Revendo Conceitos
13 Consequências
-Como você teve coragem, Ronald? — Harry segurava Ron pelos colarinhos enquanto o prensava na parede – Hein? Como teve coragem?
-Para, Harry – disse Rony desolado – Está me machucando, cara! — Rony era mais alto do que Harry e podia se desvencilhar facilmente do amigo, mas não iria usar de violência com o moreno. Não depois de ter tomado consciência do que tinha feito com Hermione.
-Aposto que isso não está sendo nada em relação ao que você fez com a Mione e com o que eu tenho vontade de fazer com a sua cara. – Harry empurrou violentamente o ruivo.
-Calma, cara.
-Calma o caralho, Ron. Eu te falei sobre a Mione. Eu te falei para cuidar dela, não foi?
-Eu sei, mas...
-Não tem mas, Rony! – Harry passou a mão na cabeça nervoso. Sua mão saiu da cabeça e foi até a varinha que estava no cós de sua calça – A minha vontade é de te azarar. E eu nem sei por que eu não faço isso. Sai de perto de mim antes que eu faça alguma besteira com você.
-Pô cara, me deixa explicar o que aconteceu.
-Eu não quero te ouvir, Ronald. Pelo menos não hoje....
-Mas...
E, sem dizer mais nada, Harry foi em direção ao dormitório deixando Rony falando sozinho.
*****
Hermione voltou para o seu quarto e encontrou Gina boquiaberta, com um pergaminho em sua mão. A ruiva a olhou assustada.
-O que isso significa, Hermione?- perguntou Gina erguendo o pergaminho na direção da castanha. Hermione foi até ela e pegou-o – Esse D.M., por acaso, significa Draco Malfoy?
Hermione apenas abaixou a cabeça.
-O que você está escondendo de mim, Hermione? -Perguntou Gina desconfiada – Eu não estou entendendo mais nada.
-Ahhh Gina – Hermione sentou na cama e pôs a cabeça entre suas mãos – Está tudo tão confuso. Nem sei por onde começar.
-Porque não começa pelo começo? – respondeu Gina mais ríspida do que realmente queria.
-Está bem – respondeu Hermione conformada – Então senta, porque é longo.
Hermione contou à Gina tudo o que se passou desde a hora que flagrara Rony, até sua conversa dias atrás com o Malfoy, incluindo o que passara com seus pais na Austrália, apenas omitiu a história sobre a descoberta do pai verdadeiro de Draco. Sentia-se aliviada por ter compartilhado com alguém tudo o que estava em sua cabeça e em seu coração.
-Então é isso – disse Hermione em um suspiro se jogando em sua cama.
Gina foi até ela e a abraçou. Ficaram deitadas uma olhando para a outra. Gina quebrou o silêncio.
-Nem sei o que dizer, Mi. Estou com muita raiva do Rony pelo o que ele fez, mas não sei o que dizer em relação ao Malfoy.
-Não precisa dizer nada. Eu te entendo. De qualquer forma, já me ajudou bastante me ouvindo.
-E o que vai fazer?
-Sobre o quê? — perguntou a castanha desanimada.
-Em relação a tudo isso, oras.
-Não sei – respondeu Hermione séria. – Mas uma coisa eu tenho certeza! Eu preciso afastar o Malfoy de mim. Ele está confundindo as coisas...
*****
Uma semana se passou desde que Hermione flagrara Rony e Padma Patil em uma das salas de aula de Hogwarts. Durante toda a semana, Hermione mal apareceu nas horas das refeições e só saía de seu quarto acompanhada de Harry e Gina. Carregava um misto de sentimentos: tristeza, vergonha, insegurança...
Havia dito para o melhor amigo que queria evitar um encontro com Ron, mas, pior do que encontrar Rony, na verdade, o que Hermione mais temia era a presença de Draco. Pediu autorização a Minerva para que durante essa semana pudesse deixar de ir às reuniões de monitoria. Embora a diretora não soubesse o que acontecia à sua aluna mais brilhante, prontamente aceitou o seu pedido acreditando que tanta responsabilidade era o motivo de todo o seu cansaço. E, por este motivo, Minerva decidiu antecipar em uma semana a escolha da pessoa que dividiria as tarefas com Hermione.
