Reverso

2 ♦ Capítulo 2


Notas iniciais
Eu jurava que ninguém fosse ler essa fic por ser em terceira pessoa! T__T confesso que me sinto mais a vontade escrevendo em primeira, mas quis me desafiar a escrever em terceira...Enfim, responderei a todos os reviews ainda. Só não respondi agora por que já estou ficando vesga na frente do pc T__T.
Ah, só um ps: mudei aquela sinopse mega clichê! -.- continua clichê, na verdade, pq não mudei muita coisa ¬¬ só mudei a estrutura. Mas acho que agora está menos... Quando eu conseguir outra ideia, eu altero ela de novo.
Bom, tá aí mais um!!!
Boa leitura!
:D

Reverso

By Amanur

Capítulo 2

...

Os raios de sol entravam pela pequena janela da cozinha, enquanto Sakura arrumava a louça suja dentro da máquina de lavar, por que sua empregada adoecera e não pôde ir trabalhar. Enquanto apertava os botões, ela se perguntava como pôde deixar seu último dia de férias se passar daquela forma. Depois do ótimo café da manhã que tomara com Itachi, ele a levou de volta para casa, por que, de repente, pareciam dois estranhos.

— Eu te ligo mais tarde! — fui todo o que ele lhe disse, antes de sair daquele carro, após pegar a grande sacola que reunia todos os presentes de seus amigos.

E agora, cá estava, na cozinha, cuidando da louça suja do dia anterior. Como posso ser tão patética?, se perguntou. Não conseguia acreditar que havia deixado o namorado perfeito para trás, para ficar ali. Sua mãe estava na casa de uma amiga, enquanto o seu pai assistia a um jogo de futebol na sala, preguiçosamente, e não foi capaz de pôr aquela sujeira em ordem.

Voltou para seu quarto, para poder abrir seus presentes. O primeiro que viu, foi o de sua amiga. Uma bela boneca de pano feito pelas mãos exclusivas da própria Karin. Sua amiga trabalhava com artesanatos nas horas vagas e, isso significa que, nas férias, é só o que fazia. Karin era fascinada por bonecas de pano e, muitas vezes, passava a noite inteira costurado-as. Dentre todas as suas amigas patricinhas, Karin era a que menos tinha poder aquisitivo — era a única que precisava trabalhar para pagar a faculdade. E talvez, por mais errado que isso possa soar, esse era o motivo pelo qual ela gostava mais da garota, dentre todas as suas amigas.

O próximo presente que abriu foi o do Sai. O estrangeiro que veio da Coréia para estudar administração na mesma faculdade que elas. Enquanto desembrulhava o presente, ela se lembrou de tê-lo visto dançando com a Karin, embora todos já soubessem que ele só tinha olhos para sua outra amiga, a Ino. Se é que ela podia mesmo chamá-la de amiga...

Seu celular vibrou sobre o criado mudo, enquanto ela olhava o livro de poesias que ele lhe dera. Todos os seus amigos haviam acertado nos presentes, mas somente por que lhe pediram que fizesse uma lista do que gostaria de ganhar. Apesar das brincadeirinhas e piadas do Naruto sobre ela querer um iate, uma limusine, ou uma casa em uma ilha, ela não abusou nos pedidos deixando apenas coisas banais.

— Advinha! — pelo seu tom, não podia ser boa coisa.

— Sua mãe.

— Argh! Ela acordou com TPM hoje! Estou te dizendo, aquela mulher está insuportável! Que tal passar a tarde no parque? O sol está maravilhoso! Quem sabe não te inspira alguma coisa?!

— Você dormiu esta noite, Ka?

— Siiimm... — suspeitei.

— Tem certeza de que sim?

— Por favor, por favor, por favoooorrr!

Suspirou.

— Ok. Levarei meu caderno.

— Eu te amo!

— Acho bom mesmo...

Sakura vestiu um tênis e saiu de casa carregando seu caderno de poesias embaixo dos braços. A encontrou praticamente deitada, esparramada num banco de madeira na calçada da rua em frente à praça.

— Por que não escolheu um banco dentro da praça? — perguntou, sentando-se ao seu lado, acordando-a de seu cochilo.

— Hum? Não estou a fim de sujar minhas botas na lama! — ela levantou um dos pés, para exibir seu novo par de couros nos pés. E então Karin lhe deu um beijo no rosto e se acomodou no banco, encostando a cabeça em seu ombro.

— Vou fechar os olhos só para descansar as pálpebras, ok?

— Uhum...

— É sério! Gostou do meu presente?

— Amei! A boneca é linda! Acho que é a mais bonita que você já fez até hoje!

— Né? Né? Fiquei com pena de te dar também! Mas como você é ótima amiga, acho que merecia.

— Valeu, Ka...

— Agora me conta que cara de bunda foi aquela de ontem!

Sakura a olhou de canto para constar que Karin realmente estava de olhos fechados.

— Tem certeza de que não quer dormir? — não que tivesse problemas para se abrir com a amiga, ela apenas não sabia ainda o que dizer. Sequer havia entendido o que acontecia consigo mesma.

