Revendo Conceitos
14 Revendo Conceitos
Hermione entrou na cabine onde estavam seus amigos e namorado. Sentia-se pesada e cansada. Em pouquíssimo tempo precisou tomar uma série de decisões que ela tinha dúvidas se eram corretas. Percebeu que Gina tentava estabelecer contato visual, mas bloqueou sua mente. Ela estava cheia demais para permitir que alguém a lesse. Fechou os olhos e encostou sua cabeça no vidro da janela do trem. Apenas os abriu quando sentiu uma cabeça encostar em sua perna: era Rony que deitava em seu colo como se nada houvesse mudado entre eles. Olhou mais uma vez para Gina que permanecia olhando para ela. Mais uma vez desviou o olhar. Preferia olhar a paisagem...
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Rony havia notado que Hermione voltara muito estranha da cabine dos monitores. Não ficou nem um pouco confortável em deixá-la lá, tinha uma sensação que Draco Malfoy estava interessado em sua namorada, por mais improvável que isso fosse. No entanto, ela havia insistido que precisava conversar à sós com o loiro, “que precisavam alinhar algumas coisas” da monitoria. Quando ela voltou, ele teve certeza de que a castanha mal notara sua presença. Resolveu deitar em seu colo para chamar atenção, mas logo adormeceu...
No sonho, estava no quarto de Hermione. Viu os livros empilhados nas prateleiras, a cama de dossel com o edredom vermelho e dourado, o tapete com o símbolo de Grifinória. Estava deitado no sofá da antessala, como tantas vezes havia ficado, esperando que ela terminasse de estudar para que pudessem namorar.
Percebeu que a porta do quarto estava aberta e Draco Malfoy estava encostado na parede com os braços cruzados, com um sorriso desdenhoso de canto de boca.
Rony tentou acordar, da forma como sempre tentava em pesadelos, forçando os olhos a abrirem. Nada. O sonho não cedeu. E Draco sorriu como se soubesse exatamente o que ele estava tentando fazer.
- O que diabos você faz aqui, nos meus sonhos? — perguntou Rony furioso para Draco.
- Bem, parece que finalmente você está sonhando com algo que preste. — Draco falou com um sorriso de desprezo.
- O que quer comigo? — Rony perguntou seco, se aproximando de Draco e lhe desferindo um soco que o atravessou sem o ferir.
- Eu? Hum... nada. — Draco falou sorrindo arrogante. — O que eu iria querer com um pobretão como você? Mas de qualquer forma, eu estou aqui para te mostrar seus erros.
-E "você" vai me mostrar meus erros? Logo você? — Rony desdenhou. — Dispenso, Malfoy! Como eu acordo?
- Admita, você se sente inferior a mim até em seus sonhos, não é mesmo? — Draco sorriu de lado. — Sinceramente? Eu preferia estar em outro sonho, mas parece que você precisa aprender algo.
- E o que você, logo você, um aprendiz de comensal vai me ensinar?
Draco não respondeu de imediato. Apenas ergueu uma sobrancelha e com um gesto lento, quase entediado, da mão, as paredes do quarto começaram a escurecer. O sofá onde Rony estava desapareceu sob seus pés. O teto subiu. E quando o ambiente parou de se transformar, Rony percebeu que estava preso — correntes invisíveis prendiam seus braços acima da cabeça, seus pés mal tocavam o chão.
Ainda estava no quarto de Hermione, mas agora via tudo de longe, como se fosse um espectador que não tinha direito de participar.
- Você não pode fazer isso — rosnou Rony tentando se soltar. — Isso é o meu sonho.
- Era — disse Draco com uma voz arrastada e satisfeita, caminhando devagar pelo quarto como se fosse dele. Passou os dedos pela lombada dos livros de Hermione na estante com uma familiaridade que fez o estômago de Rony embrulhar. — Agora é meu.
A porta do banheiro se abriu e Hermione entrou, com o cabelo ainda úmido, enrolada em um robe. Parou quando viu Draco no centro do quarto, Rony notou que ela não se assustou.
- Você demorou — ela falou de forma simples.
- Tive que resolver uma coisa primeiro. — Draco inclinou a cabeça em direção a Rony preso nas correntes, como se ele fosse um detalhe de decoração incômodo. — Ele queria participar.
