Revenge: O preço
47 Capítulo 47 - Fraqueza
Notas iniciais
Uma dia antes de irmos a Grenoble assinarmos os últimos papeis e de uma vez por todas deixar David em minhas mãos, decidimos passar a tarde em Notre-Dame, cada minuto ao lado de Emma me fazia mudar de estratégia, depois de uma noite mal dormida mergulhada em pensamentos, decidi que uniria sim nossas empresas, assim se David ousasse chegar perto de mim ou da própria filha eu o tinha em minhas mãos, tenho certeza que para não perder a Dreams ele nos deixaria em paz.
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Regina: Okay senhorita já estamos chegando e você ainda não explicou o porque de está levando esse vinho... — encarei a loira enquanto segurava sua mão sem pudor -
Emma: Você nunca suporta não saber o que vai acontecer não é? — Emma me encarou com um sorriso suave e esnobe, arqueei a sobrancelha lembrando-a que por mais que eu estivesse...arg...apaixonada, ainda tinha senso. — Prometo que vai gostar meu amor!
O taxi nos deixou na magnifica Ilha de la Cité, um lugarzinho incrível que ficava atrás da catedral de Notre-Dame e ao lado do rio Sena, caminhamos de mãos dadas até a margem do rio e sentamos largadas, quem nos via cheias de amor jamais poderia imaginar as trevas que nos rondava.
Regina: A catedral é muito linda! Sabe o que ela me faz pensar?
Emma: Na ligação que ela tem com o estilo gótico? Na belíssima historia que envolve sua homenagem a nossa senhora?
Regina: Na verdade eu ia dizer que me faz pensar naquele filme... o corcunda de notre-dame, nossa, aquele cara sofreu. — os olhos da loira quase saltaram de seu rosto, Emma me olhou buscando algum indicio de sarcasmo ou ironia, mas tudo que viu foi minha expressão séria, era inacreditavel pra ela me ver sendo apenas... Regina. -
Emma: MEU DEUS!!! Regina Mills falando coisas aleatórias? estou realmente muito chocada. — sua gargalhada era quase incontrolavel, por um segundo me animei por parecer uma idiota... apenas por um segundo. -
Regina: Como você é idiota! — revirei os olhos tomando mais um gole do vinho. -
Emma: Uma idiota completamente apaixonada por você! sua mão esquerda veio na direção do meu rosto levando meu cabelo para trás da orelha, nossa proximidade era romanticamente perigosa. -
Regina: Emma! — levantei minha cabeça encarando-a fazendo com que a loira apenas assentisse que estava prestando atenção. — Você disse uma vez que eu não tinha sentimentos como as outras pessoas... ainda acha isso?
Emma: Você é egoísta, irritante, convencida, estressada, tem esse seu jeitão de superior mas... trocou Kristin por essa sua vingança, pelo que entendi dedicou sua vida inteira a isso e agora desistiu por mim, por nós. Você não tem sentimentos como as outras pessoas, tem algo muito mais especial e único. — sorri dando-lhe um beijo demorado, segurei seu rosto e senti aquelas ridículas borboletas em meu estomago outra vez, malditas borboletas. -
A confiança que aquela loira tinha em mim fazia com que eu mesma passasse a acreditar que realmente era boa, que eu tinha mesmo um coração e que não o arranquei e arremessei fora, mas apenas o escondi dentro de uma caverna de pedra para que meus planos fossem até o fim. Se aquela mulher a minha frente foi capaz de fazer meu coração voltar a ser de carne, então não teria mais nada que o endurecesse outra vez.
Seu pai acabou com minha vida, mas agora vejo que se tivéssemos crescido juntas ainda sim teríamos nos apaixonado, me dói pensar que David tirou-me o direito de apresentar Emma como minha mulher. Construiremos uma nova vida, a levarei para longe daquele assassino, e sim, Emma nunca saberia do que seu pai fora capaz, teria que ser forte e conviver com essa dor, com esse ódio, com essa minha imensa vontade de...vingança.
O sol se pôs divinamente dando espaço para as luzes dos barcos, das pontes, da catedral e de todos os lugares daquela linda Paris. Repousei o vinho que fora bebido na própria garrafa, violonistas começavam a tocar lindas canções, levantamos tranquilamente e caminhamos até a frente da catedral onde muitas pessoas se divertiam ao som dos instrumentos. O sorriso de Emma e seus olhos brilhantes eram fora do comum, a loira me puxou para dançar entre as pessoas e sem nenhuma noção do ridículo apenas aceitei, ficamos uma música inteira pulando junto de vários...arg...desconhecidos. Decidi parar e apenas admira-la, não podia machuca-la ainda mais, queria aquela sensação de felicidade uma vida inteira, senti um palpitar diferente em meu coração, não queria mais acordo nenhum, não queria David próximo, não queria mais ter de encara-lo e precisava contar isso a Emma, ficaríamos o resto dos dias em Paris e se possível a vida toda naquele sonho.