Karin abriu o olho esquerdo para espiá-la.

— Desembucha!

— Ah... Sei lá... Ultimamente tenho me sentido estranha.

— Em que sentido?

— Você já teve a sensação de ter tudo o que queria, mas, ainda assim, sente falta de alguma coisa, mesmo sem conseguir distinguir bem o que é?

— Ahm... Hello! Eu não tenho uma família rica! Por tanto, não!, eu nunca tive essa sensação de ter tudo o que queria ter! — a ruiva lhe disse em tom sarcástico.

— Ah... Foi mal.

— Tudo bem! Por que eu sei que um dia ainda conseguirei tudo o que quero! — Karin sorriu, mesmo de olhos fechados.

— Bom... Pois é... Dinheiro compra felicidade, mas não toda ela! — apesar de estar falando aquilo, ela não tinha bem certeza sobre o que estava dizendo.

— Você está falando do Itachi?

— Claro que não! O Chi é maravilhoso!

— Falando nele, vocês... Conseguiram?

— Conseguimos dormir, sim. Um de costas para o outro! — revirou os olhos, e ouviu a amiga bufar.

Talvez por, justamente, ser a pessoa mais próxima à Sakura, Karin era a pessoa que menos a entendia. Sakura morava em uma bela casa, tinha dois pais excelentes que não a incomodava — como sua mãe estressada fazia —, não se preocupava com contas a pagar, e ainda fisgara um dos caras mais lindo do campus. Ela tinha todos os motivos para ser invejada, e ainda nunca estava satisfeita. Talvez, como ouvira a Ino comentar outro dia, a Sakura não passava mesmo de uma patricinha mimada e sonhadora, filhinha de papai. Com algumas peculiaridades, é claro. Ela nunca entendeu por que Sakura insistia em vestir apenas roupas pretas ou cinzas, e pintava o cabelo em cor de rosa. Só que Karin detestava pensar assim, pois tinha grande apreço pela amiga, já que não era tão esnobe quanto o resto da turma. Mas, às vezes, Sakura conseguia irritá-la com alguma de suas frescuras, sim. Além disso, ela não entendia qual era o problema de Sakura, já que, de puritada, ela não tinha nada. Não entendia por que não conseguia dormir com aquele cara magnifico que o Itachi era. Em seu lugar, já teria aberto as pernas há muito tempo. O cara era um sonho materealizado.

Suspirou, se acomodando mais sobre o ombro da amiga, resmungando algo sobre querer cochilar. Também não queria contestá-la para não magoar a amiga. Karin sabia que, às vezes, jogava a verdade na cara da Sakura sem querer, e, apesar de mostrar-se sempre bem humorada, a rosada magoava-se facilmente.

Em resposta, Sakura resmungou de volta por não poder se mover muito com ela ali, mas a deixou quieta. Trouxe mais para perto seu caderno, percebendo que havia poucas pessoas passando por perto. A chuva que caíra Sábado à tarde ainda espantava os visitantes do parque, permitindo que apenas alguns aventureiros se arriscassem a caminhar pela grama ainda úmida.

Apoiou seu caderno no encosto de braço do banco para escrever, após pegar a caneta que trouxe no bolso da jaqueta jeans. Ela havia começado a escrever um poema há dois dias, e esperava conseguir terminá-lo ali. Era fato que conseguia se inspirar mais quando estava ao ar livre. Só não sabia bem dizer por que. Ela acha que há algo no ar, na paisagem, nas pessoas, que a faz pensar mais... Diferentemente das quatro paredes brancas do seu quarto.

E então, o tempo passou rápido. Sakura tinha acabado de escrever uma estrofe de cinco versos quando, de repente, uma moto preta e gigante parou bem em frente ao banco em que elas estavam. Karin se assustou com o som do motor, e o cara que pilotava aquele monstrengo tirou o capacete. As duas o viram passar as mãos enluvadas nos cabelos para ajeitar os fios, e as olhar com uma sobrancelha erguida, com um pouco de presunção.

— Sabem me informar onde fica o hospital Central? Sei que fica por perto, mas estou meio perdido. — ele tinha uma expressão cansada no rosto. Parecia exausto, na verdade. Exausto e preocupado.

Sakura não pensou duas vezes. Arrancou uma folha do seu caderno e, rapidamente, desenhou um esboço de mapa para localizá-lo. Achou que fosse mais prático do que ficar lhe indicando “vire aqui, dobre ali, depois dobre mais uma rua e vá até a outra para dobrar mais uma vez na esquerda, pois o local fica na direita!”. As pessoas sempre se perdem quando recebem esse tipo de instrução.

— Aqui. — lhe entregou o papel — Você está aqui, nesta rua — apontou para o desenho — e o hospital fica aqui.

Ele ficou olhando o desenho no papel por um tempo. Constou que o hospital ficava a umas seis quadras do parque. Depois, dobrou a folha ao meio e a enfiou dentro da jaqueta de couro que vestia.

— Valeu. — pôs de volta o capacete e se mandou.

