Revenge: O preço
19 Capítulo 19 - Only Truth
Notas iniciais
Sai da empresa já eram quase cinco, não vi o tempo passar em meio a tantas reuniões para decidirmos os catálogos de férias da OceanTur, cheguei em minha cobertura e mal acabara meu café a campainha tocou.
Kristin: Achei que me esperaria com algo mais casual, Mills. – a loira me encarara com seus olhos claros e sempre insinuosos, estava magnifica com uma calça social preta, um scarpin bico fino e um casaco de frio marrom claro. –
Regina: Digamos que eu me atrasei um pouco. Entre. – dei espaço a deixando entrar. –
Kristin: É bem a sua cara. – disse fitando todo meu apartamento e tirando seu casaco o largando no sofá. – Esse design magnifico me soa familiar, poderia arriscar dizer que foi inspirado em Philippe Starck. – a mulher virou-se para mim sentando-se no sofá e cruzando as pernas. –
Regina: Na verdade, foi o próprio. – sorri para ela enquanto abria a tal garrafa de vinho que havia trazido de Miami. – Agora me fale de você, tenho certeza que em nove anos muitas coisas aconteceram. – sentei do lado de Kristin de frente para ela a entregando uma das taças cheia do vinho. –
Kristin: Vamos ver, depois que troquei de universidade para nunca mais vê-la achei que não suportaria aquela dor, mas aos poucos fui me fortalecendo e amadurecendo, passei a trabalhar em uma grande revista, fui para a Holanda fotografar e conheci Úrsula, uma empresaria milionária que estava a patrocinar a revista, nos apaixonamos e casamos, desde então viajo o mundo com minha mulher vivendo todas as experiência possíveis. Úrsula me tornou quem sou hoje. – a mulher falava fazendo inúmeros gestos, ora sorrindo ora séria pelas lembranças em partes, ruins. –
Regina: Minha nossa, você conseguiu! – sorri enquanto a encarava docemente. – Conhecer o mundo sempre foi seu maior sonho. – completei bebericando meu vinho –
Kristin: Não foi a mesma coisa conhecê-lo sem você. Regina, não houve um dia se quer que não pensei na sua promessa: viajar comigo ao redor do mundo. – seus olhos tristes mostravam a decepção de uma promessa quebrada. –
Regina: Kristin, você realizou seu sonho com alguém que a mereceu bem mais do que eu. Devia ter me esquecido assim que saiu por aquela porta. – engoli a seco, bebendo todo o resto do vinho de uma única vez.
Kristin: Talvez um dia você saiba que quando amamos alguém de verdade, não importa quantos anos passem, com quem você se case ou onde você esteja, sempre irá lembrar. Mas enfim, querida Mills, sua vez. – pegou a garrafa de vinho e encheu novamente nossas taças, suas risadas lutavam para esconder suas lembranças dolorosas diante da mulher que tanto a feriu. –
Regina: Me formei em administração e turismo a pedido de meus avós, eu era a única Mills para assumir a OceanTur, eles morreram poucos anos depois que você fora embora, aprendi tudo na prática e sozinha. Não me casei, nem se quer namorei direito, minha prioridade foi meu império de viagens, apenas. – fitei as enormes vidraças atrás da loira lembrando-me de tudo que me acontecera durante os noves anos em que aquela mulher esteve fora da minha vida. -
Kristin: E sobre seus planos Regina? Aqueles que a fizeram abrir mão de seus amigos e de mim. Antes de ir embora outra vez eu tenho o direito de saber o quê de tão importante à fez se tornar... isto. Não acha? Você apenas falou-me em justiça e vingança, seu pai, nunca entendi. – a mulher segurou meu rosto com uma das mãos para que eu a olhasse, sua expressão mudara e a minha também, tentei levantar-me, mas a mesma me impediu, de fato, ela merecia saber, eu confiava em Kristin mesmo essa não sendo mais a mesma por quem me apaixonei. –
Regina: Lembra do cara que foi preso por sabotar o carro do meu pai? – ela assentiu. – Houve um homem que o mandou cometer esse crime, por dinheiro e mais poder. No meu aniversário, depois que comemoramos juntas e voltei para casa, minha avó entregou-me uma carta de minha mãe que dizia toda a verdade, ela não me abandonou, mas sim fugiu para se proteger deste homem. Bom, ele tirou meu pai, minha família, minha vida e estou em StoryBrooke para cobrar o que ele me deve. Desde que soube de tudo sinto o ódio me consumir e me sufocar a cada dia, e só seguirei em paz quando ele pagar pelo que fez. – fui seca em cada palavra, meus olhos pareciam chamas de um ódio acumulado há onze anos. –
Kristin: Meu Deus Regina! Você deixou esse desejo por vingança te consumir... – seus olhos encheram-se de lágrimas, aquilo não era a verdade que ela esperava ouvir, aquela não era a Regina que ela esperava ver. –
Regina: Não Bauer! Esse desejo de vingança é que me manteve viva durante todos esses anos. – lágrimas solitárias ousaram descer de meus olhos, a loira as enxugou antes mesmo que eu o fizesse. –
Kristin: Devia ter me contado. Talvez tivesse sido menos doloroso. – a mulher chorava olhando para baixo como se buscasse forças. –
Regina: Tive que ser corajosa e pensar em algo que o fizesse pagar pelo que fez de forma justa. Eu tentei ir em frente, mesmo depois que soube de tudo continuei sendo a mesma garota, mas chegou um momento que não pude mais permitir que tudo ficasse como estava, precisava fazer algo. Você foi o meu preço Bauer, se eu contasse você certamente faria de tudo para que eu desistisse, e eu sei que cederia. – acariciei o rosto da mulher com carinho a fazendo me olhar nos olhos. – Te amava com todas as minhas forças, você era a única coisa que eu amava e isso me fazia boa, e a bondade me fazia fraca. Você foi o que a vida cobrou de mim para que eu estivesse aqui agora, muito perto de conseguir o que eu quero. – sorri mostrando-a que talvez tenha valido a pena minha escolha. –
Kristin: O que você pretende? – sua voz sussurrava cada vez mais perto de meus lábios. –
Regina: Você já sabe demais. Mas não se preocupe, não me tornarei uma assassina como ele, foi por dinheiro que ele me destruiu, então é o dinheiro dele que destruirei. – sussurrei cada palavra pela nossa curta distância. –
Kristin me encarara com dor em seus olhos, seu sofrimento também doía em mim, era a primeira vez em onze anos que eu conversava de verdade com alguém sobre meus planos, e conta-la a verdade foi como tirar um peso de uma tonelada de minhas costas. Suas mãos passaram a acariciar os meus cabelos, nossos rostos se roçavam com certa saudade, Bauer aproximou seus lábios dos meus.