Puxei-a pela mão deixando-a de costas para a multidão, sentia minhas mãos tremerem, quão louca eu poderia estar? Doze anos estavam prestes a serem esquecidos de uma vez por todas, dezessete anos sem meu pai estavam prestes a serem...perdoados? Eu sei que meu pai faria de tudo para me ver feliz, proteger Emma daquele maldito também era válido não era?! Tinha de ser!
Regina: Acabo de tomar uma decisão. — o barulho da música e das risadas era alto, aumentei meu tom de voz para que Emma entendesse, segurei suas duas mãos e a olhei nos olhos. — Não posso mais fazer isso, sobre a união das nossas empresas...
Emma me olhava atenta, seus olhos brilhavam buscando entender onde eu queria chegar, por um segundo, por um maldito segundo desviei meus olhos para a multidão e senti meu corpo perder todas as forças em questão de segundos. Não podia ser possível, definitivamente não tinha como ser possível aquela mulher...aqueles olhos assustadores me olhavam com o mesmo jeito julgador de dezessete anos atrás, aquela expressão de decepção constante que ela sempre tinha com tudo que eu fazia, seus lábios que sempre pareciam sorrir mas na verdade só aguardavam o momento certo de derramar seu veneno sobre mim e qualquer pessoa que ela considerasse inferior. Que pesadelo era esse? Estava tudo perfeito, aquela mulher que me olhava...não podia ser minha mãe...não podia ser Cora.
Empurrei Emma para o lado sem nenhuma delicadeza e apressei os passos indo em direção a mulher que ao perceber minha aproximação começou a correr indo em direção as vielas, quanto mais eu acelerava mais sentia minhas pernas perderem as forças, Emma gritava meu nome desesperadamente sendo ignorada, aos poucos a mulher se tornava um vulto, seus saltos pareciam fincar no chão com sua pressa, ela empurrava quem visse pela frente, estava conseguindo me aproximar até que senti um braço forte me segurar e por um segundo que olhei para a loira a mulher já havia sumido pela multidão.
Emma: Ei Ei Ei Fica calma! — a loira me segurou forte pelos dois braços — Regina fica calma, o que você viu? De quem você estava atrás? — a mulher me sacudia tentando fazer com que eu retornasse ao meu corpo, o que naquele instante estava impossivel. -
Regina: Era ela Emma, era ela, eu tenho certeza que era ela. — as lágrimas apavoradas contagiavam Emma que apenas me abraçou forte permitindo me desabar em meu medo que era exatamente o mesmo que há anos atrás. -
Emma: De quem você está falando? Ei olha pra mim. -Emma apertou novamente meus braços fazendo-me encara-la. -
Ao olhar os olhos claros da loira que não mais estavam felizes como antes senti um forte calor dominar meu corpo, aquele súbito de realidade que tomara conta de mim novamente, respirei fundo umas quatro vezes fechando os olhos com força, eu podia estar ficando louca e esse era meu maior desejo no momento, mas... mas se eu estivesse certa, se aquela mulher que nos observava fosse mesmo Cora? E se ela tivesse me visto beijar Emma? Mamãe sempre me achou fraca, indefesa, ingênua... Me tornei alguém insuperável, e aquele era um sinal. Não podia me esquecer assim tão fácil de tudo. Abri meus olhos e encarei Emma exatamente igual a primeira vez que nos vimos, com tesão, com ódio, com frieza.
Regina: Desculpe! Acho que no fundo eu sinto falta dela, da minha mãe! — a loira pareceu assustada, mas tentou relevar aquilo naquele instante. -
Emma: E porque isso? De quem você estava atrás?
Regina: De ninguém, por um instante lembrei-me dela e do seu maldito bilhete de despedida e acho que surtei por um momento. Desculpe, isso não acontecerá outra vez. — falei baixo, quase em sussurro sem encara-la.
Emma: Eu sinto muito meu amor! — seu abraço sempre era minha cura, quão bem me fazia aqueles braços quentes e fortes. — Você está mesmo bem? — a loira segurou fazendo-me olhar em seus olhos outra vez. -
Regina: Eu te amo Emma Swan! — foi tudo que consegui dizer antes de sorrir e beijar a minha... mulher?! Talvez esse seja a única forma que posso chama-la no momento. Nos beijamos com doçura e aquilo trouxe de volta um pouco da minha calma. Sorrimos e caminhamos na direção contraria na qual a mulher sumiu, de mãos dadas. -
Emma: Então, o que você ia mesmo me dizer? Tinha algo haver com nossas empresas.
Regina: Não era nada importante, é que, o último documento que falta será assinado amanhã em Grenoble, quero fazer isso logo para aproveitarmos mais um pouco. — sorri esperançosa de que Emma acreditasse, e para minha sorte, ela o fez. Não queria perder Emma por uma vingança, mas depois do que acabara de acontecer, sim, eu teria minha garantia. -
Caminhamos em direção ao taxi trocando beijos, empurrões e caricias, embora estivesse feliz ali, por dentro ainda sentia o temor que a situação anterior havia me causado. O que parecia é que a única saída desse caminho que escolhi seria acabar de uma vez por todas com David Swan.
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