No fim da semana, Minerva marcou uma reunião com todos os monitores a fim de lhes anunciar o novo Monitor Chefe. Para Hermione, a reunião foi bastante constrangedora: Draco e Rony trocavam olhares de ódio mútuo, Rony a olhava com cara de cachorro pidão e Draco com um olhar esperançoso. Já Hermione apenas olhava para o chão. Sentiu um imenso alívio quando a diretora começou o seu pronunciamento.
-Percebo que avançaram bastante desde nossa conversa inicial – começou Minerva – Três meses se passaram e como eu havia dito a vocês, chegou a hora de lhes apresentar o novo Monitor Chefe.
Nesse momento Hermione fechou os olhos, a única coisa que conseguia pensar era: “Draco não, Draco não... Por favor, Mérlin”. Ela ainda suplicava quando Minerva anunciou:
-Estive reunida com o corpo docente e decidimos que, por tudo que vem apresentando nos últimos meses, o senhor Draco Malfoy é o mais adequado para assumir o cargo de Monitor Chefe, dividindo-o com a senhorita Granger. Aliás, diga-se de passagem que por toda competência demonstrada nesses três meses, ela continua como meu braço direito.
Do outro lado da mesa, Draco sorriu vitorioso para Rony.
-Então se ninguém tiver mais nenhuma pergunta a fazer, considero encerrada esta reunião.
-Diretora – disse Draco levantando as mãos, Minerva o olhou autorizando a falar – Quando posso me mudar para o meu quarto?
- Na verdade, senhor Malfoy, suas coisas já foram transferidas para o seu novo quarto. Espero vocês dois para uma reunião mais tarde. Tudo bem para vocês?
-Sim, professora – respondeu Draco em um sorriso tão grande que iluminou até a diretora.
*****
Após a reunião, Hermione se trancou em seu quarto. Não acreditava no que estava acontecendo. Em poucos dias havia descoberto que seu namorado — aquele que acreditava que seria o pai de seus filhos — a traíra; seu, até então, maior inimigo em Hogwarts se declarara apaixonado por ela e o pior, por mais que tentasse fugir dele, agora tinham um espaço comum que teriam que dividir.
Hermione ainda pensava em tudo isso quando ouviu batidas em sua porta que dava para o Salão Comunal de Grifinória. “Só me faltava essa... O Rony querer conversar comigo justamente agora”, pensou Hermione com raiva. Chegou mais próximo da porta e gritou perguntando quem era. Foi com alívio que percebeu que era Gina quem a chamava.
-Oi Mi, como você está?- perguntou Gina com um sorriso que logo fechou ao ver a cara da amiga – Nossa, que cara! Estou vendo que não está nada bem, a questão é: essa cara é pelo mesmo motivo que o Ron chegou cuspindo fogo lá no salão comunal?
Hermione apenas olhou para a amiga, Gina prosseguiu.
-Como você sabe, nem eu e nem o Harry estamos dando muita atenção para ele. Eu, por mim – Gina colocou as mãos no peito – o teria azarado e falado com minha mãe. O que eu acho que seria bem pior, mas, nem você nem o Harry permitiram que eu o fizesse. – Gina prosseguiu ao ver a amiga esboçar um sorriso – Não estamos dando muita atenção a ele, mas ele chegou com uma cara tão estranha após a reunião de monitores que eu perguntei o que ele tinha e ele me respondeu bufando que...
-Draco Malfoy é o novo monitor chefe! – respondeu Hermione em um suspiro – É... é verdade!
-E agora?
-Bem...estou pensando em uma possibilidade do Draco não me importunar mais...- disse Hermione pensativa.
-Qual?
-Vou voltar a namorar o Rony, na verdade, a gente praticamente não terminou porque ainda nem nos falamos após tudo o que aconteceu. É isso que eu vou fazer, vou retomar o namoro e dessa forma mostrar ao Malfoy que ele não tem nenhuma possibilidade comigo. – disse Hermione de forma decidida.
