Revendo Conceitos
7 Novos Tempos Velhas Manias II
- Então você acha que o pobretão está traindo a sabe tudo? – perguntou Blaise descontraído enquanto ele e Draco seguiam para o campo de quadribol – Que idiota.
- Idiota por que, Blás? – Draco parou e olhou para Blaise, desconfiado.
- Oras, a sabe tudo é jeitosinha, Draco. Vai me dizer que você nunca parou para reparar? Aqueles seios, as pernas torneadas, a bundinha empinada... – Blaise falava enquanto parecia se deliciar com cada palavra dita – E além do mais se ele a estiver traindo com quem você acha... Por Mérlin. Ela nem se compara à Granger, e se quer saber, não tem valido um sicle furado.
Draco olhava para o amigo boquiaberto. Fez uma cara de nojo ao ver seu amigo enumerar as qualidades de Hermione.
- Não sabia que prestava tanta atenção assim na sabe tudo, Blás! – Draco respondeu sarcástico.
- Nunca prestei muita atenção nela, mas esse ano ela está diferente! Está... – Blás parou para pensar em que palavra usaria para classificar a castanha. – Gostosa! Vários caras repararam. Me admira você não ter prestado atenção nisso!
- Sei... – disse Draco com um ar malicioso – Vários caras, né? Só me faltava essa! – Draco revirou os olhos e disse divertido – Você se apaixonar pela sabe-tudo!
- Vá se ferrar, Malfoy! – disse Blaise fingindo irritação – Além do mais, eu não me apaixono e você sabe bem disso!!!
Os dois amigos gargalharam chamando a atenção das garotas que estavam próximas ao campo de Quadribol. Algumas suspiraram. Os dois eram uma dupla imbatível. Se Draco estava muito bonito, Blaise não ficava atrás do loiro. O sonserino era negro, alto, olhos meio puxados, com músculos e peitorais altamente definidos.
- Ai meu Merlin! – Draco parou ao olhar para o campo de quadribol. – Todos os idiotas de Sonserina vieram para a seleção? Eu não sabia que ser capitão era tão difícil assim. Aliás, nem sei por que me convidaram para ser capitão. Da última vez foi tão fácil! Meu pai comprou as vassouras e pronto!
Draco olhou para os candidatos com um ar de superioridade e para Blás com uma cara de súplica:
- Tire esses idiotas do campo, Blás. Faça uma pré-seleção, os entregue aos dementadores, faça o que quiser, mas tire-os de perto de mim!
- Mas eu ainda não faço parte do time, Draco! Vou participar da seleção agora, esqueceu? – Blaise respondeu gargalhando.
- Acabo de te nomear o batedor principal. Pronto! Retire todos os idiotas. Volto em meia hora. – E acrescentou ao ver o olhar duro de Blás sobre si – Por favor!
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Draco voltou 45 minutos depois com um sorriso satisfeito no rosto. Levou duas horas para escolher o novo time de Sonserina, mas estava bem satisfeito com suas escolhas, afinal, queria ganhar o campeonato neste ano. Após o almoço, como sempre fazia, foi para o salão comunal dos monitores “passar seu tempo”.
Draco lia um livro de poções avançadas, quando Hermione chegou junto com Rony e Harry. Deu um sorriso de lado e falou com sua voz fria e arrastada.
- Ora, ora veja se não é o “testa rachada”? – Draco sorriu de maneira sarcástica – O que faz aqui na sala dos monitores?
- O que faço, ou deixo de fazer aqui não é da sua conta Malfoy! — Harry falou ameaçadoramente – Já começou a botar as suas manguinhas de fora novamente? Você não estava assim há duas semanas quando chegou triste porque o papai foi condenado a Azkaban.
- É Potter, antes um pai preso do que um pai morto. – Draco sorriu irônico – Realmente meu pai está preso, mas se eu quiser vê-lo é só eu ir à Azkaban... E você? – Malfoy olhava Harry com ódio nos olhos, sua voz estava arrastada e fria e o olhava com ar de superioridade – Me diga, você vai ao cemitério quando quer ver o seu papai, Potter?
Hermione que ouvia o diálogo dos dois de longe se aproximou e segurou Harry ao vê-lo apontar sua varinha para Malfoy.
- Venha Harry, não vale a pena fazer nada com esse aí. Sai daqui agora, Malfoy!
- Sair daqui? Quem estiver incomodado com a minha presença que saia. – disse Malfoy sarcástico – Eu tenho direitos a esse local! – o loiro se deitou no sofá e cruzou as pernas.
- Deixa Mione, vou embora. Volto quando esse ser repugnante não estiver por aqui.
Harry saiu cabisbaixo da sala comunal. Hermione sentiu um bolo na garganta ao ver seu amigo saindo. Foi em direção ao loiro com o dedo em riste:
- Você é um idiota, Malfoy!!! Quem você acha que é para falar dessa forma com os outros? Seu estúpido! – Hermione tremia de raiva. Nunca havia sentido tanto ódio do Draco, como naquele momento.
