uma pausa, tentando encontrar as palavras certas que precisava dizer para que ele entendesse o que ela fez — Você não conheceu sua mãe, mas presumo que saiba o que é esperar por ouvi-la dizer que te ama... Antes de conhecê-lo ela me tratava como se fosse uma estranha que acabara de conhecer na rua. Mas depois que começou a namorá-lo, passou a até mesmo me dar bom dia e sorrir para mim. Não chegava a ser um sorriso honesto, mas já era algo. Aquilo significou muito para mim, Sasuke... Eu era apenas uma criança querendo merecer o orgulho de sua mãe... Eu queria que ela falasse de mim com orgulho para as vizinhas. Eu queria que ela me acompanhasse nos eventos da escola com empáfia. Você não pode me julgar!

— Eu não sou ninguém para te julgar... — ele murmurou.

Sakura não conseguiu terminar a história, então, Sasuke o fez por ela. Pois precisava se certificar de que havia entendido bem o que ela tentava dizer, mas não conseguia.

— Você fez uma proposta a ele, não foi? Pediu para que ele continuasse com sua mãe, por medo de ela voltar a te tratar mal, e em troca, você daria seu corpo a ele. Não foi?

Ela olhava em direção contrária a ele, tentando se concentrar na paisagem, ao invés das imagens que insistiam invadir sua memória outra vez. Olhava distante, como se estivesse distraída com outra coisa. Mas, no fundo, ela estava bastante presente, naquela conversa. Infelizmente!, ainda diria.

— Eu costumava a achar que a culpa era minha por meu pai verdadeiro ter abandonado minha mãe, embora ela nunca tivesse dito isso. Mas havia algo no olhar dela que parecia querer me acusar de algo. E eu era uma criança idiota, daquelas que se apaixonava fácil por qualquer colega de classe. Então, ficava imaginando a dor que ela sentiu quando percebeu que meu pai nunca mais voltaria. E isso me doía na alma, por que eu sabia como era ser rejeitada, pois também sofria por não ter sido correspondida uma única vez. Quando vi que aquele homem havia voltado para buscar suas coisas, vi minha oportunidade de consertar alguma coisa; de fazer algo pela minha mãe. Mas isso era apenas uma mentira que eu dizia a mim mesma, é claro. No fundo, acho que estava mais preocupada com a mudança de tratamento dela...

— Você se arrepende?

Ela demorou alguns segundos para responder. Lentamente, balançou a cabeça afirmativamente, mordendo o lábio inferior para conter agora as lágrimas que ameaçavam cair novamente.

Sasuke cerrou o punho, depois passou as mãos no rosto, junto com um longo suspiro. Desviou o olhar dela, se perguntando como poderia ajudá-la a superar tal problema. O que poderia fazer para ajudá-la a esquecer aquelas memórias?, se perguntava. Mas quanto mais pensava, mais angustiado ia ficando. Pois resposta alguma lhe vinha em mente.

— Itachi sabe disso? — ele perguntou. Novamente, ela apensa balançou a cabeça, mas em negação.

Ele se levantou do chão, e caminhou alguns passos para lá e para cá, tentando pensar em algo inteligente a dizer. Mas nada de bom vinha em sua mente. Ele só pensava em meter as mãos na garganta daquele homem que abusou da inocência de uma criança. Tudo o que lhe vinha em mente era fincar os dedos, e perfurar a carne da pele imunda daquele homem que se atreveu a fazer tal coisa.

Sakura percebeu que ele parecia impaciente, e também se levantou do chão. Aproximou-se dele, puxando-o pela manga da jaqueta que ele vestia.

— A culpa não é dele. Ele não tinha sequer me olhado, antes disso, Sasuke. — ela precisava fazê-lo entender que ela era a errada na história, já que ele parecia ter interpretado tudo de outro modo.

— MAS FOI ELE QUEM ACEITOU! Não ouse defende-lo, Sakura. Não faça isso!

— Não foi bem assim... Ele rejeitou a idéia no início, mas fui eu quem o tentou. E mais de uma vez. Depois daquele dia, depois que lhe contei sobre minha idéia, ele prometeu que pensaria no caso. Alguns dias depois, ele voltou a visitar minha mãe. Mas eu vi que a relação entre eles não era mais a mesma, então, comecei a dar indiretas, mesmo ele me evitando. Ele não queria ter feito isso, Sasuke!

— PARE DE JUSTIFICAR O QUE ELE FEZ! VOCÊ ERA UMA MENINA; NÃO SABIA O QUE ESTAVA FAZENDO! — ele ficou tão irritado, que acabou gritando com ela.

