Reverso
13 ♦ Capítulo 13
Notas iniciais
Reverso
By Amanur
Capítulo 13
...
Quando Sakura tinha seus quinze anos, ela gostava de sair à tardinha para correr. No início, ela fazia isso para fazer de conta que estava fugindo de casa. E quanto mais longe seu fôlego lhe permitia ir, mais independente ela se sentia. Por que a família tem esse problema!, pensava; ela cria esse vínculo dependente entre os indivíduos. A mulher depende do homem para se manter protegida, o homem depende da mulher para manter a casa unida, e as crianças dependem dos dois para sobreviver, até poderem criar sua própria família.
Mas o que ela estava mesmo tentando entender é que, depois que tirou a idéia estúpida de fugir de casa, a garota passou a correr por outro motivo. A sensação de independência se transformou em sensação de liberdade! E aquilo meio que a viciou. Ela se sentia como se pudesse voar. Sentir o vento batendo contra o rosto daquele jeito era maravilhoso. Ver as casas, os prédios, as árvores e as pessoas passarem por ela àquela velocidade, eram quase como se tivesse adquirido asas e deslizasse pelo ar. Ela sorria enquanto corria.
E agora, ali, na garupa do Sasuke, ela entendia por que ele parecia gostar tanto da sua moto.
Ela não quis saber para onde ele estava a levando. Ela estava mais interessada no passeio, no vento e na paisagem passando por ambos a toda velocidade. Mas estranhou quando ele parou num posto de gasolina em outra cidadezinha, fronteira com a capital.
— Aproveite agora para ir ao banheiro ou beber algo, enquanto eu dou uma calibrada nos pneus e ponho mais gasolina. — ele lhe diz.
Na verdade, ela achou que ele tivesse dado aquela parada só por sua causa. Pois pelo painel, ela via que ele ainda tinha bastante gasolina no tanque. Deu de ombros, e foi comprar uma garrafa de água mineral na loja de conveniência do posto. Quando voltou, ele estava encostado na moto, fumando um cigarro. E percebeu que ele parecia mais cansado e abatido do que quando saíram da sua casa.
E realmente, Sasuke não se sentia tão bem quanto antes. Mas não seria uma gripe que o impediria de seguir a diante com o esquema que havia planejado em sua cabeça.
— Quer água? — Sakura perguntou, tirando-o de seus devaneios. E ele apenas fez que não com a cabeça, cuspindo a fumaça para o alto.
— Ok, escuta... O Itachi gosta de motos também. — ele lhe disse.
— Sério? — e ela suspeitou. Pois sempre via seu namorado num sedã preto. E nesse mesmo sedã a levava para passear.
— Uhum. E ele se interessa por mulheres que curtem corridas. Mas preste atenção! Não estou te dizendo para se forçar a gostar de nada, nem se transformar em outra pessoa... Só te trouxe aqui para você experienciar um pouco a coisa toda, ver como funciona. Quem sabe assim, você entenda mais sobre ele. Sacou?
— Hummm. Entendi... — ela ainda estava meio desconfiada, mas ele não parecia estar de brincadeira. Como havia muita coisa sobre o namorado que desconhecia, resolveu não descartar a possibilidade, por mais absurda que pareça. Afinal, se não tivesse passado por tudo que passou com o Sasuke, ela também não acreditaria que ele pudesse ser, na verdade, outra pessoa — Então... Para onde estamos indo?
— Estamos a 30 quilômetros. Mas uns trinta minutos, e chegaremos lá.
— E o que tem “lá”? — quis saber.
— Uma corrida.
— Uma racha? — perguntou, cruzando os braços.
— Hum?
— Nada. — revirou os olhos — Isso não é perigoso não?
— E o que hoje em dia não é perigoso? Andar no parque à noite é perigoso. Tomar banho no mar pode ser perigoso. Andar de ônibus é perigoso. Até atravessar a rua pode ser perigoso! Se fossemos deixar de fazer alguma coisa pelo risco que ele representa, ninguém sairia de casa, não é mesmo?
— Sim, mas existem níveis de perigo! E as rachas estão em um nível bem mais elevado do que atravessar uma rua, Sasuke!
— Aí é que você se engana! Muito mais gente morre atropelada, do que em um racha!