Draco sorriu de lado, irritar Hermione e seus amigos era, sem dúvida alguma, seu maior passatempo. Olhou em direção à castanha para lhe responder à altura, mas parou ao se lembrar das palavras de Blaise: “Oras, a sabe-tudo é jeitosinha, Draco. Vai me dizer que você nunca parou para reparar? Aqueles seios, as pernas torneadas, a bundinha empinada...” . Draco olhou para a castanha para analisá-la, mas o fez de uma forma tão maliciosa que ela percebeu e corou. “Não é que o Blás tem razão? Ela realmente está uma delícia. Pena que é amiga daqueles dois panacas... Eu até toleraria o fato de ser uma sangue sujo, mas amiga do santo Potter? É impossível!”
Hermione que já estava completamente corada com o olhar de Malfoy, olhou em sua direção e disse ameaçadoramente:
- Seu escroto, nojento!
E saiu da sala, à procura de Harry, deixando Draco visivelmente constrangido, muito mais por ter sido descoberto do que por outra coisa.
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Harry estava sentado em frente ao Lago Negro jogando pedrinhas na água. Sem fazer barulho, a castanha sentou ao lado do amigo e passou a mão pelo seu ombro. Percebeu que o amigo havia chorado.
- Ei, você não vai ficar desta forma por conta daquele idiota do Malfoy, vai? – perguntou Hermione enquanto encostava a cabeça no ombro do amigo – Aquele ali não presta Harry, não vale a pena!
- Não tô assim por conta do Malfoy, de repente bateu uma saudades dos meus pais. Ele tá certo! Meu pai está morto! – respondeu Harry triste.
-Sim, está morto! Mas morreu por você, Harry! Morreu por amor a você! E está perto de você. O pai daquele idiota pode estar vivo, mas não vale nada. É mau, é cruel! – Hermione tentava consolar o amigo – E quem disse que seu pai não está vivo? – ela perguntou enquanto deitava a cabeça de seu amigo em suas pernas. Harry apenas olhou para a amiga que prosseguiu. — Ele está bem vivo. Aqui – pôs sua mão no coração do Harry. – E aqui. – pôs a outra em sua cabeça. — E é isso que importa!
Hermione agora bagunçava o cabelo de seu amigo, que já começava a sorrir.
- Além do mais, Sr. Potter, o senhor tem algo que é muito valioso! É claro que não compensa a falta de seus pais, mas ainda sim, é muito valioso.
Harry a olhou com um sorriso divertido no rosto. Adorava Hermione. A castanha era como uma irmã para o moreno. Continuou olhando como se pedisse para prosseguir.
- O senhor tem a mim!!! – Hermione deu um beijo na testa do amigo – Sua irmã. Ou senhor acha que eu não sei que fica tirando satisfações do Rony fazendo o papel de irmão mais velho?
Harry soltou uma gargalhada, Hermione sabia como fazê-lo sentir melhor. Sentou no gramado em frente à castanha:
- O Ron te contou? – perguntou divertido.
- Sim, quando fomos para a Austrália, e vocês demoraram na Toca. Eu quis saber o que conversaram. E ele me contou, e disse que não era a primeira vez que você se referia a mim como sua irmã. Fiquei tão feliz. – deu um abraço no amigo.
De longe, Gina observava a cena, com um misto de alívio, pois sabia o que tinha acontecido no salão dos monitores, e ciúmes.
- Oi! – Gina disse ao se aproximar dos amigos – Vejo que está bem, Harry! Fiquei preocupada, fiquei sabendo que se aborreceu com o Malfoy e que saiu bem triste.
- Aquele Malfoy é um idiota. Mas o Harry está melhor né? – respondeu Hermione com um sorriso. – Preciso ir, você ficará agora em ótima companhia. – Hermione levantou e deu um beijo na testa do amigo. – Você sabe do Ron? – perguntou sorrindo à Gina.
- Acho que voltou para o salão comunal de vocês. – a ruiva respondeu.
Hermione deu um beijo na cabeça da ruiva que se sentava ao lado do namorado e seguiu em direção à entrada do castelo.
- Que bom que a Mione conseguiu te acalmar! – Gina disse dando um beijo em Harry!
- Ahh sim! Ela sempre consegue segurar minha barra. – Harry disse sorrindo para Gina. Preocupou-se quando viu a namorada baixando a cabeça. – Ei, você está triste? Aconteceu alguma coisa?
Gina fez que não ainda com a cabeça abaixada. Foi quando uma ideia passou pela cabeça de Harry.
- Ginevra Molly Weasley! – Harry exclamou e ao ver a ruiva erguer os olhos, confusa, prosseguiu – Não acredito que você está com ciúmes da Mi!
- Eu? Mas... – Gina não pode prosseguir pois Harry a puxou e deu um beijo de lhe tirar o fôlego. A ruiva abriu um sorriso que foi acompanhado por Harry.
- Mi é apenas uma amiga, Gina, não esqueça nunca disso. Eu a considero como minha irmã.