Sakura se encolheu com a trovejada gelada que sua voz parecia ter ecoado naquele lugar deserto.

— Eu sabia muito bem o que estava fazendo... — resmungou.

Ele não quis dar ouvidos ao que ela dizia. A agarrou pelo braço, levando-a até sua moto. Em seguida, lhe entregou o capacete rosa. Ela o vestiu, sem dizer mais nada. De certo modo, a reação dele lhe era estranha. Sempre pensou que no dia que contasse isso a um namorado, ou seja lá o que eles eram um para o outro, achava que ele fosse rejeitá-la por nojo.

Mas isso era a última coisa que ocorreria na mente do rapaz. Sasuke correu a toda velocidade de volta para a cidade. Quando parou a moto em frente a casa dela, sem pensar duas vezes, ele jogou o capacete ao lado e saiu marchando em direção à porta. Mas prevendo o que ele teria em mente, Sakura correu para impedi-lo.

— Não me faça me arrepender também de ter te contado alguma coisa sobre mim, Sasuke. Nada o que você fizer, ou disser, vai mudar o que aconteceu!

— Eu a faria se sentir pior se socasse a cara dele? — a raiva era tanta, que mal conseguia raciocinar direito, para compreender o que ela dizia. Seu instinto apenas lhe dizia que deveria manter sua honra de homem, e defender o que achava correto.

Sakura apenas o encarou, esperando que seu silêncio fosse o suficiente para ele compreender. De início, ele se recusou a entender o que ela queria dizer, mas acabou cedendo. Mas também não disse mais nada. Tomou o capacete rosa da mão dela, e deu as costas. Subiu em sua moto, e partiu sem ao menos olhar para trás o que deixou: uma garota que sentiu frio com aquele último olhar gélido que ele lhe lançou.

Quando entrou em casa, seu padrasto saia da cozinha com o telefone colado à orelha. Quando a viu passar pelo corredor, chamou seu nome. Mas Sakura sequer o olhou. Apenas disse:

— Não se preocupe! Ninguém sabe de nada, ainda! — mentiu. Ela sabia que ele, principalmente, matinha os horários dela sob controle por medo de que alguém descobrisse o que fizera. E ela acatava a todos os pedidos dele, por que queria mostrar a sua mãe que ela era uma boa filha. Que era eficiente nos estudos, na educação, e era obediente. Pois acreditava que assim, talvez, conseguiria alguma consideração da mulher. Mas naquele momento, no entanto, nada disso mais lhe fazia sentido.

Enquanto isso, Sasuke saiu pelas ruas se sentindo tão atordoado quanto havia se sentido no dia em que seu pai morreu. Quanto mais se distanciava dela, mais angustiado se sentia. Tinha medo do que poderia acontecer a ela. A eles. Pois não havia como fazê-la esquecer o que aconteceu. Ela havia se aprisionado no passado, prejudicando seu futuro. E condenou qualquer relação que ela pudesse ter.

Agora ele entendia melhor por que ela disse que não poderia ficar com ninguém. Talvez, ou certamente, ele não poderia quebrar aquela barreira mental que ela criou, e que os separavam. Ele jamais poderá tocá-la, por que toda vez que fizer isso ela se lembrará daquele homem. E pensar nisso, pela razão ao qual não conseguia descrever, Sasuke sentia uma leve falta de ar comprimido o pulmão.

Para limpar a mente, ele foi correndo para um bar no centro da cidade. Encher a cara com álcool era tudo o que conseguia pensar em fazer. Por enquanto, era a única coisa que poderia fazer por ela, na verdade. Pois os pensamentos que estava se passando em sua cabeça não eram agradáveis. Ela não vai gostar, tanto quanto ele já detestava. E, por isso, precisava calar sua mente o quanto antes. Pelo bem dela. Pelo bem deles. Caso contrário, poderia fazer a coisa mais estúpida que já pensou em fazer.

Notas finais
Algum comentário?
Ps: alguém notou que ela não contou quem bate nela??? talvez alguém se desiluda por já ter previsto a parte da historia dela, mas bem... eu digo parabéns, afinal, eu dei as dicas mesmo para isso! auihaiu Mas ainda há mais um pedacinho que ela não contou ainda! :D
Há uma grande possibilidade de eu não postar amanha, nem Sábado, ok? Amanhã, tia Amanur vai estar em função da realização de um dos maiores sonhos de infância dela! T__T E Sábado, tenho curso à tarde toda. Talvez eu consiga escrever o próximo cap até sábado à noite, mas se não der, eu postarei no domingo, com certeza, ok?
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