Hermione olhou para Rony e o coração dele parou por um instante porque a castanha não o olhava com raiva, e sim com cansaço e tristeza. Um tipo de cansaço de quem já chorou tudo que tinha para chorar e agora só queria seguir.
- Hermione! — Rony gritou. — Não faz isso! Você sabe que eu sinto muito!
- Você sempre sente muito, Ronald. — Ela respondeu. — Depois.
- Eu te amo! Você sabe que eu te amo!
Ela não respondeu. Virou para Draco como se Rony tivesse deixado de falar. Draco, por sua vez, caminhou até ela calmamente, levantou a mão e afastou o cabelo molhado do rosto de Hermione com ternura. Ela sorriu tímida.
-Para! — Rony berrou se debatendo nas correntes. — Tira a mão dela! HERMIONE!
- Ela não te ouve quando eu não quero — disse Draco sem nem se virar, os olhos ainda em Hermione. — É prático, não acha?
Hermione fechou os olhos quando Draco se aproximou mais e beijou seus lábios delicadamente. Rony lutava contra as correntes com tanta força que sentia os pulsos doendo, mesmo dentro do sonho.
- CHEGA! — gritou Rony. — EU ENTENDI! CHEGA!
- Entendeu? — Draco finalmente se virou para ele.
O sorriso havia sumido. Ele caminhou devagar até ficar a um palmo de Rony, e abaixou a voz até que soou como uma sentença perigosa.
- Espero que sim. Porque a próxima vez que você a fizer chorar — ele pausou, e os olhos cinzas encararam os olhos azuis.- não vou precisar de sonhos para acabar com você.
Rony o olhou com raiva. Draco continuou.
-E quando você entender que perder ela foi a coisa mais idiota que já fez na sua miserável vida... ela já vai estar comigo. — Draco inclinou levemente a cabeça. — Eu vou estar de olho em você, pobretão.
Rony acordou sobressaltado e assustado. Levantou em um pulo com a varinha em riste.
-Cadê ele? Cadê aquele filho da puta?- gritou apontando a varinha para os seus amigos. Aproximou-se rápido da Hermione a assustando. -Ele estava aqui agora mesmo!
-Ele quem? — Perguntou Hermione assustada.
-Aquele sonserino filho da puta do Draco Malfoy. Ele estava aqui agora — Rony abaixou os olhos e a voz, envergonhado — te abraçando e beijando — a última palavra saiu em um sussurro. Hermione não ouviu.
-Rony, só estamos nós quatro aqui. O que houve? — insistiu Hermione
-Aquele sonserino covarde me lançou um feitiço. Maldito! — disse Rony com raiva.
-Isso não faz sentido — respondeu Hermione aborrecida – Mas eu vou lá falar com ele agora.
-Nããããããooooo — gritou Rony assustando a todos dentro da cabine. – não vou deixar que vá sozinha.
-Rony, você está muito nervoso. Deixa que eu mesma resolvo isso.
E saiu sem esperar por Rony.
Na verdade, Hermione queria procurar pelo Draco. Gostaria de pedir desculpas pelo tapa que lhe dera em um momento de total descontrole. O encontrou deitado no colo de Emília Bulstrode.
-Malfoy, o que você aprontou para o Ronald? – a voz de Hermione soou como uma ordem, mas sem resposta. — Anda Malfoy! Não adianta fingir que está dormindo. – Hermione falou aborrecida.
Risinhos soaram pela cabine e Hermione percebeu que estava cheia de sonserinos. Foi Blaise quem resolveu falar.
-Ele não está fingindo, Granger. Está dormindo desde que voltou da reunião de monitores com uma cara de que mataria o primeiro que passasse na frente dele.
Hermione estreitou os olhos desconfiada com a informação de Blaise. Ia falar quando ouviu a voz de Rony próxima à si.
-Cadê aquela doninha? – Perguntou Rony aos berros. Draco pareceu despertar de seu sono.
-Mas que zona é essa na minha cabine? – Draco olhou para o Rony com desdém – Weasley, aqui não é aquilo que você chama de casa. – os sonserinos que estavam em sua cabine riram.
Rony se aproximou com a varinha apontada para Draco.