— Por que a proporção é diferente! Existe muito mais gente andando nas ruas, do que fazendo rachas!
— Ah!... — ele olhou para o lado, pensando em algo. Quando viu que ela tinha razão, desistiu. Sasuke tentava ignorar os riscos do que fazia convencendo-se de que o que fazia não era umas das coisas mais arriscadas do mundo, para amenizar sua consciência, mas agora, sob esta nova perspectiva, já não mais acreditava naquilo. Agora, se julgava um ingênuo estúpido. — Droga! Não tinha pensado nisso...
Ele ficou pensando por mais um tempo sobre as coisas que deveria ter pensado mais a respeito, mas que, por pura teimosia e, talvez, egoísmo, ele não quis perceber. Mas agora era tarde para voltar atrás e reparar alguns de seus erros.
E Sakura percebeu que ele mudou de humor. Só não entendeu bem por quê.
— Mas não importa! — ele disse sem muita convicção — Foi você mesma quem disse que o importante é fazer o que se gosta, não foi mesmo?
Bom, ela disse isso sim! Sakura só não sabia que ele colocava a vida em risco para isso...
A primeira coisa que fizeram, quando chegaram a tal cidade, foi procurar um restaurante. Ela, pelo menos, estava faminta a ponto de devorar uma galinha inteira. Mas desde a parada no posto, não trocaram muitas palavras. E talvez ela devesse admitir que fosse meio estranho estar ali, com ele. Almoçavam como se fossem dois amigos. O que na verdade não eram. Certo?, se perguntou. Somos apenas dois negociantes estranhos, cada um com interesse no pertence do outro!, tentou se convencer. Afinal, ela apenas queria o irmão dele, e ele sua amiga. Ela não tinha nada mais a ver com o Sasuke, e vice versa.
Ou, pelo menos, é como deveria ser. Só que não era. Ela ainda queria saber por que ele lhe tirou daquela festa; por que mentiu sobre ela ter se trocado de roupa, quando ela
se lembrava bem que tinha sido ele; por que ele havia cortado a própria mão; e por que diabos ele estava suando tanto! Se ele estava com calor, que tirasse a bendita jaqueta de couro!, resmungou para si mesma.
— Você está bem? — resolveu perguntar, enquanto cortava a salada de seu prato, casualmente como quem não estivesse se importando muito com nada. Só para manter as aparências...
— Estou. — ele diz, fungando o nariz, após meter um pedaço de peixe na boca — Só estou com a bunda meio dolorida por causa da moto.
Na verdade, ele sentia o corpo todo latejar. Mas sua bunda, nem tanto. Afinal, estava acostumando a andar por horas a fio, direto, sem fazer paradas, em cima das rodas. Contudo, talvez, aquela corrida não fosse uma boa idéia para ele agora, que o vírus da sua gripe estava reagindo à movimentação que ele fazia. Sem mencionar o sol forte que lhe afetava diretamente.
Mas já que ele mesmo estava dizendo que estava bem... Quem era Sakura para duvidar? A bunda da garota também meio que dolorida e, por isso, acreditou no que ele dizia. Então, ela continuou sua refeição em silêncio, até se lembrar de outra coisa a comentar. Algo muito mais importante deveria ser dito.
— Me diga quando estiver tudo bem para voltarmos a falar do seu pai, ok?
— Hãn?
— Na última vez em que nos falamos você disse que havia... — ela olhou para os lados para ver se alguém os escutava. Mas as mesas a volta deles estavam vazias —... Matado seu pai. Mas eu não acredito nisso.
Sasuke ficou olhando para ela sem piscar os olhos, mastigando lentamente o que tinha na boca, pensando em algo. Ele não esperava que ela fosse tocar naquele assunto. Não espera sequer que ela tivesse perdido algum tempo pensando naquilo. E não sabia se isso era bom ou ruim. Mas depois que engoliu, o rapaz começou a rir. E ela ficou sem entender qual era a graça.
— HAHAHA! E posso saber por que você não acredita?
— Por que você não é mau. — deu de ombros. Ela enxergava aquilo tão claramente quanto poderia ver uma moeda ao fundo de um copo com água.
— Hehehehe! E eu não sou mau, você diz! E o que você sabe sobre mim? Você não sabe nada!