-Mas Mi- começou Gina com cuidado – você já perdoou o Ronald por tudo que ele te fez? Eu acho que você está arrumando mais confusões do que soluções para você. Não que eu não ache que você e o Rony deveriam se acertar, para ser muito sincera, eu adoraria que isso acontecesse. Amo a ideia de sermos família. Mas o que o Ronald fez foi muito sério e você deveria pensar bem antes de retomar qualquer coisa com ele.
-Eu te amo, minha amiga. – Hermione abraçou Gina – Mas eu preciso resolver isso de alguma forma. Eu não deixei de gostar do Ron. Assim, acredito que algo se quebrou, está meio estranho... Mas acho que não acabou o amor. Na verdade, eu só vou acelerar o que aconteceria de forma mais lenta. Você não acha? – Hermione perguntou com esperança que Gina concordasse consigo.
-Não sei, Mi. Sinceramente não sei.
*****
-Belezinha esse seu quarto hein, Draco? – Blás fazia uma inspeção no quarto do amigo. — O mais bacana é a ligação com o salão comunal da Sonserina.
-É... A idéia é que não percamos a ligação com a nossa casa original. –respondeu Draco não muito animado.
-Você está muito desanimado para alguém que acabou de ser nomeado monitor-chefe. Já conseguiu conversar com a Granger? – perguntou Blás olhando o banheiro.
-Nada. O idiota do Potter bancou o segurança pessoal a semana inteira – respondeu Draco deitando em sua cama e olhando para o teto. – Mas agora ela não tem muita escapatória... Temos alguns aposentos em comum. A não ser que mesmo para ir às reuniões de monitoria ela dê a volta pelo salão comunal da Grifinória.
-Sei. – disse Blás enquanto olhava os aposentos comuns entre Draco e Hermione. – Mas tem aquela reunião hoje mais tarde, não é?
-Sim. De hoje ela não passa. Ela vai conversar comigo, querendo ou não...
*****
-Então, senhor Malfoy, já está acostumado com os seus novos aposentos de monitor? – perguntou a diretora simpática.
-Sim, diretora. Fico lisonjeado por ter sido escolhido como o novo Monitor-Chefe. Espero fazer um bom trabalho.
-Que bom, senhor Malfoy. Vejo que o senhor está bem melhor depois de tudo o que aconteceu. Tem falado com sua mãe? – perguntou Minerva séria.
Draco abaixou os olhos. Não tinha falado com sua mãe desde a ida ao hospital. Apenas tinham trocado dois pergaminhos.
-Não acredito que o senhor ainda esteja com raiva sobre tudo o que aconteceu. Sua mãe... – Minerva parou de falar ao ver Hermione entrando.
- Pode continuar falando, diretora – disse Draco – Hermione já sabe sobre a história do meu pai.
Minerva olhou espantada para os dois alunos. Principalmente por ouvir Draco Malfoy chamar Hermione Granger pelo primeiro nome.
-Que bom que vocês estão em sintonia. Acho que o senhor foi mesmo a melhor escolha para a monitoria.
Durante meia hora Minerva falou sobre a necessidade de seus dois melhores alunos trabalharem alinhados.
-E finalmente senhor Malfoy, espero que o senhor possa ajudar a senhorita Granger, pois percebo que, mesmo sem querer, a sobrecarreguei. Foi por isso que decidi antecipar a nomeação do monitor chefe. Muito em função dela não ter se sentido bem nesta última semana.
Hermione e Draco trocaram um olhar entre si que não foi percebido por Minerva. A diretora ainda ficou conversando durante uns quinze minutos com os alunos até que se despediu.
Assim que Minerva levantou, Hermione fez o mesmo. Já ia saindo da sala quando Draco pegou em seu braço. Hermione olhou para ver se a diretora ainda estava na sala. Parou estática ao perceber que Minerva já saíra.
-Espere – disse Draco – Eu acho que precisamos conversar, Hermione.
-Desculpa, Draco. Mas não temos nada para conversar. — Hermione respondeu rapidamente.
-Como não temos? – perguntou Draco espantado – Temos muito para conversar e você sabe muito bem disso.