-Olha aqui, sua doninha asquerosa e repugnante – as mãos de Rony tremiam de raiva, instintivamente Blás empunhou sua varinha também — eu sei que você me enfeitiçou. Mas se você quer saber, aquilo só vai acontecer nos meus piores pesadelos. Você é asqueroso demais para que ela possa querer alguma coisa com você.
Mesmo sem ouvir seu nome, Hermione teve certeza de que o sonho de Rony a envolvia. E a Draco também.
-Eu não sei do que está falando. – respondeu Draco rindo debochado – anda sonhando comigo, Weasley?
Ao ver o sorriso debochado que Draco dera, Rony teve a certeza que o loiro o enfeitiçara. Lançou imediatamente um feitiço não – verbal.
-Opa, opa, opa, Weasley – disse Blás lançando um Protego na frente de Draco e rindo debochado. – Sua mamãe não lhe ensinou que é feio lançar feitiços em cabines alheias?
Nesse momento, Harry e Neville — que Hermione não tinha a mínima ideia de onde surgira — entraram na cabine com suas varinhas empunhadas, o que fez Draco, Blás e mais outros dois sonserinos que estavam na cabine se levantarem e empunharem suas varinhas também.
Hermione foi para o meio do confronto e gritou:
-Parem com essa palhaçada agora mesmo. – Ordenou – Malfoy, Zabini, Nott e Davis – Os rapazes a olharam — Abaixem essa varinha agora mesmo. — Hermione falou perigosa apontando sua varinha para eles. Draco foi o primeiro a abaixar e Hermione não soube se isso a deixou aliviada ou inquieta.
-E Harry, Ronald e Neville – Hermione continuou – Voltem agora para a cabine. – Hermione falou perigosa apontando sua varinha agora para eles. Harry foi o primeiro a sair. Seguido de Neville e por último Rony que ainda lançou um olhar de fúria para o loiro. Hermione, foi logo atrás dos amigos. Estava no meio do corredor quando ouviu a cabine atrás dela explodir em uma gargalhada.
O resto da viagem transcorreu dentro do possível da normalidade. Hermione ainda estava enfurecida com tudo que havia acontecido, mas preferiu não conversar sobre o ocorrido. Suspirou aliviada quando o trem finalmente chegou à estação. Iria, finalmente, reencontrar os pais.
Saiu da cabine com Rony em sua cola. Sentiu a mão do menino ruivo em sua cintura a aproximando de si. Tinha certeza de que Draco estava por perto, mas preferiu não procurá-lo com os olhos, só queria sair daquela estação e ir para casa. Pensava nisso quando escutou a voz de seu pai a chamando. Correu para abraçá-lo.
Em outra parte da plataforma, Draco observava Hermione abraçando o pai e sorriu discretamente pela felicidade da castanha. Levou um susto ao ouvir a voz de sua mãe logo atrás de si:
-Como você está lindo, meu filho.
Draco se virou em direção à sua mãe. Narcisa estava com os olhos marejados.
-E quanta saudade eu senti de você.
Draco diminuiu a distância entre os dois e envolveu sua mãe em seus braços a levantando do chão. Narcisa soltou uma gargalhada, atraindo a atenção de diversas pessoas que estavam na plataforma, inclusive o trio de amigos e seus familiares.
-Que gracinha, uma reunião de comens...-Rony falou baixo, mas interrompeu a frase por conta do olhar que Hermione lhe dera.
Hermione sorriu internamente. Ficara feliz pela reconciliação do loiro com sua mãe.
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Uma semana depois
Draco estava deitado no sofá de sua sala, olhando para o teto e pensando nos acontecimentos de sua vida no último semestre. Sorriu quando sua mãe parou em sua frente o olhando admiradamente com um leve sorriso no rosto.
-Você está muito bonito, filho. Imagino que deva estar fazendo muito sucesso em Hogwarts!
Draco sorriu galanteador. Narcisa sentou próximo ao filho, fazendo sinal para que deitasse em seu colo. Passou as mãos pelas madeixas loiras do rapaz.
-Muito bonita aquela menina que você estava olhando lá na estação. – falou Narcisa
-Não sei do que está falando, mãe – respondeu o rapaz de forma séria.
-Ahhhh Draco! É claro que você sabe – respondeu Narcisa divertida – pelo que eu sei vocês estão bem próximos. São...praticamente amigos!