— Sei que você não é mau. — ela insistiu. Sakura sabia muito bem qual era a definição de bom e mau. Ela pegou seu copo de água para molhar a garganta seca, simplesmente, como se o que ele acabara de dizer não fosse mais que o óbvio.
De repente, o humor de Sasuke foi embora, e agora ele a olhava com mais seriedade. Pois não gostou num um pouco de ser duvidado.
— Eu matei ele! — ele lhe disse com mais determinação. Nem piscou os olhos, como se fosse lhe convencer daquilo.
— Eu não acredito.
Ele suspirou pesadamente.
— Ok, deixe-me contar como aconteceu! O médico me deu a notícia de que ele teria só mais uns dois meses de vida. E o babaca deixou em MINHAS mãos para decidir o que fazer com aquela notícia. Era óbvio o que eu faria! Eu resolvi contar a ele por que eu queria me livrar dele! E eu sabia que dar aquele diagnóstico só pioraria a situação do velho, e foi exatamente o que aconteceu! O velho surtou e teve uma parada cardíaca... — Sasuke fez uma pausa, para engolir o gosto amargo que sentia na garganta — Ele não aceitava a morte. Ele queria viver... Foi assim que o matei. Eu fiz de propósito, Sakura. Eu matei ele! — ele trincou os dentes. Olhava no fundo dos olhos verdes da garota e respirava profundamente, como se estivesse sem fôlego.
E Sakura teve que admitir para si mesma que suas pernas estremeceram. Apoiou as duas mãos sobre a mesa, e olhou para o seu prato, sem saber o que dizer ou pensar. E lá foi ela, entrando em processo de negação outra vez. Ela queria negar o que estava a sua frente, por que não podia acreditar que ele fosse essa pessoa má que ele queria parecer. Deveria ter alguma explicação mais sensata por trás daquilo tudo!
Mas ali, ele pensava: tenho três tipos de amigos! Naruto e Neji se encaixam na categoria de “parceiros para cair no porre em festas”. Juugo, Deidara e Hidan, são os amigos “para fazer racha” — sendo que com esses dois últimos ele mantinha uma relação meio que de amor e ódio! E a Ino e Hinata que são suas amigas coloridas, “parceiras para o sexo”. Apesar de nunca ter conseguido ir além de uns amassos com a Hinata, pelas costas da Ino. E digamos também, do irmão...
Sasuke não tinha ninguém para falar dos seus próprios problemas. Nem nunca teve! E sempre quis manter distância desse tipo de amizade por que nunca acreditou nos benefícios dessa relação. Se a pessoa inventar de se rebelar contra ele, Sasuke acreditava estar fodido, por que essa pessoa saberia demais ao seu respeito. Além disso, sempre acreditou que cada um tivesse seus próprios problemas, e isso já bastava. Não há por que ficar enchendo o outro com os próprios dilemas, e dores de cabeça também. Cada um sabe de si. Para Sasuke, é cada um por si.
Além disso, havia outro motivo para tal situação. Ele não é bom em expressões! Sabia fazer caretas ótimas quando estava no banheiro, mas quando precisava se expressar com palavras, a coisa mudava completamente para o rapaz. Ele conseguia entender perfeitamente o que rolava na própria cabeça, mas quando precisava tirar as idéias da cachola, elas nunca saiam do jeito que deveriam, e isso sempre acabava dando em merda. As pessoas o entendem mal... Então, para resolver esse “problema”, ele ficava calado. Não dizia nada a ninguém e nem perguntava nada a ninguém. Era tão mais fácil!
Mas surpreendentemente, cá estava ele, despejando tudo para a Sakura. E o mais impressionante mesmo era perceber que as palavras saiam fáceis, sem problema algum. Conversar com ela era realmente fácil. Era estupidamente fácil.
Talvez fosse por que ela estava ali, realmente presente na conversa, prestando atenção ao que ele dizia sem revirar os olhos, como noventa e cinco por cento das pessoas faziam quando fingiam que o ouvia.
