Retirando-se da competição

4 Capítulo Bônus - Listrado é a cor mais quente


Notas iniciais
Oi, amigos! (Lou here) Desculpem a demora, mas é que a Emy e eu estamos atoladas de coisas para fazer. Ela com as provas escolares dela, e eu com uns projetos socio-culturais que estou participando no meu município. Esse ainda não é o próximo capítulo... é como o título diz: um bônus. É um POV Bingley, só para não deixar vocês sem nada. Além disso, é uma ideia que tivemos e que vamos repetir ao longo da fic. É curtinho, mas espero que gostem e que comentem (; (Também não foi um dos melhores textos que já escrevi, por isso peço perdão adiantado -q) Abraços xo

Era fato que eu estava mais empolgado com o jantar de recepção dos calouros do que Darcy. Nunca dispensei uma oportunidade de fazer novas amizades, comer com fartura e conhecer garotas bonitas e necessitadas de um guia que lhes mostrasse as edificações de Meryton de bom grado. Era muito fortuito, aliás, que eu tivesse essa disposição e vasto conhecimento da planta da escola. Darcy, por outro lado – eu sabia –, preferia ficar no quarto mandando e-mails para Londres – isso segundo ele, mas aposto que na verdade o safado espera até que eu saia para ver pornografia na web. William não é nenhum príncipe.

De toda forma, não dava para escapar do primeiro jantar oficial – o regimento deixava isso bem claro. Então, já que a companhia do meu amigo estava garantida, minha única preocupação era me vestir bem.

— O que você acha deste terno, Darcy? – perguntei a ele porque é preciso admitir que o cara tem um gosto para roupas bem melhor do que o meu. É que sou assim mesmo: um desleixado nato. Minha irmã Caroline pegou para si toda vaidade durante a nossa gestação.

— Está ótimo.

— Você acha mesmo? Não estou parecendo uma zebra idiota com todas essas listras?

— Não, está fino.

— Se você diz... – se o Darcy diz, é porque é fato.

...

Lá pelas 18h30 nós saímos para o saguão para encontrar a Caroline e sua amiga Anne, uma garota alta e magricela que se diz descendente da realeza da Dinamarca... Noruega... Sei lá! Algum país europeu que ainda vive em uma monarquia. Ela é até bonitinha, mas fresca de dar dó.

— Charles Bingley! De que inferno saiu esse terno horroroso?! – Caroline interpelou, chocada ao mesmo tempo que ácida.

— Não sei do que você está falando, Caroline. Eu estou fino – tentei me defender usando as palavras de Darcy, mas pude ouvi-lo se esforçar para disfarçar o riso atrás de mim. Eu devia ter desconfiado desse canalha desde o início. — Você nem estava olhando quando pedi sua opinião, não é?

— Desculpe, Chuck... mas veja bem: agora estamos quites. Você me obrigou a vir, e eu te induzi a se vestir como uma droga de uma zebra – Darcy sorriu fazendo troça. Ele devia ter pensado melhor antes de tirar onda comigo; Charles Bingley não é homem que deixa barato. Quando ele menos esperasse, eu desfaria aquele topete de boqueteiro que ele leva horas para arrumar.

— Nossa, Darcy, eu não sabia desse seu lado vingativo – Caroline disse com a solércia de sempre. Não me leve a mal, eu adoraria ser cunhado do meu melhor amigo, mas eu precisaria de outra irmã para isso.

— É, é, tem muitas coisas que você não sabe sobre ele. Vamos entrar? – propus para pôr fim àquela palhaçada, e o quarteto concordou, já que o salão principal estava começando a lotar.

...

Às vezes a gente só precisa de uma olhada de relance para encucar com alguma coisa. Pode acreditar. Eu, por exemplo, estava começando a me entediar com aquela conversa sem graça do professor de educação física e do Diretor sobre a implantação de polo aquático na escola, quando vi uma belezinha perto dos pratos. Eu achei que vi, pelo menos, porque quando olhei de novo, ela havia desaparecido. Então comecei a procurar por todo canto e me dispersei completamente do papo.

— Você não concorda, Sr. Bingley? – a voz grave do professor me dragou de volta à realidade.

— O que?

— Você não acha que Meryton tem potencial para formar uma forte delegação feminina de esportes aquáticos?

— Sim, claro. Com licença, senhores, eu acho que já estou com fome agora.

Darcy me direcionou um olhar interrogativo que nem me preocupei em responder. Eu só queria encontrar aqueles cabelinhos loiros e ter a certeza de que não foi uma visão celestial, o que eu tive.

Precisei dar um baita giro no salão antes de finalmente vislumbrar meu anjo face a face, sentada na grande mesa de madeira que a gente chamava de “mesa da Corvinal”, porque era onde sentavam os nerds. Ela estava cutucando um pudim com a colher enquanto prestava atenção à fala da amiga morena com pinta de espirituosa.

Inflei-me de coragem e me aproximei, decidido a descobrir se ela era uma menina legal ou uma dessas insossas que infestam Meryton. Sei que até soo como Darcy falando assim, mas bem que é verdade.

— Você está cometendo um grande erro – disse por fim, quando já estava atrás delas.

As duas interromperam a conversa, sobressaltadas com a intrusão, e me indagaram com o olhar o que diabos eu queria dizer com aquilo.

— Digo, hã, não se desdenha um pudim assim – tratei de completar, um pouco nervoso. A loira abriu um sorriso digno de uma pintura do Da Vinci e disse:

— Bonito terno – e ela nem falou isso com maldade, no duro.

Nós não trocamos nem duas frases direito e eu já sentia como se ela fosse a pessoa que eu mais queria conhecer na face da Terra. E era mesmo. Eu estava com todos os dedos cruzados, até os do pé, torcendo para ela não ser uma sem sal.

— Obrigado, eu estava tentando fazer uma homenagem à mascote da escola. É uma zebra, sabe?

— É sério? – ela perguntou impressionada, sem duvidar de mim nem nada.

— Não. Na verdade, é uma águia, mas não seria legal se fosse?

— Sim.

E aí nós ficamos sorrindo um para o outro até a amiga morena pigarrear e nos lembrar de nos apresentarmos.

— Sim, claro, certo... Charles Bingley.

— Charlotte Lucas.

Tenho a sensação de que o destino gosta de provocar. Não é muita coincidência que nossos nomes comecem com as mesmas cinco letras? “C-h-a-r-l”. Ou é uma grande coincidência ou o destino é mesmo um aporrinhador.