-Eu não posso ficar muito tempo conversando com você- disse Hermione olhando para o chão. Draco soltou seu braço e estava à sua frente. – Rony já deve estar lá no quarto me esperando.
-Como é que é?- Draco perguntou olhando curioso para Hermione. – Aquela cenoura ambulante está lá no seu quarto?- perguntou apontando na direção do quarto da menina.
Ela assentiu, balançando a cabeça, ainda olhando para o chão.
-E o que ele está fazendo lá? — ele exigiu saber.
-Ai Draco, não vamos falar sobre isso!
-Eu não acredito nisso, Hermione!!!! Você voltou para aquele, aquele...
-Voltei sim. A gente já se acertou – mentiu Hermione – Mas eu acho que você não tem nada a ver com isso, Draco. Desculpe-me.
-Eu não consigo entender, Hermione. Você é inteligente, bonita e...- Draco a olhou, descendo o olhar antes de voltar aos olhos dela. Hermione abriu a boca como se estivesse em choque. — O que te faz ficar com um merda que nem o Weasley, que além de ser um idiota, também te trai?
-Para, Draco.- disse Hermione em um sussurro.
-Não, não paro. Amor próprio não faz mal a ninguém. Esse cara é um babaca, Hermione. Ele te fez chorar, te fez sofrer!! Por Merlin!- Draco passou a mão pelos cabelos, nervoso — Vocês fizeram um voto perpétuo? É isso?
-Não, Draco! Eu apenas amo muito o Rony. — Hermione falou furiosa. Sentia raiva de Draco por confrontá-la dessa maneira.
-Você o quê? – Gritou Draco, soltando uma risada sarcástica e andando em torno de Hermione – Eu não acredito que estou ouvindo isso! Não de você, a quem julguei ser tão inteligente. Ahh não acredito – Draco bateu com sua mão na sua própria testa e parou em sua frente – Você não faria isso! – disse apontando o dedo para Hermione. — Você não pode ser tão covarde!
-Como é que é?- perguntou Hermione assustada com a astúcia do loiro.
-Você vai voltar para aquele merda para não ficar comigo! — ele afirmou — E o nosso beijo? O que você tem a dizer sobre isso?
-Veja bem, Draco – disse Hermione vermelha de raiva — Eu não vou ficar discutindo minha vida pessoal com você. -Hermione foi em direção ao quarto sem dar tempo e oportunidade de Draco lhe falar mais nada.
*****
Hermione chegou ao seu quarto totalmente descontrolada, suas mãos suavam frio e estavam levemente trêmulas. “Quem ele pensa que é para se meter na minha vida desse jeito” – rosnou jogando uma almofada longe ao mesmo tempo em que o Ron batia em sua porta e abria.
-Desculpa – disse o ruivo tão vermelho quanto seus cabelos- é que a Gina me disse que você queria falar comigo. Mas posso voltar depois, sem problemas. – disse o rapaz assustado ao olhar a cara de raiva da castanha.
-Não – gritou Hermione com raiva – Pode ficando aqui. Isso tudo começou por sua causa. Então fique quieto aí.
O ruivo não entendeu nada. Segundo sua irmã, Hermione queria conversar em clima de paz. Mas ao invés de encontrar a namorada calma, encontrou-a em clima de guerra.
-Tu-tudo bem – gaguejou Rony – vo-você que-queria conversar comigo?
-Queria não – continuou Hermione alterada. Embora estivesse ali, em seu quarto conversando com o ruivo, sua mente estava do lado de fora, na discussão que tivera com o loiro. Estava possessa com Draco. Não por ele lhe questionar, mas por saber que as palavras do loiro eram completamente pertinentes à sua situação. – Eu ainda quero! E para de gaguejar! – respondeu Hermione irritada.
-Está bem — disse Rony sem graça.
-Muito bem – respondeu Hermione seca – Eu quero lhe dizer que eu estou muito, mas muito mesmo decepcionada com você, Ronald. Eu nunca, na minha vida, imaginei que você pudesse fazer algo desse tipo comigo. Eu acho que se você queria curtir sua vida de adolescente famoso poderia ter me avisado e não me ter feito de boba como você fez!