-Ela não é minha amiga, não sei de onde tirou essa ideia. – respondeu Draco se levantando e indo até a janela.
-Um passarinho me contou – Narcisa disse sorrindo
-Pois esse passarinho está completamente equivocado. Insisto em dizer que entre Hermione e eu não existe nenhum tipo de amizade.
-Curioso... — disse Narcisa entre irônica e divertida.
-O que é curioso?
-O fato de chamar alguém que você não tem nenhuma relação de amizade pelo primeiro nome.
Draco suspirou. Narcisa foi até a janela e abraçou o filho.
-Vejo que o passarinho não está completamente equivocado. Embora ele esteja bastante irritado. — Draco olhou curioso para a mãe que prosseguiu — Pansy me contou.
-Ela não tem o direito de se intrometer na minha vida – Draco falou perigosamente.
-Parece-me que ela não quer perder o posto de sua namoradinha.
-Ela nunca foi minha namorada – respondeu Draco friamente voltando a olhar pra paisagem do lado de fora – Nem nunca será. O que foi que ela te disse?
Narcisa sorriu.
-Faz alguns dias que eu recebi uma coruja dela onde dizia que estava bastante preocupada com você. No início me assustei, pensei que você pudesse estar passando por algum tipo de dificuldade ou perigo. Mas logo vi que era coisa de menina apaixonada – Narcisa deu uma risada gostosa e Draco revirou os olhos com raiva. – Dizia que ela não entendia a sua aproximação com a senhorita Granger e achava que vocês eram – nesse momento Narcisa deu uma gargalhada – amantes.
Draco olhou espantado para a mãe. Não conseguia entender exatamente o que ela estava achando graça.
-É óbvio que no início eu não acreditei — Narcisa ficou séria – mas depois da cena que vi na estação, a forma como a olhava, eu agora, sinceramente consigo acreditar, para o meu total espanto, que está se interessando por uma...
-Sangue ruim – completou Draco derrotado.
-Eu iria dizer uma nascida trouxa, filho – Narcisa o olhou com carinho. Estreitou os olhos e perguntou séria – Você está interessado por ela?
Draco desarmou completamente. Não adiantava mentir para sua mãe. Até porque se o fizesse, ela era capaz de ler sua mente como fizera tantas vezes.
-Estou confuso – disse voltando para o sofá e pondo o rosto entre as mãos – São muitas novidades para mim.
- Você quer conversar?- Narcisa perguntou simpática.
Draco levantou mais uma vez. Voltou à janela.
-Gostaria de poder mudar. – falou envergonhado – mas é tão difícil. Eu nunca serei nobre e corajoso como Potter ou o idiota do Weasley.
-Filho, Potter e os Weasley não determinam os parâmetros de coragem e nobreza do mundo bruxo. Você não precisa ser igual a eles. Seja você mesmo! Apenas reveja seus conceitos. Conserte seus defeitos e potencialize o que você tem de positivo.
- Isso é tudo muito bonito na teoria, mãe. Infelizmente — olhou para a mãe com mágoa no olhar – eu não fui criado com esses ideais.
-E eu peço-lhe perdão por isso, meu filho – disse Narcisa triste – Você não tem ideia de como eu sofria a cada coisa perversa que Lucius lhe ensinava. Muitas vezes tentei intervir, mas... –
Narcisa virou o rosto. Draco percebeu que chorava.
-Ele já encostou alguma vez em você, mãe? – disse Draco enquanto fechava o punho com força. Foi em direção de sua mãe e levantou seu rosto.
-Não vamos mais pensar sobre isso, filho! O que importa é que acabou. Mas não se iluda, Draco! O mal não acabou com a morte de Lord Voldemort. Muitos vieram antes dele e muitos virão após. E eu somente anseio que você possa ficar longe de toda essa sujeira.
Narcisa secou mais uma vez as lágrimas que teimavam rolar em seu rosto. Draco passou a mão pelo rosto de sua mãe, secando-o carinhosamente. Narcisa beijou a mão dele.
-Assim queria o seu pai: você longe dessa sujeira.- Narcisa olhou profundamente para os olhos de Draco – E eu falhei!
-Não mãe, você não falhou. Ainda há muito tempo pela frente – disse o rapaz beijando carinhosamente a testa de sua mãe.
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Duas semanas se passaram e logo voltou a hora de voltarem à Hogwarts.