— Eu tinha dezesseis anos quando voltei da Itália. Meu pai não estava em casa, quando sua secretária me deixou em casa com as minhas malas. Naquela época, ele era casado com uma mulher mesquinha, meio neurótica, que detestava a mim e ao Itachi com todas as forças. Não lembro onde estava o nosso pai, naquele dia, mas ela estava mexendo nas coisas particulares dele, quando entrei no escritório para avisar que havia chegado. Assim que me viu, ela pirou e começou a falar um monte de coisas sem pé nem cabeça sobre a nossa mãe. O detalhe é que o Itachi e eu havíamos crescido acreditando que nossa mãe foi quem havia nos abandonado, por que não queria ter filhos, não queria responsabilidades... — ele fez uma pausa olhando bem para ela, para ter certeza de que não estava a entediando. Mas Sasuke percebeu que ela parecia cem porcento concentrada em seus olhos e lábios, absorvendo cada palavra que ele dizia — E essa esposa do meu pai tinha raiva dele, por ter feito vasectomia para não ter mais filhos. Por que ela era louca para engravidar. O Itachi diz que ela só queria filhos para ter direito a algum dinheiro do meu pai, mas, enfim... — suspirou — Bom, ela encontrou uma carta da nossa mãe pedindo para voltar para casa, por que sentia nossa falta, e não queria dinheiro algum em troca, e ficou esfregando aquele papel em minha cara... Mas imagine um garoto de dezesseis anos, revoltado com tudo, e principalmente com a mãe que o abandonou quando era bebê, sabendo disso! Eu nunca fiquei tão puto em toda a minha vida! E fiquei mais fulo ainda por ver que a carta estava datada há um ano, e nunca ficamos sabendo de nada! Soubemos por acaso, e através daquela megera mesquinha.
— Mas por que ela fez isso? — ela o perguntou. Sasuke deu de ombros.
— Sei lá. Para se vingar do meu pai! Talvez por ciúmes também. Imagine uma mulher revoltada encontrando uma carta escrita por outra para o seu marido, tão passional, e praticamente implorando para voltar para ele!
— E o que aconteceu depois?
— A primeira coisa que eu fiz foi esfregar aquela carta na cara do Itachi. Por que ele culpava a mim, por nossa mãe ter ido embora. Ele achava que se eu não tivesse nascido, ela teria continuado a viver com eles.
Sakura pôs a mão sobre a boca para conter a surpresa, por que ela não esperava por essa. Ela não fazia idéia do que acontecia com a família do seu namorado, e se sentiu estranha por estar sabendo daquilo tudo, tão de repente. Só que Sasuke começou a se arrepender de ter começado a contar aquilo, por que ela parecia ter ficando com pena do rapaz, e não era essa a reação que Sasuke queria causar. Nem de longe! Tudo o que ele queria é que ela entendesse por que havia tomado aquela decisão, e matado aquele velho. Ele queria fazê-la acreditar nele. Queria que ela o levasse a sério. Queria que ela visse que ele tinha motivos suficientes para desejar a morte dele.
Mas Sasuke, sem querer, se exaltou com a história e, agora, ao vê-la daquela forma, percebeu que aquilo estava perdendo o propósito inicial que tinha. Mas esse não era o único motivo que ele tinha para querer acabar logo com aquela conversa também. Ele estava sentindo que suas dores no corpo estavam voltando com força total, e já não estava mais se sentindo confortável naquela cadeira de madeira do restaurante que encontraram.
Ele pediu para que o garçom lhe trouxesse mais um copo de suco de laranja, pela vitamina C. Mesmo sabendo que não iria curar a sua gripe de um gole para o outro, é claro, achou que, talvez, o suco lhe desse forças suficiente para encarar a corrida — que não estava disposto a perder por motivo algum!
Bebeu o suco praticamente em um só gole, assim que o cara trouxe o copo. O garçom mal tinha virado as costas, e Sasuke já havia secado o copo. E Sakura o olhava com uma mistura de dúvida e curiosidade. Ela ainda queria saber como aquela história tinha terminado.
— Resumindo: como eu sempre digo, nossa família sempre viveu em um triangulo odioso. O Itachi me odiando, eu odiando o meu pai, e ele odiando a todos nós...
— Mas o que significa aquela carta? Por que ela pedia para voltar? Seu pai tinha mentido? É isso? — Sakura quis saber.