Rony começou a ensaiar um pedido de desculpas tímido quando Hermione o cortou.
-Eu ainda não acabei de falar. – disse Hermione se aproximando perigosamente do ruivo. Este se encolheu. – Você foi baixo, muito baixo. Não esperava isso de você. Eu deveria te azarar.
-Desculpa, Hermione, eu queria te explicar e...
-Você ainda não entendeu, Ronald? Você é burro ou o quê? O que você fez não tem explicações. Então não tente me fazer de idiota...
Rony apenas balançou a cabeça afirmativamente, indicando à castanha que não daria mais nenhuma “explicação”. Hermione prosseguiu.
-Que bom que você entendeu. Então — ela suspirou fundo. Não tinha outro caminho que não fosse esse — mesmo você tendo agido de uma forma cruel comigo, eu resolvi te dar uma segunda – Hermione parou ao ver Rony esboçar um sorriso – mas somente uma segunda chance. Entendeu bem?
-Sim, Mione. – disse Rony se aproximando de Hermione para lhe abraçar.
-Eu disse que te dei uma segunda chance, não que já estamos bem. Então, por favor, não se aproxime de mim.
Rony engoliu em seco. Hermione nunca fora tão fria com ele.
-E pode ir. Preciso ficar sozinha.
Hermione soltou um suspiro e deitou em sua cama. Sabia que estava precipitando tudo, mas por ora, apenas precisava afastar Draco de si.
*****
A escola estava em polvorosa. Era a última semana antes do Natal. E, embora todos estivessem muito felizes de terem voltado para uma Hogwarts reconstruída, a saudade da família estava falando mais alto: todos queriam aproveitar o natal para retornar para suas residências.
Mesmo sendo a última semana antes das férias de natal, os monitores mantiveram sua agenda de monitoria, apenas Hermione escapou (o que a castanha adorou, pois ela transferiu sua monitoria, que seria junto com o Draco, para ser realizada pela Padma Patil, pois precisava terminar os relatórios para entregar para a diretora.
Draco recebeu com ódio a notícia que sua monitoria havia sido remanejada. Estava aflito. Faltavam apenas três dias para o término da primeira parte do ano letivo e ainda não havia conseguido conversar com Hermione.
Mal esperou Padma chegar para começar sua monitoria, andou o mais afastado possível da menina, mas às vezes parava para lhe olhar com desdém e asco.
-O que tanto me olha, Malfoy?- disse Padma com nojo — Já está me incomodando, sabia? O que você quer comigo?
-O que eu quero com você, Patil? Você só pode estar brincando comigo, não é?- respondeu Draco com desdém — Imagina se algum dia passaria na minha cabeça de eu ter alguma coisa com alguém feito você...
-Não sei como permitem um Comensal feito você aqui na escola.- Padma olhou para Draco e soltou uma gargalhada.
-E eu não sei como admitem garotas como você aqui. Na verdade eu sei sim- Draco fingiu estar pensando — Mas você está se rebaixando demais, Patil. Pegando o Weasley, que, além de idiota, tem namorada?
Padma estava chocada, mas não daria o braço a torcer.
-E isso te importa muito não é, Malfoy?- ela olhou nos olhos dele — Digo, você se importa muito com a namorada do Rony, não é mesmo? Por que, hein? Está tendo um caso com ela?
Draco ficou tão irado ao ouvir Padma falar daquele jeito da Hermione, que levou uma de suas mãos ao pescoço da menina apertando de leve, encarando-a furioso.
-Nunca.mais.fale.da.Granger.desta.forma. Você me ouviu, Patil? – Draco soltou a pressão depois que viu horror nos olhos da menina — Nunca mais. E saia de perto de mim, pois garotas assim como você — ele fez um gesto displicente com as mãos. — Eu prefiro a Parkinson, muito mais gostosa e com muito mais classe.
Draco nem esperou que a menina lhe respondesse e saiu pisando duro.