-Cara, já estamos voltando para o nosso último semestre em Hogwarts. Dá para acreditar? – Perguntou Blaise a Draco.
Os dois amigos estavam sentados na cabine dos monitores enquanto Draco aguardava a reunião começar.
-É...-disse Draco pensativo – esse semestre têm os N.I.E.M.s!
-E a final de Quadribol! – disse Blaise sonhador
Draco ia responder, entretanto parou ao ver quem entrava na cabine.
-Olá meninos. Como foram as férias?- Pansy perguntou sorrindo — E você, Draquinho? Descansou bastante?
-Blás, você poderia me deixar sozinho com a Pansy? Feche a porta, por favor – disse ao ver o amigo saindo da sala.
-Ahhh Draquinho! – disse Pansy correndo e pulando no pescoço de Draco – Sabia que essas férias fariam bem a você.
Draco fechou os olhos com raiva. Como podia ser tão sonsa? Pansy por sua vez, se aproximou mais ainda do loiro e fechou os olhos.
-Eu sabia que você voltariaaaAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII Draco, está me machucando – Pansy abriu os olhos assustada. Draco segurava seu pescoço, não fazia pressão, mas mantendo-a olhando para si.
-Ouça bem Pansy, por que eu não vou repetir – Draco falava cada palavra pausadamente, Pansy olhou em seus olhos e se assustou com a frieza do rapaz.- A próxima vez que você ousar falar da minha vida para quem quer que seja, eu acabo com você!
-Ahhh vejo que Narcisa te colocou no eixo. Sabia que sua mãe tinha bom senso. O que houve? No mínimo ela lhe lançou um crucio por ficar andando com uma sangue ruim, não foi?
Draco soltou o pescoço de Pansy e foi se aproximando perigosamente dela. A morena, por sua vez, foi caminhando para trás assustada com a expressão do rapaz. Bateu em uma mesa. Draco se aproximou apertando o seu queixo.
-Você é louca ou o quê — falava baixo e perigoso- não brinq...
-Desculpa se atrapalho — Hermione disse entrando na sala acompanhada de Rony. De onde estava, só conseguia ver Draco e Pansy muito próximos.
-Da próxima vez, bata na porta, Granger. Você quase viu uma cena que te chocaria, né Draquinho? — E se afastou do rapaz lançando um beijo. Draco apenas sorriu. Um sorriso debochado e perigoso. Hermione fingiu não ver.
-Desculpa, mas vocês tinham outras cabines para fazerem isso. A reunião começa em alguns minutos.
Logo a cabine começou a encher com os outros monitores. Hermione pediu que sentassem e começou um discurso breve:
-Essa é a nossa última viagem de trem à Hogwarts. Não vou me alongar, prefiro que aproveitem e se deleitem com ela, é claro com responsabilidade — completou rapidamente. Quase todos riram — Essa reunião é apenas uma formalidade que precisamos cumprir. Deixo para discutir coisas mais sérias quando chegarmos em Hogwarts. Deseja acrescentar alguma coisa, Malfoy? -Hermione disse olhando para Draco.
-Não, Granger! Boas palavras, acho que estamos todos querendo realmente curtir nossa última viagem.
-Ótimo — respondeu Hermione sorrindo- Vocês podem ir. Malfoy, precisamos conversar — disse olhando o loiro sentado em sua frente. Ele apenas acenou afirmativamente.
-Rony? — Hermione olhou para o namorado. — Você pode me deixar sozinha com o Malfoy? É particular! — explicou com carinho.
-Não vou te deixar sozinha com esse cara. — Rony respondeu sem olhar para Draco. O rapaz loiro revirou os olhos.
-Ron, precisamos conversar sobre assuntos de monitoria. — Hermione começava a ficar irritada.
-E desde quando assuntos de monitoria virou segredo de Estado?
-Ahhh quer saber? Que seja feito como a sua vontade — Draco fechou a cara. Queria poder ficar sozinho com a castanha. Rony sorriu. — Malfoy, conversamos em Hogwarts! Vamos Rony! — e saiu deixando um loiro satisfeito pela cara que o ruivo fez.
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-Então, o que vamos fazer? — perguntou Harry aos amigos assim que chegaram no salão comunal de Grifinória.