Regina: Eu não posso. Ou melhor, não podemos. – a afastei com calma respirando fundo. – Sei que deixamos uma história incompleta, mas vamos preenchê-la com outra pessoa. Ao menos você irá. – sorri docemente para a mulher que me retribuíra o sorriso. –
Kristin: Quão difícil é resistir a Regina Mills. – gargalhamos juntas nos afastando e voltando a sentar como de inicio. – Você tem razão, confesso. Sinto muito por não ter sido capaz de te fazer desistir dessa vingança. – seus olhos queimaram dentro dos meus me causando um enjoo que me fizera levantar depressa. –
Regina: Ninguém me fará desistir da minha vingança. – sorri para Bauer de um jeito esnobe indo em direção a meu quarto. –
Kristin: Nem mesmo Killian Swan? – sua voz soou totalmente irônica. –
Regina: Muito menos Killian Swan. – disse da porta incrédula com aquele absurdo que acabara de ouvir. – Vou tomar um banho, me espere aqui mocinha! – falei de um jeito malicioso que nos fizera rir. –
Senti um alivio enorme após minha conversa com Kristin, tomei um banho breve afim de logo voltar a conversar com a minha mais nova amiga. Ouvi a campainha tocar e sai praticamente correndo vestindo meu roupão, só podia ser Killian e não conseguia imaginar vê-lo conversar mais que um minuto com aquela mulher, infelizmente quem estava na porta era pior do que ser meu namorado. Kristin estava sem sua camiseta o que me deixara bem confusa, Emma a olhava incrédula, seus olhos encontraram os meus com toda a decepção possível dentro deles.
Emma: Desculpe! Eu não devia ter vindo sem avisar, com licença, desculpe. – a loira dizia completamente perdida ora olhando Kristin parada a porta ora me olhando completamente incrédula, vi lágrimas em seus olhos me deixando sem ação. Que diabos ela estava fazendo em minha casa aquela hora da noite e sem nenhum motivo aparente? –
Regina: Emma. Emma espere eu... – tentei explica-la algo que não tinha explicação, nada tinha acontecido, mas depois do que Emma viu na festa, tive certeza que sua mente imaginou o pior. A loira correu para o elevador sendo seguida por Kristin que dizia algo que eu não pude ouvir. – Kristin, deixe-a ir. – foi tudo que consegui dizer alto fazendo a mulher voltar com uma expressão de assustada e me olhando como se esperasse alguma ação da minha parte. –
Kristin: Vai deixa-la ir? Assim? Você faz ideia do que sua cunhada deve está pensando que aconteceu aqui? – Bauer me fitava apavorada apontando para a porta esperando alguma reação de minha parte, qualquer que fosse. –
Regina: Deixe-a ir Kristin. Melhor assim. E ela não dirá nada ao irmão, não pode. – falei ofegante pelo nervosismo que tomava conta de mim, sentia raiva de Emma por ter aparecido justo naquele momento. –
Kristin: Não é Killian, eu sabia. – bateu palma sentindo-se vitoriosa. – É ela. Ela é linda, na verdade maravilhosa, desconfiei desde quando a vi quase babando em cima daqueles olhos verdes na festa. – a mulher sorria como se tivesse ganhado uma grande aposta. –
Regina: É o pai dela. – falei sentando-me no Puff fazendo Kristin se jogar no sofá com os olhos arregalados e a boca semiaberta. –
Kristin: Você não pode está falando sério. David Swan? O coroa mais maravilhoso e milionário, ex-sócio de seu pai, já disse maravilhoso? E pai da mulher que você está super afim? Não pode ser verdade. – ela moldava David com as mãos me fazendo revirar os olhos, joguei a almofada em sua direção ao ouvir sua última frase. –
Regina: Mas é e não se meta nisso, é problema meu e não estou super afim de Emma. – gesticulei imitando a mesma expressão que a mulher havia feito antes a fazendo rir. – E mesmo que eu estivesse depois de hoje ela nunca mais olhará na minha cara, não que eu me importe mas... existe um zilhão de motivos que nos tornam um casal impossível. – falei triste pensando em tudo que estava acontecendo entre Emma e eu, no quanto eu estava precisando daquela mulher em minha vida, espantei a tristeza com um balançar rápido da cabeça. –
O resto da noite fiquei a conversar com Kristin sobre tudo que perdemos da vida uma da outra durante esses nove anos que passara, obviamente a vida de Bauer se passou com muito mais animação que a minha, tive uma noite feliz e alegre como não tinha desde que era adolescente. A mulher foi embora já se passava das duas da manhã, deitei exausta. Emma veio em minha mente me fazendo entristecer em segundos. Porque ela havia ido a meu apartamento? O que ela estava fazendo depois que saiu praticamente correndo? Será que Emma agora me odeia?
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