*****
Na véspera do retorno dos alunos às suas casas, Draco finalmente conseguiu encontrar com Hermione no salão comunal dos monitores chefes quando esta vinha de sua última reunião com os monitores. O rapaz correu e parou na frente do quarto da castanha:
-Até quando você pretende me ignorar, Hermione?
-Eu não estou te ignorando, Draco- Hermione respondeu irritada. – Só acho que não temos nada para conversar!
-Como não temos? – perguntou Draco exasperado.
-Então está bem, Draco. Você quer conversar, não é?
-Claro que quero – ele respondeu mais calmo.
-Então você pode me responder algumas perguntas? – Hermione estava séria.
-Claro. É só perguntar – disse Draco se posicionando na frente dela e olhando em seus olhos. Hermione suprimiu um suspiro.
-Há quanto tempo você sabia que o Ron me traía, Draco?
-Já há algum tempo, Hermione. — Draco respondeu tentando entender onde ela queria chegar com o teor daquela pergunta.
-E por que você não me contou antes?- Hermione cruzou os braços
-Você acreditaria em mim? – perguntou Draco sorrindo sarcástico — Iria correndo para aquele babaca e ainda ficaria com raiva de mim, por achar que eu estaria querendo sacaneá-lo. Da forma como foi feito, não teve como você ficar com nenhuma dúvida.
-Você é ridículo, Malfoy. – gritou Hermione — Você continua o mesmo menininho mimado e egoísta que sempre foi. As coisas têm que ser resolvidas sempre do seu jeito, não é? Na hora em que você quer e quando você decide que é a hora certa. – disse Hermione colocando o dedo na cara de Draco — Você não tem respeito por ninguém, Malfoy. Por ninguém.
-Cuidado, Hermione — ele avisou — Você está sendo injusta comigo.– sua voz era arrastada – Eu só quis te ajudar.
-Para de me chamar de Hermione! Nós não somos amigos! É Granger para você!- disse Hermione colocando o dedo na cara de Draco.
-Certo. Me desculpa – Draco falou com uma humildade que fez Hermione se estremecer — Eu achei que você não fosse fugir disso. Você disse que ia me ajudar. Ou isso também mudou?
-Foi um grande erro eu ter aceitado o seu pedido de ajuda. Você confundiu tudo!
-É uma pena, Granger, eu só quis ajudar e pensei que pudesse ser ajudado!- O olhar dele era de pesar.
-Olha Malfoy, eu dispenso sua ajuda e acho que não posso fazer nada por você.
Hermione sentiu seu coração cortado ao ver o olhar de decepção que Draco lhe dera. O loiro a olhou por mais um segundo e foi para o seu quarto. Ele não se humilharia mais.
Hermione correu até seu quarto, deitou em sua cama e se deixou chorar. Sabia que havia sido muito rude com o loiro. Mas estava passando por um momento difícil. Não queria aceitar este sentimento, mas estava se apaixonando por Draco Malfoy. No entanto, tinha a certeza que tinham destinos totalmente opostos. Por isso achou melhor afastá-lo de si.
*****
Finalmente o grande dia chegara, os alunos estavam radiantes com o retorno para as suas casas. Menos Hermione. Estava arrependida de tudo o que falara e da forma como falara com Draco no dia anterior. Assim que terminou a divisão de monitoria na cabine de monitores, pediu para que o loiro aguardasse.
-Draco, acho que precisamos conversar.
-Acho que tudo o que você tinha para me dizer, Granger – disse Draco pesaroso – você me disse ontem. É melhor você ir, antes que seu namoradinho venha atrás de você. – Draco parou e olhou para a castanha – ou de qualquer uma que resolva olhar para ele por cinco minutos. Aí você vai precisar fingir que não viu ou arranjar outra desculpa para ficar com ele.
Draco nem viu a hora em que Hermione lhe bateu, só sentiu o rosto arder. Com raiva pôs a sua mão no rosto e olhou para a castanha.
-Ai Draco, me desculpa – Hermione correu até o loiro – Ai, o que foi que eu fiz? Me desculpa.
-Deixe-me Granger! Seu recado já está dado. -E sem dizer mais nada saiu em direção à cabine da Sonserina.
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