Gina ficou da cor de seus cabelos. Estava completamente envergonhada por ter pensado na possibilidade de Harry com a Hermione, esboçou um sorriso tímido e com a voz fraca balbuciou um pedido de desculpas. O que foi prontamente aceito pelo moreno, que agarrou a ruiva em um beijo. Ficaram a tarde inteira namorando.
Hermione foi em direção ao salão comunal dos monitores. Só depois se dera conta que, quando saiu, estava apenas Ron e mais duas pessoas na sala que ela não lembrava bem quem era. “Do jeito que aquele Malfoy é perturbado, é bem provável que tenha provocado o Ron. Eu não deveria ter ficado tanto tempo aqui fora”, pensava a castanha.
Hermione chegou afoita no salão comunal, mas não encontrou Rony por lá. Apenas Draco que estava dormindo em um dos sofás. “Mas como esse moleque é abusado” — pensou Hermione — “e lindo” — seu cérebro completou sem que ela desse conta. Hermione se aproximou do loiro lentamente, não tinha a intenção de assustá-lo “Mas dormir aqui já é um pouco demais, apronta com o Harry e depois dorme o sono dos justos”, pensou a castanha ao diminuir a distância entre os dois. Já estava a ponto de tocá-lo para acordá-lo quando Rony entrou na sala, vermelho que nem seus cabelos.
- Está há muito tempo aqui, Mione? – perguntou Rony afoito.
Hermione levou um susto e soltou um grito que despertou Malfoy. Malfoy olhou curioso para ela. “Ela estava perto demais”, pensou o loiro.
- Nossa Rony, você me assustou! Onde estava??
- Fui atrás de você, logo assim que saiu. Encontrei com a Gina e fui te procurar pelo castelo.
- Você não imaginou que eu estaria com o Harry?
- Sim – disse Rony vermelho – Por isso fui procurá-los!
- Mas você não sabe qual é o local para onde Harry vai toda vez que está triste? – perguntou Hermione desconfiada.
Draco, que havia acordado com o grito de Hermione, inclinou levemente a cabeça, atento demais para alguém que fingia indiferença.“Quero ver se sair dessa, pobretão”, pensou divertido.
- Hein, Rony? – Hermione já estava impaciente, não entendia porque Rony estava mentindo para ela. Na verdade nem sabia se o ruivo mentia, mas não estava gostando da postura de culpa que ele estava assumindo.
- Granger, a nossa reunião será hoje à noite mesmo? Ou amanhã? Eu acho que estou confusa com o nosso calendário de reuniões – perguntou Padma Patil que acabava de entrar na sala. Ela lançou um olhar rápido na direção de Rony antes de falar com Hermione. – Não consigo me lembrar o que marcamos. Ah, queria aproveitar e pedir a você que desse uma olhada no relatório que eu fiz.
Hermione lançou a Rony um olhar de “a gente conversa depois”. Foi até a mesa que Padma havia acabado de sentar, para auxiliar a oriental.
- Salvo pelo gongo, pobretão! Quase que a sabe-tudo chega perto... – sussurrou Draco quando, ao sair da sala, passou perto de Rony.
Rony apenas olhou bravo para cara de Draco, não podia fazer nada, para não levantar suspeitas.
A tarde passou rápido e logo chegou a hora da reunião dos monitores. A maioria deles estavam aborrecidos com o excesso de formalidade de Hermione durante as reuniões. Todos torciam para que acabasse logo, pois haveria uma festa proibida na sala precisa. A primeira do semestre e não queriam perdê-la.
- Então é isso. Vamos continuar com as mesmas duplas. – Hermione finalizou a reunião ao ver a cara entediada dos colegas – Alguém tem alguma dúvida?
- Eu tenho! – Draco levantou a mão.
Hermione suspirou e revirou os olhos, não estava com humor para as gracinhas do rapaz loiro.
- Me poupe de suas gracinhas, Malfoy. Pelo menos por hoje. Alguém tem mais alguma consideração?
- Eu tenho! – o loiro continuava com a mão levantada. Olhava desafiador para Hermione.
- Tudo bem! – Hermione respirou fundo – Fale!
- A gente não levantou a questão dos problemas da ronda. Tipo, – Draco olhou na direção de Rony e o ruivo ficou da cor de seus cabelos – alunos fora de suas casas comunais após o horário. Ou alunos se agarrando pelas salas.
Hermione não acreditava no que ouvia. Draco Malfoy se preocupando com a monitoria? “Ou eu ou ele está enlouquecendo”, pensou Hermione.
- Na verdade Malfoy, eu até gostaria de fazer essa pergunta, mas me parece que a maioria está com muita pressa hoje. Mas já que você puxou o assunto, eu gostaria de saber a opinião dos colegas, pois eu não tive problema algum.
-Eu também não. E você, Weasley? – Draco perguntou com a voz arrastada – Viu alguma coisa de diferente?
- Não, Malfoy! – Rony baixou os olhos.
“Bingo!” — pensou Draco enquanto se recostava na cadeira, satisfeito. Pela primeira vez desde o julgamento, sentia que tinha algo realmente valioso nas mãos. “Eu sabia que eu estava certo. -pensou — Agora a questão é: como usar isso ao meu favor?”
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