— Claro. Tudo o que ele fez na vida foi enganar as pessoas. Não sei se você sabe, mas a pensão que se paga a uma mulher vai de acordo com a quantidade de filhos que eles têm. Foi por isso que ele fez vasectomia. Ele deve ter surtado quando soube que iria ter mais um filho, e a expulsou. Ele só se importava com o dinheiro e sua reputação, por ser o segundo empresário mais rico do Japão. E ele era um conservador, que gostava de manter a tradição da família meio italiana de músicos. Meu tio toca saxofone como ninguém! Minha própria avó era ótima no violino, e queriam alguém que fosse o gênio do piano. Hehehe. Mas se deram muito mal!
— Não tem graça, Sasuke...
— Para mim tem. Se eu não rir dessa história, vou fazer o que? Chorar?
Ela suspirou, empurrando seu prato vazio para o lado, enquanto Sasuke não tinha conseguido nem tocar a metade do seu. Parte por causa daquela conversa que era de tirar o apetite de qualquer um, e parte por causa da gripe que sugava suas energias.
Mas Sakura ainda tinha seu turbilhão de pensamentos a incomodando, e precisava fazer mais uma pergunta.
— E o Itachi ainda o odeia? — ela questionou.
Essa era uma boa pergunta, que ele não fazia idéia de qual seria a resposta. Mas também não se importava. Não iria mudar sua vida em nada! Iriam continuar vivendo com o fardo de carregar todas aquelas memórias destrutivas pelo resto de nossa existência. Ou a falta dela, no caso do Sasuke.
Ele deu de ombros, chamando o garçom para atendê-los, e pediu para que trouxesse a conta. Assim que o servente entregou a pasta de capa rígida, os dois se levantaram da mesa. Seguiram até o caixa, e Sasuke pagou toda a conta. Sakura protestou, e tentou pagar a sua parte, mas Sasuke a mandou tomar no cu por que ela estava o atrapalhando. Só que a idiota ainda tentou lhe empurrar seu dinheiro, e acabou a mandando para a puta que pariu também, por que ele não precisava do dinheiro dela! Afinal, dinheiro na sua conta, era o que não faltava. Ainda. Uma das coisas que Sasuke jamais entenderá sobre seu pai é o fato dele sempre ter lhe dado dinheiro para o que quisesse. Não entendia por que seu pai o mimava, apesar das milhares de ameaças que já recebera. Talvez, acreditava ele, seu pai o quisesse ver rastejar aos seus pés pedindo por algo, quando tirasse tudo o que Sasuke tinha. Apenas pelo puro prazer de humilhá-lo em público.
Sakura ficou emburrada, é claro. Quando ela pensa em independência, seu pensamento engloba todas as formas que aquela palavra poderia exprimir. Independência emocional, independência física, financeira, moral... Mas resolveu não dizer mais nada para ele. Até por que o jeito nada sutil dele meio que a intimida ainda.
E assim, voltaram para o estacionamento do restaurante para subirem de volta na moto. Enquanto ele metia o capacete na cabeça, ele resolveu perguntar:
— E agora? Acredita que eu o matei?
— Não!
— Hãn?
Ela estava sorrindo para ele cheia de convicção. Tinha certeza de que ele estava apenas distorcendo sua própria história por algum motivo, que ainda haveria de descobrir.
E ele se perguntava: Mas que porra é essa? Ela é surda? O que diabos ela pensa?
Ele estava indignado. Por acaso a sua infância perdida para a escravidão ao piano; as histórias mentirosas de que sua mãe era uma louca desvairada que simplesmente havia os deixado por que não gostava dos filhos, quando não era verdade; toda a raiva e rancor que o Itachi tinha por ele por causa dessas mentiras; o sufoco que passavam toda vez que ele trocava de mulher; e a obrigação que tinham de fazer o que ele sempre queria, não eram motivos suficientes para alguém desejar a morte de outra pessoa? Não era suficiente até mesmo, para se tornar a causa de morte desta outra pessoa? Sasuke realmente não entendia o que ela estava pensando.
Talvez não devesse mesmo se importar com o que ela pensasse, mas que aquilo era irritante, isso era, e não podia negar! Por que era como se ela estivesse lhe tirando para criança. Mas ele sabia que não era, por que aquilo era sério. Muito sério! Só ele e o Itachi sabem o quão sério e tenso foi viver uma vida sem liberdade de escolhas. Sem a porra do livre arbítrio...
Fale com o autor