Quando Sakura voltou para os seus esboços no caderno, Karin a cutucou. Sua amiga a olhava com os olhos esbugalhados e boca aberta, como se tivesse visto um fantasma.

— O que foi? — perguntou.

— Você viu o que eu vi?

— Não vi nenhum homem sem camisa, Karin! — revirou os olhos, no mesmo instante em que a amiga lhe deu um tapa da testa. E ela odeia quando a Karin faz isso.

— Aquele é o irmão do Itachi, sua debilóide!

— Que Itachi? O meu príncipe encantado Itachi?

— Siiiiiim! Aquele é o irmão delinqüente, marginal, do seu príncipe encantado. Aquele que já foi preso por dirigir em alta velocidade, e depois por esfaquear um homem em uma briga, e ainda conseguiu ser preso mais uma vez por detonar um bar! Aquele que ficou dando em cima de mim por um semestre inteiro enquanto se esfregava em todas as outras garotas da faculdade, se achando a última bolachinha do pacote, mesmo depois de eu lhe dar VINTE FORAS. Odeio esse cara! Por que ele está aqui? Eu pensei que ele não estivesse mais na capital... — ela comenta, pondo a mão sobre o queixo, pensativa — E por que ele agiu como se não me conhecesse? Garanto que ainda está mordidinho, aquele filho da mãe...

Além do Itachi lhe falar pouco sobre a família, Sasuke parecia ser o assunto proibido. Nunca o viu falar nada sobre o irmão. E isso o que acabara de ouvir da amiga, era tudo o que ela sabia a respeito do cunhado, somente por ser o que os boatos davam conta sobre o rapaz.

Sakura entrou naquela faculdade um ano depois do Itachi e Karin terem entrado. Nesse período em que ela estudava em outra faculdade, aparentemente, Sasuke também cursava administração junto com o irmão. Mas na mesma época em que Sakura pediu transferência — por que o campus em que estudava ficava longe demais de sua casa —, Sasuke trancou a sua matrícula para sumir do mapa. E é por isso que Karin o conhecia, e Sakura não.

Ela se lembrou do namorado ter comentado algo sobre sua volta, na noite desastrosa que tinha sido o seu aniversário. E ao se lembrar que Sasuke pedira por instruções para o hospital, Sakura apertou o braço de Karin, sentindo suas pernas fraquejar. Por sorte, já estava sentada.

— Por que será que ele estava indo ao hospital? — perguntou. E ela arregalou ainda mais os olhos depois de ouvir as palavras que disse.

— Vamos torcer para que seja uma das amigas dele. — Karin responde, cruzando os dedos.

— Seria melhor dizer: vamos torcer para que não seja nada grave! — lhe beliscou. Karin sempre foi meio desligada com os outros. Era do tipo de pessoa que parecia se importar mais consigo mesma. Não que a considerasse má pessoa; era apenas um costume feio que tinha.

—... Com as amigas vadias dele! — a ruiva revirou os olhos — Confessa, Sah! Você teria um treco se soubesse que seu Itachi quebrou a unha!

Ela não respondeu por que não queria confessar que realmente fosse essa pessoa egoísta que Karin sutilmente sugeria. Tudo o que fez, foi pegar o celular do bolso e ligar para o namorado, que atendeu a ligação imediatamente.

— Aconteceu algo? — Sakura mal deu chance dele atender a ligação, sem reparar que ele respondera ao primeiro toque.

— Eu que pergunto... Por quê?

— Estou na praça com a Karin, e seu irmão acabou de passar pedindo por instruções para o hospital... Achei que pudesse ter acontecido algo...

— Como é que você sabe que é o Sasuke?— ela percebeu o tom de preocupação que ele adquiriu ao ouvir o nome do irmão.

— Eu não mencionei que estava com a Karin?

— Ah, sim! Me desculpe... Ah, merda! Então ele já chegou... Eu te ligo mais tarde. — e então, ela ouviu aquele “tu-tu-tu” irritante vindo do outro lado da linha.

Sakura ficou olhando para seu aparelho nas mãos, se perguntando como ele pôde ter desligado sem ao menos lhe dizer que estava tudo bem. O cretino sequer havia lhe respondido.

— Você já disse a ele que sabe algo sobre o Sasuke? — Karin perguntou.

— Não... Mas ele deve suspeitar que já tenha ouvido os boatos. — deu de ombros.

E Sakura não fazia a menor idéia de qual seria a reação do Itachi quando, efetivamente, soubesse que ela tinha ouvido algo sobre as peripécias intragáveis do seu irmão. Não era de se admirar que ele não gostasse mesmo de falar sobre a família — se tudo for verdade, isto é. Mas, assim mesmo, ela desejava que ele pudesse se abrir mais com ela. A garota queria poder ouvir tudo aquilo da própria boca dele, por que ela não era de acreditar em fofocas.

Notas finais
Algum comentário?
Sim, eu tenho que dizer que o Sai, das minhas fics, são coreanos... não sei por quê! Acho que, para mim, ele sempre vai ser coreano... -.-'