-Hum, podemos ficar de papo furado e bebendo cerveja amanteigada no quarto da Mi — respondeu Rony.
-Boa ideia, mas eu queria tomar um banho primeiro. Pode ser?- perguntou Gina abraçando Harry.
-Ótimo, Gina. Também vou tomar um banho. A gente se encontra em meia hora? — Hermione respondeu.
-Fechado — falaram os quatro juntos.
Hermione foi para seu quarto e trancou a porta que dava passagem para o salão comunal de Grifinória. Foi direto para a sala de monitoria, estava ansiosa para falar com Draco. O encontrou sentado na cadeira com os pés em cima da mesa. “É impressionante como é abusado” pensou a castanha, divertida.
-Malfoy — Hermione chamou baixo — Te atrapalho?- perguntou quando o loiro virou a cabeça em sua direção.
-Claro que não, Granger — Draco sorriu simpático, se levantando — Estava te aguardando.
-Bem — Hermione começou tímida — sem muitas delongas, acho que te devo desculpas – disse Hermione de cabeça baixa – pelo o que houve no trem há algumas semanas.
-Não precisa se preocupar com isso! – disse Draco calmo – Eu também te devo desculpas. Não deveria ter falado com você daquela forma. Eu não tenho que me meter em sua vida.
-Ahhh bom — Hermione respondeu sem graça. Tinha a sensação que a conversa seria mais longa. -Que bom então que me desculpa. Não precisa se preocupar também não. Bem, já vou — disse saindo da sala.
-Granger — Draco a chamou sorrindo — A sua direita ainda é bem forte!
Hermione ficou vermelha.
-Ahhh, me desculpe — Hermione riu sem graça -doeu?
-Bastante — Draco riu também — mas já passou.
-Ai que vergonha — Hermione colocou as mãos sobre o rosto, sorrindo de leve — Bem, preciso ir.
-Granger — chamou o loiro mais uma vez. Hermione virou o rosto — E seus pais? Como foi? Os vi na Estação!
Hermione sorriu. Para Draco, pareceu que o sorriso iluminou a sala.
-Foi ótimo! Ficamos muito bem, super unidos esse tempo. Eles até aceitaram passar o Natal na Toca — Draco fechou a cara e Hermione percebeu, completou rápido. — E sua mãe? Vi vocês na Estação. Ela parecia bem.
Foi a vez do Draco sorrir.
-Ela está ótima. Ficamos muito próximos esses dias. Ela vai me ajudar a mudar — Hermione ficou vermelha — Ela torce pela minha mudança.
-Que bom, Malfoy! Fico sinceramente feliz por vocês dois. Agora preciso realmente ir.
-Granger — Draco chamou e completou rápido ao perceber que a castanha ficara impaciente — Desculpa. É que eu queria te dar uma coisa — E com um aceno de varinha fez um pacote entrar flutuando pela sala. — Tome, é seu!
-O que é isso? — perguntou Hermione espantada olhando a embalagem
-Seu presente de natal — respondeu Draco de forma simples
-Não posso aceitar — disse Hermione devolvendo o pacote — Desculpa — completou ao ver a cara do rapaz.
-Por favor, Granger. Me sentirei completamente desprivilegiado. Aceite, por favor! Abra, veja o que tem dentro.
Hermione aceitou o pacote. Não sabia se era correto, mas abriu e o que viu dentro fez com que qualquer protocolo sobre o que era ou não adequado deixasse de existir. Correu e abraçou o rapaz. Soltou-o , sem graça, quando sentiu que ele lhe retribuía o abraço.
-Desculpa. — disse Draco sem graça ao notar que a abraçara sem sentir — Gostou? — Apontou a embalagem com a cabeça.
-Ahhh claro — respondeu sorrindo — Mas não precisava, esse livro é raríssimo, como o encontrou?
-Em um condado próximo. Em um sebo. Tinha dois, acredita? Comprei um para mim e lembrei de você. Já havíamos conversado sobre ele. Lembra?
-Claro que lembro! — respondeu exultante. Olhou o relógio na parede — Malfoy, realmente preciso ir. A Gina está me esperando
- Claro, Granger!
Hermione saiu da sala sorrindo. Entrou em seu quarto cheirando e beijando o livro. Não notara, mas um certo ruivo a observava sentado em sua cama...
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